{"id":6038,"date":"2022-07-08T10:12:49","date_gmt":"2022-07-08T10:12:49","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=6038"},"modified":"2022-08-03T15:46:19","modified_gmt":"2022-08-03T15:46:19","slug":"a-ucrania-nao-e-reconstruivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/07\/08\/a-ucrania-nao-e-reconstruivel\/","title":{"rendered":"\u201cA Ucr\u00e2nia n\u00e3o \u00e9 reconstru\u00edvel!\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Este conflito era evit\u00e1vel?<\/p>\n\n\n\n<p>Este conflito apenas n\u00e3o foi evitado porque foi deliberadamente provocado. Este conflito violento e at\u00e9 agora caracter\u00edstico de uma guerra convencional, resulta da an\u00e1lise que os Estados Unidos fazem dos seus interesses estrat\u00e9gicos para manterem a supremacia do poder mundial, o que implica eliminar pot\u00eancias concorrentes, no caso a R\u00fassia e a China.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Porqu\u00ea a Ucr\u00e2nia?<\/p>\n\n\n\n<p>A Ucr\u00e2nia \u00e9 apenas o palco mais adequado ao conflito que op\u00f5e os EUA \u00e0 R\u00fassia e \u00e0 China, uma barriga de aluguer. Ali\u00e1s, o objetivo declarado dos EUA \u00e9 o enfraquecimento da R\u00fassia e a conclus\u00e3o da cimeira da NATO de Madrid foi que a China \u00e9 uma amea\u00e7a aos valores do \u201cOcidente\u201d, aqui representado pela NATO, a alian\u00e7a militar dos pa\u00edses de capitalismo avan\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">No plano militar qual \u00e9 o ponto da situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>No plano militar, depois de uma a\u00e7\u00e3o inicial de amea\u00e7a direta ao poder ucraniano \u2013 aproxima\u00e7\u00e3o a Kiev \u2013 as for\u00e7as russas alteraram o conceito de manobra e est\u00e3o a executar um avan\u00e7o lento e seguro, com t\u00e1ticas tradicionais de grande apoio de artilharia para amolecer defesas, cerco de pontos importantes, corte de vias de comunica\u00e7\u00e3o para dificultar o reabastecimento inimigo. As for\u00e7as ucranianas tinham uma forte organiza\u00e7\u00e3o do terreno no Leste e conseguiram dificultar o avan\u00e7o russo. Julgo que a R\u00fassia, em termos militares, pretender\u00e1 dominar a fronteira Leste (Donbass), os portos do Mar Negro. Julgo que tem agora maiores hip\u00f3teses de sucesso, dado o esgotamento da capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os ucranianos, de dificuldades log\u00edsticas \u2013 reabastecimento de armas e muni\u00e7\u00f5es \u2013 e da aus\u00eancia de apoio a\u00e9reo, que os&nbsp;<em>drones<\/em>&nbsp;n\u00e3o substituem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">\u00c9 poss\u00edvel parar o conflito?<\/p>\n\n\n\n<p>Ele parar\u00e1. N\u00e3o h\u00e1 guerras eternas. Ele parar\u00e1 quando um dos contendores se der por satisfeito e o outro salvar a face. O custo da guerra para a R\u00fassia \u00e9 muito elevado em baixas e destrui\u00e7\u00e3o de material, o que exige ao poder pol\u00edtico do Kremlin que apresente uma vit\u00f3ria que justifique o custo. Do lado americano \u2013 e os americanos n\u00e3o costumam atender aos interesses dos seus aliados e vassalos, no caso a UE, ou o governo de Zelenski (veja-se o abandono dos aliados afeg\u00e3os) \u2013 a administra\u00e7\u00e3o Biden est\u00e1 interessada neste confronto em tempo de elei\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m necessita de um bode expiat\u00f3rio para justificar as quedas das bolsas de valores (Wall Street) e o aumento do custo de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">H\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o militar?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o haver\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para esta guerra, no sentido tradicional, de um acordo de paz e de uma defini\u00e7\u00e3o de vencedores e vencidos. Esta guerra provocar\u00e1, j\u00e1 provocou, uma altera\u00e7\u00e3o radical no equil\u00edbrio dos poderes mundiais. Esta guerra \u2013 t\u00e3o perto de n\u00f3s e por isso t\u00e3o mediatizada \u2013 \u00e9 apenas mais uma guerra no grande confronto planet\u00e1rio que ir\u00e1 marcar este s\u00e9culo. J\u00e1 agora, as san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e as a\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas comprovaram mais uma vez que os canh\u00f5es s\u00e3o a \u00faltima express\u00e3o da vontade do soberano, ou a vers\u00e3o maoista que o poder est\u00e1 na ponta das espingardas. Ser\u00e1 o desequil\u00edbrio de for\u00e7as num determinado momento que ir\u00e1 ditar um fim das a\u00e7\u00f5es militares e o in\u00edcio da solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que pode ser uma n\u00e3o solu\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, um Estado de soberania disputada, ou de um Estado falhado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O envio de material de guerra do Ocidente n\u00e3o est\u00e1 a adiar uma solu\u00e7\u00e3o negociada?<\/p>\n\n\n\n<p>O envio de material de guerra do Ocidente \u00e9, no fundo, uma opera\u00e7\u00e3o dos governos ocidentais, dos Estados Unidos e da Inglaterra, em especial, de salvar a face. Depois de terem criado um regime vassalo, de prometerem aos seus homens de m\u00e3o (Zelenski) a entrada na UE e na NATO, a troco da autoriza\u00e7\u00e3o de estacionamento de bases (uma a\u00e7\u00e3o marcada pelos acontecimentos da Pra\u00e7a Maidan e da conspira\u00e7\u00e3o da antiga embaixadora dos EUA em Kiev, Vitoria Nuland, atual subsecret\u00e1ria de Estado para os assuntos europeus, e do apoio ao grupo de oligarcas representado por Zelenski) os Estados Unidos e os seus complacentes aliados europeus n\u00e3o podiam fazer menos do que enviar armas para os ucranianos se baterem pela ilus\u00e3o que lhes foi \u201cvendida\u201d de ingressarem no para\u00edso da Uni\u00e3o Europeia. Julgo ainda que as \u201cconfer\u00eancias\u201d internacionais para estudar a reconstru\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia, quando n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o do fim da guerra, nem o que ser\u00e1 a Ucr\u00e2nia, s\u00e3o um lament\u00e1vel embuste dos pol\u00edticos ocidentais ao povo ucraniano, aos que morrem e sofrem. Zelenski presta-se a esse espet\u00e1culo de farsa de previs\u00e3o de obras, pontes, viadutos, caminhos de ferro, hospitais, escolas, e at\u00e9 creches, nesta al\u00ednea por conta do governo portugu\u00eas! A Ucr\u00e2nia n\u00e3o \u00e9 reconstru\u00edvel!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Quem beneficia com isso?<\/p>\n\n\n\n<p>Neste caso julgo que, no imediato, os benefici\u00e1rios da guerra ser\u00e3o os acionistas dos complexos militares-industriais, a m\u00e9dio longo prazo, os beneficiados ser\u00e3o os Estados agregados sob a designa\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de BRICS (Brasil, R\u00fassia, India, China, a que se juntar\u00e3o a \u00c1frica do Sul, a Argentina, porventura o M\u00e9xico) \u2013 este grupo poder\u00e1 criar uma moeda internacional alternativa ao d\u00f3lar, poder\u00e1 desenvolver pol\u00edticas articuladas de com\u00e9rcio de mat\u00e9rias-primas essenciais, petr\u00f3leo, g\u00e1s, terras raras, de explora\u00e7\u00e3o espacial, de novas redes de comunica\u00e7\u00e3o fora do monop\u00f3lio americano. \u00c9 perigoso e errado fazer an\u00e1lise considerando o Ocidente o centro do mundo. O Ocidente representa apenas cerca de 15% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Ant\u00f3nio Guterres afirmou que o Mundo enfrenta uma nova Guerra-Fria \u201ccom uma tonalidade Nuclear\u201d. Um conflito nuclear \u00e9&nbsp;um cen\u00e1rio poss\u00edvel? Algu\u00e9m o est\u00e1 a evitar?<\/p>\n\n\n\n<p>O nuclear est\u00e1 inventado, existe, est\u00e1 dispon\u00edvel nos arsenais, portanto n\u00e3o pode ser descartada a sua utiliza\u00e7\u00e3o. Julgo, no entanto, que o que est\u00e1 em jogo na Ucr\u00e2nia, quer para os Estados Unidos: a cria\u00e7\u00e3o de um estado sentinela junto \u00e0 fronteira russa (um pouco \u00e0 semelhan\u00e7a de Israel para o M\u00e9dio Oriente); quer o que est\u00e1 em jogo para a R\u00fassia: manter um vizinho dentro das suas normas de comportamento e respeito, n\u00e3o justificam a utiliza\u00e7\u00e3o de armas nucleares, de subir a esse patamar. Acredito, contudo, que uma improv\u00e1vel escalada na guerra, com o fornecimento massivo de armas de grande poder de destrui\u00e7\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia, ou a cria\u00e7\u00e3o de uma For\u00e7a A\u00e9rea moderna, apenas nominalmente ucraniana, poderiam ser o detonador de uma guerra nuclear.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">No plano econ\u00f3mico a estrat\u00e9gica da Nato e da Uni\u00e3o Europeia parece ter pouco significado na economia russa, o rublo est\u00e1 mais forte. O que isto pode significar para a Europa?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 a grande quest\u00e3o. A Europa viveu desde a II Guerra Mundial de energia barata, vinda de fontes diversificadas. A globaliza\u00e7\u00e3o, com a entrada da China no mercado mundial, exigiu da Europa melhorias de produtividade (robotiza\u00e7\u00e3o) e energia barata (g\u00e1s russo) para os seus produtos serem competitivos. O fim da energia barata e o fecho de um mercado como o russo, mais o aumento de despesas militares imposto pelos EUA v\u00e3o \u201csecar\u201d a base de financiamento do Estado-social. O fim deste tipo de Estado assistencial e garante de direitos do trabalho provocar\u00e1 graves altera\u00e7\u00f5es de ordem e profundas modifica\u00e7\u00f5es nos sistemas pol\u00edticos. No limite, esta guerra por procura\u00e7\u00e3o em que a Europa se envolveu poder\u00e1 destruir o Estado-social e o Estado liberal democr\u00e1tico! O Estado do contrato social defendido por Rosseau, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O PR portugu\u00eas, em conson\u00e2ncia com Soltenberg e Biden, alertam para as dificuldades sociais que se avizinham; Marcelo disse que o \u201cessencial \u00e9 a n\u00e3o desmobiliza\u00e7\u00e3o em face dos custos econ\u00f3micos financeiros e sociais\u201d. O que \u00e9 que esta guerra nos prepara?<\/p>\n\n\n\n<p>Esta guerra prepara-nos um futuro de maior incerteza, logo de maior tens\u00e3o social e pol\u00edtica, prepara a emerg\u00eancia dos populismos e dos correspondentes demagogos. Quer Stoltenberg, quer o seu patr\u00e3o Biden s\u00e3o populistas e conhecem o cen\u00e1rio em que os cidad\u00e3os dos Estados Unidos e da Europa v\u00e3o viver e utilizaram os mais poderosos e insidiosos instrumentos de manipula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica \u2013 veja-se o gui\u00e3o de todas as grandes esta\u00e7\u00f5es de televis\u00e3o, dos jornais, das redes \u2013 para apresentarem o poder russo como respons\u00e1vel do mal que a\u00ed vem. A t\u00e9cnica \u00e9 conhecida e recorrente: Em primeiro lugar dando um rosto ao inimigo, no caso Putin (jamais \u00e9 referido o governo de Moscovo), em segundo lugar diabolizando o inimigo, depois apoucando-o: est\u00e1 doente, de umas vezes de cancro, de outras de males do foro psiqui\u00e1trico. Os dirigentes europeus conhecem o cen\u00e1rio de mis\u00e9ria que esta guerra preparou e est\u00e3o a sacudir a \u00e1gua do capote. Esta guerra prepara-nos para um grande inc\u00eandio e os incendi\u00e1rios est\u00e3o a atirar as culpas para um inimigo que disputa parte da floresta. N\u00f3s, os cidad\u00e3os europeus, somos a fauna de coelhos, lebres, ratos, cobras e outros bichos que se v\u00ea envolvida pelas chamas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Infla\u00e7\u00e3o, subida da taxa de juros, desemprego e o pedido de Lagarde e Centeno para conten\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios. Quer dizer que se aproxima mais uma crise como a de 2008?<\/p>\n\n\n\n<p>Julgo que o p\u00f3s-guerra da Ucr\u00e2nia ser\u00e1 radicalmente distinto da crise de 2008. A crise de 2008 foi uma crise de um sistema, dentro do sistema e foi resolvida sem altera\u00e7\u00f5es do essencial do funcionamento do sistema capitalista, com inje\u00e7\u00e3o massiva de dinheiro (virtual), uma manobra que foi justificada pela pandemia. No essencial o comando do sistema manteve-se na Reserva Federal Americana e no poder de emitir d\u00f3lares e estabelecer taxas de juro. O que estamos a assistir \u00e9 \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um sistema alternativo \u00e0 dolariza\u00e7\u00e3o em que vivemos desde o final da II GM. Quer isto dizer que todas as vari\u00e1veis de an\u00e1lise se alteraram. Haver\u00e1 uma nova moeda de troca, surgir\u00e3o novos centros de poder e com eles novos valores, novas formas de vida em sociedade. As novas tecnologias tamb\u00e9m v\u00e3o acelerar as mudan\u00e7as e ser\u00e3o fator de crise, como acontece sempre que se alteram os meios de produ\u00e7\u00e3o: foi assim com a revolu\u00e7\u00e3o industrial, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A prop\u00f3sito da entrada da Su\u00e9cia e da Finl\u00e2ndia na NATO, o que \u00e9 que que a NATO ofereceu \u00e0 Turquia? o acordo de extradi\u00e7\u00e3o assinado entre Su\u00e9cia, Turquia, Finl\u00e2ndia e Turquia n\u00e3o \u00e9 entregar Curdos \u00e0 Turquia, a um governo que tem um historial rico de persegui\u00e7\u00e3o aos curdos e viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A entrada da Su\u00e9cia e da Finl\u00e2ndia na NATO tem, para mim, um significado: Os intervenientes neste neg\u00f3cio s\u00e3o atores para quem a moral, a \u00e9tica, os ditos valores correspondem aos interesses do momento. Significam que o dito \u201cOcidente\u201d n\u00e3o tem valores, ou que os seus valores s\u00e3o os de qualquer batoteiro de esquina.&nbsp; Parafraseando Nietzsche em Assim Falava Zaratrustra, os dirigentes da NATO, os da Su\u00e9cia e da Finl\u00e2ndia s\u00e3o gente a quem n\u00e3o se deve estender a m\u00e3o, mas as garras. \u00c9 por isso muito dif\u00edcil n\u00e3o sentir um amargo na boca a ouvir esses dirigentes falarem de liberdade, de democracia, de justi\u00e7a. Valores que lhes deviam queimar as bocas. Em termos de aumento de potencial da NATO ou de garantias de seguran\u00e7a nada se altera. Os governos dos dois pa\u00edses apenas fingem que agem o que evita as quest\u00f5es s\u00e9rias colocadas pelos eleitores. A quest\u00e3o curda \u00e9 exemplar da aus\u00eancia de valores de todos estes atores que se autodefinem como padr\u00f5es de democracia, os curdos s\u00e3o p\u00e1rias, moeda de troca, como o s\u00e3o e foram os afeg\u00e3os, os vietnamitas, os talibans, como ser\u00e3o os ucranianos e os eg\u00edpcios da irmandade mu\u00e7ulmana, abandonados quando passaram da condi\u00e7\u00e3o de aliados \u00e0 de obst\u00e1culos aos acordos entre os EUA e os antigos poderes. A quest\u00e3o curda est\u00e1 inscrita nas grandes trai\u00e7\u00f5es que geraram obras-primas, como foi o caso do drama J\u00falio C\u00e9sar de Shakespeare.&nbsp; Eles s\u00e3o os tra\u00eddos, os sacrificados.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E Portugal n\u00e3o est\u00e1 a ser c\u00famplice?<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal \u00e9, desde a funda\u00e7\u00e3o, um pequeno Estado vassalo. Os vassalos n\u00e3o s\u00e3o c\u00famplices, prestam vassalagem e seguem os seus senhores. Portugal, o governo portugu\u00eas, poderia, isso sim, n\u00e3o ser rid\u00edculo. Assumir a sua insignific\u00e2ncia e manter-se discreto. Um outro ponto que esta guerra levanta \u00e9 o desprezo dos governantes de sistemas pol\u00edticos democr\u00e1ticos pelos seus cidad\u00e3os e pelos eleitores. A Europa, Uni\u00e3o Europeia e Reino Unido, foi envolvida numa guerra sem que os europeus e os brit\u00e2nicos tenham sido ouvidos, como se este envolvimento fosse uma vulgar a\u00e7\u00e3o de administra\u00e7\u00e3o do condom\u00ednio europeu. Este desprezo ter\u00e1 uma resposta dos eleitores quando sentirem na pele as consequ\u00eancias de decis\u00f5es a que s\u00e3o alheios. Os eleitores, e bem, punir\u00e3o quem lhes causou sofrimento e, por muito que os meios de manipula\u00e7\u00e3o se esforcem, os cidad\u00e3os e eleitores europeus n\u00e3o ir\u00e3o pedir contas a Putin, mas aos que elegeram e n\u00e3o foram capazes (ou n\u00e3o quiseram) de prevenir uma situa\u00e7\u00e3o com pesadas consequ\u00eancias, nem sequer os ouviram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O petr\u00f3leo mais caro \u00e9 uma inevitabilidade?<\/p>\n\n\n\n<p>O pre\u00e7o das mat\u00e9rias-primas nada tem a ver com os custos de produ\u00e7\u00e3o. Tem a ver com especula\u00e7\u00e3o. Os tempos de guerra s\u00e3o os tempos dos abutres. Haver\u00e1 especula\u00e7\u00e3o no petr\u00f3leo, como houve logo na semana a seguir \u00e0 invas\u00e3o com produtos hort\u00edcolas produzidos em estufas no Algarve ou na zona do Oeste. Estamos \u00e0 merc\u00ea dos especuladores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A negocia\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 poss\u00edvel?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 guerras eternas. A mais longa que se conhece, a dos romanos contra os persas durou 300 anos e terminou com a derrota dos dois imp\u00e9rios. Haver\u00e1 com certeza negocia\u00e7\u00f5es sobre o que quer a administra\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, quer a administra\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos considerem ser uma vit\u00f3ria e apresent\u00e1-la como tal aos seus p\u00fablicos. Um indicador de que as exig\u00eancias de ambas as partes n\u00e3o s\u00e3o de \u201ctudo ou nada\u201d \u00e9 a relativa imunidade de que goza administra\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia em Kiev. O que pode significar que existe um entendimento de a Ucr\u00e2nia continuar a ser um Estado reconhecido pela R\u00fassia. A partir da\u00ed, manda quem pode\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Que mundo se pode prever no p\u00f3s-guerra?<\/p>\n\n\n\n<p>Em princ\u00edpio um mundo multipolar. Um mundo com dois ou mais centros de poder, no m\u00ednimo um no Atl\u00e2ntico, e outro no Pac\u00edfico, talvez um no \u00cdndico. Um mundo com v\u00e1rias moedas de troca internacional, um mundo com ainda menos apoio dos Estados aos cidad\u00e3os, um mundo de conflitos regionais, um mundo menos preocupado com quest\u00f5es ambientais e com direitos humanos. Uma Europa ainda menos importante e mais dependente de uma \u00fanica fonte de poder, os Estados Unidos. Um mundo ainda mais desigual, com maior concentra\u00e7\u00e3o da riqueza. Um mundo sem utopias, nem esperan\u00e7a, por isso mais agressivo e agreste.<\/p>\n\n\n\n<p>Era urgente uma utopia, uma luz que desse \u00e2nimo\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Coronel Carlos Matos Gomes, Capit\u00e3o de Abril e fundador do Movimento dos Capit\u00e3es, fala do conflito da Ucr\u00e2nia, de como e de quem o alimenta e porqu\u00ea, do cen\u00e1rio que nos espera quando as armas se calarem, um Mundo onde, diz: \u201cEra urgente uma utopia, uma luz que desse \u00e2nimo\u2026\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":88,"featured_media":6039,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[184],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6038"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6038"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6038\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6150,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6038\/revisions\/6150"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6039"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6038"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6038"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6038"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=6038"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}