{"id":5057,"date":"2021-10-10T21:57:52","date_gmt":"2021-10-10T21:57:52","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5057"},"modified":"2021-10-10T21:57:53","modified_gmt":"2021-10-10T21:57:53","slug":"cultura-musical-na-voz-do-operario-a-professora-francine-benoit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/10\/10\/cultura-musical-na-voz-do-operario-a-professora-francine-benoit\/","title":{"rendered":"Cultura musical n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio: a professora Francine Benoit"},"content":{"rendered":"\n<p>Na hist\u00f3ria da cultura musical no s\u00e9culo XX em Portugal, um importante contributo foi deixado por uma professora d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio: Francine Benoit.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascida em Fran\u00e7a em 1894, veio para Portugal com uns 12 anos de idade. E aqui se salientou a partir da d\u00e9cada de 1920, como compositora, pedagoga e como cr\u00edtica musical na imprensa, sobretudo no jornal&nbsp;<em>Di\u00e1rio de Lisboa<\/em>. Isto numa \u00e9poca em que o meio musical portugu\u00eas&nbsp;<em>\u201cera dominado por homens\u201d&nbsp;<\/em>e<em>&nbsp;\u201cas mulheres que faziam m\u00fasica eram associadas a uma pr\u00e1tica privada, amadora, que tinha como fun\u00e7\u00e3o essencialmente a distrac\u00e7\u00e3o\u201d&nbsp;<\/em>[Helena Lopes Braga (2013),&nbsp;<em>De Francine Beno\u00eet e algumas das suas redes de sociabilidade<\/em>, p.31].<\/p>\n\n\n\n<p>Identificando-se como marxista, Francine Benoit destacou-se tamb\u00e9m na oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura de Salazar. Ao lado de nomes como Maria Lamas, Irene Lisboa e Alice Ogando, esteve entre as primeiras mulheres que, em 1945, deram publicamente o seu apoio ao MUD (Movimento de Unidade Democr\u00e1tica).<\/p>\n\n\n\n<p>Fez parte de duas associa\u00e7\u00f5es feministas dissolvidas pela ditadura em 1947 e 1952, respectivamente: o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e a Associa\u00e7\u00e3o Feminina Portuguesa para a Paz.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do 25 de Abril, em 1980, e j\u00e1 com 86 anos de idade, Francine Benoit ainda participou no 1\u00ba congresso do MDM (Movimento Democr\u00e1tico de Mulheres), sendo eleita para o seu conselho nacional. Faleceu em 1990.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">N\u2019A Voz do Oper\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p>Num pequeno artigo biogr\u00e1fico que sobre ela escreveu, Jo\u00e3o Cochofel real\u00e7ou o trabalho que Francine Benoit realizou, a partir de 1950, na dire\u00e7\u00e3o de um n\u00facleo orfe\u00f3nico na A Voz do Oper\u00e1rio,&nbsp;<em>\u201cnesta popular colectividade realizando um merit\u00f3rio esfor\u00e7o no sentido de elevar o n\u00edvel musical da massa associativa\u201d<\/em>&nbsp;[in Tom\u00e1s Borba\/Fernando Lopes Gra\u00e7a (1952),&nbsp;<em>Dicion\u00e1rio de M\u00fasica<\/em>, p.174].<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ficou por a\u00ed. Na Voz do Oper\u00e1rio, Benoit proferiu tamb\u00e9m, em 1953, uma confer\u00eancia sobre \u201chist\u00f3ria da m\u00fasica coral\u201d, e dirigiu a partir de 1958, \u201ccursos experimentais de m\u00fasica\u201d, com as professoras Arminda Nunes Correia e Orqu\u00eddea Quartin (filha do c\u00e9lebre anarco-sindicalista Pinto Quartin). Entre 1954 e 1967, Benoit colaborou esporadicamente no nosso jornal. Tudo isto al\u00e9m de ter sido professora de m\u00fasica no curso comercial que \u00e0 \u00e9poca funcionava na Voz do Oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi uma rela\u00e7\u00e3o isolada. Francine Benoit dedicou-se a outras institui\u00e7\u00f5es ligadas ao movimento oper\u00e1rio. Desde logo, na d\u00e9cada de 1920, quando colaborou algumas vezes no jornal sindicalista&nbsp;<em>A Batalha<\/em>; e quando deu aulas na Escola Oficina N\u00ba1, onde trabalhou ao lado de destacados intelectuais anarquistas como Adolfo Lima e C\u00e9sar Porto. Foi ali\u00e1s ela que musicou algumas das pe\u00e7as de teatro que eles escreveram.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 numa fase final da Universidade Popular Portuguesa, na d\u00e9cada de 1940, Francine Benoit deu um bom contributo para a sua dinamiza\u00e7\u00e3o, organizando um ciclo de sess\u00f5es musicais comentadas sobre \u201cA m\u00fasica, suas modalidades e a sua hist\u00f3ria\u201d.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cUm pouco como a minha casa\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>Mas com A Voz do Oper\u00e1rio, Francine Benoit teve uma rela\u00e7\u00e3o especial. Aqui escreveu ela, em 1963:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cConsidero a Voz do Oper\u00e1rio um pouco como a minha casa. De longa data, olhava para as suas alt\u00edssimas paredes, rasgadas de grandes janelas, atra\u00edda pelo denso conte\u00fado da sua divisa. Por isso senti-me honrada ao ser convidada para tomar a responsabilidade duma renovada tentativa de criar um grande grupo orfe\u00f3nico, vai j\u00e1 para catorze anos. Pus nessa forma de cultura musical e de alargamento de rela\u00e7\u00f5es sociais o melhor do meu esfor\u00e7o e tive auxiliares devotados; mas n\u00e3o vencemos a batalha. Entretanto, eu tinha entrado no quadro do corpo docente da sec\u00e7\u00e3o feminina do Curso Comercial da benem\u00e9rita institui\u00e7\u00e3o. E sempre no meu lema de contribuir para a expans\u00e3o do que h\u00e1 de mais v\u00e1lido na arte dos sons, fundei na nossa sede uns Cursos Experimentais de m\u00fasica. Mas tive de reconhecer que as despesas que o empreendimento acarretava, para que a verdadeira finalidade dos referidos cursos n\u00e3o fosse sofismada, era incompat\u00edvel com os recursos duma entidade n\u00e3o largamente subvencionada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>[&#8230;]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O facto dos Servi\u00e7os Administrativos de A Voz do Oper\u00e1rio terem continuado sempre a utilizar os meus pr\u00e9stimos \u00e9 uma das raz\u00f5es b\u00e1sicas do lugar que venho hoje ocupar nas colunas do n\u00famero comemorativo do jornal A Voz do Oper\u00e1rio, pelo seu 84\u00ba anivers\u00e1rio [1963]. As outras raz\u00f5es, j\u00e1 acima indicadas por alto, s\u00e3o o ensejo que me \u00e9 dado de afirmar publicamente a minha integra\u00e7\u00e3o radicada em tudo o que \u00e9 tentativa de verdadeira educa\u00e7\u00e3o do povo, verdadeiro esclarecimento dos trabalhadores \u2013 entre os quais me conto \u2013 e expans\u00e3o do gosto pela m\u00fasica\u201c.<\/em>&nbsp;[<em>A Voz do Oper\u00e1rio<\/em>, 01\/10\/1963, p.3].<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mulheres na hist\u00f3ria<\/h2>\n\n\n\n<p>Na hist\u00f3ria do jornal A Voz do Oper\u00e1rio, h\u00e1 um importante contributo feminino ao longo de gera\u00e7\u00f5es, que j\u00e1 vem desde a d\u00e9cada de 1880, quando Angelina Vidal foi redatora.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais recentemente, j\u00e1 depois do 25 de Abril, este jornal teve duas directoras, Zulmira Ramos e Estela Rocha, e duas redatoras, Gl\u00f3ria Silva e Ana Goulart.<\/p>\n\n\n\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o de Francine Benoit faz parte desse contributo de mulheres. Aqui, n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, e tamb\u00e9m na revista&nbsp;<em>Seara Nova<\/em>&nbsp;&#8211; que este m\u00eas celebra o seu centen\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na hist\u00f3ria da cultura musical no s\u00e9culo XX em Portugal, um importante contributo foi deixado por uma professora d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio: Francine Benoit. Nascida em Fran\u00e7a em 1894, veio para Portugal com uns 12 anos de idade. 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