{"id":4856,"date":"2021-08-03T15:44:40","date_gmt":"2021-08-03T15:44:40","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4856"},"modified":"2021-08-03T15:44:43","modified_gmt":"2021-08-03T15:44:43","slug":"governo-da-luz-verde-a-medicina-no-ensino-privado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/08\/03\/governo-da-luz-verde-a-medicina-no-ensino-privado\/","title":{"rendered":"Governo d\u00e1 luz verde a medicina no ensino privado"},"content":{"rendered":"\n<p>Em julho de 2019, Portugal era o terceiro pa\u00eds da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico (OCDE) com maior r\u00e1cio de m\u00e9dicos per capita. Havia, ent\u00e3o, 4,6 m\u00e9dicos por cada mil habitantes, o que colocava Portugal \u00e0 frente de pa\u00edses como Alemanha e Reino Unido. Mas este dado referia-se ao n\u00famero global de m\u00e9dicos. A trabalhar no Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS), havia apenas 2,8 m\u00e9dicos por cada mil habitantes, abaixo da m\u00e9dia dos 28 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia (3,6).<\/p>\n\n\n\n<p>O Di\u00e1rio de Not\u00edcias noticiava nesse momento que o n\u00famero de profissionais inscritos na Ordem dos M\u00e9dicos se situava pr\u00f3ximo dos 45 000, mas, de acordo com o Relat\u00f3rio Social do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (2017), apenas 28 609 m\u00e9dicos estavam a trabalhar no SNS em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro de 2020, o concurso aberto pelo governo deixou mais de um ter\u00e7o das vagas para contratar m\u00e9dicos para o SNS por preencher. Apenas 908 das 1385 vagas abertas para contratar especialistas foram garantidas. O concurso previa 950 vagas para a \u00e1rea hospitalar e para sa\u00fade p\u00fablica e 435 para medicina geral e familiar. Mais de um ter\u00e7o (37,6%) das vagas abertas para contratar m\u00e9dicos rec\u00e9m-especialistas nas \u00e1reas hospitalares e de sa\u00fade p\u00fablica ficaram por preencher. Os dados s\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o Central do Sistema de Sa\u00fade e foram avan\u00e7ados ent\u00e3o pelo P\u00fablico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com m\u00e9dicos a menos no SNS, as faculdades p\u00fablicas de Medicina decidiram n\u00e3o aumentar as vagas dispon\u00edveis este ano. Atualmente, os cursos de Medicina agregam 1441 lugares todos os anos no concurso nacional de acesso ao ensino superior. Apesar de o Governo permitir que os cursos procurados pelos melhores alunos cres\u00e7am at\u00e9 15%, as escolas m\u00e9dicas entendem n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es para receber mais estudantes. Ao mesmo jornal, o presidente o Conselho de Escolas M\u00e9dicas Portuguesas (CEMP) adiantou que \u201cas condi\u00e7\u00f5es se mant\u00eam, a decis\u00e3o tamb\u00e9m ser\u00e1 no mesmo sentido\u201d da do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de novidade que nos permita tomar uma decis\u00e3o de outro tipo\u201d, concorda o diretor da faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Fausto Pinto. A CEMP salienta que o n\u00famero de estudantes que as faculdades de Medicina recebem neste momento \u00e9 \u201cbem superior ao n\u00famero de vagas\u201d que os seus respons\u00e1veis entendem \u201cadequadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os respons\u00e1veis das faculdades de Medicina esclarecem que, atualmente, j\u00e1 existem limita\u00e7\u00f5es dos estudantes no acesso \u00e0s pr\u00e1ticas cl\u00ednicas durante a forma\u00e7\u00e3o e tem vindo a aumentar o n\u00famero de m\u00e9dicos que, uma vez conclu\u00eddo o curso, n\u00e3o conseguem acesso \u00e0 especialidade. Fausto Pinto acrescenta, ainda, que \u201cn\u00e3o h\u00e1 falta de m\u00e9dicos em Portugal\u201d. Formar mais cl\u00ednicos seria conden\u00e1-los \u201cao desemprego ou a terem que emigrar\u201d, entende.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Privados abrem curso de Medicina<strong>\ufeff<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A Faculdade de Medicina da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa (UCP) abriu o processo de candidaturas at\u00e9 31 de maio. \u00c9 a primeira universidade privada a lecionar um curso de medicina. A parceria do Grupo Luz Sa\u00fade com a Universidade de Maastricht vai resultar no primeiro curso em Portugal lecionado em ingl\u00eas. As atividades letivas v\u00e3o iniciar-se em setembro deste ano no campus de Sintra da UCP, junto ao Taguspark.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da luz verde do governo para a abertura deste curso no privado, o Conselho de Escolas M\u00e9dicas Portuguesas (CEMP), que agrega representantes de oito institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, lamentou a aprova\u00e7\u00e3o deste curso na Universidade Cat\u00f3lica, entidade privada, alegando que houve ced\u00eancia \u201ca forte press\u00e3o de agentes pol\u00edticos\u201d e alertou para problemas que \u201ccolocam em causa a qualidade do curso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a pandemia a p\u00f4r \u00e0 prova um sistema p\u00fablico de sa\u00fade, para o qual muitos hospitais privados enviaram os seus doentes quando se espalhou o coronav\u00edrus por todo o pa\u00eds, s\u00e3o v\u00e1rias as unidades hospitalares e centros de sa\u00fade que reclamam mais profissionais de sa\u00fade. Sem uma estrat\u00e9gia de fixa\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos no Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos (FNAM) acusa h\u00e1 largos anos os sucessivos governos de n\u00e3o darem condi\u00e7\u00f5es aos profissionais de sa\u00fade para trabalharem no p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de vagas preenchidas deve-se tamb\u00e9m \u00e0 falta de perspetivas. \u201cIsto vem provar que as condi\u00e7\u00f5es oferecidas a estes m\u00e9dicos n\u00e3o s\u00e3o atrativas o suficiente\u201d, defendeu Noel Carrilho, da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos, ao P\u00fablico. \u201c\u00c9 algo que deveria ser um objetivo a ter em conta pela tutela agora que s\u00e3o necess\u00e1rios ainda mais (m\u00e9dicos) com a pandemia e com aquilo que ser\u00e1 uma necessidade agravada que foram os atrasos na assist\u00eancia, nas consultas e nas cirurgias\u201d. Para este dirigente sindical, \u201cn\u00e3o s\u00f3 as condi\u00e7\u00f5es para entrar no SNS s\u00e3o pouco atrativas, quando comparadas com condi\u00e7\u00f5es dadas pelo privado ou mesmo as ofertas no estrangeiro, como a progress\u00e3o na carreira de m\u00e9dico no SNS representa mais um fator para estes cl\u00ednicos que acabam a especializa\u00e7\u00e3o optarem por outras alternativas que v\u00e3o para al\u00e9m do sistema de sa\u00fade p\u00fablico\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios anos que o SNS se debate com a falta de m\u00e9dicos enquanto escolas m\u00e9dicas recusam aumentar vagas. Agora, vai abrir um curso privado na Cat\u00f3lica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em julho de 2019, Portugal era o terceiro pa\u00eds da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico (OCDE) com maior r\u00e1cio de m\u00e9dicos per capita. Havia, ent\u00e3o, 4,6 m\u00e9dicos por cada mil habitantes, o que colocava Portugal \u00e0 frente de pa\u00edses como Alemanha e Reino Unido. 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