{"id":5791,"date":"2022-04-05T10:03:03","date_gmt":"2022-04-05T10:03:03","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5791"},"modified":"2022-04-05T10:03:04","modified_gmt":"2022-04-05T10:03:04","slug":"triste-e-no-outono-descobrir-que-era-o-verao-a-unica-estacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/04\/05\/triste-e-no-outono-descobrir-que-era-o-verao-a-unica-estacao\/","title":{"rendered":"\u201cTriste \u00e9 no Outono descobrir que era o Ver\u00e3o a \u00fanica esta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Jorge Silva Melo nasceu em Angola, na antiga cidade de Silva Porto, voltando com a fam\u00edlia a Lisboa no in\u00edcio da adolesc\u00eancia onde se viriam a fixar. Por mais viajante que se tornasse no futuro, Lisboa iria tornar-se um dos palcos principais da vida de Jorge Silva Melo, tal como Jorge Silva Melo viria a marcar profundamente a hist\u00f3ria da vida desta cidade e do pa\u00eds que a integra. Encenador, argumentista, realizador, dramaturgo, director art\u00edstico, actor, tradutor, professor, autor, cronista, professor, espectador, leitor e cr\u00edtico. Era cr\u00edtico, inquieto, observador e por isso desde cedo na sua inf\u00e2ncia come\u00e7ou a perceber a necessidade de ser outro. Esta linha de percorrer e criar as v\u00e1rias possibilidades de vida que se pode ter numa vida, consequ\u00eancia das escolhas que cada um de n\u00f3s faz, foi um fio condutor em quase tudo o que deixou criado e seria um dos seus maiores motes \u00e0 cria\u00e7\u00e3o. Em 1972, com Lu\u00eds Miguel Cintra, funda o Teatro da Cornuc\u00f3pia ficando este marco como um dos s\u00edmbolos mais significativos do e para o teatro a n\u00edvel nacional. Saiu de Portugal v\u00e1rias vezes com bolsas da Gulbenkian tendo sido um viajante nato, passando por locais como Berlim e Mil\u00e3o mas regressando sempre ao pa\u00eds que o continuava a inquietar acima de tudo. Em 1995 funda os Artistas Unidos que liga para sempre o nome de Jorge Silva Melo \u00e1 descoberta e forma\u00e7\u00e3o de novos actores, actrizes e a uma marca de cria\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e culto do teatro profunda tanto na cidade de Lisboa, como a n\u00edvel nacional.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Jorge Silva Melo deve ser recordado como algu\u00e9m que voltava sempre \u00e0 necessidade de criar e de continuar a arte e o teatro.&#8221;  <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Deixou uma vasta lista de filmes onde teve os mais diferentes pap\u00e9is desde realizador, produtor, argumentista, actor, a assistente. Publicou pe\u00e7as de teatro, um libreto de \u00f3pera e livros, sendo um deles a esp\u00e9cie de autobiografia em apontamentos e recorda\u00e7\u00f5es reunidos ao longo de 50 anos, num \u00fanico s\u00edtio \u2013 \u201cA mesa est\u00e1 posta\u201d, editado pelas edi\u00e7\u00f5es Cotovia, em 2019. Dizia adorar multid\u00f5es mas n\u00e3o saber se lhes pertencia. Gostava da sensa\u00e7\u00e3o de vaguear pelo mundo e de lhe ser um vagabundo. Jorge Silva Melo deve ser recordado como algu\u00e9m que voltava sempre \u00e0 necessidade de criar e de continuar a arte e o teatro. Desde cedo que se come\u00e7ou a ver como professor tendo esta necessidade de guiar, se ver como outro e desta forma regressava sempre dos passeios que gostava de fazer sozinho, para a cria\u00e7\u00e3o colectiva. A resist\u00eancia e percep\u00e7\u00e3o de criar e preservar mem\u00f3ria, marcou a sua vida e sem se conseguir ou querer fazer uma divis\u00e3o: a sua vida marcou grande parte do que criou e como criou. Perder fisicamente Jorge Silva Melo \u00e9 perder um dos alicerces mais s\u00f3lidos do teatro portugu\u00eas, sabendo que a obra deixada ser\u00e1 um outro alicerce que n\u00e3o se poder\u00e1 deixar morrer. A vida de Jorge foi dedicada \u00e0 cultura. A sua insist\u00eancia e perman\u00eancia deixaram marcos de valores important\u00edssimos em toda a estrutura cultural do pa\u00eds mas nunca foram f\u00e1ceis. O nome e legado de Jorge Silva Melo precisam de ser vistos e continuados com a import\u00e2ncia do patrim\u00f3nio que nos s\u00e3o, que criou e que nos foi deixado. Dar dignidade \u00e0 cultura e a quem trabalha nela, \u00e9 dar ferramentas para a preserva\u00e7\u00e3o e continuidade da liberdade de um povo inteiro. Continuar a inquieta\u00e7\u00e3o de Jorge Silva Melo \u00e9 dar passos para se aprender a dan\u00e7ar quando o pr\u00f3prio disse sempre que nunca chegou a saber dan\u00e7ar. Continuar um professor que que se sentia fora do tom e que achava que uma vida n\u00e3o era suficiente para viver as tantas vidas que cabiam nela, \u00e9 saber que uma biblioteca nunca morre por mais que a queiram queimar. A cultura permanece porque foi escrita, porque foi transmitida oralmente, porque foi sorrida, porque esteve no palco e \u00e0 volta dele, porque esteve na tela, porque \u00e9 feita para ser um prolongamento de quem a pensou e lhe deu forma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O verso que d\u00e1 t\u00edtulo a este pequeno texto de mem\u00f3ria e exalta\u00e7\u00e3o a Jorge Silva Melo \u00e9 de Ruy Belo e foi usado por Jorge, no seu filme \u201cCoitado<br \/>\ndo Jorge\u201d, que resume quase na perfei\u00e7\u00e3o a permanente marca de inquieta\u00e7\u00e3o pela e com a vida, que colocava nas v\u00e1rias obras que deixou. <\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":5793,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"coauthors":[179],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5791"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5791"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5791\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5798,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5791\/revisions\/5798"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5791"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5791"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5791"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=5791"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}