{"id":5823,"date":"2022-04-06T13:35:17","date_gmt":"2022-04-06T13:35:17","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5823"},"modified":"2022-04-06T13:35:18","modified_gmt":"2022-04-06T13:35:18","slug":"cartografia-de-lugares-mal-situados-10-contos-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/04\/06\/cartografia-de-lugares-mal-situados-10-contos-da-guerra\/","title":{"rendered":"Cartografia de Lugares Mal Situados (10 Contos da Guerra)"},"content":{"rendered":"\n<p>Autora premiada e uma das vozes liter\u00e1rias mais fecundas da nossa actual fic\u00e7\u00e3o, vencedora em 2017 do Pr\u00e9mio de Conto Camilo Castelo Branco, com o livro Pequenos del\u00edrios Dom\u00e9sticos, Ana Margarida de Carvalho regressa a esse dif\u00edcil g\u00e9nero com um livro que percorre as fissuras, a crueldade e a desumaniza\u00e7\u00e3o que as guerras configuram. <\/p>\n\n\n\n<p>Dir-se-ia um livro constru\u00eddo \u00e0 medida deste nosso tempo, n\u00e3o fosse o caso de a autora percorrer, com uma superior qualidade pros\u00f3dica e dom\u00ednio lexical, as v\u00e1rias guerras que ao longo de s\u00e9culos v\u00eam assolando a humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Cartografia de Lugares mal Situados<\/em> fala-nos do mal absoluto, dos dramas que as guerras transportam em seu bojo (n\u00e3o existem guerras sem drama), das cinzas, do medo, mas tamb\u00e9m nos diz da solidariedade, das emo\u00e7\u00f5es, de l\u00e1grimas que para sempre ficar\u00e3o a estrumar os campos devastados. Um livro intenso, sagaz e modelar no g\u00e9nero, mesmo quando o discurso, ora agreste, ora imbu\u00eddo de piedade pelas v\u00edtimas, de den\u00fancia da viol\u00eancia, tem que descrever o lodo, o horror, a ins\u00eddia e a morte. <\/p>\n\n\n\n<p>Os dez contos deste livro, passados em tempos e geografias diversas, com um t\u00edtulo retirado\/sugerido (como acontece com outros livros da autora), por um poema de Daniel Faria: \u00abHomens que s\u00e3o como lugares mal situados\/Homens que s\u00e3o como casas saqueadas\u00bb, excerto que abre o texto e lhe confere as coordenadas em que a narrativa decorre (as guerras, o seu despojo, \u00e9 feito de mis\u00e9ria, fome, cicatrizes dif\u00edceis de sarar) mesmo quando o factual serve de tema central, ampliando a sua contextualiza\u00e7\u00e3o e a avassaladora transcri\u00e7\u00e3o do real que o modo liter\u00e1rio de Ana Margarida de Carvalho transfigura, transpondo essa realidade para o seu universo fabular com a mestria que se lhe reconhece.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><strong>Cartografias de lugares mal situados (10 contos da Guerra)<\/strong>, <em>de Ana Margarida de Carvalho \u2013 Rel\u00f3gio D\u2019\u00c1gua<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Um livro que nos fala do absurdo que a guerra transporte em seu bornal de assombros, de arm\u00e1rios-fortale\u0002za, de labirintos do medo, da loucura dos \u00abgermes que contaminam as ruas\u00bb, da crueldade, dos subterr\u00e2neos do horror em que se \u00abarrasava simultaneamente o f\u00edsico e a alma\u00bb, da Guerra Civil de Espanha e da barb\u00e1rie que o franquismo espalhou pelos seus campos; as invas\u00f5es francesas e o seu cortejo de saques e viola\u00e7\u00f5es, de fugas e reencontros, de aldeias desprotegidas, da solidariedade poss\u00edvel em tempos funestos; dos crimes praticados pelos nazis e pelos aliados na 2\u00aa. guerra (nesse territ\u00f3rio do horror, n\u00e3o h\u00e1 inocentes); fala-nos dos \u00f3rf\u00e3os, daqueles seres, milhares, que vaguearam perdidos no medo e na rejei\u00e7\u00e3o, a\u00e7oitados pelo frio, pela fome, pelos esconjuros, \u00absem energia sequer para enxotar as moscas.\u00bb Filhos de ningu\u00e9m, que ningu\u00e9m queria; o lado s\u00f3rdido, quase ignorado, do nazi-fascismo. Do terror que come\u00e7a de novo, na neoliberal Europa, a exibir as garras da incidia e da vergonha. Um livro que se nega ao olvido, que se inquieta, que questiona de modo claro e cr\u00edtico, com a consci\u00eancia plena do tempo que habitamos, os grandes dramas da humanidade. <\/p>\n\n\n\n<p>Mais um grande livro de uma das nossas mais singulares escritoras.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>de Ana Margarida de Carvalho<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":5824,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[108],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5823"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5823"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5823\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5830,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5823\/revisions\/5830"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5823"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5823"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5823"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=5823"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}