{"id":6114,"date":"2022-07-08T11:37:19","date_gmt":"2022-07-08T11:37:19","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6114"},"modified":"2022-07-08T11:37:20","modified_gmt":"2022-07-08T11:37:20","slug":"150-anos-de-ana-de-castro-osorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/07\/08\/150-anos-de-ana-de-castro-osorio\/","title":{"rendered":"150 anos de Ana de Castro Os\u00f3rio"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O seu centen\u00e1rio calhou ainda no tempo da ditadura. A democrata Elina Guimar\u00e3es lamentou-se ent\u00e3o:&nbsp;<em>\u201c\u00c9 triste e injusto que seja t\u00e3o pouco celebrado\u201d<\/em>&nbsp;[<em>Rep\u00fablica<\/em>, 17.06.1972, p.3].<\/p>\n\n\n\n<p>Mas aqui, na&nbsp;<em>A Voz do Oper\u00e1rio<\/em>, essa efem\u00e9ride foi nessa altura assinalada e de forma destacada, com um extenso artigo biogr\u00e1fico pela professora Judite Vieira. Curiosamente, o mesmo n\u00famero do jornal inseria tamb\u00e9m um artigo da pr\u00f3pria Elina de Guimar\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje em dia, o Movimento Democr\u00e1tico de Mulheres, na sua p\u00e1gina de internet, recorda o contributo de Ana de Castro Os\u00f3rio para a causa do feminismo em Portugal. Mas assinala que foi marcado&nbsp;<em>\u201cpor uma preocupa\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria e elitista quando esta defendia aguerridamente e, justamente, a educa\u00e7\u00e3o para as mulheres mas condenava, por exemplo, a greve das conserveiras de Set\u00fabal que lutavam pelo aumento de sal\u00e1rios\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Na A Voz do Oper\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p>Ana de Castro Os\u00f3rio colaborou pontualmente no jornal A Voz do Oper\u00e1rio. Em 1913 contribuiu com um artigo intitulado \u201cA mulher de ontem e a de hoje\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um texto de cr\u00edtica \u00e0s representa\u00e7\u00f5es da mulher&nbsp;que estavam sendo feitas no teatro portugu\u00eas da \u00e9poca,&nbsp;nomeadamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es da fam\u00edlia e do amor.<\/p>\n\n\n\n<p>Recorre a um exemplo da \u00e9poca medieval para sublinhar o atraso que nessa mat\u00e9ria se verificava neste pa\u00eds:&nbsp;<em>\u201ca discuss\u00e3o sobre se a mulher tem ou n\u00e3o direito a querer ser um indiv\u00edduo aut\u00f3nomo e respeit\u00e1vel nos seus actos [&#8230;] lembra-me aquela celebr\u00e9rrima discuss\u00e3o dos doutores da igreja sobre se a mulher teria ou n\u00e3o teria alma\u201d<\/em>, em que ficaram a&nbsp;<em>\u201cmaior parte, sen\u00e3o todos os s\u00e1bios doutores, muito anchos com a convic\u00e7\u00e3o de que, na verdade, a mulher era um ser&#8230; desalmado\u201d<\/em>&nbsp;[<em>A Voz do Oper\u00e1rio<\/em>, 09\/03\/1913, p.1].<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse artigo, uma das pe\u00e7as criticadas, com o t\u00edtulo&nbsp;<em>A noite do calv\u00e1rio<\/em>, \u00e9 da autoria do dramaturgo portugu\u00eas ent\u00e3o mais em voga, Marcelino Mesquita. O enredo gira em torno de uma mulher ad\u00faltera cujo amante acaba por morrer. Para Ana de Castro Os\u00f3rio, o autor&nbsp;<em>\u201cpodia ter feito um drama sintetizando verdadeiramente, flagrantemente, a alma moderna; podia mas n\u00e3o quis\u201d<\/em>. E contrap\u00f5e o exemplo do ent\u00e3o j\u00e1 falecido dramaturgo noruegu\u00eas Henrik Ibsen:<em>&nbsp;\u201cdesse eterno tema, o adult\u00e9rio [\u2026] o que n\u00e3o sairia passado pelo cadinho da alma redentora de Ibsen\u201d<\/em>, autor que considerava um&nbsp;<em>\u201cevangelizador genial do feminismo\u201d<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>\u201cap\u00f3stolo da luminosa ideia que h\u00e1 de guindar a humanidade a maior altura\u201d<\/em>&nbsp;[<em>ibidem<\/em>].<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 18 de Junho passou o 150\u00ba anivers\u00e1rio do nascimento de uma das mais destacadas feministas republicanas portuguesas: Ana de Castro Os\u00f3rio (falecida em 1935).<\/p>\n","protected":false},"author":153,"featured_media":6115,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[89],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6114"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6114"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6114\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6117,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6114\/revisions\/6117"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6115"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6114"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}