{"id":5528,"date":"2022-02-03T23:47:08","date_gmt":"2022-02-03T23:47:08","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5528"},"modified":"2022-03-07T15:42:53","modified_gmt":"2022-03-07T15:42:53","slug":"exercito-de-invisiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2022\/02\/03\/exercito-de-invisiveis\/","title":{"rendered":"Ex\u00e9rcito de invis\u00edveis"},"content":{"rendered":"\n<p><em>No Hospital Curry Cabral, uniram-se e venceram. Disseram basta e obrigaram a empresa S\u00e1 Limpa a abandonar este polo hospitalar. N\u00e3o querem ser invis\u00edveis e exigem respeito. S\u00e3o mais de 60 mil em todo o pa\u00eds e s\u00e3o sobretudo mulheres. Baixos sal\u00e1rios, trabalho prec\u00e1rio, hor\u00e1rios desregulados, abusos por parte das chefias e racismo s\u00e3o algumas das muitas den\u00fancias de quem trabalha na limpeza.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A revolta das esfregonas<\/h2>\n\n\n\n<p>Podia ser apenas uma tarde como tantas outras mas algo extraordin\u00e1rio estava para acontecer no Hospital Curry Cabral, em Lisboa. Mulheres de v\u00e1rios servi\u00e7os, vestidas com a farda da limpeza, largaram as esfregonas e decidiram que aquele dia ia ser delas. Rapidamente se espalhou a not\u00edcia de que a empresa S\u00e1 Limpa queria despedir tr\u00eas das suas colegas, uma com cancro e outra com uma doen\u00e7a cr\u00f3nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Decididas a confrontar o administrador que abandonava aquele polo hospitalar, encontraram-no j\u00e1 dentro da viatura a caminho da sa\u00edda. Entre vozes de revolta, uma das muitas mulheres deixou a amea\u00e7a no ar: \u201cSe n\u00e3o nos ouvir, viramos-lhe o carro\u201d. N\u00e3o havia volta a dar. Dali a pouco, este membro da dire\u00e7\u00e3o recebia representantes do sindicato e as trabalhadoras juntavam-se em plen\u00e1rio para decidir uma greve. Um dia sem esfregonas para defender as tr\u00eas colegas que iam ser despedidas. Por\u00e9m, isso era apenas a gota de \u00e1gua de todas as queixas de abusos da empresa sobre cada uma delas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"888\" height=\"591\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/L1019853_300cmyk.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5532\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/L1019853_300cmyk.jpg 888w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/L1019853_300cmyk-300x200.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/L1019853_300cmyk-768x511.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/L1019853_300cmyk-150x100.jpg 150w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/L1019853_300cmyk-370x247.jpg 370w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/L1019853_300cmyk-220x146.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 888px) 100vw, 888px\" \/><figcaption>Trabalhadoras em greve \u00e0 porta do Hospital Curry Cabral<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No dia 7 de dezembro, a porta principal do Curry Cabral amanheceu em festa. Engana-se quem acha que \u00e9 s\u00f3 de tristeza que a luta se trata, pareceram querer dizer \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio v\u00e1rias trabalhadoras despertas pela alegria de se sentirem mais fortes por estarem unidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma delas, Carla, m\u00e3e solteira com um filho de cinco anos, denunciou a recusa por parte da empresa em conceder-lhe um hor\u00e1rio flex\u00edvel, como prev\u00ea a legisla\u00e7\u00e3o para pais de crian\u00e7as com menos de 12 anos. \u201cA supervisora disse-me que n\u00e3o, que n\u00e3o ia permitir que uma trabalhadora de enfermaria entrasse \u00e0s 9 e sa\u00edsse \u00e0s 5. Disse-me para pedir transfer\u00eancia ou meter baixa\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre consignas de protesto, houve tempo para dan\u00e7arem abra\u00e7adas ao som do funan\u00e1 de Ferro Gaita e para conhecerem colegas de outros hospitais que n\u00e3o quiseram deixar de trazer a solidariedade a uma luta que tamb\u00e9m \u00e9 sua. Teve tal impacto esta greve que logo decidiram marcar outra. N\u00e3o chegou a acontecer. A empresa S\u00e1 Limpa abandonou o Hospital Curry Cabral e foi substitu\u00edda por outra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tratados abaixo de c\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Nas limpezas do Hospital S\u00e3o Jos\u00e9, Ricardo Inoc\u00eancio ouviu tudo o que lhe contaram sobre a luta das colegas do Curry Cabral. Aqui, ainda \u00e9 a S\u00e1 Limpa que gere os trabalhadores que fazem com que este polo hospitalar esteja limpo todos os dias. \u201cA luta delas foi um exemplo. Foram mais unidas do que as colegas de S\u00e3o Jos\u00e9. \u00c0s vezes, as trabalhadoras africanas t\u00eam medo de fazer greve, muitas n\u00e3o sabem ler nem escrever e t\u00eam medo, s\u00e3o amea\u00e7adas. E no Curry Cabral n\u00e3o se passou isso. As colegas juntaram-se todas e parou tudo\u201d, afirma \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, a presen\u00e7a de trabalhadoras afrodescendentes e imigrantes tem um grande peso no setor da limpeza. Para Ricardo, os chefes \u201cpensam que podem fazer tudo o que querem e lhes apetece\u201d e denuncia que uma supervisora que acaba de ser transferida para outro hospital \u201cfazia atos racistas com as trabalhadoras negras, tratava-as abaixo de c\u00e3o\u201d. Segundo este trabalhador de 42 anos, \u201cinsultava-as e gritava com elas\u201d, uma \u201cpouca vergonha\u201d, considera.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"2256\" height=\"2256\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Urge\u0302ncia_COVID-19_Hospital_de_Sa\u0303o_Jose\u0301_2020-09-30-1-1-edited.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5541\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Urge\u0302ncia_COVID-19_Hospital_de_Sa\u0303o_Jose\u0301_2020-09-30-1-1-edited.png 2256w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Urge\u0302ncia_COVID-19_Hospital_de_Sa\u0303o_Jose\u0301_2020-09-30-1-1-edited-300x300.png 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Urge\u0302ncia_COVID-19_Hospital_de_Sa\u0303o_Jose\u0301_2020-09-30-1-1-edited-1024x1024.png 1024w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Urge\u0302ncia_COVID-19_Hospital_de_Sa\u0303o_Jose\u0301_2020-09-30-1-1-edited-150x150.png 150w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Urge\u0302ncia_COVID-19_Hospital_de_Sa\u0303o_Jose\u0301_2020-09-30-1-1-edited-768x768.png 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Urge\u0302ncia_COVID-19_Hospital_de_Sa\u0303o_Jose\u0301_2020-09-30-1-1-edited-1536x1536.png 1536w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Urge\u0302ncia_COVID-19_Hospital_de_Sa\u0303o_Jose\u0301_2020-09-30-1-1-edited-2048x2048.png 2048w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Urge\u0302ncia_COVID-19_Hospital_de_Sa\u0303o_Jose\u0301_2020-09-30-1-1-edited-100x100.png 100w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Urge\u0302ncia_COVID-19_Hospital_de_Sa\u0303o_Jose\u0301_2020-09-30-1-1-edited-180x180.png 180w\" sizes=\"(max-width: 2256px) 100vw, 2256px\" \/><figcaption>Entrada da urg\u00eancia do Hospital de S\u00e3o Jos\u00e9<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ricardo trabalhava para uma empresa portuguesa na B\u00e9lgica e teve de abandonar o pa\u00eds com a pandemia. De regresso a Portugal, agarrou-se ao primeiro emprego que encontrou. Mas diz que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Com tr\u00eas filhas e uma companheira desempregada, faz uma hora e meia todos os dias de viagem na linha de Sintra para conseguir um m\u00edsero sal\u00e1rio. \u201c\u00c9 s\u00f3 o meu dinheiro a entrar em casa e sinto-me cada vez mais com a corda ao pesco\u00e7o\u201d, confessa. \u201cEu vivi bem quando trabalhava no estrangeiro e tinha bons ordenados. J\u00e1 vivi bem e, atualmente, apenas sobrevivo\u201d. Explica que ganha cerca de 720 euros e que paga 380 de renda, fora a \u00e1gua, a luz, a comida, os transportes e a internet.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um ano a trabalhar no S\u00e3o Jos\u00e9, j\u00e1 provou muitas das agruras de quem exerce o of\u00edcio de limpar o lixo hospitalar. \u201cA outra supervisora, se se lembrasse que havia mais alguma coisa para fazer \u00e0 hora de sa\u00edda, obrigava-nos a ficar. E se n\u00e3o fic\u00e1ssemos cortavam-nos no sal\u00e1rio como me chegou a acontecer\u201d, descreve. Agora considera que o ambiente melhorou um pouco mas as queixas s\u00e3o muitas. No mesmo dia em que fala com A Voz do Oper\u00e1rio, houve um colega \u201ccom um problema de costas\u201d que se recusou a levantar pesos e \u201cfoi mandado para casa\u201d pelas chefias. \u201cO senhor recusou porque tem uma h\u00e9rnia nas costas. Trabalhava na Maternidade Alfredo da Costa, onde limpava janelas e paredes. Aqui, foi posto a carregar lixo\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m de denunciar a falta de substitui\u00e7\u00e3o de fardamento para trabalhadores que lidam diariamente com \u201cdoen\u00e7as e infe\u00e7\u00f5es\u201d, Ricardo Inoc\u00eancio enuncia tamb\u00e9m alguns dos problemas denunciados por quem trabalha neste setor em diferentes empresas. Repetidos enganos no pagamento do sal\u00e1rio, cobran\u00e7as de despesas administrativas que n\u00e3o entende e falta de recibos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cCinco da matina\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e1 20 anos que n\u00e3o dorme mais do que quatro horas por noite. Por cautela, prefere n\u00e3o dar o nome verdadeiro. Para esta reportagem, decidiu batizar-se como Ana Maria. Algures em \u00c1frica, quando era jovem, tinha um sonho. Ser investigadora criminal. Mas o mundo n\u00e3o \u00e9 igual para todos e Ana Maria \u00e9 mais uma nesse enorme ex\u00e9rcito de mulheres e homens que limpam tudo aquilo que todos sujamos. Com seis filhos, esta mulher solteira veio para Portugal \u00e0 procura de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e o que encontrou foi uma vida de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos os dias em que trabalha, a luz do seu apartamento na linha de Sintra acende-se \u00e0s 5.30 da manh\u00e3. \u00c0s 6.22, apanha o comboio para entrar na PT, em Picoas, \u00e0s 7. Duas vezes por semana, sai desta empresa \u00e0s 10 para trabalhar numa casa particular em Alfragide \u00e0s 11. Dali, sai \u00e0s 15 para entrar no Centro Comercial Colombo \u00e0s 16 e sair \u00e0 meia noite. De volta ao comboio, abre a porta de casa \u00e0s 00.25.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGeralmente deito-me \u00e0 1.20\u201d, diz Ana Maria. N\u00e3o o faz porque quer mas porque tem uma casa para pagar. \u201cTenho de pagar o empr\u00e9stimo ao banco, tenho de pagar o seguro e o condom\u00ednio. Se eu estivesse a receber um ordenado como deve ser, n\u00e3o tinha de me sacrificar tanto. Todos os meses tenho de ter 500 euros na conta. \u00c9 a \u00e1gua, a luz, a internet, a comida, o passe\u201d, descreve. Os filhos, j\u00e1 adultos, vivem todos no estrangeiro. \u201cGra\u00e7as a deus\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large\"><p>\u201cCinco da matina\/ J\u00e1 todos caminham pr\u2019\u00f3 mesmo enredo\/ Porque nos sub\u00farbios\/ O sol levanta-se sempre mais cedo\/ \u00c9 um povo escravizado nesta sociedade de extremos\/ Trabalham duas vezes mais e ganham duas vezes menos\u201d&nbsp;<\/p><cite><em>Valete (rapper)<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Sozinha repete uma rotina com mais de duas d\u00e9cadas. Trabalha para a empresa AMG no Colombo e diz que ali fazem um pouco de tudo: recolher tabuleiros, limpar o ch\u00e3o, lavar as casas de banho. Como Ricardo Inoc\u00eancio, tamb\u00e9m denuncia a forma como s\u00e3o tratadas pelas supervisoras. \u201cElas gritam com a gente. A voz da chefe quando vem falar connosco fica alterada como se fossemos crian\u00e7as e \u00e0s vezes tamb\u00e9m temos de nos alterar\u201d, confessa. A maioria das trabalhadoras s\u00e3o mulheres estrangeiras. \u201cAproveitam-se do facto de sermos imigrantes. H\u00e1 poucas brancas porque n\u00e3o aguentam. N\u00f3s aguentamos porque temos despesas para pagar. S\u00e3o muitas horas e hor\u00e1rios complicados\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/49663528826_34b10659da_b.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5536\" width=\"840\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/49663528826_34b10659da_b.jpeg 1024w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/49663528826_34b10659da_b-300x225.jpeg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/49663528826_34b10659da_b-768x576.jpeg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/49663528826_34b10659da_b-220x165.jpeg 220w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><figcaption>Centro Comercial Colombo \/\/ Foto: Daniel<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ana Maria \u00e9 j\u00e1 uma veterana nesta guerra da limpeza. Com um problema no ombro, enviou uma carta \u00e0 empresa a dizer que n\u00e3o podia fazer trabalhos pesados mas a AMG \u201cn\u00e3o quer ouvir falar de cartas\u201d. Tem uma tendinite e uma infiltra\u00e7\u00e3o no bra\u00e7o mas n\u00e3o tem alternativa. \u201cOs meus bra\u00e7os j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o o que eram mas preciso de ganhar dinheiro para pagar as contas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra das queixas \u00e9 n\u00e3o saberem quanto v\u00e3o ganhar ao fim do m\u00eas. Trabalham quatro dias e fazem duas folgas mas nunca h\u00e1 certezas sobre quanto vai cair na conta. \u201cQuando chega o fim do m\u00eas temos de ficar atentas para saber se vamos receber corretamente. \u00c0s vezes vamos ver e \u00e9 uma mis\u00e9ria. Eles inventam descontos, acertos de horas, entre outras coisas\u201d, explica. \u201cN\u00f3s ligamos para os escrit\u00f3rios da empresa no Porto e dizem-nos para falarmos com a supervisora aqui em Lisboa, n\u00f3s falamos com ela e ela diz para ligarmos aos escrit\u00f3rios. \u00c9 um empurra para aqui, um empurra para ali, para sabermos quanto \u00e9 que vamos ganhar. Eu nunca sei quanto \u00e9 que vou ganhar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O facto \u00e9 que Ana Maria diz que as cerca de 200 trabalhadoras t\u00eam de registar a entrada e a sa\u00edda mas n\u00e3o h\u00e1 maneira de saber quanto v\u00e3o ganhar em cada m\u00eas. \u201cEu fui \u00e0 advogada do sindicato que me disse que tinha muito para receber. Depois falei disso \u00e0 supervisora, amea\u00e7\u00e1mos com um advogado e ela disse-nos para n\u00e3o fazermos isso, para deixar estar, que v\u00edamos isso melhor\u201d, recorda. \u201cQuando dissemos isso, ela mudou totalmente de discurso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, olha para a sua vida e sente muita injusti\u00e7a. \u201cSinto, sinto muita porque estamos aqui a trabalhar e queremos um ordenado como deve ser. Queremos chegar ao final do m\u00eas com o nosso sal\u00e1rio como deve ser\u201d. Mas tamb\u00e9m gostava de ser menos invis\u00edvel. Para o resto do mundo, as trabalhadoras da limpeza parecem n\u00e3o importar. \u201cSomos invis\u00edveis para os clientes. N\u00e3o somos nada bem vistas. Os clientes t\u00eam sempre raz\u00e3o. Nem que nos insultem e nos tratem mal temos de continuar a trabalhar. Acontece muito.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Hospital Curry Cabral, uniram-se e venceram. 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