{"id":5013,"date":"2021-09-07T14:16:32","date_gmt":"2021-09-07T14:16:32","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=5013"},"modified":"2021-09-07T14:16:34","modified_gmt":"2021-09-07T14:16:34","slug":"no-pais-do-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/09\/07\/no-pais-do-silencio\/","title":{"rendered":"No pa\u00eds do sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"\n<p>A hist\u00f3ria, a nossa colectiva hist\u00f3ria, dos 48 anos sofridos, em grande parte do s\u00e9culo XX, pelas gera\u00e7\u00f5es que viveram o fascismo de Salazar e Caetano, continua a ser, e bem, um territ\u00f3rio prof\u00edcuo de inventaria\u00e7\u00e3o ficcional. E, n\u00e3o j\u00e1 apenas pelas gera\u00e7\u00f5es que percorreram esses \u00e1rduos tempos, mas por gera\u00e7\u00f5es mais jovens de escritores, sobretudo, escritoras, que sobre o estupor desses dias e do seu horror se v\u00eam debru\u00e7ando: Ana Margarida de Carvalho, Ana Cristina Silva e, recentemente, Rita Cruz com um poderos\u00edssimo romance, estreia da autora nas \u00e1rduas tarefas de&nbsp;<em>escreviver.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;<em>No Pa\u00eds do Sil\u00eancio,&nbsp;<\/em>Rita Cruz percorrer\u00e1 o que de mais tr\u00e1gico retemos desses tempos b\u00e1rbaros, fazendo-o numa linguagem solta e l\u00edmpida, despojada dos laivos de um discurso de h\u00e1bitos e costumes, construindo uma hist\u00f3ria que ganha espessura e intencionalidade, transportando-nos para os territ\u00f3rios inquietantes e inquiridores do melhor do nosso neo-realismo, inventariando a s\u00f3rdida realidade desses tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos, atrav\u00e9s de cont\u00ednuas e bem constru\u00eddas mudan\u00e7as temporais, que Eduardo, marido de S\u00edlvia, est\u00e1 preso no Aljube, que foi barbaramente torturado pelos capangas da Pide.<\/p>\n\n\n\n<p>O cap\u00edtulo,&nbsp;<strong>Sem Retorno<\/strong>, no qual a autora descreve, com acutilante min\u00facia e realismo, as sev\u00edcias sofridas por Eduardo \u00e0s m\u00e3os dos algozes, s\u00e3o de uma veracidade e capacidade descritivas raramente transpostas para a nossa actual literatura, nomeadamente a que tematiza este per\u00edodo da nossa hist\u00f3ria. A viol\u00eancia descritiva da barb\u00e1rie, s\u00f3 encontra paralelo nos testemunhos que as pr\u00f3prias v\u00edtimas produziram.&nbsp;<em>A realidade \u00e9 um lugar cruel,&nbsp;<\/em>avisa-nos a autora.<\/p>\n\n\n\n<p>O fant\u00e1stico que atravessa algumas passagens do romance, as premoni\u00e7\u00f5es do padre, o assass\u00ednio de Rosalinda, Ant\u00f3nio a sair do coma sem mem\u00f3ria dos seus dias de revolta e medo. As fotografias que Eduardo enviava para o&nbsp;<em>Manchester Guardian,&nbsp;<\/em>fotografias \u00abque moldavam a realidade\u00bb de um pa\u00eds pobre e silenciado.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos das greves dos trabalhadores rurais do Alentejo e Ribatejo, da emigra\u00e7\u00e3o que come\u00e7ava a despovoar o pa\u00eds, a Guerra Colonial, as revoltas frustradas contra o regime: Norton de Matos, que desiste de enfrentar o ditador; Delgado; o caso Santa Maria; a revolta de Beja. O ex\u00edlio onde, em Londres, se ir\u00e1 refugiar Eduardo at\u00e9 ao 25 de Abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Pa\u00eds de sil\u00eancio e de morte onde, apesar de tudo&nbsp;<em>h\u00e1 sempre sobreviventes de um massacre,&nbsp;<\/em>diz-nos a autora, ao tempo e \u00e0s circunst\u00e2ncias, para nos contar.<em>&nbsp;<\/em>Um bom romance bel\u00edssimo e inesperado. Imperd\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><em>No pa\u00eds do sil\u00eancio, de Rita Cruz \u2013 edi\u00e7\u00e3o p\u00e1gina a p\u00e1gina\/2021<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria, a nossa colectiva hist\u00f3ria, dos 48 anos sofridos, em grande parte do s\u00e9culo XX, pelas gera\u00e7\u00f5es que viveram o fascismo de Salazar e Caetano, continua a ser, e bem, um territ\u00f3rio prof\u00edcuo de inventaria\u00e7\u00e3o ficcional. 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