{"id":6118,"date":"2022-07-08T11:39:10","date_gmt":"2022-07-08T11:39:10","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6118"},"modified":"2022-07-11T10:30:07","modified_gmt":"2022-07-11T10:30:07","slug":"um-alfaiate-revolucionario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/07\/08\/um-alfaiate-revolucionario\/","title":{"rendered":"Um alfaiate revolucion\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Nascido naquele concelho, em 1898, mas cedo radicado em Lisboa, ele destacou-se no antigo movimento sindical livre ainda no tempo da 1\u00aa Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro na Juventude Sindicalista, onde preponderava a ideologia anarquista. Foi a\u00ed dirigente do n\u00facleo de trabalhadores da ind\u00fastria do vestu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois no sindicato dos oper\u00e1rios alfaiates de Lisboa, de cuja dire\u00e7\u00e3o foi presidente pelo menos duas vezes &#8211; em 1925 e em 1930.<\/p>\n\n\n\n<p>A n\u00edvel pol\u00edtico, aderiu ao Partido Comunista Portugu\u00eas logo de in\u00edcio. Em 1924 era seu dirigente local, na freguesia de Arroios. E permaneceu militante deste partido at\u00e9 falecer &#8211; em 1992.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resist\u00eancia ao fascismo<\/h2>\n\n\n\n<p>Como sindicalista, j\u00e1 tinha sido brevemente preso pol\u00edtico sob a 1\u00aa Rep\u00fablica. Mas depois, sob a ditadura militar e sob a ditadura de Salazar, foi preso em 1931, em 1935, em 1943, em 1956 e ainda em 1963. Somou um total de quase oito anos de c\u00e1rcere e deporta\u00e7\u00e3o, em Timor, no Aljube, em Peniche, em Caxias, e em Angra do Hero\u00edsmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um destacado resistente antifascista.<\/p>\n\n\n\n<p>Na clandestinidade, chegou a ser secret\u00e1rio-geral da sec\u00e7\u00e3o portuguesa do Socorro Vermelho Internacional. Era uma organiza\u00e7\u00e3o ligada ao PCP, que actuava no apoio a presos pol\u00edticos e suas fam\u00edlias, bem como na den\u00fancia da repress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 nas campanhas p\u00fablicas condicionadas que a ditadura permitia em breves per\u00edodos, ele&nbsp;<em>\u201cpertenceu ao MUD e participou activamente nas campanhas presidenciais de Norton de Matos, Arlindo Vicente e Humberto Delgado\u201d<\/em>&nbsp;[<em>Avante<\/em>, 03.12.1992, p.5].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Associativismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outra vertente da actividade de Manuel Guilherme de Almeida foi a sua dedica\u00e7\u00e3o ao movimento cooperativo e a associa\u00e7\u00f5es de solidariedade social.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui na Rua da Voz do Oper\u00e1rio, foi membro da dire\u00e7\u00e3o e presidente da assembleia geral da cooperativa Caixa Econ\u00f3mica Oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>No seu sector profissional, integrou os corpos sociais da Associa\u00e7\u00e3o de Socorros M\u00fatuos dos Alfaiates de Lisboa. Foi tamb\u00e9m um dos fundadores e presidentes da associa\u00e7\u00e3o \u201cCasas de Repouso dos Alfaiates de Portugal\u201d, a qual inaugurou um pequeno lar de idosos em 1948.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">N\u2019A Voz do Oper\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p>Na biografia de Manuel Guilherme de Almeida cabe sublinhar a sua ac\u00e7\u00e3o na sociedade A Voz do Oper\u00e1rio. Nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950, foi v\u00e1rias vezes eleito para um \u00f3rg\u00e3o consultivo que nessa \u00e9poca funcionava junto da dire\u00e7\u00e3o, a comiss\u00e3o de pareces. Foi mesmo presidente desta comiss\u00e3o em pelo menos quatro mandatos (em 1949 e 1950, e de novo em 1952 e 1953).<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas fun\u00e7\u00f5es, ele foi um de muitos antigos sindicalistas que contribu\u00edram para que a A Voz do Oper\u00e1rio sobrevivesse durante os longos anos de ditadura.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 no sector dos alfaiates, \u00e9 justo recordar aqui outros dois desses sindicalistas: Alberto Monteiro (falecido em 1954), que foi presidente da assembleia geral; e Joaquim Ferreira Bastista (falecido em 1959), muitos anos 1\u00ba secret\u00e1rio da assembleia-geral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A C\u00e2mara Municipal do Fund\u00e3o homenageou o sindicalista Manuel Guilherme de Almeida, pelo seu m\u00e9rito profissional e como resistente antifascista.<\/p>\n","protected":false},"author":153,"featured_media":6119,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[89],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6118"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6118"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6118\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6121,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6118\/revisions\/6121"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6119"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6118"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}