{"id":5689,"date":"2022-03-20T21:28:31","date_gmt":"2022-03-20T21:28:31","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5689"},"modified":"2022-04-01T10:40:10","modified_gmt":"2022-04-01T10:40:10","slug":"a-cgtp-in-tornou-se-objetivo-estrategico-do-poder-economico-e-financeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/03\/20\/a-cgtp-in-tornou-se-objetivo-estrategico-do-poder-economico-e-financeiro\/","title":{"rendered":"A CGTP-IN tornou-se \u201cobjetivo estrat\u00e9gico do poder econ\u00f3mico e financeiro\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Jos\u00e9 Ernesto Cartaxo come\u00e7ou a trabalhar aos 10 anos e juntou-se \u00e0 luta antifascista ainda jovem. Foi preso pol\u00edtico e dirigente da Intersindical antes e depois da revolu\u00e7\u00e3o. \u00c0 Voz do Oper\u00e1rio desfia uma parte importante da hist\u00f3ria do movimento sindical, incluindo dois importantes acontecimentos que cumprem 40 anos, a primeira greve geral em liberdade e os tr\u00e1gicos acontecimentos do 1.\u00ba de Maio de 1982.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Come\u00e7ou a trabalhar aos dez anos. Qual \u00e9 a hist\u00f3ria deste menino que n\u00e3o p\u00f4de ser crian\u00e7a em Vila Franca de Xira? Em que&nbsp;trabalhou?<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de falar sobre a minha hist\u00f3ria, lembro que a generalidade das crian\u00e7as da minha gera\u00e7\u00e3o, filhos de gente explorada e pobre, come\u00e7ava a trabalhar, por conta de outrem, muito cedo para ganharem alguns tost\u00f5es para o sustento das suas fam\u00edlias que viviam miseravelmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu comecei aos 10 anos, logo que completei a quarta classe. No ver\u00e3o de 1953, fui trabalhar para os Telhais, cuja atividade \u00e9 magistralmente descrita por Soeiro Pereira Gomes no seu livro \u201cEsteiros\u201d. Ali, recebia um miser\u00e1vel sal\u00e1rio de 7$50 por semana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este foi o meu primeiro trabalho, at\u00e9 aos 12 anos. Depois fui dar serventia, na constru\u00e7\u00e3o civil, e, aos 13 anos, em 1956, entrei para uma oficina como aprendiz de mec\u00e2nico a ganhar 25 tost\u00f5es \u00e0 hora, o que dava 20 escudos por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Como s\u00f3 tinha a quarta classe, matriculei-me na escola industrial noturna, que havia em Vila Franca de Xira, para tirar o curso de serralheiro mec\u00e2nico. Trabalhava de dia e estudava \u00e0 noite.<\/p>\n\n\n\n<p>Na zona onde nasci e fui criado, havia uma grande concentra\u00e7\u00e3o industrial, na qual trabalhavam milhares de trabalhadores que viviam com p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho, o que originava, neste meio, o desenvolvimento de muitas atividades de car\u00e1ter social, cultural e pol\u00edtico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, comecei, de muito novo, a participar no movimento associativo, a fazer parte de um grupo c\u00e9nico, a desenvolver atividade pol\u00edtica na CDE, em 1969. Em princ\u00edpios de 1970, passei a ser militante do Partido [Partido Comunista Portugu\u00eas] que considerava o movimento oper\u00e1rio e sindical uma frente priorit\u00e1ria de luta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como militante do Partido, fui desenvolvendo alguma atividade clandestina, nomeadamente na empresa onde trabalhava e na liga\u00e7\u00e3o aos militantes de outras grandes empresas, como a Mague, em Alverca, e a Cimentos Tejo (hoje Cimpor) em Alhandra.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meados de 1970 passei a integrar o Sub-Comit\u00e9 Regional do Baixo Ribatejo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Esteve em Caxias e em Peniche. O que \u00e9 que o levou \u00e0 pris\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Fui preso, em 6 de julho de 1971, \u00e0s 6.10 da manh\u00e3, na sequ\u00eancia de uma den\u00fancia da minha atividade partid\u00e1ria, feita pelo famigerado [Augusto] Lindolfo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A minha pris\u00e3o d\u00e1-se seis dias depois da dos meus camaradas, que faziam parte do mesmo organismo, porque entretanto eu tinha mudado de casa e a PIDE prendeu, por engano, um homem que foi morar para a casa onde eu tinha vivido. Detetado o engano, a PIDE libertou-o e, atrav\u00e9s dos seus informadores, localizou a nova casa onde eu vivia. Foi a\u00ed que me prenderam e me levaram para a Ant\u00f3nio Maria Cardoso. Depois fui para Caxias onde estive isolado 80 dias, durante os quais fui v\u00edtima das mais diversas torturas f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas. Em mar\u00e7o do ano seguinte, deu-se o julgamento no Tribunal da Boa Hora. Fui condenado a dois anos de pris\u00e3o, que acabei de cumprir no Forte de Peniche.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando sa\u00ed da pris\u00e3o, em julho de 1973, andei m\u00eas e meio \u00e0 procura de emprego porque, na altura, dar trabalho a um tipo que tivesse sido preso pol\u00edtico era arriscado para quem o fizesse. Foi uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil porque a minha mulher estava desempregada e t\u00ednhamos um filho para criar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 passado m\u00eas e meio, \u00e9 que consegui arranjar emprego, em Santa Iria de Az\u00f3ia, na MEC. Consegui porque um amigo meu de inf\u00e2ncia, que era l\u00e1 pintor, contactou o encarregado geral e contou-lhe da minha situa\u00e7\u00e3o. Mandou-me l\u00e1 ir para fazer o exame que era reparar um compressor de ar comprimido, durante dois dias. L\u00e1 fui, fiz o exame. O homem gostou do meu trabalho e, ao saber da minha situa\u00e7\u00e3o, disse-me: \u201cn\u00e3o me interessa que tenha sido preso pol\u00edtico, o que eu preciso \u00e9 de um bom profissional, venha trabalhar amanh\u00e3\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A MEC era uma empresa que, na altura, tinha cerca de 400 trabalhadores, com mais mulheres que homens. N\u00e3o havia ainda c\u00e9lula. Havia pontas de malta que tinha liga\u00e7\u00e3o ao Partido mas n\u00e3o havia propriamente c\u00e9lula organizada. Foi l\u00e1 que eu conheci o Jer\u00f3nimo de Sousa, que era afinador de m\u00e1quinas, muitas das quais \u201cavariavam\u201d para eu as ir reparar, que era a forma de ambos conversarmos muito, sobre pol\u00edtica e n\u00e3o s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Envolveu-se no movimento sindical ainda durante o fascismo. O que \u00e9 que era fazer sindicalismo nos \u00faltimos anos da ditadura?<\/p>\n\n\n\n<p>Sobretudo a partir da altura em que comecei a ter responsabilidades no Partido, acompanhava, por via org\u00e2nica, a a\u00e7\u00e3o que se desenvolvia nas empresas e nos sindicatos corporativos. Discut\u00edamos e t\u00ednhamos orienta\u00e7\u00f5es para os militantes no sentido de intervirem ativamente de forma articulada, nas empresas e locais de trabalho, organizando c\u00e9lulas e destacando quadros para delegados sindicais, comiss\u00f5es de trabalhadores, encabe\u00e7ar reivindica\u00e7\u00f5es, desenvolver e intensificar lutas, muitas delas importantes, que se travaram pelo aumento dos sal\u00e1rios, pela redu\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio de trabalho, pelas f\u00e9rias e respetivo subs\u00eddio, pelo feriado do 1.\u00ba de Maio, pela liberdade sindical, contra a censura e contra a Guerra Colonial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A par desta interven\u00e7\u00e3o, havia tamb\u00e9m a orienta\u00e7\u00e3o para se intervir nos sindicatos corporativos no sentido de eleger dire\u00e7\u00f5es da confian\u00e7a dos trabalhadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi em resultado desta interven\u00e7\u00e3o que em 1970, se elegeu uma dire\u00e7\u00e3o da nossa confian\u00e7a para o Sindicato dos Metal\u00fargicos de Lisboa, que com a dos Banc\u00e1rios, do Com\u00e9rcio e dos Lanif\u00edcios, subscreveu a convocat\u00f3ria que esteve na origem da cria\u00e7\u00e3o da Intersindical Nacional, com a data de 1 de outubro desse ano.<\/p>\n\n\n\n<p>A atividade desenvolvida nesta frente, nos \u00faltimos 4 anos da ditadura fascista, com a elei\u00e7\u00e3o de delegados sindicais, a discuss\u00e3o do contrato, a dinamiza\u00e7\u00e3o da luta reivindicativa nas empresas fez com que, pouco antes do 25 de Abril, de outubro de 73 at\u00e9 abril de 74, mais de 100 mil trabalhadores de cerca de 200 empresas, estivessem em luta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E como foi a constru\u00e7\u00e3o de um movimento sindical de classe em liberdade?<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento oper\u00e1rio portugu\u00eas tinha vivido nas condi\u00e7\u00f5es mais diversas ao longo de mais de um s\u00e9culo de exist\u00eancia, acumulou uma vasta experi\u00eancia coletiva pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>Experi\u00eancia que, enriquecida pelos ensinamentos, pela hist\u00f3ria, e pela a\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio internacional, lhe permitiu afirmar-se como for\u00e7a social determinante na defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como est\u00e1 comprovado, a Intersindical n\u00e3o nasceu do exterior para dentro do movimento oper\u00e1rio. Ela foi uma cria\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios trabalhadores e nasceu no seu seio, de baixo para cima. Foram os trabalhadores que, em pleno fascismo, colocaram dirigentes da sua confian\u00e7a \u00e0 frente dos sindicatos corporativos, lutando e assumindo a defesa dos seus interesses da classe, num contexto de luta contra a ditadura, contra a guerra colonial, pela liberdade e pela democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da Intersindical Nacional, com a sua natureza de classe e de massas, os seus princ\u00edpios de unidade, democracia, independ\u00eancia e solidariedade, constituiu um marco de grande significado no longo, dif\u00edcil e her\u00f3ico percurso do movimento oper\u00e1rio e sindical, que se consolidou e refor\u00e7ou depois do 25 de Abril, designadamente a partir do Congresso de todos os Sindicatos, realizado em Janeiro de 1977.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Quais foram as raz\u00f5es que levaram \u00e0&nbsp;primeira greve geral menos de oito anos&nbsp;depois da revolu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o social que se vivia nos finais de 1981 e princ\u00edpios de 1982 era explosiva. Havia um governo da Alian\u00e7a Democr\u00e1tica (AD), com maioria absoluta, que prosseguia e aprofundava uma pol\u00edtica contra as principais conquistas da revolu\u00e7\u00e3o e de agravamento das condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O desemprego, em finais de 1981, era 8,8%, a previs\u00e3o da OCDE para a infla\u00e7\u00e3o no ano seguinte era de 25% e o governo anunciava um teto salarial de 14,75% e a inten\u00e7\u00e3o de rever a legisla\u00e7\u00e3o laboral para facilitar os despedimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de os trabalhadores terem respondido, neste per\u00edodo, com grandiosas greves e manifesta\u00e7\u00f5es, o Plen\u00e1rio Nacional de Sindicatos, reunido no dia 15 de janeiro de 1982, com o Teatro Aberto repleto, decide, por unanimidade e uma grande ova\u00e7\u00e3o, a realiza\u00e7\u00e3o duma greve geral de 24 horas, para o dia 12 de fevereiro desse ano, sob o lema geral \u201cuma s\u00f3 solu\u00e7\u00e3o, AD fora do governo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como \u00e9 que decorreu essa jornada de luta? Pode fazer um retrato geral?<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m ficou neutro. O CDS, PSD e PS declararam-se contra a greve e organizaram a\u00e7\u00f5es contra ela. Dirigentes da UGT, entre os quais o pr\u00f3prio secret\u00e1rio-geral, Torres Couto, apoiados por pol\u00edcias \u00e0 paisana, fizeram piquetes anti-greve nos transportes. O PCP, a UDP e o PSR apoiaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de todo o tipo de intimida\u00e7\u00f5es e da repress\u00e3o patronal e governamental, mais de 50% dos trabalhadores portugueses protagonizaram um dos mais violentos afrontamentos entre as for\u00e7as do trabalho e o capital, depois do 25 de Abril.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Acha que valeu a pena? Quais foram os&nbsp;resultados?<\/p>\n\n\n\n<p>Indiscutivelmente. Os resultados laborais deste confronto foram assinal\u00e1veis: para al\u00e9m de se ter estilha\u00e7ado o teto salarial, o pacote laboral foi metido na gaveta, os contratos coletivos de trabalho passaram a vigorar 12 meses e o governo, que ficou socialmente isolado, caiu dez meses depois.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Fez parte dos \u00f3rg\u00e3os dirigentes da CGTP-IN at\u00e9 2008. Que papel teve a central sindical na resist\u00eancia ao processo contra-revolucion\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o de 25 de Abril de 1974, como express\u00e3o de soberania popular, contou com a interven\u00e7\u00e3o decisiva da Intersindical Nacional nas transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f3micas e sociais ent\u00e3o realizadas, conseguidas com a luta no terreno, e que vieram a ser consagrados na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1976.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo conjunto da diversificada movimenta\u00e7\u00e3o de massas, encabe\u00e7ada pela CGTP-IN, pelo seu significado pol\u00edtico, pela ades\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o de Abril que expressou, pelo que representou no desenvolvimento do processo revolucion\u00e1rio e na defesa das conquistas da revolu\u00e7\u00e3o, a CGTP-IN e o movimento sindical unit\u00e1rio tiveram de enfrentar poderosos inimigos congregados numa \u201csanta alian\u00e7a\u201d para o seu enfraquecimento, divis\u00e3o e at\u00e9 liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Dividir e descaraterizar a organiza\u00e7\u00e3o que era o eixo e o motor da mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, a for\u00e7a mais consequente e determinada na defesa de Abril, uma for\u00e7a que tinha como divisa a unidade do trabalho contra o capital, tornou-se um objetivo estrat\u00e9gico do poder econ\u00f3mico e financeiro, tendo em vista conter o processo revolucion\u00e1rio e criar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a reconstitui\u00e7\u00e3o do poder perdido com a revolu\u00e7\u00e3o de Abril.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Tamb\u00e9m em 1982, a pol\u00edcia provocou dois mortos e uma centena de feridos no Porto no 1.\u00ba de Maio depois de uma provoca\u00e7\u00e3o&nbsp;da UGT. Qual foi o papel desta estrutura na revers\u00e3o das conquistas da revolu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta opera\u00e7\u00e3o estiveram envolvidas for\u00e7as que, dispondo de poderosos meios financeiros, pol\u00edticos e propagand\u00edsticos, n\u00e3o olharam a meios e a m\u00e9todos para atingirem os seus objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a campanha contra a unicidade sindical, para dividir o movimento sindical, foi a opera\u00e7\u00e3o \u201cCarta Aberta\u201d, que mais tarde deu origem \u00e0 UGT, foram os assaltos terroristas a instala\u00e7\u00f5es sindicais, foi a cria\u00e7\u00e3o de sindicatos paralelos, as provoca\u00e7\u00f5es contra as manifesta\u00e7\u00f5es do 1.\u00ba de Maio de 1975, em Lisboa, e no de 1982, no Porto, e foram ainda os ataques e as limita\u00e7\u00f5es ao exerc\u00edcio das liberdades sindicais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estas opera\u00e7\u00f5es podem ser sintetizadas pela c\u00e9lebre afirma\u00e7\u00e3o do dirigente e governante socialista Maldonado Gonelha de que era preciso \u201cpartir a espinha \u00e0 Intersindical\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ter de fazer frente a t\u00e3o poderosos inimigos, a CGTP-IN desempenhou um papel inestim\u00e1vel no desenvolvimento do processo revolucion\u00e1rio, cumprindo com sucesso as suas tarefas, tornando-se numa for\u00e7a indestrut\u00edvel, necess\u00e1ria e insubstitu\u00edvel na defesa do regime democr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Hoje em dia h\u00e1 quem desvalorize o papel dos sindicatos e diga que \u00e9 algo ultrapassado. Como olha para o futuro do movimento sindical?<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores portugueses, durante os 51 anos de exist\u00eancia da CGTP-IN e sob a sua dire\u00e7\u00e3o, escreveram p\u00e1ginas de luta verdadeiramente empolgantes pela dimens\u00e3o, determina\u00e7\u00e3o, unidade e consci\u00eancia social, pol\u00edtica e de classe, das quais se devem orgulhar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na atualidade, o movimento sindical e os trabalhadores enfrentam novos e dif\u00edceis problemas. O capitalismo atravessa uma profunda crise que procura ultrapassar reduzindo a p\u00f3 conquistas hist\u00f3ricas, e mesmo civilizacionais, alcan\u00e7adas atrav\u00e9s de duras lutas e de muitos sacrif\u00edcios de sucessivas gera\u00e7\u00f5es de trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Desenvolve-se uma violenta ofensiva ideol\u00f3gica que visa escamotear a explora\u00e7\u00e3o, a que os trabalhadores est\u00e3o sujeitos. Tenta-se individualizar as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e desagregar e descaracterizar o movimento sindical de classe.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, a CGTP-IN e o movimento sindical, que ela consubstancia, continua a ser uma necessidade imperiosa e um instrumento fundamental para os trabalhadores portugueses, unidos e organizados, fazerem frente \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, e lutarem com \u00eaxito por melhores sal\u00e1rios, hor\u00e1rios dignos, emprego com direitos, servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade e por um Portugal com futuro que seja simultaneamente, soberano, desenvolvido e solid\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ernesto Cartaxo come\u00e7ou a trabalhar aos 10 anos e juntou-se \u00e0 luta antifascista ainda jovem. 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