{"id":5887,"date":"2022-05-09T10:38:15","date_gmt":"2022-05-09T10:38:15","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5887"},"modified":"2022-06-07T11:36:05","modified_gmt":"2022-06-07T11:36:05","slug":"economia-de-guerra-os-mesmos-de-sempre-a-pagar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/05\/09\/economia-de-guerra-os-mesmos-de-sempre-a-pagar\/","title":{"rendered":"Economia de guerra: os mesmos de sempre a pagar"},"content":{"rendered":"\n<p>A simples possi\u0002bilidade de resposta militar por parte do Ir\u00e3o, e o enfrentamento que da\u00ed poderia resultar, foi suficiente para que as maiores empresas do complexo militar industrial dos EUA se valorizassem.<\/p>\n\n\n\n<p>A exist\u00eancia deste complexo, que consome cerca de 750 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares anuais, determina, por si s\u00f3, a const\u00e2ncia de conflitos militares, sejam diretos ou por procura\u00e7\u00e3o. A verdade \u00e9 retumbante: se ap\u00f3s o colapso da URSS foram vastas as promessas de paz, liberdade e democracia, aquilo a que assistimos demonstra precisamente o contr\u00e1rio. O mundo unipolar, dominado de forma hegem\u00f3nica pelos EUA, \u00e9 um mundo de constante agress\u00e3o. De acordo com o Instituto para a pesquisa e Investiga\u00e7\u00e3o da Paz de Estocolmo, o SIPRI, desde 1997 que os gastos militares t\u00eam vindo a subir em todo o mundo, atingindo valores muit\u00edssimo mais elevados que no tempo da guerra fria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo que esta realidade ganha forma, v\u00e3o-se perpetuando alguns dos dramas humanos que mais afligem quem paga todo o investimento em armamento \u2013 os trabalhadores e os povos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal \u00e9 a despropor\u00e7\u00e3o na forma como o poder capitalista mundial trata quest\u00f5es como a fome, que, de acordo com uma estimativa da organiza\u00e7\u00e3o Worldbeyon\u0002dwar, apenas 3% do or\u00e7amento militar anual dos EUA seriam suficientes para terminar com a priva\u00e7\u00e3o alimentar que aflige milh\u00f5es de seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo que se acusam outros pa\u00edses de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, s\u00e3o a NATO, a EU e os EUA que mais morte e destrui\u00e7\u00e3o no mundo causam. Mais importantes que os custos econ\u00f3micos das guerras, s\u00e3o os elevad\u00edssimos custos humanos. Desde 2001 que morreram, pelo menos, 929 mil pessoas, contando apenas as que resultaram da viol\u00eancia directa promovida pelas v\u00e1rias guerras. A estes, teremos de somar os mais de 38 milh\u00f5es de refugiados (Afeganist\u00e3o, L\u00edbia, Som\u00e1lia, S\u00edria\u2026) e os incont\u00e1veis mortos resultantes da destrui\u00e7\u00e3o, priva\u00e7\u00e3o material e da viol\u00eancia indirecta.<\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos da guerra na economia n\u00e3o se resumem aos investimentos que os trabalhadores t\u00eam de suportar, para uns poucos privilegiados terem de ganhar. S\u00e3o pelo menos 35 os pa\u00edses sujeitos a san\u00e7\u00f5es unilaterais, ilegais e ileg\u00edtimas dos EUA. Regra geral, a EU, de forma coordenada ou enquadrada pela NATO, segue a tend\u00eancia e aplica o mesmo tipo de san\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m aos mesmos pa\u00edses. Entre estes, podemos encontrar todos os que foram v\u00edtimas da interven\u00e7\u00e3o militar dos EUA\/NATO.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 no Iraque, as san\u00e7\u00f5es, nos anos 90, provocaram mais de um milh\u00e3o e meio de mortos, grande parte crian\u00e7as. Esta realidade est\u00e1 bem documentada pelo Centro para a Justi\u00e7a Internacional de Genebra e pela pr\u00f3pria Unicef. As san\u0002\u00e7\u00f5es constituem um instrumento crimi\u0002noso de press\u00e3o sobre os pa\u00edses que re\u0002jeitam aplicar ou respeitar as orienta\u00e7\u00f5es dos EUA\/NATO\/EU.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas se as san\u00e7\u00f5es unilaterais ou, excecionalmente, enquadradas pela ONU, constituem uma forma de guerra econ\u00f3mica, destruindo \u2013 na maior parte dos casos \u2013 as economias dos pa\u00edses visados e com isso, impedindo essas na\u00e7\u00f5es de se desenvolverem e de investirem no bem-estar dos seus povos, os seus efeitos n\u00e3o se verificam apenas nos pr\u00f3prios visados.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Quando os pa\u00edses sancionados assumem especial import\u00e2ncia nas cadeias de distribui\u00e7\u00e3o e fornecimento, a aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es acaba por ricochetear contra os pr\u00f3prios.&#8221; <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Quando os pa\u00edses sancionados assumem especial import\u00e2ncia nas cadeias de distribui\u00e7\u00e3o e fornecimento, a aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es acaba por ricochetear contra os pr\u00f3prios. Tal sucede com as san\u00e7\u00f5es \u00e0 R\u00fassia, aplicadas na sequ\u00eancia da sua interven\u00e7\u00e3o militar na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia tornou-se, de um dia para o outro, o pa\u00eds mais sancionado do mundo. A R\u00fassia \u00e9 um dos maiores exportadores de mat\u00e9rias-primas, entre elas o g\u00e1s natural, o petr\u00f3leo, ferro, zinco, pal\u00e1dio, e ainda mais importante, cereais, uma das bases fundamentais da nossa alimenta\u00e7\u00e3o. A Europa era \u2013 e ainda \u00e9 \u2013 um dos principais clientes, baseando a competitividade da sua ind\u00fastria, em grande parte, na proximidade, grande quantidade e pre\u00e7o reduzido das mat\u00e9rias-primas de origem russa. Cerca de 40% do g\u00e1s natural consumido na Europa \u00e9 de origem Russa, s\u00f3 para dar um exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o que nos tem sido poss\u00edvel observar \u00e9 o encarecimento, ainda mais pronunciado \u2013 o qual j\u00e1 vinha de 2021 \u2013 de toda a energia, seja ela g\u00e1s, combust\u00edveis autom\u00f3veis ou eletricidade. Contudo, as restri\u00e7\u00f5es \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es russas no \u00e2mbito dos cereais, pelo menos para alguns mercados, bem como a queda da exporta\u00e7\u00e3o de cereais vindos da Ucr\u00e2nia (R\u00fassia e Ucr\u00e2nia produzem mais de 25% do trigo mundial) t\u00eam contribu\u00eddo para o aumento do pre\u00e7o da alimenta\u00e7\u00e3o, em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>O facto \u00e9 que em resultado do encarecimento de diversos factores de produ\u00e7\u00e3o \u2013 energia e mat\u00e9rias-primas &#8211; tal tem resultado no aumento progressivo da infla\u00e7\u00e3o, tend\u00eancia que tamb\u00e9m j\u00e1 vinha de tr\u00e1s, mas que se agrava agora neste quadro.<\/p>\n\n\n\n<p>Este enfrentamento assume ainda outro efeito bem real para os trabalhadores e o povo, nomeadamente aqui em Portugal; o aumento das despesas militares, op\u00e7\u00e3o do governo maiorit\u00e1rio do PS, seguindo a tend\u00eancia europeia e as, nunca at\u00e9 aqui cumpridas, regras da NATO (que sinaliza um investimento anual no montante de 2% do PIB).<\/p>\n\n\n\n<p>Num quadro de infla\u00e7\u00e3o crescente, com aumento generalizado dos pre\u00e7os, redu\u00e7\u00e3o do ritmo de crescimento econ\u00f3mico, o aumento das despesas militares \u00e9 mais um sinal dado pelo executivo governativo aos trabalhadores e suas fam\u00edlias de que n\u00e3o esperem melhorias nos servi\u00e7os p\u00fablicos, como a seguran\u00e7a social, a educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade ou habita\u00e7\u00e3o. Muito pelo contr\u00e1rio, tudo aponta para a sua continuada degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta realidade, que nos \u00e9 apresentada como inevit\u00e1vel e que resulta t\u00e3o somente das op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, apenas refor\u00e7a uma constata\u00e7\u00e3o: \u00e9 que quem paga as guerras, de uma forma ou outra, s\u00e3o sempre os mesmos, os trabalhadores e os povos \u2013 no corpo, no est\u00f4mago e no bolso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra provoca efeitos que variam em fun\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o que cada um ocupa.<br \/>\nVejamos o caso dos 51 representantes do  congresso dos EUA, os quais, no dia se\u0002guinte \u00e0 morte do general Iraniano Solei\u0002mani, ordenada por Donald Trump, viram as suas ac\u00e7\u00f5es valorizar.<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":5889,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[47],"tags":[],"coauthors":[181],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5887"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5887"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5887\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5956,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5887\/revisions\/5956"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5887"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=5887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}