{"id":6090,"date":"2022-07-08T11:16:44","date_gmt":"2022-07-08T11:16:44","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6090"},"modified":"2022-07-08T11:17:54","modified_gmt":"2022-07-08T11:17:54","slug":"a-familia-humana-da-fotografia-e-do-cinema-retrospectiva-da-exposicao-patente-no-museu-do-neo-realismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/07\/08\/a-familia-humana-da-fotografia-e-do-cinema-retrospectiva-da-exposicao-patente-no-museu-do-neo-realismo\/","title":{"rendered":"\u201cA Fam\u00edlia Humana\u201d da fotografia e do cinema: retrospectiva da exposi\u00e7\u00e3o patente no Museu do Neo-Realismo"},"content":{"rendered":"\n<p>Com o intuito de aprofundar a tem\u00e1tica neo-realista o museu programou dois ciclos de cinema, que culminaram em Junho de 2022, com \u201cV\u00edtimas da Tormenta\u201d (Vittorio de Sica), e \u201cO Pequeno Fugitivo\u201d (<a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?client=firefox-b-d&amp;channel=crow5&amp;sxsrf=ALiCzsbahQIXMHJjXD7C2R67k5FoSOkvqg:1655733152758&amp;q=Morris+Engel&amp;stick=H4sIAAAAAAAAAOPgE-LQz9U3yKosSlPiBLGyDQwtq7TEspOt9NMyc3LBhFVKZlFqckl-0SJWHt_8oqLMYgXXvPTUnB2sjLvYmTgYAXa0_PlGAAAA&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiMuKbTlrz4AhVbiP0HHY8eBE4QmxMoAHoECDgQAg\">Morris Engel<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?client=firefox-b-d&amp;channel=crow5&amp;sxsrf=ALiCzsbahQIXMHJjXD7C2R67k5FoSOkvqg:1655733152758&amp;q=Raymond+Abrashkin&amp;stick=H4sIAAAAAAAAAOPgE-LQz9U3yKosSlPiBLFMKzIq07TEspOt9NMyc3LBhFVKZlFqckl-0SJWwaDEytz8vBQFx6SixOKM7My8HayMu9iZOBgBFFWq10sAAAA&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiMuKbTlrz4AhVbiP0HHY8eBE4QmxMoAXoECDgQAw\">Raymond Abrashkin<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?client=firefox-b-d&amp;channel=crow5&amp;sxsrf=ALiCzsbahQIXMHJjXD7C2R67k5FoSOkvqg:1655733152758&amp;q=Ruth+Orkin&amp;stick=H4sIAAAAAAAAAOPgE-LQz9U3yKosSlPiBLGSs_NyirTEspOt9NMyc3LBhFVKZlFqckl-0SJWrqDSkgwF_6LszLwdrIy72Jk4GAFMkWreRAAAAA&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiMuKbTlrz4AhVbiP0HHY8eBE4QmxMoAnoECDgQBA\">Ruth Orkin<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Acompanhar a exposi\u00e7\u00e3o e ver a totalidade dos filmes exibidos ao longo do tempo em que as iniciativas paralelas decorreram fazia os frequentadores ficar com uma esp\u00e9cie de curso intensivo sobre o estudo de um per\u00edodo da hist\u00f3ria da imagem &#8211; e da forma como fot\u00f3grafos e cineastas expressaram o que estava a acontecer \u00e0 sua volta.<\/p>\n\n\n\n<p>A nomenclatura \u201cneo-realista\u201d pode surgir \u00e0 posteriori, se enquadrarmos artistas e respectivos trabalhos numa corrente que foi em primeiro lugar \u00e9tica, depois est\u00e9tica. Jorge Calado quis colocar cada visitante durante aquele per\u00edodo em rela\u00e7\u00e3o com os artistas e suas realidades:&nbsp;<em>\u201cAdmirar fotografias \u00e9 celebrar a vida de quem as fez.\u201d<\/em>&nbsp;(Mar\u00e7o de 2021, \u201cExpresso\u201d). Admirar um objecto fotogr\u00e1fico ou f\u00edlmico \u00e9 celebrar tamb\u00e9m a vida dos retratados; das personagens e hist\u00f3rias que, inspiradas no real, aparecem na grande tela.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O caso Otto Karminski<\/h2>\n\n\n\n<p>Foi no p\u00f3s-guerra que o refugiado vienense de origem judaica Otto Karminski decidiu dedicar-se \u00e0 fotografia, enveredando no London College of Printing. Antes tinha lutado contra o nazismo pelo ex\u00e9rcito brit\u00e2nico, tendo sido o \u00fanico sobrevivente de uma arriscada miss\u00e3o em It\u00e1lia<em>.&nbsp;<\/em>J\u00e1 com cidadania brit\u00e2nica, aprofundou o lado humano e multicultural de uma sociedade em que eram evidentes as dificuldades e precariedade da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>As suas fotografias s\u00e3o uma den\u00fancia social, sublinhando o sentimento do belo, a composi\u00e7\u00e3o minuciosa, e o cuidado com a luz e as sombras. Estas obras destacam tamb\u00e9m momentos de descompress\u00e3o como \u201cDois choferes pretos\u201d, \u201cRonald Owen, vendedor de Jornais\u201d, e \u201cJardim infantil em Brixton Road\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Karminski viajou pela Europa em busca desses momentos quotidianos dos mais desfavorecidos. Al\u00e9m da den\u00fancia neo-realista de fotografias como a que tirou numa vila siciliana, em que vemos um per\u00fa a limpar o lixo das ruas (mostrando a falta de saneamento b\u00e1sico), interessam ao fot\u00f3grafo os instantes de concentra\u00e7\u00e3o dos que conhecem bem o seu of\u00edcio: como a mulher, que \u201cPreparando Macarr\u00e3o, It\u00e1lia\u201d, repete o mesmo gesto h\u00e1 anos, na bancada de uma cozinha. Em \u201cInspec\u00e7\u00e3o das Linhas de Caminho de Ferro\u201d, temos em primeiro plano os carris e um homem no centro da fotografia a comp\u00f4-los. A imagem \u00e9 dominada por placas de madeira, vigas de ferro, postes de electricidade: tudo o que existe \u00e9 a ferrovia e o que envolve aquele trabalhador.<\/p>\n\n\n\n<p>O lado vers\u00e1til de Karminski levou-o a registar situa\u00e7\u00f5es do dia-a-dia de reconhecidos escritores, no in\u00edcio dos 60: Aldous Huxley, Bertrand Russell, T.S. Eliot. Os dois primeiros retratos estiveram presentes na exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outros fot\u00f3grafos e realizadores:\u00a0a grande fam\u00edlia<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cA Fam\u00edlia Humana\u201d resume e clarifica os intuitos que o Museu do Neo-Realismo teve com este importante programa: dar a conhecer artistas e obras cujas tem\u00e1ticas e vis\u00e3o do mundo pertencem a uma mesma fam\u00edlia, com uma linguagem e motiva\u00e7\u00f5es art\u00edsticas id\u00eanticas. \u00c9 importante destacar as fotografias dos autores que deram conta do contexto portugu\u00eas (inclu\u00eddo antigas col\u00f3nias) entre os anos 40 e 60, em plena ditadura fascista:<strong>&nbsp;<\/strong>Mauricio Fresco, \u201cEsquina de Lisboa (Carmo) com cartaz de tourada\u201d;<strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong>Annemarie Clarac, \u201cBalc\u00e3o de jornais e revistas, incluindo publica\u00e7\u00f5es nazis, na Lisboa movimentada\u201d;<strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong>Jean Dieuzaide<strong><em>,&nbsp;<\/em><\/strong>\u201cFlorista Ambulante, Lisboa, anos 50\u201d; e<strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong>Augusto Cabrita, \u201cDuas enfermeiras paraquedistas que prestam servi\u00e7o em Angola\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para quem quisesse reflectir e aprofundar o tema do neo-realismo, a exposi\u00e7\u00e3o foi acompanhada por obras relevantes da hist\u00f3ria do cinema: \u201cLa Dolce Vita\u201d (Federico Fellini), \u201cA Terra Treme\u201d (Luschino Visconti), \u201cAs Vinhas da Ira\u201d (John Ford). Foram programados filmes menos vistos, igualmente relevantes: \u201cO sabor do Mel\u201d (Tony Richardson), \u201cTorre Bela\u201d (Thomas Harlan), ou o referido \u201cO Pequeno Fugitivo\u201d. Esta incurs\u00e3o pela s\u00e9tima arte complementou em pleno a exposi\u00e7\u00e3o que destacou um fot\u00f3grafo pouco divulgado, Otto Karminski, e outros que, como ele, n\u00e3o se esqueceram de reflectir sobre o seu tempo, intervindo social e artisticamente atrav\u00e9s dos seus trabalhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Otto Karminski foi o artista em destaque na exposi\u00e7\u00e3o patente no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, durante quase um ano. A par das fotografias de Karminski, o curador Jorge Calado reuniu um manancial de outros autores, para dar o panorama daquilo que se andava a fotografar pela Europa, sobretudo, no p\u00f3s-II Guerra Mundial. <\/p>\n","protected":false},"author":81,"featured_media":6091,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"coauthors":[177],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6090"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/81"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6090"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6090\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6094,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6090\/revisions\/6094"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6091"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6090"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}