{"id":5221,"date":"2021-11-01T18:32:45","date_gmt":"2021-11-01T18:32:45","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5221"},"modified":"2021-12-06T16:26:26","modified_gmt":"2021-12-06T16:26:26","slug":"sairam-a-rua-para-verem-passar-as-bicicletas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/11\/01\/sairam-a-rua-para-verem-passar-as-bicicletas\/","title":{"rendered":"Sa\u00edram \u00e0 rua para verem passar as bicicletas"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Mais de 60 ciclistas treparam o \u00edngreme Vale de Santo Ant\u00f3nio numa prova em que o associativismo foi o protagonista.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A rua desperta enevoada numa manh\u00e3 pregui\u00e7osa de domingo. Faltam poucos minutos para as dez no cimo do Vale de Santo Ant\u00f3nio e \u00e9 onde se espera que, seis d\u00e9cadas depois, mais de meia centena de ciclistas ultrapasse a meta depois de uma dura subida que arranca ainda abaixo da sede do Mirantense Futebol Clube. Passaram muitos anos, os protagonistas s\u00e3o outros, as bicicletas evolu\u00edram, mas o entusiasmo mant\u00e9m-se. \u00c0 mesma hora, junto \u00e0 porta da hist\u00f3rica coletividade, dezenas de participantes conversam entre si sobre a dificuldade da prova.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 para esticar um pouco os limites, mas que \u00e9 \u00edngreme, l\u00e1 isso \u00e9. O divertido vem depois quando acabar a subida\u201d, comentam \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio dois amigos j\u00e1 posicionados em cima dos selins. Enrico e Jo\u00e3o costumam fazer ciclismo de forma recreativa e acham que \u00e9 importante dar visibilidade \u00e0s bicicletas, sobretudo quando se trata de uma iniciativa de bairro que envolve o associativismo e a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionado sobre a expetativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 subida, um participante belga brinca e afirma que o objetivo \u00e9 ganhar. Explica que vive no bairro e que o esp\u00edrito associativo \u00e9 determinante para ligar os moradores. Ao lado, um volunt\u00e1rio do Mirantense destaca a quantidade de jovens que se juntaram naquela manh\u00e3 e mostra-se confiante de que esta iniciativa se possa voltar a repetir.<\/p>\n\n\n\n<p>Oitenta anos depois da primeira prova, organizada em 1941 pelo Mirantense Futebol Clube, a hist\u00f3rica coletividade juntou-se \u00e0 rec\u00e9m fundada Associa\u00e7\u00e3o Recreativa e Desportiva \u201cO Rel\u00e2mpago\u201d para relan\u00e7ar este desafio ciclista. Os jornais da \u00e9poca davam conta do entusiasmo da popula\u00e7\u00e3o que se acotovelava nos passeios para ver passar os ciclistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 Vasco, um dos organizadores, quem inaugura a prova. O ciclista veste as cores do \u201cRel\u00e2mpago\u201d e h\u00e1 quem se emocione quando imprime for\u00e7a nos pedais para escalar a encosta. Pese a dist\u00e2ncia no tempo, a expetativa \u00e9 muita. Irrompem os aplausos rua acima. \u00c0s janelas, h\u00e1 senhoras de robe, moradores de cabe\u00e7a esticada no parapeito e gente nas laterais. Com apenas um \u00e1rbitro dispon\u00edvel, que d\u00e1 o sinal da partida, volunt\u00e1rios do \u201cRel\u00e2mpago\u201d introduzem-no rapidamente dentro de uma viatura e ultrapassam a bicicleta para chegarem antes \u00e0 meta. Quase parece um filme do Kusturica. \u00c9 ali que o representante da Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Ciclismo monta o aparelho que vai contar o tempo de cada subida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi incr\u00edvel\u201d, descreve Vasco \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio quando ultrapassa a meta. \u201cMal virei a primeira esquina estava muita gente na rua a gritar e at\u00e9 na parte mais dif\u00edcil havia imensa gente e depois foi tentar aguentar at\u00e9 aqui\u201d. Ainda com a respira\u00e7\u00e3o acelerada, explica que custou um pouco organizar a iniciativa, at\u00e9 porque foi a primeira vez que organizaram este tipo de provas. \u201cDe certa forma, est\u00e1vamos a aprender enquanto faz\u00edamos\u201d, refere.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os cerca de 60 ciclistas, um a um, trepam o Vale de Santo Ant\u00f3nio, Paula e F\u00e1tima, que vivem aqui h\u00e1 50 anos, gritam palavras de incentivo entre os carros estacionados. \u201cIsto \u00e9 muito giro, a gente diverte-se e o bairro vem para a rua\u201d, comentam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da rua, s\u00e3o muitos os volunt\u00e1rios que controlam as ruas adjacentes permitindo que a casa 15 ciclistas se pare a prova por cerca de 15 minutos para fazer escoar o tr\u00e2nsito limitando ao m\u00e1ximo o inc\u00f3modo causado. Num desses intervalos, sobe um autocarro da Carris sob aplausos com o motorista a dizer adeus como se de um ciclista se tratasse.<\/p>\n\n\n\n<p>As palmas sobem de tom quando avan\u00e7am as mulheres inscritas para a prova. \u00c0 janela, uma moradora n\u00e3o deixa de aplaudir com as m\u00e3os e com um sorriso. \u201cJ\u00e1 que o presidente [da freguesia] n\u00e3o faz nada, ao menos que fa\u00e7am os outros\u201d, espeta uma moradora da janela. Maria Jo\u00e3o vive aqui h\u00e1 cinco anos e considera que \u00e9 \u201cengra\u00e7ado\u201d e que \u201cvale a pena\u201d a iniciativa.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00eaxito da prova \u00e9 vis\u00edvel na alegria estampada nos rostos dos organizadores. Com um p\u00f3dio a preceito, Lina Cortes, do Mirantense, e Eupr\u00e9mio, do \u201cRel\u00e2mpago\u201d, agradecem aos participantes e ao com\u00e9rcio local que n\u00e3o deixou de apoiar a iniciativa. Os vencedores da prova recebem medalhas e ramos de flores mas os maiores aplausos v\u00e3o para as duas coletividades que organizaram a prova. Parecem ser, afinal de contas, os verdadeiros campe\u00f5es desta manh\u00e3 de outono.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Classifica\u00e7\u00e3o Feminino 18-50 anos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1\u00b0 Margarida Viseu Roque Amaro | 2m25,76s<\/p>\n\n\n\n<p>2\u00b0 Marta Gon\u00e7alves Vieira | 3m33,31s<\/p>\n\n\n\n<p>3\u00b0 In\u00eas Sanches | 3m48,07s<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Classifica\u00e7\u00e3o Masculino 18-50 anos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1\u00ba Ciaran Finnegan | 1m30,24s<\/p>\n\n\n\n<p>2\u00ba Elliot Butler | 1m31,86s<\/p>\n\n\n\n<p>3\u00ba Manuel Ac\u00e1cio Bello Lino | 1m38,25s<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Classifica\u00e7\u00e3o Masculino +50 anos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1\u00b0 Jos\u00e9 Gon\u00e7alves | 3m10,02s<\/p>\n\n\n\n<p>2\u00b0 Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Martins Gomes Santos | 3m40,66s<\/p>\n\n\n\n<p>3\u00b0 Alberto Jorge Leite dos Santos | 4m03,28s<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Classifica\u00e7\u00e3o Bicicletas el\u00e9tricas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1\u00b0 Paulo Antunes | 2m39s<\/p>\n\n\n\n<p>2\u00b0 Harald Rothermel | 3m30s<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 60 ciclistas treparam o \u00edngreme Vale de Santo Ant\u00f3nio numa prova em que o associativismo foi o protagonista. 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