{"id":5619,"date":"2022-02-07T17:12:38","date_gmt":"2022-02-07T17:12:38","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5619"},"modified":"2022-02-07T17:12:42","modified_gmt":"2022-02-07T17:12:42","slug":"cineclubismo-alternativa-de-qualidade-a-baixo-custo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/02\/07\/cineclubismo-alternativa-de-qualidade-a-baixo-custo\/","title":{"rendered":"Cineclubismo: alternativa de qualidade \u2013 a baixo custo"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um passado de resist\u00eancia anti-fascista na luta por uma cultura popular<\/h2>\n\n\n\n<p>O surgimento dos cineclubes em Portugal acontece no p\u00f3s-guerra, e \u00e9 insepar\u00e1vel das expectativas de democratiza\u00e7\u00e3o da vida nacional. O Movimento de Unidade Democr\u00e1tica (MUD), proibido em 1948, com as suas significativas camadas da juventude estudantil e trabalhadora, prossegue a milit\u00e2ncia legal atrav\u00e9s do movimento associativo, que sobreviveu em pleno fascismo atrav\u00e9s de associa\u00e7\u00f5es de cultura, recreio e desporto. Manuel de Azevedo destaca, no seu livro \u201cO Movimento dos Cine-Clubes\u201d (Edi\u00e7\u00f5es Seara Nova, 1948), a rela\u00e7\u00e3o entre o cinema portugu\u00eas e o acesso \u00e0 cultura:<em> estaremos contribuindo concretamente para a solu\u00e7\u00e3o do problema da cultura do povo na medida em que trabalharmos para a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel cultural, ou apenas cinematogr\u00e1fico, do espectador de cinema. <\/em>Neste contexto e com tal intuito, tinham j\u00e1 surgido os primeiros cineclubes: o Clube Portugu\u00eas de Cinematografia (1945); o C\u00edrculo de Cinema, de Lisboa, e o C\u00edrculo de Cultura Cinematogr\u00e1fica &#8211; Cine-Clube Universit\u00e1rio de Coimbra (1946).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento expande-se um pouco por todo o pa\u00eds. E em 1955, realiza-se, em Coimbra, o 1.\u00ba Encontro Nacional de Cine-Clubes, que marca o nascimento do Movimento Cineclubista em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As miss\u00f5es de um cineclube<\/h2>\n\n\n\n<p>No artigo <em>\u201cO que \u00e9 um Clube de Cinema?\u201d <\/em>(<em>Gazeta de Coimbra<\/em>, 1947), Rui Gr\u00e1cio define as caracter\u00edsticas dos cineclubes como organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos, que \u201c<em>n\u00e3o associam apenas t\u00e9cnicos, cr\u00edticos, estetas e estudiosos do Cinema; chamam a si todos os que apreciam o espect\u00e1culo cinematogr\u00e1fico, procurando interess\u00e1-los pelos aspectos hist\u00f3ricos, t\u00e9cnicos, art\u00edsticos, culturais e pedag\u00f3gicos do cinema e procurando, tamb\u00e9m, inform\u00e1-los afinar-lhes a sensibilidade, educar-lhes a gosto e o esp\u00edrito cr\u00edtico.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os cineclubes t\u00eam como miss\u00e3o a projec\u00e7\u00e3o de filmes, e consequente debate de ideias, em esp\u00edrito comunit\u00e1rio, livre e cr\u00edtico. E proporcionar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o incentivo e meios para se aproximar de obras a que, de outras formas, n\u00e3o teriam acesso. \u00c9 num ambiente aberto a todos os que se queiram associar, ou apenas assistir \u00e0s sess\u00f5es, que acontecem estes visionamentos, em circuitos alternativos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fun\u00e7\u00e3o dos cineclubes proporcionar os meios para divulgar e evidenciar obras que geralmente est\u00e3o fora dos circuitos convencionais de distribui\u00e7\u00e3o. No fundo, procuram criar interesse pelo cinema como express\u00e3o art\u00edstica, dando a conhecer novos realizadores e outros cujas qualidades se revelem originais, ou que ocupem um lugar de relevo dentro na hist\u00f3ria do cinema &#8211; n\u00e3o esquecendo obras contempor\u00e2neas e a produ\u00e7\u00e3o que se vai fazendo nacional e internacionalmente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O caso do ABC&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Em Lisboa, existem dois cineclubes, o ABC Cine-Clube de Lisboa, fundado em 1950, e o Cineclube de Alvalade, que far\u00e1 tr\u00eas anos em Abril. A \u00c1rea Metropolitana de Lisboa conta ainda com um cineclube no Barreiro, outro em Set\u00fabal. A n\u00edvel nacional, existem actualmente a Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Cineclubes (fundada em 1978) e 85 organiza\u00e7\u00f5es nacionais de car\u00e1cter cineclubista, nem todas federadas. O Dia Nacional do Cineclube comemora-se a 14 de Abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Manuel Neves, presidente do ABC Cine-Clube de Lisboa, lembra-nos os princi\u0301pios e objectivos associativos do movimento cineclubista: defender o cinema como arte e linguagem, apoiando e impulsionando a cinematografia nacional, divulgando obras representativas da s\u00e9tima arte, bem como outras do cinema experimental, did\u00e1ctico e infantil; procurar impulsionar e auxiliar o cinema dida\u0301ctico e educativo, editando textos de i\u0301ndole cultural e cinematogra\u0301fica; organizar colo\u0301quios, debates, mesas redondas, palestras, confer\u00eancias; instituir uma biblioteca, geral e especializada em cinema, ou mesmo constituir uma filmoteca e promover a realiza\u00e7\u00e3o de cursos de forma\u00e7\u00e3o cinematogra\u0301fica; e ainda, organizar festivais, exposi\u00e7\u00f5es e outros certames relacionados com o cinema e a cultura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Actualmente, o ABC mant\u00e9m sess\u00f5es gratuitas regulares, abertas a toda a popula\u00e7\u00e3o, no audit\u00f3rio do Liceu Cam\u00f5es e no Clube Estef\u00e2nia (chegam a ser duas por semana), em Lisboa, todas elas com a respectiva folha de sala. Os debates e confer\u00eancias t\u00eam sido em menor n\u00famero, dada a situa\u00e7\u00e3o pand\u00e9mica, mas continuam a acontecer, sobretudo nas sess\u00f5es em que s\u00e3o projectados filmes portugueses, \u00e0s quais o cineclube tenta levar os realizadores para falarem sobre as suas obras, incentivando a discuss\u00e3o de ideias e partilha de experi\u00eancias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O futuro dos cineclubes: mais actividade e associativismo<\/h2>\n\n\n\n<p>Neste sentido, no movimento cineclubista em Portugal, as sess\u00f5es de cinema continuam a ser pontos de encontro e debate, num panorama \u00e1rido no que concerne \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de um certo tipo de cinema, autores e filmes, que, de outro modo, nunca estariam acess\u00edveis, em sala, promovendo a reflex\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o populares. Mas precisa, hoje, de p\u00fablicos de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es e origens, para se afirmar ainda mais como uma voz activa na divulga\u00e7\u00e3o de uma cultura abrangente e igualit\u00e1ria, acess\u00edvel a todos, que promova outras formas de ver cinema, debater e reflectir ideias, a arte e a sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9, portanto, uma prioridade divulgar juntos de novos p\u00fablicos os movimentos associativos cineclubistas, que continuam a desenvolver actividades, abertas e acess\u00edveis a todos, e s\u00e3o alternativa aos circuitos convencionais de salas e programa\u00e7\u00e3o. Um dos primeiros passos pode passar por aderir a um cineclube, atrav\u00e9s da inscri\u00e7\u00e3o e pagamento de quotas (de baixo custo), activamente, participando e divulgando as suas sess\u00f5es e debates, ou contribuindo com sugest\u00f5es de filmes e outras actividades culturais cineclubistas.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um passado de resist\u00eancia anti-fascista na luta por uma cultura popular O surgimento dos cineclubes em Portugal acontece no p\u00f3s-guerra, e \u00e9 insepar\u00e1vel das expectativas de democratiza\u00e7\u00e3o da vida nacional. 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