{"id":4979,"date":"2021-09-07T13:41:10","date_gmt":"2021-09-07T13:41:10","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4979"},"modified":"2021-10-10T22:51:47","modified_gmt":"2021-10-10T22:51:47","slug":"uma-barbearia-ligada-a-historia-da-voz-do-operario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/09\/07\/uma-barbearia-ligada-a-historia-da-voz-do-operario\/","title":{"rendered":"Uma barbearia ligada \u00e0 hist\u00f3ria d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u00c9 uma das mais antigas casas de corte de barba e cabelo em Lisboa. Esta barbearia est\u00e1 situada no n\u00famero 27 da Rua dos Rem\u00e9dios pelo menos desde 1879. E como se sabe? Porque o primeiro n\u00famero d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio fazia publicidade a este espa\u00e7o como ponto de venda deste jornal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Bruno Oliveira trocou um trabalho de mais de 17 anos na fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica pela paix\u00e3o das tesouras e das navalhas. Com forma\u00e7\u00e3o no corte de cabelos e barba, decidiu, com o irm\u00e3o, procurar um lugar para passar os sonhos do papel para a realidade. \u201cEncontr\u00e1mos esta loja que era do senhor Jo\u00e3o, que j\u00e1 tinha falecido, e o filho n\u00e3o queria que se perdesse o neg\u00f3cio\u201d, explica \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio. Diz que queriam fazer \u201creviver os velhos tempos\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Sendo do bairro, recorda-se dos tempos em que ali vinham com o pai, ainda pequenos, para cortar o cabelo. \u201cEra brutal e era isso que quer\u00edamos reviver\u201d, lembra. Mas o cen\u00e1rio n\u00e3o era o melhor. \u201cQuer\u00edamos era desfazer a barba \u00e0 navalha, coisa que j\u00e1 n\u00e3o existia. Nas barbearias, eram os mais velhotes [que ainda usavam essa t\u00e9cnica] e estavam a morrer ou estavam a fechar. A malta queria cortar o cabelo e tinha de ir a um centro comercial\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ent\u00e3o que reabrem a barbearia do senhor Jo\u00e3o. \u201cDecidimos abrir, at\u00e9 porque era para conjugar o trabalho est\u00e1vel com aquilo que realmente gost\u00e1vamos de fazer, um fazia de manh\u00e3, outro fazia de tarde. Al\u00e9m de j\u00e1 cortarmos, tir\u00e1mos forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea. Tivemos um pouco de sucesso nessa altura porque era imensa gente e fic\u00e1mos um pouco conhecidos tamb\u00e9m sem esperarmos. E depois, tive de largar o emprego [na fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica] porque j\u00e1 era incompat\u00edvel. <\/p>\n\n\n\n<p>Outro dos servi\u00e7os que prestavam os dois irm\u00e3os era ao domic\u00edlio. \u201cMuitos dos velhotes, n\u00e3o sa\u00edam de casa e foi um trabalho fant\u00e1stico que tamb\u00e9m fiz, e continuo a fazer. Agora n\u00e3o tenho \u00e9 muito tempo. Muitas vezes, nem queriam cortar o cabelo, queriam era conversar\u201d, descreve. Apesar de manter este servi\u00e7o de forma menos frequente, Bruno Oliveira trabalha tamb\u00e9m com sem-abrigo h\u00e1 cerca de cinco anos. \u201cFa\u00e7o esse trabalho na rua e nos centros de abrigo, em Alfama e por a\u00ed fora\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dez anos na Rua dos Rem\u00e9dios, em Alfama, a barberia de Bruno Oliveira tenta preservar o corte \u00e0 navalha, desfazer a barba com toalha quente e os produtos portugueses. \u201cTem sido muito gratificante\u201d, explica, \u201cat\u00e9 malta mais antiga, clientes que v\u00eam c\u00e1 h\u00e1 70 ou 80 anos. V\u00eam c\u00e1 desde mi\u00fados, j\u00e1 s\u00e3o velhotes, \u00e9 muito engra\u00e7ado, as hist\u00f3rias que eles contam\u2026\u201d Mas o antigo cruza-se com o novo numa barbearia que \u00e9 para todas as gera\u00e7\u00f5es, como descreve. \u201cTemos de estar habituados \u00e0s novas tend\u00eancias\u201d, porque, como explica, h\u00e1 cada vez mais gente a conhecer a barbearia, desde portugueses a turistas. \u201cUma vez apareceu aqui um cliente a dizer que tinha sabido da barbearia atrav\u00e9s de uma brochura num voo da TAP\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, Bruno Oliveira abriu mais tr\u00eas barbearias. Todas em Lisboa. Tenho uma no Rossio, ao p\u00e9 da Ginjinha, que tamb\u00e9m tem mais de cem anos. Isto j\u00e1 veio depois porque viram o trabalho que n\u00f3s fizemos e os filhos das pessoas [propriet\u00e1rias] contactaram-me e, pronto, fizemos com que elas n\u00e3o acabassem. Isto \u00e9 um bocado hist\u00f3ria da cidade e \u00e9 um bocado a nossa hist\u00f3ria, n\u00e3o \u00e9? Dos nossos pais, dos nossos av\u00f3s que passaram por aqui\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ponto de venda d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma barbearia pelo menos t\u00e3o antiga como antigo \u00e9 o jornal A Voz do Oper\u00e1rio, fundado a 11 de outubro de 1879, por trabalhadores da ind\u00fastria do tabaco, \u00e9 o que se sabe desta loja. Segundo Bruno Oliveira, foi um cliente que lhe trouxe esse dado. Sabe-se que nesse mesmo ano, em 1879, A Voz do Oper\u00e1rio j\u00e1 era aqui distribu\u00edda. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMorava aqui em baixo, era j\u00e1 velhote, e n\u00f3s tent\u00e1mos pesquisar, depois entretanto fui ver do pr\u00e9dio e tem mais de 500 anos. Mas n\u00e3o h\u00e1 grandes registos da barbearia. Havia fotografias da C\u00e2mara Municipal em que realmente se v\u00ea uma cadeira aqui, com mais de cem anos, mas a C\u00e2mara tamb\u00e9m n\u00e3o tem mais elementos e agarra-se um bocadinho ao que n\u00f3s temos\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Foi com a informa\u00e7\u00e3o d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio que se criou o \u2018bichinho\u2019 da hist\u00f3ria. N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos bem no\u00e7\u00e3o disso, sab\u00edamos que [a barbearia] era antiga, estava com o senhor Jo\u00e3o h\u00e1 mais de 70 anos. Quer\u00edamos era cortar cabelos e pronto. Entretanto, isto apareceu e tem-se desenvolvido, entretanto a C\u00e2mara tamb\u00e9m se meteu nisto e j\u00e1 distinguiu a barberia como Loja com Hist\u00f3ria\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>O barbeiro recorda que quando pegou na loja com o irm\u00e3o o espa\u00e7o j\u00e1 estava um pouco degradado. Aponta para os objetos que todavia se mant\u00eam desse tempo. Uma caixa registadora, um arm\u00e1rio e as cadeiras, onde ainda se sentam os clientes \u00e0 espera de um novo corte. \u201cN\u00e3o mexemos em muita coisa. Por exemplo, o ch\u00e3o \u00e9 de origem. Estas cadeiras s\u00e3o de origem, estas estavam c\u00e1. Fomos fazendo obras, que a senhoria tamb\u00e9m n\u00e3o quer muito saber disto, n\u00f3s \u00e9 que temos de andar aqui a segurar porque sen\u00e3o j\u00e1 tinha ca\u00eddo\u201d, descreve Bruno Oliveira.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Bruno Oliveira foi ouvindo as hist\u00f3rias dos mais velhos sobre a barbearia e recorda que ali dentro se fumava muito. Quem ali chegava n\u00e3o eram s\u00f3 os moradores mas tamb\u00e9m oper\u00e1rios e estivadores, o que pode explicar a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 uma das mais antigas casas de corte de barba e cabelo em Lisboa. Esta barbearia est\u00e1 situada no n\u00famero 27 da Rua dos Rem\u00e9dios pelo menos desde 1879. 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