{"id":5293,"date":"2021-12-03T12:39:22","date_gmt":"2021-12-03T12:39:22","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5293"},"modified":"2022-01-09T20:48:05","modified_gmt":"2022-01-09T20:48:05","slug":"pintar-de-verde-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/12\/03\/pintar-de-verde-o-futuro\/","title":{"rendered":"Pintar de verde o futuro"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u00c9 um dos mais importantes desafios que a humanidade tem pela frente. Reverter as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas podia ser um bom pretexto para unir esfor\u00e7os de todas as partes mas, como em todos os aspetos da vida, h\u00e1 uma minoria que n\u00e3o quer abandonar este modelo ou est\u00e1 apostada em construir outro que preserve a religi\u00e3o do lucro. Chico Mendes afirmou que \u201cecologia sem luta de classes \u00e9 jardinagem\u201d. Apesar das mobiliza\u00e7\u00f5es, governos e empresas continuam de costas voltadas para as popula\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos s\u00edmbolos da comida r\u00e1pida, a gigante McDonald\u2019s, anunciou a mudan\u00e7a do tradicional vermelho para o verde. \u201cCom esta nova apar\u00eancia queremos clarificar a nossa responsabilidade com a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. No futuro teremos um foco ainda maior nesse contexto\u201d, anunciou a multinacional norte-americana. S\u00e3o cada vez mais as empresas que adotam na sua linguagem de marketing um discurso \u201camigo do ambiente\u201d. Mas nem sempre o que se comunica corresponde \u00e0 realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Greenwashing \u00e9 um dos termos veiculados pelos ativistas que lutam pelo clima para identificar o discurso ou pr\u00e1ticas de empresas, institui\u00e7\u00f5es ou personalidades que apresentam uma ideia ou um produto como sendo amigo do ambiente quando, pelo contr\u00e1rio, a sua atividade geral vai em sentido oposto.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o caso da Galp que patrocinou a cobertura da revista Vis\u00e3o \u00e0 Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas em Glasgow, que ficou conhecida como COP26. Mas a influ\u00eancia dos grandes grupos empresariais que lucram com os combust\u00edveis vai mais longe.&nbsp;<em>Greenwashing<\/em>&nbsp;[lavagem verde] tamb\u00e9m se aplica, segundo a Global Witness, ao que se passou dentro do encontro que atraiu os holofotes da imprensa. Esta ONG, criada em 1993 para investigar v\u00ednculos entre a explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais e conflitos, pobreza, corrup\u00e7\u00e3o e abusos de direitos humanos a n\u00edvel mundial, denunciou haver mais representantes com acredita\u00e7\u00e3o ligados aos lobbies da ind\u00fastria de combust\u00edveis f\u00f3sseis do que o Brasil, a maior delega\u00e7\u00e3o presente na confer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe o&nbsp;<em>lobby<\/em>&nbsp;dos combust\u00edveis f\u00f3sseis fosse uma delega\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds na COP seria a maior com 503 delegados, mais duas d\u00fazias do que a maior delega\u00e7\u00e3o nacional. Mais de 100 empresas de combust\u00edveis f\u00f3sseis est\u00e3o representadas na COP com 30 associa\u00e7\u00f5es comerciais e organiza\u00e7\u00f5es de membros tamb\u00e9m presentes\u201d, afirmou a ONG em comunicado. \u201cO&nbsp;<em>lobby<\/em>&nbsp;dos combust\u00edveis f\u00f3sseis na COP \u00e9 maior do que o total das oito delega\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses mais afetados pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas: Porto Rico, Mianmar, Haiti, Filipinas, Mo\u00e7ambique, Bahamas, Bangladesh, Paquist\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas as cr\u00edticas n\u00e3o ficaram por aqui. Dos milhares de representantes acreditados de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, apenas quatro puderam estar nas negocia\u00e7\u00f5es. Os restantes apenas tiveram acesso aos eventos paralelos \u00e0 COP26.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta despropor\u00e7\u00e3o na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre associa\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es que procuram uma solu\u00e7\u00e3o justa e eficaz para emerg\u00eancia clim\u00e1tica e os grandes grupos econ\u00f3micos e financeiros tamb\u00e9m se deu entre as grandes pot\u00eancias e os pa\u00edses pobres. Numa confer\u00eancia de imprensa \u00e0 margem da COP, o representante do grupo que re\u00fane os 47 pa\u00edses mais pobres do mundo, o butan\u00eas Sonam Wangdi, recordou que estes pa\u00edses, que representam mil milh\u00f5es de pessoas, precisam de \u201cmais apoio para adapta\u00e7\u00e3o\u201d, do que os 100 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares anuais que em 2009 os pa\u00edses mais desenvolvidos se comprometeram a contribuir anualmente at\u00e9 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a ecologista M\u00f3nica Caba\u00e7a, Glasgow foi um fiasco. \u201cA meta at\u00e9 2030 ficou na redu\u00e7\u00e3o de 30% das emiss\u00f5es de metano, uma das principais respons\u00e1veis pelo aquecimento global, mas o mercado de carbono ficou fora da discuss\u00e3o\u201d, considera. \u201cA redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de estufa atrav\u00e9s do mercado de carbono, torna-o num neg\u00f3cio. Aos pa\u00edses ditos desenvolvidos, com mais emiss\u00f5es destes gases, aplica-se o princ\u00edpio do poluidor pagador. Ou seja, \u00e9-lhes permitido poluir mediante pagamento de licen\u00e7as e projetos \u2018verdes\u2019 nos pa\u00edses mais pobres\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Joana Guerra Tadeu, criadora de conte\u00fados na \u00e1rea da ecologia e do impacto social, com um programa na Antena 3, recordou \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio que, segundo a Cimeira de Paris, os pa\u00edses desenvolvidos iam pagar pela transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica dos pa\u00edses pobres mas \u201cn\u00e3o cumpriram com os valores acordados\u201d. E era sob a condi\u00e7\u00e3o de estes pa\u00edses implementarem o modelo de desenvolvimento do Ocidente, \u201cum modelo que falhou nos pa\u00edses mais ricos e que deixou o mundo todo em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia clim\u00e1tica\u201d. Lembra tamb\u00e9m que se aponta, geralmente, o dedo \u00e0 China quando o gigante asi\u00e1tico, segundo dados de 2017, se encontrava em 35.\u00ba lugar na lista dos pa\u00edses que mais emiss\u00f5es fazem por habitante. A Austr\u00e1lia encontra-se em 9.\u00ba, o Canad\u00e1 em 10.\u00ba e os Estados Unidos em 11.\u00ba. Sendo certo que a China produz 28,2% dos gases com efeitos de estufa, acima dos Estados Unidos com 15,5%, Joana Guerra Tadeu sublinha que uma boa parte das empresas norte-americanas e europeias instalaram no pa\u00eds do extremo oriente as suas principais f\u00e1bricas. \u00c9 o caso da Amazon, que paga impostos nos Estados Unidos mas tem 3\/4 da produ\u00e7\u00e3o na China.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Encurtar a vida dos produtos para for\u00e7ar o consumo<\/h2>\n\n\n\n<p>O modo de produ\u00e7\u00e3o e consumo capitalista \u00e9 apontado como respons\u00e1vel pela maioria das emiss\u00f5es, pela explora\u00e7\u00e3o ilimitada do planeta e a destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de ecossistemas. Uma das estrat\u00e9gias empresariais mais nocivas para o ambiente \u00e9 a obsolesc\u00eancia programada dos produtos. Ou seja, a decis\u00e3o intencional do fabricante de desenvolver um determinado produto de forma a que se torne obsoleto ou n\u00e3o funcional em pouco tempo de forma a obrigar o consumidor a adquirir uma nova vers\u00e3o do produto. Os recursos necess\u00e1rios para que uma parte da popula\u00e7\u00e3o se veja obrigada a adquirir com alguma regularidade m\u00e1quinas de lavar a roupa, telem\u00f3veis, port\u00e1teis, televis\u00f5es e impressoras, entre outros produtos, exp\u00f5e o planeta a elevados n\u00edveis de satura\u00e7\u00e3o. Segundo a Global Print Network, a humanidade precisa hoje do equivalente a 1,7 planetas Terra para adquirir os recursos necess\u00e1rios para o atual n\u00edvel de consumo e para absorver o lixo que \u00e9 produzido, de forma desigual entre pa\u00edses e entre classes.<\/p>\n\n\n\n<p>Com os governos muitas vezes a apontarem o dedo aos consumidores, o PCP apresentou em 2019 um projeto com o objetivo de estabelecer medidas de promo\u00e7\u00e3o da durabilidade e garantia dos equipamentos para o combate \u00e0 obsolesc\u00eancia programada partindo do princ\u00edpio de que \u201cn\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel, nem justo que sejam concentrados esfor\u00e7os sobre os h\u00e1bitos de consumo das popula\u00e7\u00f5es sem que sejam exigidas normas m\u00ednimas de combate \u00e0 obsolesc\u00eancia aos grandes produtores de bens\u201d, como referia o documento. \u201cColocar a escolha \u00fanica e exclusivamente do lado do consumidor n\u00e3o assegura o fim da produ\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria, nem responsabiliza o lado da oferta, na medida em que visa apenas criar um novo mercado para elites econ\u00f3micas\u201d, consideravam os comunistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse projeto, o PCP propunha uma garantia m\u00ednima de dez anos a fabricantes de grandes e pequenos eletrodom\u00e9sticos, viaturas e dispositivos eletr\u00f3nicos. Tamb\u00e9m referia a necessidade de que os produtos \u201ccuja vida \u00fatil pode coincidir com a durabilidade total do produto devem ser projetados e constru\u00eddos de forma a possibilitar a sua desmontagem e a substitui\u00e7\u00e3o de componentes\u201d. Para tal, apresentava-se uma rede de reparadores locais, \u201cidentificados por setor de atividade, apoiando a implementa\u00e7\u00e3o de micro, pequenas e m\u00e9dias empresas acreditadas no \u00e2mbito da repara\u00e7\u00e3o\u201d. O objetivo era promover o menor consumo poss\u00edvel reciclando o mais poss\u00edvel mas a proposta foi chumbada na Assembleia da Rep\u00fablica.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Descarbonizar carbonizando<\/h2>\n\n\n\n<p>A Galp desligou a \u00faltima unidade de produ\u00e7\u00e3o da refinaria de Matosinhos em 30 de abril deste ano, com a decis\u00e3o de concentrar as opera\u00e7\u00f5es em Sines. A empresa petrol\u00edfera justificou a decis\u00e3o do encerramento da refinaria de Matosinhos com base numa avalia\u00e7\u00e3o do contexto europeu e mundial da refina\u00e7\u00e3o, bem como nos desafios de sustentabilidade, a que se juntaram as caracter\u00edsticas das instala\u00e7\u00f5es. Para tr\u00e1s fica um investimento p\u00fablico de 500 milh\u00f5es de euros. Parte dos cerca de 1.500 trabalhadores foram para o desemprego depois deste an\u00fancio mas calcula-se que a perda de emprego indireto possa chegar aos 7 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Para M\u00f3nica Caba\u00e7a, a decis\u00e3o da Galp \u201c\u00e9 uma farsa\u201d e explica que \u201cfechar uma refinaria sem ter uma alternativa n\u00e3o significa descarboniza\u00e7\u00e3o\u201d porque n\u00e3o se passou de combust\u00edveis f\u00f3sseis a combust\u00edveis verdes. \u201cPass\u00e1mos a importar, perdemos a produ\u00e7\u00e3o c\u00e1 e importamos combust\u00edveis f\u00f3sseis de outro lado. Portanto, isto at\u00e9 aumenta a polui\u00e7\u00e3o. Ou seja, o ambiente e as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o globais e o fecho de uma refinaria neste universo n\u00e3o contribui para a diminui\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es\u201d, considera. E aponta solu\u00e7\u00f5es que n\u00e3o foram adotadas. \u201cO fecho da refinaria de Matosinhos n\u00e3o contribui para uma efetiva transi\u00e7\u00e3o justa, isto porque n\u00e3o \u00e9 acompanhado de um investimento na ferrovia, por exemplo, que iria tornar-nos menos dependentes do combust\u00edvel f\u00f3ssil para o transporte individual, ou da aposta na ind\u00fastria das energias renovaveis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o encerramento da Central Termoel\u00e9trica do Pego a 30 de novembro, o governo anunciou que se tratava de um dia hist\u00f3rico. O ministro do Ambiente e da A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica, Jo\u00e3o Pedro Matos Fernandes, considerou em entrevista \u00e0 RTP \u201cmuito relevante\u201d o dia que marca o fim da utiliza\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o de eletricidade em Portugal. Mas dias antes chegaram sinais de preocupa\u00e7\u00e3o por parte dos trabalhadores da refinaria de Sines sobre a possibilidade do encerramento desta unidade. \u201cSignificaria mais um passo a caminho do desastre econ\u00f3mico e social\u201d, afirmou a Fiequimetal, estrutura sindical que representa estes trabalhadores, que est\u00e1 contra qualquer encerramento sempre e quando n\u00e3o houver \u201calternativas concretas e sustent\u00e1veis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Fiequimetal defende que o pa\u00eds ficou \u201cmais fragilizado\u201d com os encerramentos da central termoel\u00e9trica de Sines, no princ\u00edpio do ano, e do complexo petroqu\u00edmico de Matosinhos. O saldo importador de eletricidade, nos \u00faltimos tr\u00eas meses, \u201csituou-se acima dos 22%. Ou seja, \u00e9 importada energia el\u00e9trica gerada em centrais a carv\u00e3o que emitem, em Espanha ou em Fran\u00e7a, di\u00f3xido de carbono que o governo diz querer reduzir em Portugal. Do mesmo modo, em resultado do encerramento da refinaria em Matosinhos, verificou-se j\u00e1 a necessidade de importar 40 mil toneladas de gas\u00f3leo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com um investimento sem precedentes para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica com fundos da Uni\u00e3o Europeia, os trabalhadores olham com incerteza para o que a\u00ed vem. A pr\u00f3pria Fiequimetal sublinha que partilha das preocupa\u00e7\u00f5es em torno das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e admite a necessidade de transi\u00e7\u00e3o para uma economia \u201ccom menores n\u00edveis de intensidade carb\u00f3nica\u201d e com \u201cmenos agravos ambientais\u201d. Para o futuro fica a d\u00favida sobre se os governantes ser\u00e3o capazes de conduzir uma transi\u00e7\u00e3o que preserve o emprego, assegure o desenvolvimento e a produ\u00e7\u00e3o nacional.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 um dos mais importantes desafios que a humanidade tem pela frente. 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