{"id":5333,"date":"2021-12-06T15:44:05","date_gmt":"2021-12-06T15:44:05","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5333"},"modified":"2021-12-06T15:44:06","modified_gmt":"2021-12-06T15:44:06","slug":"a-timidez-das-arvores-de-lilia-tavares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/12\/06\/a-timidez-das-arvores-de-lilia-tavares\/","title":{"rendered":"A Timidez das \u00c1rvores, de L\u00edlia Tavares"},"content":{"rendered":"\n<p>A poesia portuguesa actual \u00e9 um dos ref\u00fagios mais intensos e originais da nossa literatura. Pela nossa melhor poesia percorremos as paix\u00f5es, a dor, o j\u00fabilo dos dias altos e solares, o interior das sombras, a mon\u00f3dia mais \u00edntima da m\u00fasica das palavras. \u00c9 na poesia que a l\u00edngua, esta nossa \u201cl\u00edngua de cultura\u201d como escreveu M\u00e1rio de Carvalho, ganha asas e recortes de virtuosismo sem\u00e2ntico inusitados. H\u00e1 sempre uma luz que cintila algures quando o poeta canta.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00edlia Tavares \u00e9 uma dessas vozes, numa po\u00e9tica que nos traz de longe os rumores mais fundos e vibrantes da inquietude, dos invis\u00edveis lastros do clamor, dos labirintos sensitivos de um olhar que se ret\u00e9m na contempla\u00e7\u00e3o do mundo e da natureza, dos ventos, das \u00e1rvores, a sua austera timidez de ber\u00e7o. As \u00e1rvores est\u00e3o l\u00e1, no seu movimento rumoroso de folhas e frutos, chuva e tempestades: somos n\u00f3s que maculamos o seu espa\u00e7o, que violentamos o seu territ\u00f3rio de p\u00e1ssaros e fontes, que destru\u00edmos em inumana f\u00faria o seu sil\u00eancio, o seu modo de apenas existir \u2013 cortamos essa seiva pela raiz.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 na poesia de L\u00edlia Tavares, nomeadamente neste&nbsp;<em>a timidez das \u00e1rvores<\/em>, uma fala recorrente que nos diz da vida e do seu mais perene lastro, dos medos que habitamos e nos habitam, em que as palavras s\u00e3o, como os corpos amados, p\u00e3o e ref\u00fagio:&nbsp;<em>Est\u00e3o em ferida as bainhas dos nossos dias\/Que nada nos perturbe o sono\/antes que levem de n\u00f3s a noite.\/Antes que a noite doa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta po\u00e9tica \u00e9 tamb\u00e9m, mesmo nesta cont\u00ednua viagem pelo metaf\u00edsico sentido da vida, um espa\u00e7o de afirma\u00e7\u00e3o e inconformismo, que Diz Alto as Coisas, e transporta a urg\u00eancia de as dizer, de se afirmar voz atenta \u00e0s derivas do tempo, juntando essa voz \u00e0 dos seus companheiros de caminhadas pelas largas veredas das palavras: Eug\u00e9nio de Andrade, Daniel Faria, Joaquim Pessoa, Ant\u00f3nio Ramos Rosa, Herberto H\u00e9lder e outros, poetas com os quais a sua voz conjuntiva que recolhe lumes, fulgor, \u00e1gua, algum astro perdido na vazante:&nbsp;<em>Contigo queria ter escutado os gritos\/das gaivotas no rochedo maior\/o mais altivo penhasco da praia,&nbsp;<\/em>diz-nos a autora num belo poema dedicado a Daniel Faria.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m de mem\u00f3rias se constr\u00f3i este percurso l\u00edrico que se atrela \u00e0s partituras mais fecundas da nossa po\u00e9tica contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p><em>A timidez das \u00e1rvores,&nbsp;<\/em>de L\u00edlia Tavares \u2013 Edi\u00e7\u00e3o Modocromia\/2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A poesia portuguesa actual \u00e9 um dos ref\u00fagios mais intensos e originais da nossa literatura. 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