{"id":5715,"date":"2022-03-20T21:51:09","date_gmt":"2022-03-20T21:51:09","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5715"},"modified":"2022-03-20T21:51:10","modified_gmt":"2022-03-20T21:51:10","slug":"a-mulher-e-a-literatura-libertaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/03\/20\/a-mulher-e-a-literatura-libertaria\/","title":{"rendered":"A mulher e a literatura libert\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p>O processo revolucion\u00e1rio como foi o do in\u00edcio da 1\u00aa. Rep\u00fablica \u2013 per\u00edodo que podemos considerar at\u00e9 ao desvio do sidonismo, que tentou uma viragem conservadora no sentido restauracionista de tipo mon\u00e1rquico, aproveitando a ressaca do final da 1\u00aa. Guerra, a fome generalizada e a pneum\u00f3nica &#8211; contribuiu, embora ainda de uma forma incipiente e sem grande entusiasmo por parte dos seus altos dignit\u00e1rios, para o aparecimento de uma consci\u00eancia pol\u00edtica, de uma classe oper\u00e1ria activa e participante, agente da transforma\u00e7\u00e3o da sociedade. De relevar o papel da mulher que emerge da sua letargia de s\u00e9culos e assume um papel determinante na consolida\u00e7\u00e3o do processo hist\u00f3rico transversal a todo o tecido social.<\/p>\n\n\n\n<p>Ana de Castro Os\u00f3rio, no seu livro A Mulher e a Crian\u00e7a, dava j\u00e1 os primeiros sinais desse sentido c\u00edvico e emancipador que a mulher come\u00e7ava a exigir aos seus companheiros republicanos: \u00abN\u00f3s trabalhamos mais pelo futuro da Rep\u00fablica lutando pelos nossos pr\u00f3prios direitos, do que prestando ao homem um aux\u00edlio que apenas se pode traduzir em palavras, que n\u00e3o correspondem a factos concretos. N\u00e3o h\u00e1 pa\u00eds que avance e progrida se a mulher for nele uma serva perante a lei, uma inferior pela falta de instru\u00e7\u00e3o, um valor nulo na sociedade e na fam\u00edlia\u00bb. Os&nbsp;<em>her\u00f3is da Rotunda<\/em>&nbsp;andavam por esses dias atarefados com outras derivas para ligar a ideais igualit\u00e1rios do feminismo evanescente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo a m\u00e9dica Carolina \u00c2ngelo, a \u00fanica mulher a votar em 1911, se queixava de que o seu voto teria sido anulado, e a lei mudada<em>&nbsp;a posteriori<\/em>&nbsp;para impedir que as chefes de fam\u00edlia votassem. Os obreiros da 1\u00aa. Rep\u00fablica sabiam da influ\u00eancia que a Igreja exercia, em pr\u00e9dicas semanais, sobre os imagin\u00e1rios femininos e, avisados, preferiram p\u00f4r em causa alguns princ\u00edpios do que arriscar, nas urnas, o futuro da Rep\u00fablica nascente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a cultural e pol\u00edtica numa sociedade patriarcal tardaria a acontecer e nem a Rep\u00fablica, o iria conseguir travar a especula\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos produtos essenciais, impondo uma tabela m\u00ednima, vendo-se confrontada e desobedecida pelos seus apoiantes, a burguesia, esse mundo de<em>&nbsp;merceeiros e fabricantes de riscado<\/em>, no dizer de Alves Redol.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s mulheres, e quase at\u00e9 aos anos 1960, s\u00f3 a literatura tentou libert\u00e1-las do an\u00e1tema de D. Francisco Manuel de Mello:&nbsp;<em>Criou-as Deus fracas, sejam fracas<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguma da nossa melhor literatura, criada por mulheres, percorre esse libert\u00e1rio desiderato:&nbsp;<em>Para Al\u00e9m do Amor, de Maria Lamas; Ela \u00e9 Apenas Mulher, de Maria Archer; Um Filho Mais, de Manuela Porto; Tanta Gente Mariana, de Maria Judite de Carvalho&nbsp;<\/em>e esse hino de liberdade e de coragem que \u00e9&nbsp;<em>Novas Cartas Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Tereza Horta e Maria Velho da Costa.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O processo revolucion\u00e1rio como foi o do in\u00edcio da 1\u00aa. Rep\u00fablica \u2013 per\u00edodo que podemos considerar at\u00e9 ao desvio do sidonismo, que tentou uma viragem conservadora no sentido restauracionista de tipo mon\u00e1rquico, aproveitando a ressaca do final da 1\u00aa. 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