{"id":5892,"date":"2022-05-09T10:56:59","date_gmt":"2022-05-09T10:56:59","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5892"},"modified":"2022-06-07T11:33:31","modified_gmt":"2022-06-07T11:33:31","slug":"a-espiral-dos-lucros-vive-a-conta-dos-baixos-salarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/05\/09\/a-espiral-dos-lucros-vive-a-conta-dos-baixos-salarios\/","title":{"rendered":"A espiral dos lucros vive \u00e0 conta dos baixos sal\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<p>Segundo o executivo, seria contraproducente aumentar sal\u00e1rios nesta fase, pois seriam absorvidos pelo aumento de pre\u00e7os que tal pr\u00e1tica provocaria.<\/p>\n\n\n\n<p>Acontece que a liga\u00e7\u00e3o entre sal\u00e1rios e infla\u00e7\u00e3o care\u0002ce de fundamenta\u00e7\u00e3o, desde logo emp\u00edrica. Em Portugal, a massa salarial aumentou a partir de 2015, com valores de infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dios de 0,7%.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m uma leitura da evolu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios reais e da varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, tendo como base o ano de 2015, demonstra que pa\u00edses com diferentes evolu\u00e7\u00f5es salariais tiveram comportamentos na infla\u00e7\u00e3o diversos. Analisando duas economias referidas como o \u201cmotor da Europa\u201d, verificamos que, quer em Fran\u00e7a, quer na Alemanha, a evolu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o \u00e9 quase sim\u00e9trica, com sal\u00e1rios a aumentar na Alemanha e a reduzir em Fran\u00e7a, com varia\u00e7\u00f5es muito aproximadas do total de assalariados nos dois pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A infla\u00e7\u00e3o cresce, os lucros crescem, as desigualdades aumentam<\/h2>\n\n\n\n<p>No nosso pa\u00eds, o aumento da infla\u00e7\u00e3o tem uma origem em factores externos que j\u00e1 se verificavam antes da guerra e em elementos especulativos que esta veio potenciar.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a pandemia, entre outros factores, as cadeias de produ\u00e7\u00e3o e essencialmente de distribui\u00e7\u00e3o foram interrompidas e ainda n\u00e3o est\u00e3o totalmente repostas. Num pa\u00eds fortemente dependente do exterior, esta situa\u00e7\u00e3o causa dificuldades acrescidas no acesso a bens que temos de importar, com impacto nos pre\u00e7os. Por outro lado, com a guerra e as san\u00e7\u00f5es, um conjunto de empresas na \u00e1rea da energia, e mais especificamente nos combust\u00edveis, aproveitaram a oportunidade para aumentar os lucros \u00e0 conta do aumento dos pre\u00e7os. <\/p>\n\n\n\n<p>As palavras recentes do alto respons\u00e1vel da GALP, Andy Brown, s\u00e3o paradigm\u00e1ticas. Como refere o Observador, \u201c\u00abOs produtores \u00e9 que est\u00e3o a ganhar, n\u00e3o s\u00e3o os distribuidores nem os refinadores\u00bb. A Galp \u00e9 as tr\u00eas coisas\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>A EDP distribuiu dividendos superiores a 750 milh\u00f5es de euros. Dezanove grandes grupos econ\u00f3micos, em 2021, acumularam lucros l\u00edquidos de mais de 5,1 mil milh\u00f5es de euros, cerca de 14 milh\u00f5es de euros por dia. Em 2020, foram transferidos para para\u00edsos fiscais perto de 7 mil milh\u00f5es de euros. S\u00e3o valores que traduzem a elevada concentra\u00e7\u00e3o da riqueza nas m\u00e3os de uma minoria e que o Governo n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o combate, como favorece.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aumento do custo de vida impacta sobretudo camadas mais empobrecidas<\/h2>\n\n\n\n<p>O aumento dos pre\u00e7os (mais 5,3% em Mar\u00e7o, em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas de 2021), tem implica\u00e7\u00f5es mais acentuadas na popula\u00e7\u00e3o de menores rendimentos e \u00e9 maior nuns produtos que noutros, tendo os transportes (11%) e produtos alimentares (7,2%) verificado os maiores aumentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a popula\u00e7\u00e3o com menores rendimentos a que mais O aumento dos pre\u00e7os (mais 5,3% em Mar\u00e7o, em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas de 2021), tem implica\u00e7\u00f5es mais acentuadas na popula\u00e7\u00e3o de menores rendimentos e \u00e9 maior nuns produtos que noutros, tendo os transportes (11%) e produtos alimentares (7,2%) verificado os maiores aumentos. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a popula\u00e7\u00e3o com menores rendimentos a que mais despende (em propor\u00e7\u00e3o do rendimento total) na alimenta\u00e7\u00e3o. Os 20% com menores rendimentos (1\u00ba quin\u0002til) gastam quase um quinto do rendimento em produtos alimentares, enquanto os 20% mais ricos (5\u00ba quintil) gastam pouco mais que um d\u00e9cimo. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As despesas de alimenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o as mais afetadas em rela\u00e7\u00e3o ao rendimento familiar <\/h2>\n\n\n\n<p>Assim, a infla\u00e7\u00e3o afecta mais os que menos t\u00eam. Para estes, o aumento do custo de vida \u00e9 mais acentuado do que o valor que a infla\u00e7\u00e3o indicia. Os produtos que mais consomem est\u00e3o a ter um maior incremento no seu custo que os 5,3% apurados pelo INE para a infla\u00e7\u00e3o em Mar\u00e7o. <\/p>\n\n\n\n<p>O Or\u00e7amento do Estado para 2022 negligencia o agravamento das condi\u00e7\u00f5es de vida provocado por esta din\u00e2mica dos pre\u00e7os. <\/p>\n\n\n\n<p>O Governo recusa quaisquer medidas que ponham trav\u00e3o ao aumento dos lucros. O ministro da Economia apressou-se a descansar os grandes accionistas e os gestores. Uma eventual taxa sobre os lucros extraordin\u00e1rios n\u00e3o est\u00e1 a ser equacionada. Medidas de fixa\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, nem pensar. E seriam precisamente estas medidas aquelas que garantiriam, no imediato, que as popula\u00e7\u00f5es e as empresas n\u00e3o tivessem de arcar com a manuten\u00e7\u00e3o e crescimento dos lucros das empresas destes sectores. <\/p>\n\n\n\n<p>Para travar os pre\u00e7os nos bens alimentares, al\u00e9m de impedir os elementos especulativos no circuito da distribui\u00e7\u00e3o, s\u00e3o precisas medidas para garantir \u2013 ou que pelo menos aproximar \u2013 um n\u00edvel de soberania alimentar. A pol\u00edtica agr\u00edcola e pisc\u00edcola imposta traduz-se na dimens\u00e3o da depend\u00eancia face ao exterior, obrigando a comprar l\u00e1 fora aquilo que deix\u00e1mos de produzir c\u00e1 dentro. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aumento geral dos sal\u00e1rios e das pens\u00f5es \u00e9 urg\u00eancia nacional <\/h2>\n\n\n\n<p>A valoriza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e do trabalho h\u00e1 muito que prima pela aus\u00eancia das prioridades dos sucessivos governos PS e PSD. <\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que seja propalada a inten\u00e7\u00e3o de romper com o modelo assente na precariedade e nos baixos sal\u00e1rios, aquilo que se verifica s\u00e3o medidas e uma pol\u00edtica que o alimenta e perpetua. <\/p>\n\n\n\n<p>O Governo pode e tem de rever o aumento do SMN, que de \u201chist\u00f3rico\u201d passou a irris\u00f3rio para fazer face ao aumento do custo de vida. <\/p>\n\n\n\n<p>O aumento geral dos sal\u00e1rios proposto pela CGTP-IN, em 90 euros para todos os trabalhadores, \u00e9 essencial para responder \u00e0s necessidades, algumas b\u00e1sicas, que milhares de portugueses n\u00e3o conseguem satisfazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Com todas as insufici\u00eancias e limita\u00e7\u00f5es que caracterizam os \u00faltimos anos, os efeitos do aumento da massa salarial na dinamiza\u00e7\u00e3o da economia, na evolu\u00e7\u00e3o do emprego e no ritmo de crescimento econ\u00f3mico, podem ser contrapostos aos tempos da troika. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o de op\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podendo o Governo continuar a escudar-se no falso argumento da \u201cespiral da infla\u00e7\u00e3o\u201d para manter e acentuar a espiral dos lucros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portugal caracteriza-se por uma elevada desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, nomeadamente entre o trabalho e o capital, contexto agora agravado pela acentuada subida de pre\u00e7os de bens e servi\u00e7os essenciais, com o Governo a anunciar que n\u00e3o iria rever a pol\u00edtica salarial para evitar uma \u201cespiral inflacionista\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":57,"featured_media":5893,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"coauthors":[151],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5892"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5892"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5892\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5952,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5892\/revisions\/5952"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5893"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5892"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5892"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5892"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=5892"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}