{"id":4891,"date":"2021-08-03T20:32:23","date_gmt":"2021-08-03T20:32:23","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4891"},"modified":"2021-08-05T09:55:43","modified_gmt":"2021-08-05T09:55:43","slug":"o-estado-das-artes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/08\/03\/o-estado-das-artes\/","title":{"rendered":"O Estado das Artes"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O<\/strong>No quase meio s\u00e9culo que Portugal viveu entre um 28 de Maio do s\u00e9culo passado e o 25 de Abril deste ano e que se reparte, em igualdade de tempo, entre um reg\u00edmen ditatorial, corporativo e dirigista e um reg\u00edmen democr\u00e1tico, parlamentarista e liberal, muita coisa aconteceu no reino das Belas-Artes, fossem elas a Pintura a Escultura ou a Arquitetura.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele primeiro tempo \u201cuma pol\u00edtica de esp\u00edrito\u201d imposta pelo governo e da pol\u00edcia de \u201cdefesa do Estado\u201d invadia exposi\u00e7\u00f5es de Arte, apreendia obras e prendia artistas que \u201cpintavam a terra e o povo\u201d. Na Arquitetura tentava-se impor um \u201cestilo nacional\u201d, na defesa do patrim\u00f3nio edificado coroavam-se de ameias novas velhos castelos\u2026 A Pintura e a Escultura espalhavam Reis, Santos e Her\u00f3is e Navegadores por toda as Obras P\u00fablicas que glorificavam o reg\u00edmen.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um privil\u00e9gio dos muitos ricos comprar uma obra de Arte.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia, contudo, focos de sentido contr\u00e1rio e, a prop\u00f3sito aqui recorda a funda\u00e7\u00e3o, em 1956, da GRAVURA \u2013 Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses cuja atividade permitiu que muitos jovens casais de ent\u00e3o pudessem ter em suas casas obras de J\u00falio Pomar, Pavia, Alice Jorge, Nikias Skapinakis, Bartolomeu Cid, Cipriano Dourado, Navarro Hogan e muitos outros de igual qualidade e significado.<\/p>\n\n\n\n<p>A euforia que nos campos das Artes Visuais se seguiu \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de 74 foi, infelizmente, sol de pouca dura com significado simb\u00f3lico no fogo que consumiu, em Bel\u00e9m, uma obra coletiva acabada de fazer. A cor e a vibra\u00e7\u00e3o dos murais que partidos de esquerda espalhavam por paredes de todo o pa\u00eds ou foram destru\u00eddos ou deles s\u00f3 restam em tristes apagamentos. Foi not\u00e1vel a produ\u00e7\u00e3o de cartazes de car\u00e1ter pol\u00edtico que hoje s\u00e3o ciosamente recolhidos por alguns ou v\u00e3o a caminho de museus. No campo da Arquitetura, o SAAL, talvez a mais imaginosa tentativa de resolver o problema da habita\u00e7\u00e3o para o maior n\u00famero, finou-se por obra de terratenentes e pol\u00edticos desinteressados.<\/p>\n\n\n\n<p>Vem da primavera marcelista o v\u00edrus que hoje ataca as Belas-Artes portuguesas, quando bancos e grandes banqueiros, a burguesia endinheirada e majest\u00e1ticas companhias, em conluio com&nbsp;<em>merchantes&nbsp;<\/em>e cr\u00edticos de arte fazedores de opini\u00e3o se lan\u00e7aram a \u201ccolecionar\u201d. Fizeram-no com \u00e2nsias de arrebanhadores e conseguiram fazer passar a Arte de bem cultural para um valor mobili\u00e1rio \u2013 cotada, garantia de empr\u00e9stimos, instrumento de manig\u00e2ncias financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>No campo da arquitetura lia-se h\u00e1 bem pouco tempo em artigo publicado num seman\u00e1rio de grande divulga\u00e7\u00e3o \u201cuma casa de milh\u00f5es \u00e9 uma quest\u00e3o justificada como ter um carro de\u2026 ou um quadro de\u2026\u201d (opini\u00e3o justificada, acrescentamos n\u00f3s, para obter cr\u00e9dito, n\u00e3o pagar e ganhar dinheiro \u00e0 custa de outros)<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto nasceu um novo sentido de Arte que exige a si pr\u00f3prio ser colossal, bizarro, gritante e que tanto atrai a aten\u00e7\u00e3o de bo\u00e7ais comendadores como filas de novos-ricos \u00e0 porta de um Pal\u00e1cio Nacional (cedido para o efeito) para admirar a estrutura de um gigantesco sapato decorado com tampos de panelas de alum\u00ednio ou mirar em qualquer muro ou empena degradada da cidade ferruginosos monstros de sucata, sugerindo gerom\u00f3rficas figuras.<\/p>\n\n\n\n<p>E de tudo isto resulta que \u00e9 cada vez maior o fosso que vai hoje da \u201cprodu\u00e7\u00e3o\u201d ao usufruto imediato e \u00edntimo da Arte pelo maior n\u00famero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ONo quase meio s\u00e9culo que Portugal viveu entre um 28 de Maio do s\u00e9culo passado e o 25 de Abril deste ano e que se reparte, em igualdade de tempo, entre um reg\u00edmen ditatorial, corporativo e dirigista e um reg\u00edmen democr\u00e1tico, parlamentarista e liberal, muita coisa aconteceu no reino das Belas-Artes, fossem elas a Pintura &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/08\/03\/o-estado-das-artes\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">O Estado das Artes<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":2643,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[76],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4891"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4891"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4891\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4893,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4891\/revisions\/4893"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2643"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4891"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=4891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}