{"id":5349,"date":"2021-12-06T15:52:40","date_gmt":"2021-12-06T15:52:40","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5349"},"modified":"2021-12-06T15:52:41","modified_gmt":"2021-12-06T15:52:41","slug":"saramago-100-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/12\/06\/saramago-100-anos\/","title":{"rendered":"Saramago, 100 anos."},"content":{"rendered":"\n<p>Iniciam-se agora as comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio do nascimento do escritor Jos\u00e9 Saramago, que decorrer\u00e3o ao longo do ano de 2022 desenvolvidas por diversas entidades e profusos programas, com destaque natural para a Funda\u00e7\u00e3o com o seu nome.<\/p>\n\n\n\n<p>O escritor \u00e9 amplamente reconhecido como um dos expoentes das letras nacionais, tendo sido o \u00fanico portugu\u00eas distinguido com o Pr\u00e9mio Nobel da Literatura, no ano de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascido na aldeia da Azinhaga (Goleg\u00e3) em 16 de Novembro de 1922, no seio de uma fam\u00edlia pobre, logo em novo parte para Lisboa. Teve diversas atividades profissionais antes de se ter dedicado ao mundo das letras como escritor, editor, tradutor e jornalista: foi tamb\u00e9m metal\u00fargico, desenhador e administrativo. Fez cr\u00edtica liter\u00e1ria na Seara Nova, foi tradutor de Tolstoi, Hegel e Baudelaire. Dirigiu o Suplemento Cultural do Di\u00e1rio de Lisboa e foi director-adjunto do Di\u00e1rio de Not\u00edcias.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Saramago iniciou em jovem a sua actividade pol\u00edtica como antifascista, e no mesmo campo se manteve, tendo sido militante do Partido Comunista Portugu\u00eas desde o final dos anos 60, at\u00e9 \u00e0 sua morte. Tal atividade, se n\u00e3o o impediu de chegar aos mais altos patamares da hist\u00f3ria da literatura a n\u00edvel mundial, n\u00e3o deixou de lhe valer tentativas de boicote.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra liter\u00e1ria de Jos\u00e9 Saramago vive na curiosa e fabulosa duplicidade de ser profundamente inventiva, sem jamais perder a capacidade de reflectir com concretude as realidades do seu pa\u00eds e do seu tempo, como fica expl\u00edcito em obras como Manual de Pintura e Caligrafia, Levantado do Ch\u00e3o, Memorial do Convento, O Ano da Morte de Ricardo Reis, A Jangada de Pedra e Hist\u00f3ria do Cerco de Lisboa e A Caverna.<\/p>\n\n\n\n<p>O humanismo, t\u00e3o caracter\u00edstico do autor, tem demonstra\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca no romance Levantado do Ch\u00e3o, onde as lutas, a dor, a mis\u00e9ria e a firmeza de lhes fazer frente e sonhar outros amanh\u00e3s (tendo como palco o Alentejo) lhe d\u00e3o corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Das suas mais queridas personagens, ficam Blimunda e Baltazar, de Memorial do Convento, que ocupam o romance com a voz do povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o Manual de Pintura e Caligrafia que reflectiu sobre quest\u00f5es prementes do seu tempo e, em A Caverna, elabora mesmo sobre a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e suas consequ\u00eancias no trabalho e na vida. Pensou muito sobre os homens (eram a sua mat\u00e9ria), seus afectos e suas mis\u00e9rias morais. Mas Saramago n\u00e3o se limitou ou satisfez a constatar a condi\u00e7\u00e3o dos homens. Perpassa por toda a sua obra um apelo \u00e0 urg\u00eancia de transforma\u00e7\u00e3o. No seu \u00faltimo Caderno de Lanzarote (os seus di\u00e1rios), refere Marx e Engels, na sua c\u00e9lebre frase, \u00abSe o homem \u00e9 formado pelas circunst\u00e2ncias, ent\u00e3o ser\u00e1 preciso formar as circunst\u00e2ncias humanamente\u00bb.\u201dEst\u00e1 aqui tudo\u201d, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciam-se agora as comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio do nascimento do escritor Jos\u00e9 Saramago, que decorrer\u00e3o ao longo do ano de 2022 desenvolvidas por diversas entidades e profusos programas, com destaque natural para a Funda\u00e7\u00e3o com o seu nome. 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