{"id":6152,"date":"2022-08-03T15:54:50","date_gmt":"2022-08-03T15:54:50","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6152"},"modified":"2022-09-09T13:17:44","modified_gmt":"2022-09-09T13:17:44","slug":"ha-sempre-um-caminho-diferente-na-festa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/08\/03\/ha-sempre-um-caminho-diferente-na-festa\/","title":{"rendered":"H\u00e1 sempre um caminho diferente na Festa do Avante!"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cA Festa do Avante \u00e9 uma festa para todos porque cada um e todos encontram nela motivos de interesse para participarem, para viverem, para conviverem\u201d, diz-nos Alexandre Ara\u00fajo, dirigente do PCP. \u201cE, portanto\u201d, conclui, \u201cse ainda n\u00e3o a conhece, aproveite este ano para a conhecer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tentemos, por isso, cumprir essa tarefa dif\u00edcil de antever esta Festa que vai j\u00e1 na sua 46.\u00aa edi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o seguindo apenas um trilho, mas seguindo os v\u00e1rios que se cruzam sem atropelos apesar dos milhares tra\u00e7ados numa \u00e1rea imensa livre para a cultura, nas suas mais variadas express\u00f5es. \u201cUma festa que\u201d, como explica Alexandre Ara\u00fajo \u201cprocura, no conjunto das suas realiza\u00e7\u00f5es, ter tudo aquilo que \u00e9 resultado do trabalho, da criatividade, do esfor\u00e7o, da realiza\u00e7\u00e3o humana\u201d, e que tamb\u00e9m na pol\u00edtica, \u201cn\u00e3o deixa tema de fora do debate\u201d, acolhendo, \u201cquer no espa\u00e7o central, no internacional, no espa\u00e7o livre e tamb\u00e9m nos espa\u00e7os das dire\u00e7\u00f5es regionais, n\u00e3o menos de 50 debates\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez o melhor seja come\u00e7ar por dois dos andarilhos que se v\u00e3o cruzar nesta Festa, Jos\u00e9 Saramago e Adriano Correia de Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p>Num di\u00e1logo musical permanente e livre, mas com o sentido das palavras que Jos\u00e9 Saramago deixava cair em toda a sua obra, este ser\u00e1 um dos destaques da Festa. Com um alinhamento musical que segue uma parte muito importante \u201cda hist\u00f3ria da M\u00fasica Ocidental\u201d, explica-nos Pedro Tadeu, jornalista e um dos desenhadores desta Festa, Saramago comemora ali os 100 anos de nascimento: \u201cEm trechos, na obra de Saramago, nas suas entrevistas, fomos buscar, com ajuda de especialistas, refer\u00eancias musicais. E h\u00e1 uma associa\u00e7\u00e3o entre a obra escrita e a obra musical. Com a obra de Saramago acabamos por alcan\u00e7ar a hist\u00f3ria da M\u00fasica Ocidental que vai do barroco, de JS Bach, \u00e0 m\u00fasica contempor\u00e2nea, que \u00e9 o caso da obra de Ant\u00f3nio Pinho Vargas inspirada em tr\u00eas obras de Jos\u00e9 Saramago\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O espect\u00e1culo ter\u00e1 lugar no palco 25 de Abril, quando, \u00e0s 22 horas, a Orquestra Sinf\u00f3nica ali nos assinalar os 100 anos do nascimento de Jos\u00e9 Saramago para uma vida, a que viveu e a que nos permite viver por muitos mais anos.<\/p>\n\n\n\n<p>E ser\u00e1 ali que este andarilho se cruzar\u00e1 com um outro, Adriano Correia de Oliveira, um jovem que celebraria 80 anos se n\u00e3o nos tivesse deixado aos 40 anos e cuja obra ali, no Palco 25 de Abril, a voz de Paulo Bragan\u00e7a vai homenagear, apresentando o seu mais recente trabalho dedicado a Adriano Correia de Oliveira. Mas tamb\u00e9m ali Adriano vai estar quando o Canto D\u2019Aqui e a Orquestra Sinf\u00f3nica de Braga subirem ao mesmo palco para interpretarem can\u00e7\u00f5es de Abril, em sua homenagem.<\/p>\n\n\n\n<p>O fado \u00e9 outro caminho, \u201csempre muito acarinhado na Festa\u201d, diz-nos Pedro Tadeu, que nos pode conduzir \u00e0 voz imensa e doce de Carminho, do fadista cantautor Carlos Leit\u00e3o e de Jonas um fadista que nos prova que afinal o fado tem um forte apelo \u00e0 dan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Sigamos agora um outro trilho a caminho da Rave Avante de s\u00e1bado \u00e1 noite. \u201cN\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma m\u00fasica apenas para abanar o capacete\u201d, diz-nos Pedro Tadeu. \u201cSer\u00e1 uma noite de m\u00fasica de dan\u00e7a, mas focada nas quest\u00f5es quer da viol\u00eancia dom\u00e9stica, dos direitos das mulheres genericamente, quer da luta pela democracia e de tudo o que isso implica\u201d. O desafio \u00e9 lan\u00e7ado a tr\u00eas DJ: Violet, Yazzus e Renata. V\u00e3o dar um espet\u00e1culo no Rave Avante que liga esta express\u00e3o musical \u201c\u00e0s quest\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social, contra a opress\u00e3o capitalista, colonial e patriarcal\u201d, explica Pedro Tadeu. \u201cQueremos contrariar essa ideia de que a m\u00fasica DJ \u00e9 toda f\u00fatil. Isso n\u00e3o \u00e9 bem assim, ali\u00e1s, esta m\u00fasica, nos anos 80 e 90, come\u00e7ou a ser feita quase como forma clandestina, por pessoas que assumiam uma atitude de resist\u00eancia cultural em defesa das mulheres, em defesa dos direitos \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o sexual, com refer\u00eancias ao racismo, \u00e0s quest\u00f5es de g\u00e9nero. Com o tempo perdeu-se um bocado essa perspetiva e h\u00e1 agora uma recupera\u00e7\u00e3o dessas origens\u201d. Este ser\u00e1 um trilho que, refere \u201cvamos tentar dar continuidade nas pr\u00f3ximas festas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhemos agora para outros caminhos que a Festa lhe reserva, n\u00e3o sem antes, ainda na m\u00fasica, lhe dar outras coordenadas na express\u00e3o musical, como o Fogo Fogo com Dany Silva, Dino Santiago ou a voz da brasileira Bia Ferreira, sugere-nos tamb\u00e9m Pedro Tadeu, \u201cum \u00edcone na luta feminista, bem como das minorias sexuais\u201d, ou ent\u00e3o seguindo uma \u201cprograma\u00e7\u00e3o popular, com a presen\u00e7a de alguns artistas estrangeiros, mas numa linha que \u00e9 a de a m\u00fasica feita em Portugal ou com liga\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00edngua portuguesa, ainda que possa ser falada em crioulo, e que vai do jazz \u00e0 m\u00fasica pop, com origens africanas\u201d, criadas por \u201cgrupos fora do&nbsp;<em>mainstream<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sigamos a sugest\u00e3o de Alexandre Ara\u00fajo, para outros caminhos na Festa do Avante que nos conduzem, por exemplo, \u00e0s artes visuais, com uma exposi\u00e7\u00e3o que \u201ctem como mote o fabrico do barro preto de Bisalh\u00e3es, Patrim\u00f3nio Cultural Imaterial pela Unesco e que ser\u00e1 aqui assinalado na Festa\u201d, ou para outras das artes perform\u00e1ticas representada, para al\u00e9m da m\u00fasica, que \u00e9 o Teatro, aqui representado pelas principais companhias como a Barraca, o Bando, A companhia de Teatro de Almada e o Teatro da Terra, mas tamb\u00e9m o Cinema que em sala ao ar livre, passar\u00e1 o que de melhor se vem fazendo em Portugal quer na fic\u00e7\u00e3o e no document\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos trilhos desta Festa, apagado durante a pandemia, foi o Desporto. No ano passado, diz-nos Alexandre Ara\u00fajo, \u201cj\u00e1 foram retomadas algumas atividades, mas este ano retomamos o mais importante momento desportivo: A Corrida da Festa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p> \u201cToda a Festa tem uma conce\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria virada para as crian\u00e7as, tem um espa\u00e7o pr\u00f3prio, designado Espa\u00e7o Crian\u00e7a que ocupa uma das zonas mais nobres da Festa, um espa\u00e7o novo, com uma vista fant\u00e1stica sobre o rio, com equipamentos infantis, jatos de \u00e1gua, m\u00fasica, pintura, pinturas faciais.\u201d <\/p><cite>Margarida Botelho, membro da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica do PCP<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>E por onde v\u00e3o os trilhos dos mais novos? Desde logo, diz-nos Margarida Botelho, dirigente do PCP, \u201ctoda a Festa tem uma conce\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria virada para as crian\u00e7as, tem um espa\u00e7o pr\u00f3prio, designado Espa\u00e7o Crian\u00e7a que ocupa uma das zonas mais nobres da Festa, um espa\u00e7o novo, com uma vista fant\u00e1stica sobre o rio, com equipamentos infantis, jatos de \u00e1gua, m\u00fasica, pintura, pinturas faciais\u201d. Mas um outro trilho para os mais novos leva-nos ao Espa\u00e7o Central, onde uma exposi\u00e7\u00e3o sob o t\u00edtulo, \u201cCrian\u00e7as e pais com direitos, Portugal com futuro\u201d, nos remete para uma sociedade que tem de respeitar muito os direitos da crian\u00e7a, \u201cn\u00e3o s\u00f3 para formar os cidad\u00e3os do amanh\u00e3, mas porque as crian\u00e7as t\u00eam direitos hoje e todas as fases do seu crescimento t\u00eam de ser respeitadas, nas v\u00e1rias fases do seu desenvolvimento\u201d. Pois este direito n\u00e3o pode ser dissociado \u201cdos direitos das fam\u00edlias, sobretudo dos pais\u201d, designadamente \u201cdireitos laborais \u2013 sal\u00e1rios, hor\u00e1rios, v\u00ednculos \u2013 e outros direitos mais gerais, como direito \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 escola p\u00fablica, \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, o ordenamento do espa\u00e7o p\u00fablico, os transportes p\u00fablicos, cultura, desporto, e um outro direito muito importante que \u00e9 o direito a brincar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Na M\u00fasica, destaca-se o espet\u00e1culo: \u201cM\u00e3o Verde II\u201d, protagonizado pela rapper Capicua, um espet\u00e1culo \u00e0 volta de um livro com rimas e lengalengas sobre plantas, animais, pessoas, insetos, flores, frutos que fala da natureza, a alimenta\u00e7\u00e3o, o consumo consciente e as boas pr\u00e1ticas ecol\u00f3gicas. E tamb\u00e9m dez can\u00e7\u00f5es e dois poemas musicados.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 ainda mais boas not\u00edcias: \u201cas crian\u00e7as com menos de 14 anos n\u00e3o pagam a entrada desde que acompanhadas por uma pessoa com a Entrada Permanente\u201d [bilhete da festa] e, garante, Margarida Botelho, \u201ca Festa ter\u00e1 diversos espa\u00e7os espalhados pelo terreno onde as m\u00e3es v\u00e3o poder amamentar os filhos com calma, com possibilidade de aquecer a \u00e1gua e fazer a papa e casas de banho adaptadas a crian\u00e7as\u201d. Se comprada at\u00e9 \u00e0 v\u00e9spera da festa, a EP tem o custo de 27\u20ac para os 3 dias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os 100 anos de Saramago e os 80 de Adriano ser\u00e3o comemorados na Quinta da Atalaia.<\/p>\n","protected":false},"author":153,"featured_media":6153,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"coauthors":[89],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6152"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6152"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6152\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6261,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6152\/revisions\/6261"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6153"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6152"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}