{"id":5997,"date":"2022-06-07T15:37:23","date_gmt":"2022-06-07T15:37:23","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5997"},"modified":"2022-06-07T15:37:24","modified_gmt":"2022-06-07T15:37:24","slug":"terra-velha-de-jose-manuel-sampaio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/06\/07\/terra-velha-de-jose-manuel-sampaio\/","title":{"rendered":"Terra Velha, de Jos\u00e9 Manuel Sampaio"},"content":{"rendered":"\n<p>Partindo de um epis\u00f3dio singular, a luta dos rendeiros de Alterim pelo direito a permanecer nas terras que granjeavam h\u00e1 mais de 90 anos, Jos\u00e9 Sampaio constr\u00f3i um \u00e9pico poderoso, numa linguagem que percorre os diversos estratos sociais, desde os que s\u00e3o analfabetos, aos que t\u00eam h\u00e1bitos de leitura, at\u00e9 aos que sabem escrever o nome, ou como Alberto, licenciados e com bastos conhecimentos pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste texto\/documento, mesmo quando a verdade hist\u00f3rica entronca na ficcionalidade, como nesta pe\u00e7a acontece, torna-se necess\u00e1rio que o espectador tenha algum espa\u00e7o de respira\u00e7\u00e3o para que o essencial do que \u00e9 dito se n\u00e3o perca na urg\u00eancia de contar, de passar a ideia central. Para tanto, o autor utiliza alguns processos discursivos (os di\u00e1logos com as mulheres, p.ex.) que v\u00e3o pontuando a ac\u00e7\u00e3o. Jos\u00e9 Sampaio sabe destes mecanismos que habitam o texto teatral, da\u00ed que as mulheres, de l\u00edngua mais solta e desinibida, actuem como descompressores da injusti\u00e7a, da gravidade pol\u00edtica que nos \u00e9 narrada. O autor sabe dessa condi\u00e7\u00e3o e utiliza-a com mestria.<\/p>\n\n\n\n<p>Este livro \u00e9 um poderoso \u00e9pico, com nomes, rostos, palavras de um povo que se ergueu do ch\u00e3o raso da ignom\u00ednia e cantou o dia claro e o direito a respirar livremente na sua pr\u00f3pria p\u00e1tria.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto actual onde, por toda a Europa assistimos perplexos ao ressurgimento de grupos nazi-fascistas, que se aproveitam do jogo democr\u00e1tico para subverter as institui\u00e7\u00f5es e impor de novo a barb\u00e1rie e o terror, a import\u00e2ncia deste livro, e de tantos outros que fizeram\/fazem o invent\u00e1rio cr\u00edtico e factual da Hist\u00f3ria recente do nosso povo, e da Europa em geral, torna-se um documento determinante e incontorn\u00e1vel. Mas n\u00e3o se pense que este livro\/documento exacerba a pol\u00edtica, dado que \u00e9 o humano, a verdade testemunhal de quantos viveram esses tempos, que percorre o&nbsp;<em>corpus<\/em>&nbsp;desta escrita que se faz contida, certeira e despojada como uma pe\u00e7a sobre a mem\u00f3ria hist\u00f3rica dos seus protagonistas deve ser.<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente de sabermos se esta pe\u00e7a cumprir\u00e1 a sua fun\u00e7\u00e3o primordial \u2013 ser encenada e tornar-se actuante nas t\u00e1buas de um palco \u2013 ela est\u00e1 aqui, na perenidade das palavras e do que nas p\u00e1ginas deste livro se conta. Documento fidedigno da vida, das mem\u00f3rias e da luta de uma comunidade, afirmando que \u00e9 poss\u00edvel, atrav\u00e9s da luta e da raz\u00e3o, mudar o rumo dos acontecimentos. Mudar a vida, porque, como est\u00e1 escrito, de modo corajoso, numa tabuleta \u00e0 beira dos valados:&nbsp;<em>Estas terras pertencem-nos. Estamos aqui h\u00e1 90 anos.&nbsp;<\/em>Ou seja, desde sempre.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Terra Velha, de Jos\u00e9 Manuel Sampaio \u2013 edi\u00e7\u00e3o P\u00e1gina a P\u00e1gina\/202<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Partindo de um epis\u00f3dio singular, a luta dos rendeiros de Alterim pelo direito a permanecer nas terras que granjeavam h\u00e1 mais de 90 anos, Jos\u00e9 Sampaio constr\u00f3i um \u00e9pico poderoso, numa linguagem que percorre os diversos estratos sociais, desde os que s\u00e3o analfabetos, aos que t\u00eam h\u00e1bitos de leitura, at\u00e9 aos que sabem escrever o &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/06\/07\/terra-velha-de-jose-manuel-sampaio\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">Terra Velha, de Jos\u00e9 Manuel Sampaio<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":5998,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[108],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5997"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5997"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5997\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6000,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5997\/revisions\/6000"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5998"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5997"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=5997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}