{"id":6143,"date":"2022-08-03T15:45:47","date_gmt":"2022-08-03T15:45:47","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6143"},"modified":"2022-09-09T13:17:24","modified_gmt":"2022-09-09T13:17:24","slug":"a-charge-e-um-instrumento-de-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/08\/03\/a-charge-e-um-instrumento-de-luta\/","title":{"rendered":"A charge \u00e9 um instrumento de luta"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Como foi o seu percurso at\u00e9 chegar \u00e0 ilustra\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o comecei pensando em charges [caricatura pol\u00edtica] ou pensando em desenhos de conota\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Comecei muito influenciado pelos desenhos animados que eu via na televis\u00e3o e pelas hist\u00f3rias em quadrinhos [banda desenhada]. Na verdade eu comecei a trabalhar como chargista porque n\u00e3o tinha espa\u00e7o em outros ve\u00edculos, n\u00e3o tinha nenhuma motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, nenhuma forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Comecei a trabalhar na imprensa sindical porque foi a que me abriu as portas para eu exercer meu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Cresceu numa fam\u00edlia politizada?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o cresci numa fam\u00edlia politizada. O meu pai participava em manifesta\u00e7\u00f5es antes do golpe de 64 [golpe que deu in\u00edcio \u00e0 ditadura militar brasileira e que durou at\u00e9 1985], naqueles tempos de turbul\u00eancia pol\u00edtica. Chegou a participar de algumas manifesta\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o era uma pessoa de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, de milit\u00e2ncia. N\u00e3o tive nenhuma dessas experi\u00eancias na minha fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Come\u00e7ou por trabalhar numa ag\u00eancia de publicidade. Como foi essa experi\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho na ag\u00eancia de propaganda foi anterior ao da imprensa sindical. Ali eu n\u00e3o era chargista nem fazia quadrinhos. Era ilustrador e foi uma experi\u00eancia interessante, em que pude desenvolver um lado art\u00edstico de ilustra\u00e7\u00e3o mais publicit\u00e1rio. Foi uma experi\u00eancia muito boa porque tamb\u00e9m pude trabalhar sob press\u00e3o, press\u00e3o do tempo, cobran\u00e7a do diretor de arte, e isso foi muito importante para mim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Qual a import\u00e2ncia do sindicalismo no desenvolvimento do seu trabalho enquanto ilustrador?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Como havia lhe dito, eu n\u00e3o tinha nenhuma forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e essa forma\u00e7\u00e3o foi se dar precisamente no momento em que comecei a trabalhar com a imprensa sindical. Comecei a ter contacto com pautas [reivindica\u00e7\u00f5es] da esquerda, bandeiras da esquerda, de que eu n\u00e3o tinha conhecimento pr\u00e9vio, ent\u00e3o a minha forma\u00e7\u00e3o deu-se a partir desse contacto com a imprensa sindical, com a qual eu trabalho at\u00e9 aos dias de hoje, com muito orgulho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Tem feito desenhos, sobretudo, para a imprensa alternativa e anti-capitalista. Teria sido poss\u00edvel publicar os mesmos conte\u00fados nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social ligados aos grandes grupos econ\u00f3micos e financeiros?<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas charges poderiam ser publicadas em ve\u00edculos do mainstream media [comunica\u00e7\u00e3o social dominante] do Brasil, mas certamente que a grande maioria n\u00e3o. At\u00e9 porque v\u00e1rias das minhas charges eram cr\u00edticas ao sistema financeiro, ao qual o mainstream media \u00e9 intimamente ligado. Havia cr\u00edticas, inclusive, ao pr\u00f3prio mainstream media, ent\u00e3o obviamente que o meu estilo de trabalho n\u00e3o seria bem quisto pelo mainstream media brasileiro. Hoje, por conta do governo Bolsonaro, at\u00e9 j\u00e1 cheguei a ter trabalhos publicados no mainstream media, mas n\u00e3o \u00e9 uma coisa comum, pelo menos n\u00e3o para mim. O meu trabalho j\u00e1 foi repercutido pelo mainstream internacional, mas no brasileiro \u00e9 muito restrito. Temos uma imprensa colonizada. N\u00e3o super\u00e1mos o per\u00edodo colonial, continuamos com mentes colonizadas no Brasil, e a pr\u00f3pria estrutura do mainstream media no Brasil \u00e9 uma estrutura familiar que lembra, de certa maneira, os feudos do latif\u00fandio no Brasil, que s\u00e3o empresas mantidas por fam\u00edlias, que tem tamb\u00e9m a ver com esse nosso passado colonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A democratiza\u00e7\u00e3o das sociedades e dos seus regimes pol\u00edticos passa tamb\u00e9m pela democratiza\u00e7\u00e3o da imprensa?<\/p>\n\n\n\n<p>Uma sociedade democr\u00e1tica passa por uma imprensa democr\u00e1tica e plural. Plural! Que \u00e9 o que n\u00e3o temos no Brasil. A esquerda tem muito menos voz, quando tem, no mainstream aqui, no Brasil. A direita tem muito mais espa\u00e7o, muito mais voz e a imprensa no Brasil tem uma caracter\u00edstica familiar, como referi anteriormente, que demonstra essas rela\u00e7\u00f5es de fam\u00edlias, de latifundios, criadas muito em fun\u00e7\u00e3o do per\u00edodo colonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A ilustra\u00e7\u00e3o pode ser uma importante ferramenta pol\u00edtica?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, a charge pode ser &#8211; pode n\u00e3o, \u00e9 &#8211; um instrumento de luta. A minha experi\u00eancia, por exemplo, com a Palestina, com a chamada Primavera \u00c1rabe no Egipto, no Bar\u00e9m, \u00e9 justamente isso, um manifestante se apropriando de uma charge numa manifesta\u00e7\u00e3o, fazendo com que aquela charge ecoe a sua voz, a sua luta. A charge tem um papel hist\u00f3rico. Na verdade, o papel original dela era um papel editorial. A charge \u00e9 feita para ilustrar um artigo, um t\u00f3pico, de uma publica\u00e7\u00e3o. No momento em que ela \u00e9 utilizada por um manifestante, num protesto, no momento em que \u00e9 utilizada por um professor em sala de aula, ela transcende esse papel e ganha um papel s\u00f3cio-pol\u00edtico muito relevante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Em 1999, visitou a Palestina e essa luta nunca mais deixou de fazer parte das suas ilustra\u00e7\u00f5es. De que forma \u00e9 que essa viagem o marcou?<\/p>\n\n\n\n<p>A viagem na Palestina foi um divisor de \u00e1guas, foi uma experi\u00eancia muito profunda porque eu nunca tinha visto uma situa\u00e7\u00e3o como aquela pessoalmente. Realmente em 98 voc\u00ea tinha uma situa\u00e7\u00e3o ruim para os palestinos, e hoje \u00e9 ainda pior. Mas mesmo naquela \u00e9poca foi muito claro a limpeza \u00e9tnica produzida pelo sionismo. Eu estive em aldeias palestinas que foram varridas do mapa, que hoje s\u00f3 t\u00eam pedras brancas marcando as resid\u00eancias. Estive na companhia de um senhor que cresceu naquela regi\u00e3o, que era uma aldeia palestina e que hoje \u00e9 um descampado, e ele apontava para mim e dizia \u201colha, onde est\u00e1 essa pedra branca, era a casa da minha av\u00f3. Onde est\u00e1 aquela outra era a casa de mais n\u00e3o sei quem\u201d. O nome disso \u00e9 limpeza \u00e9tnica. Ali havia uma aldeia palestina que em 48 foi simplesmente varrida, riscada do mapa. E sem falar das restri\u00e7\u00f5es que eu percebi, de movimento dos palestinos. Os carros que sa\u00edam de Jerusal\u00e9m e iam para a Cisjord\u00e2nia tinham placas [matr\u00edculas] diferentes, naquela \u00e9poca havia j\u00e1 estradas feitas exclusivamente para colonos. Ent\u00e3o, \u00e9 muito claro, eu fui testemunha ocular do aparthaid israelense. Conversei com palestinos, israelenses, com militantes, com colonos, com uma s\u00e9rie de atores daquela regi\u00e3o, actores sociais daquela regi\u00e3o e, de volta ao Brasil, comecei a desenhar sobre os palestinos e para os palestino, como uma forma de me solidarizar \u00e0 luta dos palestinos pela soberania e os direitos humanos, contra o colonialismo sionista.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1012\" height=\"623\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/cartoon_latuff_300cmyk.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6145\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/cartoon_latuff_300cmyk.jpg 1012w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/cartoon_latuff_300cmyk-300x185.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/cartoon_latuff_300cmyk-768x473.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/cartoon_latuff_300cmyk-180x110.jpg 180w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/cartoon_latuff_300cmyk-220x135.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 1012px) 100vw, 1012px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">J\u00e1 foi amea\u00e7ado ou alvo de repress\u00e3o pol\u00edtica pelo seu trabalho?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 recebi amea\u00e7as por parte de um site ligado ao Likud, que \u00e9 um partido de direita de Israel, que dizia que Israel j\u00e1 deveria ter cuidado de mim h\u00e1 muito tempo, de um jeito ou de outro. J\u00e1 recebi amea\u00e7as de partid\u00e1rios do Erdogan, presidente da Turquia. J\u00e1 recebi amea\u00e7as por conta das minhas caricaturas sobre a viol\u00eancia policial no Rio de Janeiro, no Brasil. Foram v\u00e1rias tentativas de censura ao meu trabalho. De fato eu tenho uma trajet\u00f3ria longa de tentativas de censura e amea\u00e7as, mas faz parte. Quando voc\u00ea decide pisar os calos, voc\u00ea tem de estar preparado para este tipo de rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">As quest\u00f5es internacionais e a luta dos povos s\u00e3o temas centrais no seu trabalho e h\u00e1 ilustra\u00e7\u00f5es suas em todo o mundo. Porque \u00e9 que d\u00e1 tanta import\u00e2ncia \u00e0quilo que se passa fora do Brasil?<\/p>\n\n\n\n<p>Desde garoto que sempre me interessei por temas internacionais. Na verdade, o meu trabalho reflete muito desse interesse e acredito tamb\u00e9m na solidariedade com outros povos porque, afinal de contas, voc\u00ea tem situa\u00e7\u00f5es que acontecem no Brasil e que acontecem da mesma maneira em outros pa\u00edses, como \u00e9 caso, por exemplo, a viol\u00eancia policial. Acredito que, da mesma forma que a reflex\u00e3o se d\u00e1 de maneira semelhante em diversos pa\u00edses, mesmo com culturas diferentes, l\u00ednguas diferentes, hist\u00f3rias diferentes, a solidariedade deve ser tamb\u00e9m unificada e presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como \u00e9 que olha para a situa\u00e7\u00e3o atual do Brasil? Como foi trabalhar enquanto ilustrador num pa\u00eds governado por Jair Bolsonaro?<\/p>\n\n\n\n<p>O governo Bolsonaro \u00e9 pr\u00f3digo em produzir charges, porque o chargista se debru\u00e7a sobre a desgra\u00e7a. Aqui no Brasil a gente tem uma diferencia\u00e7\u00e3o entre chargista e cartunista. O cartunista se debru\u00e7a sobre temas do quotidiano, costumes. E o chargista trabalha em temas pol\u00edticos. Para temas pol\u00edticos n\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida de que o governo Bolsonaro, que \u00e9 uma trag\u00e9dia, uma cat\u00e1strofe, a primeira vez que temos num governo um fascista cl\u00e1ssico, \u00e9, de uma certa maneira, um prato cheio para os chargistas. Nesse per\u00edodo do governo Bolsonaro, aconteceram situa\u00e7\u00f5es de tentativa de censura, quando se trata de charges sobre viol\u00eancia policial, ou charges criticando o pr\u00f3prio Bolsonaro. J\u00e1 tivemos chargistas processados, enquadrados na lei de seguran\u00e7a nacional, que \u00e9 uma lei desenvolvida no regime militar, e isso \u00e9 uma caracter\u00edstica do governo Bolsonaro, de censurar vozes dissidentes. Agora \u00e9 preciso lembrar que esses incidentes envolvendo chargistas n\u00e3o s\u00e3o exclusividade do governo Bolsonaro. Eu tive v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es, de amea\u00e7as, de tentativas de censura, que foram feitas antes do governo Bolsonaro. No governo do Fernando Henrique [Cardoso], no governo Dilma, no governo Lula, o que nos leva a crer que essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 espec\u00edfica desse ou daquele governo, \u00e9 problema do Estado Brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A candidatura de Lula da Silva abre uma janela de esperan\u00e7a para o futuro?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu creio que estamos numa situa\u00e7\u00e3o realmente cr\u00edtica. O Lula n\u00e3o \u00e9 o Che Guevara do ABC [sindicato dos metal\u00fargicos no qual Lula da Silva iniciou a sua interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social], o salvador da p\u00e1tria, um messias. Ele \u00e9 um presidente que j\u00e1 teve uma experi\u00eancia como presidente, governou o Brasil por dois mandatos e fez um bom governo. N\u00e3o \u00e9 um revolucion\u00e1rio mas fez um bom governo. Atentou para pautas sociais importantes mas, nesse exato momento, a elei\u00e7\u00e3o do Lula tem uma import\u00e2ncia muito grande porque ele agora representa a luta contra o fascismo. O que temos neste momento no Brasil j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 simplesmente mais direita versus esquerda. \u00c9 a civiliza\u00e7\u00e3o versus a barb\u00e1rie, est\u00e1 muito claro, isso. Eu n\u00e3o espero que um governo Lula seja revolucion\u00e1rio. Mas uma coisa \u00e9 certa, o Lula ter\u00e1 sobre os seus ombros uma responsabilidade muito grande de reconstruir o Brasil cujo governo Bolsonaro, nesses quatro anos, fez pol\u00edtica de terra arrasada. O Brasil nunca esteve com \u00edndices sociais t\u00e3o ruins, nunca teve uma quadrilha comandando o Planalto [sede da presid\u00eancia do Brasil]. O papel hist\u00f3rico que o Lula vai cumprir nesse pr\u00f3ximo mandato, se tudo der certo, \u00e9 um papel de reconstru\u00e7\u00e3o nacional, porque o Brasil est\u00e1 destru\u00eddo por conta desse desgoverno do Bolsonaro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem consiga atrav\u00e9s da ilustra\u00e7\u00e3o e da caricatura traduzir aquilo que por vezes nos custa dizer em palavras. \u00c9 o caso deste caricaturista nascido no Rio de Janeiro, que inspira a reflex\u00e3o cr\u00edtica, quando n\u00e3o a revolta, atrav\u00e9s do desenho. Com um percurso art\u00edstico reconhecido em todo o mundo, o trabalho de Carlos Latuff j\u00e1 foi adotado por in\u00fameros movimentos e povos em luta como ferramenta de den\u00fancia e transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":6144,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6143"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6143"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6143\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6260,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6143\/revisions\/6260"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6144"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6143"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}