{"id":5201,"date":"2021-11-01T18:18:09","date_gmt":"2021-11-01T18:18:09","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5201"},"modified":"2021-11-01T18:18:10","modified_gmt":"2021-11-01T18:18:10","slug":"joao-black-poeta-e-fadista-operario-autor-do-hino-do-jornal-a-batalha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/11\/01\/joao-black-poeta-e-fadista-operario-autor-do-hino-do-jornal-a-batalha\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Black, poeta e fadista oper\u00e1rio, autor do hino do jornal A Batalha"},"content":{"rendered":"\n<p>No primeiro quartel do s\u00e9culo XX floresceu em Lisboa o fado oper\u00e1rio como can\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o. Expressou sentimentos de revolta contra a mis\u00e9ria e a desigualdade social. Almejou por revolu\u00e7\u00e3o e uma sociedade mais justa.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os seus nomes mais marcantes esteve Jo\u00e3o Salustiano Monteiro, mais conhecido como Jo\u00e3o Black. Nascido em Almada em 1872, radicou-se em Lisboa, onde faleceu em 1955. Chegou a ser apontado como \u201co mais primoroso de todos os poetas e de todos os cantadores do seu tempo\u201d [<em>Can\u00e7\u00e3o Nacional<\/em>, 17 de Dezembro de 1927, p\u00e1g.1].<\/p>\n\n\n\n<p>Num tempo em que, segundo o \u201chistori\u00f3grafo\u201d C\u00e9sar Nogueira, esta can\u00e7\u00e3o \u201cse cantava por cultura e esp\u00edrito de animar reuni\u00f5es ou de prestar aux\u00edlio fraterno e n\u00e3o era cantada em recintos reservados e luxuosos, onde se paga um tanto por cabe\u00e7a\u201d. Jo\u00e3o Black \u201ccultivou o fado, esse antigo fado do povo, mas na poesia l\u00edrica \u00e9 que mais sobressaiu, defendendo as v\u00edtimas das injusti\u00e7as sociais\u201d [<em>Rep\u00fablica<\/em>, 16 de Dezembro de 1960, p\u00e1g.9].<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Black foi um homem especialmente ligado \u00e0 A Voz do Oper\u00e1rio. Aqui estudou. E aqui trabalhou muitos anos, primeiro como tip\u00f3grafo, mais tarde como bibliotec\u00e1rio e administrativo. Isto para al\u00e9m de ter colaborado neste jornal ao longo de quase meio s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dedicou-se ainda a v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias que os funcion\u00e1rios da A Voz do Oper\u00e1rio j\u00e1 tiveram: desde uma associa\u00e7\u00e3o mutualista a uma cooperativa de consumo, passando pelo ef\u00e9mero Sindicato do Pessoal da Sociedade A Voz do Oper\u00e1rio, fundado meses antes da ditadura de Salazar decretar a dissolu\u00e7\u00e3o for\u00e7ada dos sindicatos livres, em 1933.<\/p>\n\n\n\n<p>Black escreveu v\u00e1rios poemas de homenagem \u00e0 A Voz do Oper\u00e1rio. Um deles \u00e9 a quadra que est\u00e1 gravada em painel de azulejo numa parede do refeit\u00f3rio escolar desta sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe tend\u00eancia socialista\u201d, Jo\u00e3o Black \u201cdeixava transparecer, em tudo quanto escrevia, as suas preocupa\u00e7\u00f5es tanto de car\u00e1cter social como educativo\u201d, recordaria um sindicalista seu contempor\u00e2neo [Alexandre Vieira (1959),&nbsp;<em>Figuras gradas do movimento social portugu\u00eas<\/em>, p.12].<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Black n\u00e3o se ficou apenas pelo que escreveu e cantou. Salientou-se tamb\u00e9m pela sua ac\u00e7\u00e3o no movimento sindical ainda durante a monarquia. Em 1906 foi eleito dirigente da Associa\u00e7\u00e3o de Classe dos Compositores Tipogr\u00e1ficos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela mesma altura, dedicou-se ao associativismo popular, sendo presidente da dire\u00e7\u00e3o de uma colectividade de Alfama, a \u201cSociedade Boa Uni\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1914, j\u00e1 sob a 1\u00aa Rep\u00fablica, foi um dos fundadores e primeiros dirigentes da central sindical Uni\u00e3o Oper\u00e1ria Nacional, depois denominada Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho (CGT).<\/p>\n\n\n\n<p>A n\u00edvel pol\u00edtico, Black tornou-se militante do antigo Partido Socialista Portugu\u00eas, chegando a ser membro suplente do seu conselho central. E por este partido foi autarca entre 1913 e 1917. Integrou ent\u00e3o a Junta de Freguesia de S. Engr\u00e1cia, Lisboa (hoje englobada na freguesia de S. Vicente). As autarquias tinham meios muito mais limitados do que hoje, mas ainda assim Black conseguiu desenvolver um servi\u00e7o de ac\u00e7\u00e3o social com uma cantina escolar para 40 crian\u00e7as, \u00e0s quais tamb\u00e9m era fornecido vestu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas da 1\u00aa Rep\u00fablica, no outono de 1925, Jo\u00e3o Black voltou a ser candidato na freguesia de S. Engr\u00e1cia, dessa vez como suplente numa lista do \u201cBloco da Esquerda Social\u201d &#8211; dinamizado pelo jovem Partido Comunista Portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos poemas mais importantes na hist\u00f3ria do movimento oper\u00e1rio em Portugal \u00e9 a letra do \u201chino do jornal&nbsp;<em>A Batalha<\/em>\u201d, de 1919. O seu autor foi Jo\u00e3o Black:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cSurgindo vem ao longe a nova aurora,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Que os povos h\u00e1 de unir e libertar,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8211; Desperta, rude escravo, sem demora,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00e3o leves toda a vida a meditar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Destr\u00f3i as cruas leis da sujei\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E quebra as vis algemas patronais.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O mundo vai ter nova rota\u00e7\u00e3o,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Os homens v\u00e3o ser todos iguais.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 justo aos parasitas dar batalha,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A terra s\u00f3 pertence a quem trabalha\u201d<\/em>&nbsp;[&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No primeiro quartel do s\u00e9culo XX floresceu em Lisboa o fado oper\u00e1rio como can\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o. Expressou sentimentos de revolta contra a mis\u00e9ria e a desigualdade social. 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