{"id":5312,"date":"2021-12-06T15:27:29","date_gmt":"2021-12-06T15:27:29","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5312"},"modified":"2021-12-06T15:27:31","modified_gmt":"2021-12-06T15:27:31","slug":"figuras-e-simbolos%ef%bb%bf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/12\/06\/figuras-e-simbolos%ef%bb%bf\/","title":{"rendered":"\u2026figuras e s\u00edmbolos\ufeff"},"content":{"rendered":"\n<p>Em determinadas \u00e9pocas e em alguns pa\u00edses da Europa e das Am\u00e9ricas, houve caracter\u00edsticas das suas popula\u00e7\u00f5es que, julgadas dominantes, foram tratadas por artistas, configuradas em estere\u00f3tipos e ganharam valor iconogr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p>John Bull, no Reino Unido, como a pr\u00f3pria alcunha indica, seria um rural, forte como um touro e assumidamente conservador; nos Estados Unidos, o Tio Sam \u00e9 um amigo como qualquer tio deve ser dos seus sobrinhos, mas tamb\u00e9m determinado quando, durante a WW-2, em vigorosos an\u00fancios e cartazes, incitava todos a participarem no esfor\u00e7o de guerra; a Fran\u00e7a, para al\u00e9m do simb\u00f3lico galo, tem a Marianne figura feminina, s\u00edmbolo do patriotismo republicano e de que Brigitte Bardot j\u00e1 serviu de modelo; o Brasil, por via de especiais condi\u00e7\u00f5es geoestrat\u00e9gicas (a participa\u00e7\u00e3o na Segunda Guerra Mundial em alian\u00e7a com os Estados Unidos), teve o hollywoodesco Z\u00e9 Carioca, um papagaio loquaz e amigo de ajudar os outros e que chegou a contracenar com Carmen Miranda.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre n\u00f3s a figura mais representativa do pa\u00eds ter\u00e1 sido, sem d\u00favida e durante muito tempo, o Z\u00e9 Povinho, graficamente representado por um campon\u00eas, aparentemente bo\u00e7al e resignado face \u00e0s injusti\u00e7as e \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, mas ao mesmo tempo alheado de qualquer iniciativa de altera\u00e7\u00e3o. Talvez resiliente \u00e0 sua maneira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 74, um jornal di\u00e1rio divulgou a figura de Z\u00e9 Ferrugem, representa\u00e7\u00e3o do oper\u00e1rio, conhecedor dos seus direitos, sindicalista e ativista pol\u00edtico. Afastou-o o refluxo neoliberal e talvez tenha vindo a ser substitu\u00eddo pelo Chico Esperto (grande injusti\u00e7a para todos os Franciscos bons cidad\u00e3os) que sem nunca ter tido representa\u00e7\u00e3o iconogr\u00e1fica se espalhou por toda a sociedade desde o pequeno trafulha ao grande banqueiro. Uma grande exposi\u00e7\u00e3o, agora em Lisboa, recorda-nos como figura representativa Oliveira da Figueira, um palavroso comerciante portugu\u00eas que Herg\u00e9 criou.<\/p>\n\n\n\n<p>Se houvesse que representar o portugu\u00eas de hoje seria poss\u00edvel faz\u00ea-lo atrav\u00e9s de uma \u00fanica imagem, fosse das letras ou do desenho? Certamente que n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade que h\u00e1, sem d\u00favida, fatores de identidade entre n\u00f3s e n\u00e3o \u00e9 de estranhar que assim seja num pa\u00eds com uma hist\u00f3ria comumente vivida h\u00e1 s\u00e9culos, falando a mesma l\u00edngua, sem conflitos religiosos e que pobre de recursos naturais se organizou em estado unit\u00e1rio e democr\u00e1tico. Onde cada ciclo eleitoral \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o de civismo e sagacidade pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isto \u00e9 imposs\u00edvel de representar atrav\u00e9s de uma imagem antropom\u00f3rfica, pois ela teria de ser a s\u00edntese de uma sociedade onde cabem em harmonia e sem segrega\u00e7\u00e3o velhos e novos, mulheres, homens, crian\u00e7as, pobres e ricos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em determinadas \u00e9pocas e em alguns pa\u00edses da Europa e das Am\u00e9ricas, houve caracter\u00edsticas das suas popula\u00e7\u00f5es que, julgadas dominantes, foram tratadas por artistas, configuradas em estere\u00f3tipos e ganharam valor iconogr\u00e1fico. 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