{"id":5553,"date":"2022-02-04T00:07:48","date_gmt":"2022-02-04T00:07:48","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5553"},"modified":"2022-03-20T21:29:36","modified_gmt":"2022-03-20T21:29:36","slug":"eu-nao-era-capaz-de-viver-outra-vida-que-nao-fosse-esta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/02\/04\/eu-nao-era-capaz-de-viver-outra-vida-que-nao-fosse-esta\/","title":{"rendered":"\u201cEu n\u00e3o era capaz de viver outra vida que n\u00e3o fosse esta\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Mar\u00edlia Villaverde Cabral tem 79 anos e aderiu ainda adolescente ao PCP, em plena ditadura.&nbsp;Foi uma das fundadoras do Movimento Democr\u00e1tico de Mulheres, foi dirigente sindical e coordenadora da Uni\u00e3o de Resistentes Antifascistas Portugueses, organiza\u00e7\u00e3o de que faz parte. Este ano, ser\u00e1 homenageada como s\u00f3cia honor\u00e1ria d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio no anivers\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como foi a sua inf\u00e2ncia?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nasci em Lisboa, ali no bairro do Arco do Cego, numa fam\u00edlia que n\u00e3o tinha nada a ver com a pol\u00edtica. O meu pai tinha uma pequena loja e era cat\u00f3lico praticante. A minha m\u00e3e era dom\u00e9stica. A minha inf\u00e2ncia foi a de uma filha \u00fanica. Nunca tivemos grandes dificuldades porque o meu pai vivia para a loja. Mesmo durante a guerra. Apesar de ter os mimos todos de uma filha \u00fanica, era muito tristonha porque n\u00e3o gostava do que via \u00e0 minha volta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E era ainda muito jovem quando despertou para a atividade pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"pergunta\">Sim, fui para o Liceu Filipa de Lencastre e a\u00ed \u00e9 que tive a sorte de encontrar v\u00e1rias meninas. Uma era a Helena Rato cujo pai era do partido [PCP] e chegou a ser ponto de apoio a camaradas clandestinos. Por isso, tinha de ter muito cuidado porque n\u00e3o podia levar l\u00e1 ningu\u00e9m a casa. Outra era a Maria Lu\u00edsa Tito Morais. O pai n\u00e3o era do partido mas era um homem da oposi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m a Isabel Galacho. E foram estas amizades que me trouxeram at\u00e9 aqui. A Helena Rato fez uma coisa muito bonita que foi emprestar-me o livro A M\u00e3e, do Gorki, que \u00e9 um grande recrutador para o partido, e eu, que era uma menina toda cat\u00f3lica, ao ler aquilo fiquei maravilhada e percebi que tamb\u00e9m aqui em Portugal havia luta, havia gente que lutava e n\u00e3o se submetia. Devia ter uns 15 ou 16 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E quando \u00e9 que decide que tem de fazer&nbsp;alguma coisa?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito engra\u00e7ado porque o Arlindo Vicente tinha a sede de campanha numa vivenda ali no bairro. J\u00e1 tinha lido A M\u00e3e e um dia insisti com a Lu\u00edsa Tito Morais, que estava um bocado envergonhada, para irmos l\u00e1 ver no que \u00e9 que aquilo dava. Subimos as escadas e fic\u00e1mos l\u00e1 as duas. Estava l\u00e1 um rapaz e ficou assim muito espantado com aquelas duas mi\u00fadas ali. N\u00f3s explic\u00e1mos que quer\u00edamos ver se pod\u00edamos ajudar e ele depois foi comentar com a irm\u00e3 da Lu\u00edsa &#8211; que na altura estudava na universidade de medicina &#8211; que tinham ido l\u00e1 bater duas mi\u00fadas novitas e que n\u00e3o nos tinham dado nada porque podia ser perigoso. Mas o irm\u00e3o da Lu\u00edsa &#8211; que na altura era do partido &#8211; ficou a saber disto e deve ter informado que estavam ali duas mi\u00fadas interessadas em juntar-se \u00e0 luta. Em pouco tempo come\u00e7ou a reunir connosco e a dar-nos coisas para ler, entre o Avante! e alguns livros. Estamos a falar de 1958 ou 1959 porque eu j\u00e1 estava no partido quando o Aboim [Inglez] foi preso e ele foi preso em 1959. Entrei depois da campanha do Humberto Delgado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Passaram a ser oficialmente do partido.<\/p>\n\n\n\n<p>Na altura, n\u00e3o havia fichas de inscri\u00e7\u00e3o, por isso pode dizer-se que sim. Come\u00e7\u00e1mos logo por formar a comiss\u00e3o pr\u00f3-associa\u00e7\u00e3o dos liceus, que n\u00e3o havia. Cham\u00e1vamos os jovens que conhec\u00edamos na altura e come\u00e7amos a reunir de uma forma unit\u00e1ria. Cheg\u00e1mos a ter muitos jovens envolvidos. Faz\u00edamos bailes para arranjar dinheiro, fizemos sess\u00f5es de cinema, chegamos a alugar uma sede num compartimento de uma garagem grande ali para os lados do bairro de S\u00e3o Miguel. Nessa altura, comecei a namorar com o Jo\u00e3o Tito Morais e ele, para n\u00e3o ir para a guerra, fugiu para a Alemanha e depois foi ter com o pai dele ao Brasil. Ent\u00e3o, a minha ideia era ir para Londres estudar umas coisas, arranjar trabalho no Brasil e ir ter com ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Mas o apelo da luta foi mais forte.<\/p>\n\n\n\n<p>Na altura, eu j\u00e1 reunia com o Jos\u00e9 Bernardino, que foi o meu respons\u00e1vel em 59\/60. Ainda antes, tinha reunido com o Armando Myre Dores, que andava em semiclandestinidade. Mas quando fui para Londres, quando se despediu de mim, o Bernardino disse-me: \u201cnunca traias\u201d. Foi uma frase que nunca mais esqueci. Ele n\u00e3o estava l\u00e1 muito de acordo que eu fosse para o Brasil, mas eu tinha aquela paix\u00e3o. Entretanto, fui para Londres aprender ingl\u00eas. S\u00f3 que em Portugal come\u00e7a toda a movimenta\u00e7\u00e3o a prop\u00f3sito do barco Santa Maria, do avi\u00e3o e por a\u00ed fora. Come\u00e7am a prender muitos estudantes, entre eles jovens do partido. Naquelas circunst\u00e2ncias, eu n\u00e3o consegui ir para o Brasil. Decidi voltar a Portugal porque a luta me chamava. Tive amigos que me disseram para n\u00e3o regressar porque nos interrogat\u00f3rios perguntavam pelo meu nome, mas eu cheguei, tive algumas provoca\u00e7\u00f5es da PIDE mas n\u00e3o me prenderam. N\u00e3o sei se me estavam a seguir porque faziam muito isto de n\u00e3o prender pensando que a pessoa podia levar a outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Mais tarde foi levada durante a repress\u00e3o contra os estudantes na Cidade Universit\u00e1ria, naquela que foi considerada uma das maiores opera\u00e7\u00f5es policiais do fascismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu juntei-me \u00e0 luta estudantil e depois acabei por ser presa com os 1500 na Cidade Universit\u00e1ria em 1962. Uns dias antes, no 1\u00ba de Maio, and\u00e1mos a fugir \u00e0 pol\u00edcia. Foi um per\u00edodo muito movimentado. As pessoas come\u00e7aram a juntar-se porque corria o boato de que os jovens fascistas iam atacar os estudantes que estavam a fazer a greve da fome. N\u00f3s come\u00e7\u00e1mos a juntar-nos para defend\u00ea-los. \u00c9ramos 1500 na Cantina Velha. S\u00f3 que em vez de aparecerem os jovens, apareceu a pol\u00edcia. O [Jorge] Sampaio, que na altura era o secret\u00e1rio da RIA &#8211; Dire\u00e7\u00e3o Nacional de Associa\u00e7\u00f5es &#8211; disse-nos: \u201cNingu\u00e9m sai daqui sem nos irem buscar mesa a mesa\u201d. Aquilo demorou\u2026 Eles chegaram \u00e0 hora de jantar e sa\u00edmos de l\u00e1 de madrugada. As raparigas foram todas para o Governo Civil e nem havia espa\u00e7o para tanta gente. Os rapazes foram distribu\u00eddos por v\u00e1rios outros s\u00edtios e nessa ocasi\u00e3o n\u00e3o nos interrogaram porque era tanta gente que eles j\u00e1 n\u00e3o tinham sequer papel para tirar as fotografias para o cadastro. Sei que s\u00f3 volt\u00e1mos a sair na outra madrugada e que tamb\u00e9m a\u00ed fizeram uma provoca\u00e7\u00e3o. Eles sabiam que o meu pai &#8211; o meu pai n\u00e3o era fascista, sei l\u00e1 o que ele era na altura &#8211; era membro da Uni\u00e3o Nacional. Tinha sido um irm\u00e3o dele a aconselh\u00e1-lo para n\u00e3o ter problemas com os fiscais. O PIDE chegou \u00e0 cela e chamou-me pelo meu nome e eu achei que ia ficar l\u00e1. Levou-me por uma escada e disse-me ao ouvido: \u201co seu paizinho isto e aquilo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Depois, envolve-se na atividade sindical.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da atividade sindical, participei na funda\u00e7\u00e3o do Movimento Democr\u00e1tico de Mulheres. Foi no meu trabalho na Caixa de Previd\u00eancia que comecei a atividade sindical. A dire\u00e7\u00e3o do sindicato era fascista e depois tinha v\u00e1rias comiss\u00f5es consoante as \u00e1reas de trabalho: t\u00ednhamos os qu\u00edmicos, a constru\u00e7\u00e3o, a previd\u00eancia. E n\u00f3s fizemos um trabalho muito bom mesmo com uma dire\u00e7\u00e3o fascista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Ainda assim tinham de fazer reuni\u00f5es clandestinas no \u00e2mbito do trabalho do partido, certo?<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, nem sab\u00edamos bem onde \u00e9 que era mas havia ali uma apartamento todo giro no Estoril ou em Cascais. Mas tenho a ideia de haver um apartamento de uma irm\u00e3 de um dos meus controleiros. Nas nossas reuni\u00f5es t\u00ednhamos sempre o ponto um, que era o minuto conspirativo que servia para combinarmos o que dir\u00edamos \u00e0 PIDE se eles entrassem naquele momento. Se fosse uma reuni\u00e3o sem camaradas na clandestinidade podiamos sempre explicar que est\u00e1vamos a comemorar n\u00e3o sei o qu\u00ea, mas com camaradas clandestinos nenhuma reuni\u00e3o come\u00e7ava sem o minuto conspirativo. Se tocasse a campainha j\u00e1 t\u00ednhamos combinado todos o que \u00e9 que hav\u00edamos de dizer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E com a chegada do 25 de Abril?<\/p>\n\n\n\n<p>Olha, lembro-me que fui para Caxias esperar a sa\u00edda dos presos. Foi um momento incr\u00edvel. Tenho a imagem na cabe\u00e7a da Marinha a entrar pelo cais e n\u00f3s aos gritos. Depois, os nossos camaradas a dizerem que n\u00e3o sa\u00eda ningu\u00e9m enquanto n\u00e3o sa\u00edssem todos. Foi de uma coragem\u2026 Depois houve tiros, negocia\u00e7\u00f5es e tive de me vir embora para ir \u00e0 sede do sindicato pedir a chave aos fascistas. E eu acho gra\u00e7a porque na altura eles diziam que n\u00f3s t\u00ednhamos tomado conta do sindicato, que t\u00ednhamos assaltado o sindicato e n\u00e3o foi nada assim. Eu cheguei l\u00e1, eles estavam l\u00e1 todos encolhidos de medo, pedi a chave e deram-me. Simples. N\u00e3o foi nada her\u00f3ico. Os fascistas ainda foram protestar e dizer que lhes t\u00ednhamos tirado o sindicato. Depois, tivemos um confronto na Cova da Moura [antiga sede do Estado-Maior General das For\u00e7as Armadas, em Lisboa]. \u00c9ramos n\u00f3s a explicar aos militares quem eles eram\u2026 e depois decidimos fazer elei\u00e7\u00f5es e ganh\u00e1mos. A vota\u00e7\u00e3o foi muito bonita. Mas durei pouco tempo no sindicato porque passei a funcion\u00e1ria do partido.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro-me da chegada do \u00c1lvaro [Cunhal] a Lisboa. Morreu um camarada de ataque de cora\u00e7\u00e3o e eu estava a ver que morria tamb\u00e9m e n\u00e3o foi tanto por causa do \u00c1lvaro. Estava l\u00e1 \u00e0 espera [no aeroporto] e aquilo era uma multid\u00e3o. De repente, vejo chegar uma manifesta\u00e7\u00e3o do Barreiro com um pano com uma foice e um martelo E aquilo foi uma coisa\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como foram os primeiros meses como funcion\u00e1ria em pleno processo revolucion\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto, tornei-me funcion\u00e1ria do partido. E n\u00e3o foi uma decis\u00e3o f\u00e1cil\u2026 porque na altura eu tinha um sal\u00e1rio relativamente bom &#8211; porque eu entretanto fui para a Associa\u00e7\u00e3o de Planeamento Familiar, quando sa\u00ed do sindicato &#8211; e pass\u00e1mos a viver com menos dinheiro. S\u00f3 que o Alberto [Villaverde Cabral] foi convidado para a ANI, que transformaram na ANOP, Ag\u00eancia Noticiosa Portuguesa, e eu passei a trabalhar para o partido sem sal\u00e1rio. Passei a ser funcion\u00e1ria sem sal\u00e1rio durante uns tempos porque n\u00e3o precisava e era uma ajuda para o partido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E quais \u00e9 que foram as suas responsabilidades no PCP?<\/p>\n\n\n\n<p>Passei a acompanhar os trabalhadores da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Tive reuni\u00f5es com t\u00e9cnicos que ajudaram, depois na empresa, a criar a pr\u00f3pria EDP. Aquilo foi de tal maneira que um dia estava a falar com um camarada e comecei a ver tudo a andar a roda, e depois foram levar-me a casa porque o cansa\u00e7o era t\u00e3o grande. Cada um que vinha queria explicar-me como \u00e9 que a empresa funcionava. Era muito giro, eu queria apanhar tudo. Eram oper\u00e1rios que sabiam bem como \u00e9 que aquilo funcionava e era impressionante, quer\u00edamos absorver tudo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aquilo foi \u00e9pico. N\u00e3o h\u00e1 palavras. Eu, por exemplo, fui agarrar a CRGE [Companhias Reunidas de G\u00e1s e Electricidade]. Havia um camarada que me dizia \u201caquilo \u00e9 tudo reacion\u00e1rios, n\u00e3o se pode fazer l\u00e1 nada\u201d e depois havia um oper\u00e1rio que era da Margem Sul. E eu, um certo dia, disse que aquilo n\u00e3o podia ser. \u201cEnt\u00e3o uma empresa com tantos eletricistas e n\u00e3o temos oper\u00e1rios? Vamos ter uma reuni\u00e3o e pronto\u201d. Marc\u00e1mos uma data e apareceram tantos oper\u00e1rios e pessoal de escrit\u00f3rio que eu tive de pedir outra sala porque n\u00e3o cabiamos todos. Tudo homens e eu a fumar o meu cigarro, mas a pensar como \u00e9 que eles iam ver aquilo porque ainda est\u00e1vamos naquela altura\u2026 E ent\u00e3o o que \u00e9 que eles traziam? Mapas da empresa para ver como \u00e9 que pod\u00edamos organizar o partido naquelas sec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Mas quando eles chegam ali ainda n\u00e3o eram do partido?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o. Foi de tal maneira, cresceu tanto aquela c\u00e9lula, que me chamaram da dire\u00e7\u00e3o para saber o que \u00e9 que tinha acontecido. Estava t\u00e3o chateada por n\u00e3o termos oper\u00e1rios que aquilo depois superou todas as expetativas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O que sente quando olha para tr\u00e1s?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o olho muito para tr\u00e1s porque n\u00f3s passamos pelas grandes conquistas, passamos pela defesa das conquistas e ent\u00e3o foi sempre para a frente. Defender, defender, defender. Logo a seguir ao 25 de Novembro o partido fez um grande com\u00edcio &#8211; que me d\u00e1 um orgulho muito grande &#8211; no Campo Pequeno. E nada disto me d\u00e1 nostalgia. Claro que fico fascinada com o que aconteceu at\u00e9 aqui mas habituei-me a que a luta se faz para frente e, como a luta esteve sempre presente na minha vida, n\u00e3o me d\u00e1 para olhar para tr\u00e1s. D\u00e1-me para olhar para a frente e achar que temos de fazer mais coisas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Consegue imaginar que um dia pudesse n\u00e3o ter escolhido este caminho?<\/p>\n\n\n\n<p>Nada, n\u00e3o consigo ver-me fora do partido. O partido \u00e9 a minha vida. Eu sem o partido\u2026 porque eu entrei para o partido com 15 ou 16 anos e era uma mi\u00fada que n\u00e3o tinha ideias nenhumas. Se viesse de uma fam\u00edlia com ideias marcadas mas, pelo contr\u00e1rio, eu tive que lutar na minha fam\u00edlia ao ponto de uma vez ficar com febre por n\u00e3o me deixarem sair para ir a uma reuni\u00e3o. Gritei tanto, chorei tanto que fiquei com febre. N\u00e3o s\u00f3 lutei contra o fascismo como lutei contra a minha vida. E consegui.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Olha para tr\u00e1s e sente que vale a pena?<\/p>\n\n\n\n<p>Valeu e vale a pena. Eu n\u00e3o era capaz de viver outra vida que n\u00e3o fosse esta. Foi a coisa mais linda que me aconteceu, este meu querido partido.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mar\u00edlia Villaverde Cabral tem 79 anos e aderiu ainda adolescente ao PCP, em plena ditadura.&nbsp;Foi uma das fundadoras do Movimento Democr\u00e1tico de Mulheres, foi dirigente sindical e coordenadora da Uni\u00e3o de Resistentes Antifascistas Portugueses, organiza\u00e7\u00e3o de que faz parte. Este ano, ser\u00e1 homenageada como s\u00f3cia honor\u00e1ria d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio no anivers\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o. 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