{"id":5831,"date":"2022-04-06T15:07:51","date_gmt":"2022-04-06T15:07:51","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5831"},"modified":"2022-04-06T15:07:53","modified_gmt":"2022-04-06T15:07:53","slug":"hoje-e-ontem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/04\/06\/hoje-e-ontem\/","title":{"rendered":"Hoje e Ontem"},"content":{"rendered":"\n<p>O corvo \u00e9 animal de longa vida, dizem, e o escriba que lhe d\u00e1 Voz nestas cr\u00f3nicas j\u00e1 passou dos 90 anos e tem nas mem\u00f3rias da sua inf\u00e2ncia a ideia de que quando uma crian\u00e7a adoecia (e naquele tempo o \u00edndice de morbidade infantil era elevad\u00edssimo), se a sua fam\u00edlia fosse rica ia consultar um m\u00e9dico num consult\u00f3rio ou A VOZ do corvo chamava-o a casa; se fosse remediada (e havia poucas) ia a uma Policl\u00ednica e se fosse pobre (e pode dizer-se sem exagero que eram quase todas) s\u00f3 restava a caridade ou os hospitais civis. <\/p>\n\n\n\n<p>E isso era sempre doloroso para a fam\u00edlia, \u00faltimo recurso e sinal desprestigiante de pobreza ou de falta de cuidados. <\/p>\n\n\n\n<p>Se uma maleita prolongada ou um acidente invalidasse um homem, chefe de fam\u00edlia, \u00e0 sua mulher s\u00f3 restava a caridade ou trabalhos redobrados e \u00e0s crian\u00e7as, muitas vezes, o asilo. <\/p>\n\n\n\n<p>O desaparecimento de qualquer membro ativo de uma fam\u00edlia, para al\u00e9m da dor que acarretava, trazia sempre consigo um sal\u00e1rio a menos e o incremento de dificuldades financeiras, onde se inclu\u00eda naquela altura e com grande peso as despesas funer\u00e1rias e era essa a raz\u00e3o pela qual muitas associa\u00e7\u00f5es mutualistas, entre os quais e com papel pioneiro a Voz do Oper\u00e1rio, procuravam dar na morte a dignidade que os trabalhadores mereceram na vida. <\/p>\n\n\n\n<p>F\u00e9rias pagas n\u00e3o havia para a maioria da popula\u00e7\u00e3o e os despedimentos dependiam muitas vezes do humor dos patr\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Abonos \u00e0 fam\u00edlia tamb\u00e9m n\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o do trabalho infantil, nos campos e nas cidades, era pr\u00e1tica corrente e por alguns aceite sem revolta (\u201co trabalho do menino \u00e9 pouco, mas quem o n\u00e3o aproveita \u00e9 louco\u201d). <\/p>\n\n\n\n<p>Lentamente, com avan\u00e7os e recuos que cabem tanto na evolu\u00e7\u00e3o como na revolu\u00e7\u00e3o, este quadro modifica-se e, de facto, pode dizer-se que Portugal caminha para ser um Estado Previd\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o afirmava a Constitui\u00e7\u00e3o de 1976 ao falar de \u201cabrir caminho para o socialismo\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Se \u00e9 verdade que alguns fatores da vida comunit\u00e1ria ficaram para tr\u00e1s, como \u00e9 o caso da habita\u00e7\u00e3o para o maior n\u00famero onde a interven\u00e7\u00e3o do Estado infelizmente \u00e9 reduzida, \u00e9 not\u00e1vel o esfor\u00e7o feito por um pa\u00eds de poucos recursos naturais ao conseguir, superando dificuldades, implantar e p\u00f4r a funcionar um sistema que controlou e fez parar uma pandemia e, sobretudo, sem ter perguntado a quem quer que fosse se era rico ou pobre ou sequer indagasse quem se responsabilizaria por eventuais despesas de tratamento (como sucede no setor privado da sa\u00fade).<\/p>\n\n\n\n<p>Por tudo isto \u00e9 bem merecida a condecora\u00e7\u00e3o atribu\u00edda. Oxal\u00e1 ela se possa estender em breve a outros setores do bem-estar social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 bem poucos dias o Presidente da Rep\u00fablica homenageou com a mais alta condecora\u00e7\u00e3o do pa\u00eds o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade e todos n\u00f3s entendemos o gesto como um justo reconhecimento e nos sentimos felizes. <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":2643,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[76],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5831"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5831"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5831\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5835,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5831\/revisions\/5835"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2643"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5831"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=5831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}