{"id":5285,"date":"2021-12-03T12:30:23","date_gmt":"2021-12-03T12:30:23","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5285"},"modified":"2021-12-03T12:30:24","modified_gmt":"2021-12-03T12:30:24","slug":"no-110-o-aniversario-do-sindicato-do-pessoal-do-arsenal-da-marinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/12\/03\/no-110-o-aniversario-do-sindicato-do-pessoal-do-arsenal-da-marinha\/","title":{"rendered":"No 110.\u00ba anivers\u00e1rio do Sindicato do Pessoal do Arsenal da Marinha"},"content":{"rendered":"\n<p>No in\u00edcio de dezembro de 1911 nascia um dos grandes sindicatos oper\u00e1rios da cidade de Lisboa, at\u00e9 ser dissolvido pela ditadura de Salazar (em 1934).<\/p>\n\n\n\n<p>A trabalhadores at\u00e9 ent\u00e3o dispersos por organiza\u00e7\u00f5es de diferentes of\u00edcios, trazia o modelo do sindicato de empresa. Tamb\u00e9m reuniu trabalhadores da Cordoaria Nacional, em Bel\u00e9m. Mas foi sobretudo o sindicato de pessoal do Arsenal da Marinha, \u00e0 \u00e9poca ainda instalado na margem norte do Tejo, entre o Cais do Sodr\u00e9 e o Terreiro do Pa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na capital de um pa\u00eds industrialmente atrasado, particularmente no sector metal\u00fargico, as ind\u00fastrias militares (da marinha e do ex\u00e9rcito) ocuparam um especial lugar de vanguarda pela sua dimens\u00e3o e capacidade t\u00e9cnica. E entre os seus trabalhadores se reuniram importantes n\u00facleos militantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Arsenalistas da marinha, como Ant\u00f3nio Marques Batista, estiveram presentes nas lutas da primeira experi\u00eancia de central sindical e de sindicalismo de classe em Portugal, em 1872: a \u201cFraternidade Oper\u00e1ria\u201d, liderada por Jos\u00e9 Fontana.<\/p>\n\n\n\n<p>Estiveram tamb\u00e9m na revolu\u00e7\u00e3o republicana de 5 de outubro de 1910. Como Jos\u00e9 Santos Bel\u00e9m, civil que&nbsp;<em>\u201cna primeira hora da revolu\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>&nbsp;participou no assalto ao quartel de infantaria 16, em Campo de Ourique,&nbsp;<em>\u201csendo, at\u00e9 final do movimento, o companheiro dos primeiros soldados que levantaram as armas contra a monarquia\u201d<\/em>&nbsp;[<em>O Mundo<\/em>, 18\/11\/1912, p.3].<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, na linha da frente da resist\u00eancia contra a ditadura militar e a ditadura de Salazar salientou-se o arsenalista da marinha Bento Gon\u00e7alves, que foi secret\u00e1rio-geral do PCP e morreu prisioneiro do campo de concentra\u00e7\u00e3o do Tarrafal (em 1942).<\/p>\n\n\n\n<p>Os exemplos abundam. E na hist\u00f3ria da A Voz do Oper\u00e1rio tamb\u00e9m h\u00e1 um importante contributo de arsenalistas da marinha.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Joaquim Gomes<\/h2>\n\n\n\n<p>Joaquim Gomes colaborou n&#8217;A Voz do Oper\u00e1rio quase desde o in\u00edcio (1879) e at\u00e9 ao final da sua vida (1913).<\/p>\n\n\n\n<p>Foi neste jornal um importante defensor das ideias socialistas, sempre apelando \u00e0 consci\u00eancia de classe dos trabalhadores. Evocava por vezes mem\u00f3rias do tempo da Fraternidade Oper\u00e1ria e guardava um grande respeito por Jos\u00e9 Fontana.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquando da funda\u00e7\u00e3o do sindicato do Arsenal da Marinha, Joaquim Gomes j\u00e1 estaria reformado. Mas no seu tempo foi um activo sindicalista metal\u00fargico, chegando a presidir a uma associa\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rios ferreiros.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Agostinho de Carvalho<\/h2>\n\n\n\n<p>Entre os s\u00f3cios que mais contribu\u00edram para que A Voz do Oper\u00e1rio conseguisse ultrapassar o desafio de sobreviver sob uma ditadura de tipo fascista, na dif\u00edcil d\u00e9cada de 1930, esteve o arsenalista da marinha Agostinho de Carvalho. Foi nessa altura presidente da dire\u00e7\u00e3o, da assembleia-geral e do conselho fiscal desta sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no in\u00edcio do s\u00e9culo XX ele se empenhou noutro desafio que \u00e0 \u00e9poca marcou A Voz do Oper\u00e1rio: estabelecer a igualdade de direitos entre todos os s\u00f3cios. Na altura s\u00f3 uma pequena minoria, os que eram oper\u00e1rios tabaqueiros, tinham direito de ser eleitos para os corpos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Agostinho de Carvalho era tio do c\u00e9lebre anarco-sindicalista Em\u00eddio Santana, mas teve ele pr\u00f3prio uma not\u00e1vel hist\u00f3ria militante.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1898, por exemplo, foi um dos fundadores da cooperativa que criou o primeiro jornal di\u00e1rio oper\u00e1rio em Portugal,&nbsp;<em>A Luta<\/em>&nbsp;(lan\u00e7ado no 1\u00ba de Maio de 1900).<\/p>\n\n\n\n<p>Destacado sindicalista metal\u00fargico no tempo da monarquia, foi um dos muitos militantes oper\u00e1rios que ent\u00e3o se empolgaram com a luta republicana. Preso pol\u00edtico sob a ditadura de Jo\u00e3o Franco (ainda no reinado de D. Carlos), foi depois candidato a deputado da lista \u201cradical\u201d nas primeiras elei\u00e7\u00f5es da Rep\u00fablica (em 1911). Mas o novo regime n\u00e3o correspondeu \u00e0s suas expectativas, at\u00e9 voltou a ser preso pol\u00edtico. E em 1917 aderia ao velho Partido Socialista Portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Agostinho de Carvalho era o s\u00f3cio n\u00ba1 do Sindicato do Arsenal da Marinha. A ele coube inaugurar um retrato de L\u00e9nine na sede desse sindicato (em 1919).<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ab\u00edlio Alves de Lima<\/h2>\n\n\n\n<p>Entre 1954 e 1974, o 1\u00ba secret\u00e1rio da assembleia-geral da Voz do Oper\u00e1rio foi um indiv\u00edduo discreto mas com um not\u00e1vel curr\u00edculo sindical e anti-fascista: Ab\u00edlio Alves de Lima.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tinha sido o secret\u00e1rio-geral do sindicato do Arsenal da Marinha em 1923 e de novo em 1930, al\u00e9m de seu delegado ao conselho da CGT (entre 1923 e 1925).<\/p>\n\n\n\n<p>Fora tamb\u00e9m um dos fundadores da corrente sindical pr\u00f3-comunista (em 1923).<\/p>\n\n\n\n<p>Era um homem que tinha ido \u00e0 R\u00fassia dos Sovietes. Foi l\u00e1 como delegado do seu sindicato ao 4\u00ba congresso da Internacional Sindical Vermelha, em 1928. E l\u00e1, em Moscovo, proferiu um discurso que reflecte bem as dificuldades e as divis\u00f5es que afectavam o movimento sindical portugu\u00eas. Segundo um resumo publicado \u00e0 \u00e9poca, Ab\u00edlio Alves de Lima:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cAssinalou a crescente repress\u00e3o contra o movimento sindical, por parte do governo fascista. A actividade dos partid\u00e1rios da Internacional Sindical Vermelha em Portugal sofre da falta de dirigentes capazes. \u00c9 necess\u00e1rio criar um novo centro nacional geral do movimento sindical, pois a confedera\u00e7\u00e3o anarco-sindicalista portuguesa j\u00e1 n\u00e3o existe\u201d<\/em>&nbsp;[<em>Humanit\u00e9<\/em>, 26\/03\/1928, p.3]<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele pr\u00f3prio contou mais tarde, ao regressar da R\u00fassia, Ab\u00edlio Alves de Lima aderiu ao PCP com Bento Gon\u00e7alves e organizaram a c\u00e9lula deste partido no Arsenal da Marinha. Da\u00ed, partiram para a reorganiza\u00e7\u00e3o que em 1929 lan\u00e7ou o PCP na resist\u00eancia clandestina \u00e0 ditadura. Enquanto Bento Gon\u00e7alves se tornou secret\u00e1rio-geral do partido, Ab\u00edl\u00edo Alves de Lima assumiu a lideran\u00e7a da sec\u00e7\u00e3o portuguesa do Socorro Vermelho Internacional [<em>O Eco do Arsenal<\/em>, Junho 1974, pp. 25\/6].<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio de dezembro de 1911 nascia um dos grandes sindicatos oper\u00e1rios da cidade de Lisboa, at\u00e9 ser dissolvido pela ditadura de Salazar (em 1934). A trabalhadores at\u00e9 ent\u00e3o dispersos por organiza\u00e7\u00f5es de diferentes of\u00edcios, trazia o modelo do sindicato de empresa. Tamb\u00e9m reuniu trabalhadores da Cordoaria Nacional, em Bel\u00e9m. 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