{"id":5615,"date":"2022-02-07T17:06:36","date_gmt":"2022-02-07T17:06:36","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5615"},"modified":"2022-02-07T17:06:46","modified_gmt":"2022-02-07T17:06:46","slug":"uma-radio-que-seja-nossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/02\/07\/uma-radio-que-seja-nossa\/","title":{"rendered":"Uma R\u00e1dio que seja nossa"},"content":{"rendered":"\n<p>No pr\u00f3ximo dia 13 de fevereiro assinala-se o Dia Mundial da R\u00e1dio \u2013 uma celebra\u00e7\u00e3o promovida pela UNESCO desde 2011, com o objetivo de estimular a utiliza\u00e7\u00e3o deste meio de comunica\u00e7\u00e3o para um acesso mais amplo das popula\u00e7\u00f5es \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. \u00c9 este, de facto, o papel hist\u00f3rico da r\u00e1dio. Foi, muitas vezes, e em coopera\u00e7\u00e3o internacional, o meio de combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o e o som de uma esperan\u00e7a de futuro que as barreiras da opress\u00e3o teimavam em esconder. Foi a resist\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es que furou sempre o controlo dos meios de comunica\u00e7\u00e3o por essa opress\u00e3o e que deu voz \u00e0 possibilidade da liberdade e do poder popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hist\u00f3ria da R\u00e1dio h\u00e1 momentos t\u00e3o relevantes que permanecem na nossa mem\u00f3ria coletiva mais do que mil imagens, porque o poder da voz que transporta as emo\u00e7\u00f5es do momento tem um efeito em n\u00f3s que vai muito para al\u00e9m da apar\u00eancia. Da Gr\u00e2ndola que abriu as portas de Abril ao relato de A Inven\u00e7\u00e3o do Amor, passando pela defesa sem luvas de Ricardo nas meias-finais do Euro 2004, a R\u00e1dio concentra num \u00fanico sentido toda a nossa aten\u00e7\u00e3o e desperta em n\u00f3s uma rea\u00e7\u00e3o t\u00e3o espont\u00e2nea, t\u00e3o imediata, que se torna inesquec\u00edvel e insubstitu\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos \u00faltimos anos, temos assistido a uma tentativa de museologiza\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio. As not\u00edcias sobre a sua substitui\u00e7\u00e3o por novos meios de comunica\u00e7\u00e3o e novas tecnologias parecem querer determinar a morte de um meio que muitos dizem anacr\u00f3nico. E esta tentativa n\u00e3o \u00e9 inocente. A R\u00e1dio tem um alcance coletivo e massificador; na R\u00e1dio h\u00e1 media\u00e7\u00e3o entre os conte\u00fados e os ouvintes; a R\u00e1dio transporta a informa\u00e7\u00e3o em tempo real em toda a parte; e apesar das dificuldades e limites que impuseram \u00e0 sua democratiza\u00e7\u00e3o, este \u00e9 um dos meios que ainda pode resistir ao centralismo e \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de \u00f3rg\u00e3os locais e de movimentos populares.<\/p>\n\n\n\n<p>A homogeneiza\u00e7\u00e3o cultural \u00e9, nesse sentido, uma das consequ\u00eancias que j\u00e1 vemos refletidas no nosso quotidiano. Apesar da aparente diversidade, os produtos de entretenimento que as r\u00e1dios servem s\u00e3o uma determina\u00e7\u00e3o de um mercado de consumo, muitas vezes alienador daquilo que \u00e9 a realidade pol\u00edtica e da cultura popular \u2013 aquela que \u00e9 criada e produzida pelas popula\u00e7\u00f5es e n\u00e3o em est\u00fadio por homens de neg\u00f3cios. Enfraquecida por esta tend\u00eancia, evidenciando ainda mais as limita\u00e7\u00f5es e criando a sensa\u00e7\u00e3o de que j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 resposta \u00e0s necessidades das popula\u00e7\u00f5es, a R\u00e1dio atravessa, h\u00e1 alguns anos, um dilema de sobreviv\u00eancia. O problema n\u00e3o \u00e9 da R\u00e1dio, mas sim do monop\u00f3lio de todos os meios pelos mesmos grupos econ\u00f3micos, que definem o que sobrevive e o que desaparece, o que est\u00e1 ou n\u00e3o est\u00e1 na moda, o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das causas mais evidentes dessa homogeneiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a depend\u00eancia financeira das r\u00e1dios. Para al\u00e9m da sobrecarga publicit\u00e1ria que interrompe emiss\u00f5es e consome uma parte significativa do tempo de antena, criando nas reda\u00e7\u00f5es dilemas sobre a transpar\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma depend\u00eancia pol\u00edtica que se manifesta, sobretudo, nas r\u00e1dios locais, onde o poder local surge como t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o e condiciona um direito t\u00e3o fundamental como a liberdade de express\u00e3o. N\u00e3o falamos apenas da informa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o cultural que ficam ref\u00e9ns das prioridades de figuras externas ao interesse p\u00fablico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Torna-se cada vez mais urgente um servi\u00e7o p\u00fablico de r\u00e1dio que reflita, tamb\u00e9m, um servi\u00e7o p\u00fablico de cultura. Precisamos de uma R\u00e1dio que represente as aspira\u00e7\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es, que reproduza a sua cultura e que seja vanguardista na divulga\u00e7\u00e3o e na informa\u00e7\u00e3o. Precisamos de uma R\u00e1dio que seja mais popular do que elitista e mais sofisticada do que popularucha; uma R\u00e1dio que nos devolva a comunidade e que seja uma constru\u00e7\u00e3o coletiva.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo dia 13 de fevereiro assinala-se o Dia Mundial da R\u00e1dio \u2013 uma celebra\u00e7\u00e3o promovida pela UNESCO desde 2011, com o objetivo de estimular a utiliza\u00e7\u00e3o deste meio de comunica\u00e7\u00e3o para um acesso mais amplo das popula\u00e7\u00f5es \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. \u00c9 este, de facto, o papel hist\u00f3rico da r\u00e1dio. 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