{"id":4877,"date":"2021-08-03T20:26:51","date_gmt":"2021-08-03T20:26:51","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4877"},"modified":"2021-09-07T13:59:49","modified_gmt":"2021-09-07T13:59:49","slug":"o-desafio-do-negacionismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/08\/03\/o-desafio-do-negacionismo\/","title":{"rendered":"O desafio do negacionismo"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Nega-se o aquecimento global, que a Terra seja redonda, que as vacinas imunizem. Hoje, as opini\u00f5es contam mais do que os factos, uma boa hist\u00f3ria vale mais do que a ci\u00eancia. Cren\u00e7as espirituais, teorias da conspira\u00e7\u00e3o e a religi\u00e3o do empreendedorismo misturam-se num cocktail perigoso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas homens percorrem as ruas da Venteira, na Amadora, a 29 de julho, com latas de spray e acabam detidos. Na manh\u00e3 seguinte, a indigna\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 geral. As paredes dos pr\u00e9dios, contentores do lixo e at\u00e9 autom\u00f3veis t\u00eam mensagens que questionam a pandemia e a vacina contra a covid-19.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A prolifera\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas nas redes sociais e a organiza\u00e7\u00e3o de grupos negacionistas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia n\u00e3o \u00e9 uma novidade. O \u00faltimo Relat\u00f3rio de Seguran\u00e7a Interna, os Servi\u00e7os de Informa\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a (SIS) deu conta de uma aproxima\u00e7\u00e3o entre grupos de extrema-direita e \u201cmovimentos sociais inorg\u00e2nicos, designadamente os negacionistas da pandemia\u201d. Os servi\u00e7os de intelig\u00eancia alertam no documento para os \u201criscos de radicaliza\u00e7\u00e3o violenta online de jovens portugueses, que poder\u00e3o conduzir, nos pr\u00f3ximos anos, ao agravamento\u201d desta amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se pode ler no relat\u00f3rio, \u201cnos extremismos pol\u00edticos, apesar de a pandemia ter obrigado ao cancelamento de muitas das atividades tradicionais (reuni\u00f5es, confer\u00eancias, concertos), o confinamento imposto aumentou o tempo de exposi\u00e7\u00e3o da sociedade em geral, e dos jovens em particular, aos meios online e abriu um leque de oportunidades para que os movimentos radicais de extrema-direita disseminassem conte\u00fados de propaganda e desinforma\u00e7\u00e3o digital, com vista a aumentar as suas bases de apoio, galvanizar os sentimentos antissistema e a refor\u00e7ar a radicaliza\u00e7\u00e3o com base xen\u00f3foba, recorrendo ao discurso apelativo da viol\u00eancia e do \u00f3dio, num momento em que a sociedade portuguesa \u00e9, tamb\u00e9m, confrontada com fen\u00f3menos de polariza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica&#8221;.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cNunca vacinaria um filho meu\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cVacinei-me, j\u00e1 posso ter 5G\u201d, tem sido uma afirma\u00e7\u00e3o comum nas redes sociais. Para a maioria \u00e9 uma anedota, para uma minoria \u00e9 uma teoria real, entre as muitas vers\u00f5es quanto aos efeitos secund\u00e1rios ou \u201cdissimulados\u201d da vacina\u00e7\u00e3o. Um dos protagonistas desta batalha pela desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 Jo\u00e3o Tilly. O professor de matem\u00e1tica no agrupamento de escolas de Seia \u00e9 presidente do Conselho Nacional do Chega e \u00e9 tamb\u00e9m l\u00edder distrital de Viseu, cuja estrutura foi, no dia 23 de julho, acusada de agredir um homossexual num caf\u00e9, junto \u00e0 sede do partido de extrema-direita, segundo o Expresso. Com mais de 70 mil seguidores no Facebook e quase 48 mil no Youtube, Jo\u00e3o Tilly \u00e9 conhecido por questionar o conhecimento cient\u00edfico adquirido ao longo de mais de ano e meio de pandemia. Usa express\u00f5es como o \u201cneg\u00f3cio multimilion\u00e1rio das vacinas obrigat\u00f3rias\u201d e \u201clobby farmac\u00eautico\u201d, n\u00e3o porque conteste a mercantiliza\u00e7\u00e3o dos cuidados de sa\u00fade, mas porque pretende associar o seu negacionismo a uma est\u00e9tica anti-sistema. \u201cEu, com quase 57, apesar de nunca ter estado gravemente doente, aprendi pelo que vi \u2013 e se eu vi coisas! \u2013 que a medicina em Portugal, nomeadamente no SNS, para doentes \u201can\u00f3nimos\u201d \u00e9 uma treta pegada, pouco mais do que uma curandice. Por isso digo: NUNCA na minha vida \u2013 mas NUNCA MESMO \u2013 eu me vacinaria a mim ou vacinaria um filho meu, se voltasse a ter mais algum\u201d, afirmou num ataque \u00e0s vacinas em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 poucos dias, o dirigente de extrema-direita provocou um verdadeiro terramoto nas redes sociais ao anunciar que decidira vacinar-se contra a covid-19. Os argumentos que apresentou n\u00e3o convenceram centenas de seguidores desiludidos que insultaram a incoer\u00eancia de Jo\u00e3o Tilly.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 K\u00e1tia Aveiro, irm\u00e3 de Cristiano Ronaldo, alegou que a pandemia era uma fraude e n\u00e3o se vacinou. Acabou internada com uma pneumonia como consequ\u00eancia da covid-19 e entrou em pol\u00e9mica com o jornalista Lu\u00eds Os\u00f3rio que a acusou de n\u00e3o ter cuidado com o que dizia enquanto irm\u00e3 de uma figura com uma influ\u00eancia t\u00e3o grande.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a descren\u00e7a nas vacinas n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3mento que surgiu com a pandemia. Em 1998, o movimento anti-vacinas cresceu quando o m\u00e9dico Andrew Wakefield publicou, na revista The Lancet, o artigo \u201cMMR vaccination and autism\u201d, que associava a vacina\u00e7\u00e3o contra o sarampo, papeira e rub\u00e9ola ao s\u00edndrome do espetro autista. S\u00f3 anos mais tarde, o estudo foi considerado fraudulento e o autor expulso da comunidade cient\u00edfica e proibido de exercer medicina.<\/p>\n\n\n\n<p>Num estudo publicado em 2016, no The Journal of the American Medical Association (JAMA), os m\u00e9dicos e investigadores da Universidade de Emory, em Atlanta, Estados Unidos, afirmavam que \u201cuma parte substancial dos casos de sarampo nos Estados Unidos, na era posterior \u00e0 sua elimina\u00e7\u00e3o, foram [de pessoas] n\u00e3o vacinadas intencionalmente\u201d. A investiga\u00e7\u00e3o teve em conta todos os dados sobre surtos de sarampo e de tosse convulsa naquele pa\u00eds desde 2000, a data em que aquelas duas doen\u00e7as foram consideradas eliminadas. O n\u00famero de casos de ambas as doen\u00e7as aumentou sistematicamente at\u00e9 \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do estudo, \u201co que esteve associado ao fen\u00f3meno da recusa da vacina\u00e7\u00e3o\u201d, refor\u00e7ou a equipa coordenada por Saad Omer.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estimou que as vacinas evitam entre dois a tr\u00eas milh\u00f5es de mortes por ano. Como n\u00e3o chegam a toda a popula\u00e7\u00e3o do mundo, dois milh\u00f5es de pessoas morrem anualmente v\u00edtimas de patologias que poderiam ser evitadas atrav\u00e9s da imuniza\u00e7\u00e3o conferida pelas vacinas. H\u00e1 v\u00e1rios estudos que apontam para a preval\u00eancia de comportamentos anti-vacina sobretudo entre as camadas m\u00e9dias e altas da popula\u00e7\u00e3o, com dinheiro e melhor acesso a cuidados de sa\u00fade. Dados apresentados na obra Medicina sem enganos, de 2015, mostravam que alguns bairros da Calif\u00f3rnia tinham uma taxa de vacina\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 do Sud\u00e3o do Sul. Os movimento anti-vacinas aproveitam as redes sociais para disseminar mitos que exageram os efeitos secund\u00e1rios, manipulam os n\u00fameros para minimizar o grau de efetividade da imuniza\u00e7\u00e3o e defendem o \u201cnatural\u201d contra o \u201cqu\u00edmico\u201d, num caldo de teorias da conspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, o conselho de ministros da Alemanha aprovou multas, que podem chegar aos 2500 euros, para os pais que decidam n\u00e3o vacinar os seus filhos em idade escolar contra o sarampo. No ano anterior, contabilizaram-se 543 casos de sarampo naquele pa\u00eds.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um cocktail negacionista<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando rebentaram as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es contra as medidas de prote\u00e7\u00e3o, em setembro de 2020, em Berlim, o panorama dos protestos era algo bizarro. \u201cA pandemia \u00e9 mentira\u201d, \u201cas m\u00e1scaras n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias\u201d e \u201co que falta \u00e9 amor e derrubar o governo\u201d eram consignas que juntavam uma am\u00e1lgama muito peculiar. Houve de tudo. Abra\u00e7os coletivos, m\u00fasica tibetana, bandeiras nazis, rastafaris e cabe\u00e7as rapadas, lado a lado com su\u00e1sticas e bandeiras com as cores do arco-\u00edris e o s\u00edmbolo da paz.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia tem sido palco de todo o tipo de teorias da conspira\u00e7\u00e3o e a extrema-direita aproveita, perantea toler\u00e2ncia de v\u00e1rios governos, para usar&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;como ve\u00edculo para alimentar a descren\u00e7a na ci\u00eancia. Logo no come\u00e7o da crise sanit\u00e1ria, Jair Bolsonaro, Donald Trump e Boris Johnson, entre outros, fizeram declara\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e tomaram decis\u00f5es sem fundamentos cient\u00edficos, legitimando este tipo de movimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise do capitalismo, a descren\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es e a prolifera\u00e7\u00e3o de todo o tipo de religi\u00f5es e movimentos espirituais propaga-se pelas redes sociais. Nos Estados Unidos, a QAnon defende que estrelas de Hollywood e pol\u00edticos democratas como Tom Hanks e Hillary Clinton s\u00e3o sat\u00e2nicos que controlam o mundo. Para este grupo, Donald Trump \u00e9 um enviado de Deus para derrotar esta conspira\u00e7\u00e3o e inaugurar a era do amor. Pode parecer uma teoria demasiado absurda para ser levada a s\u00e9rio mas a verdade \u00e9 que o Congresso dos Estados Unidos levou o assunto a ser discutido pelos representantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora tenha passado meio s\u00e9culo, o movimento&nbsp;<em>New Age<\/em>&nbsp;parece viver um revivalismo. As comunidades ocultistas e metaf\u00edsicas que inauguravam uma \u00b4nova era de amor e luz atrav\u00e9s da transforma\u00e7\u00e3o e cura interior` parecem ter ganho um novo f\u00f4lego com as redes sociais e com a descren\u00e7a na ci\u00eancia. Mas simultaneamente com a \u00b4religi\u00e3o do empreendedorismo e a cren\u00e7a no sucesso individual`. Com v\u00e1rios livros publicados sobre o&nbsp;<em>New Age<\/em>, o soci\u00f3logo Steve Bruce destacou que este movimento atra\u00eda, sobretudo, indiv\u00edduos bem sucedidos, instru\u00eddos e de classe m\u00e9dia. A doutrina do sucesso individual contribui para a cren\u00e7a de que o seu \u00eaxito se d\u00e1 atrav\u00e9s dos seus pr\u00f3prios esfor\u00e7os. Trata-se de mma esp\u00e9cie de religi\u00e3o de auto-ajuda que o soci\u00f3logo enquadrou na natureza individualista das sociedades modernas e que Paul Heelas, autor do \u00b4Movimento&nbsp;<em>New Age<\/em>: a celebra\u00e7\u00e3o do eu e a sacraliza\u00e7\u00e3o da modernidade`, atribuiu tamb\u00e9m ao decl\u00ednio das religi\u00f5es tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, as redes sociais promovem youtubers que t\u00eam o protagonismo que nenhum cientista alguma vez teve e difundem qualquer tipo de \u201cteoria\u201d sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ou factualidade. Em setembro de 2019, a atriz Jessica Athayde anunciava, num document\u00e1rio sobre a sua gravidez, que tinha decidido comer a placenta a seguir ao parto, como outras figuras p\u00fablicas como Kim e Kourtney Kardashian, Chrissy Teigen e Hillay Duff. Todas alegaram t\u00ea-lo feito para prevenir uma depress\u00e3o p\u00f3s-parto. \u00c0 MAGG, a obstreta Alexandrina Branco afirmou que n\u00e3o se opunha a que as mulheres tomassem essa decis\u00e3o mas apenas pelo efeito placebo. \u201cAlgo que \u00e9 in\u00f3cuo, mas que traz benef\u00edcios para a pessoa, n\u00e3o \u00e9 necessariamente mau. A pessoa mentaliza-se que est\u00e1 bem, sem necessidade de tratamentos mais agressivos como antidepressivos\u201d, considerou. Contudo, segundo o mesmo meio, m\u00e9dicos apontam para o risco de infe\u00e7\u00e3o e contamina\u00e7\u00e3o pelas toxinas e hormonas que se acumulam na placenta durante a gesta\u00e7\u00e3o e real\u00e7am que a efic\u00e1cia destes processos no tratamento de doen\u00e7as n\u00e3o foi ainda demonstrada. O American Journal of Obstetrics &amp; Gynecology concluiu mesmo que ainda que haja um fasc\u00ednio cada vez maior pela placenta \u201cn\u00e3o existe nenhuma evid\u00eancia cient\u00edfica dos benef\u00edcios cl\u00ednicos da placentofagia humana\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A dissemina\u00e7\u00e3o dos valores do individualismo e da supremacia da opini\u00e3o pessoal s\u00e3o o esteio da filosofia liberal. A liberdade individual acima de tudo, at\u00e9 da ci\u00eancia, numa era em que houve at\u00e9 quem inventasse o conceito de p\u00f3s-verdade, pode muitas vezes ser fonte de teorias in\u00f3cuas mas, como mostram os dados da OMS h\u00e1 doen\u00e7as que est\u00e3o de volta porque houve quem deliberadamente n\u00e3o quisesse vacinar os seus pr\u00f3prios filhos em nome de cren\u00e7as espirituais ou teorias da conspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nega-se o aquecimento global, que a Terra seja redonda, que as vacinas imunizem. Hoje, as opini\u00f5es contam mais do que os factos, uma boa hist\u00f3ria vale mais do que a ci\u00eancia. Cren\u00e7as espirituais, teorias da conspira\u00e7\u00e3o e a religi\u00e3o do empreendedorismo misturam-se num cocktail perigoso. 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