{"id":4849,"date":"2021-08-03T15:15:02","date_gmt":"2021-08-03T15:15:02","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4849"},"modified":"2021-08-03T15:39:06","modified_gmt":"2021-08-03T15:39:06","slug":"as-viagens-de-joni-50-anos-de-blue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/08\/03\/as-viagens-de-joni-50-anos-de-blue\/","title":{"rendered":"As viagens de Joni, 50 anos de Blue"},"content":{"rendered":"\n<p>Se a ideia dos discos, enquanto objetos com coer\u00eancia art\u00edstica, perdeu hoje import\u00e2ncia e as singularidades vendidas pela ind\u00fastria da m\u00fasica s\u00e3o mais de \u00e2mbito est\u00e9tico, de modo a valorizar o objeto f\u00edsico que ain- da resiste como mercadoria no tempo do digital, as efem\u00e9rides podem servir para valorizarmos, antes, a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica na m\u00fasica. Assinalar anivers\u00e1rios de discos acaba por ser como desenhar um mapa da cul- tura popular e de todas as maravilhas que ela nos deu at\u00e9 agora, das viagens que fomos fazendo com esses discos, das hist\u00f3rias que eles nos v\u00e3o contando e da forma como essas hist\u00f3rias passam a ser nossas, como as acolhemos e relacionamos com o nosso quotidiano. H\u00e1 discos que, por isso, t\u00eam um papel crucial at\u00e9 na compreens\u00e3o da sua \u00e9poca ou na compreens\u00e3o daquilo que n\u00e3o obedece ao tempo e ao espa\u00e7o. H\u00e1 50 anos, a 22 de junho de 1971, Joni Mitchell lan\u00e7ava o seu quarto \u00e1lbum, que os mel\u00f3manos acolheram imediatamente como uma obra maior. Na verdade, Mitchell gozava, \u00e0 \u00e9poca, de um prest\u00edgio que j\u00e1 sa\u00eda do nicho aborrecido dos baladeiros que ao longo da costa oeste dos EUA entediavam o mundo. E o que Joni tinha de especial est\u00e1 sintetizado em Blue: um conjunto de hist\u00f3rias que se cruzam e se materializam muito para al\u00e9m dos poemas que as contam. Em Blue tudo \u00e9 dilema e dicotomia, tudo \u00e9 um di\u00e1logo constante entre o tang\u00edvel e o intang\u00edvel, e tudo isso assume formas diferentes, que aparentemente nunca se tocam, como o piano e a guitarra que, em momento algum, se encontram em todo o disco. A escolha instrumental \u00e9, ali\u00e1s, uma demonstra\u00e7\u00e3o do g\u00e9nio de Joni: onde h\u00e1 viagem para dentro h\u00e1 um piano \u00edntimo e onde h\u00e1 estrada e c\u00e9u e mar ela confia no metal das cordas das guitarras para sugerir o movimento, a descoberta e a maravilha. Este jogo vai-se intercalando, orientando os nossos sentidos, provocando o inevit\u00e1vel entendimento da viagem que nos \u00e9 pro- posta, entre o blue melanc\u00f3lico e o blue mediterr\u00e2nico que encontrou nas ilhas gregas e onde se apaixonou de copo na m\u00e3o. Ao mesmo tempo, enquanto admira esse azul do mar, pensa em casa, nos encontros e desencontros, saltando de uma nuvem de contempla\u00e7\u00e3o para uma outra onde a ang\u00fastia espreita.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em Mitchell, nenhuma ang\u00fastia \u00e9 demasiado dram\u00e1tica, nada \u00e9 fatal. As viagens terminam, o bronzeado vai desaparecendo dos ombros, assim como as paix\u00f5es de ver\u00e3o, e o que fica s\u00e3o as rugas que nos devolvem ao nosso caminho com toda essa aprendizagem, com essa persist\u00eancia em continuar um caminho que \u00e9 s\u00f3 nosso. Blue n\u00e3o \u00e9, por isso, um disco sobre uma melancolia \u00f3bvia e idealista, \u00e9 um disco sobre tatuagens &#8211; como a pr\u00f3pria escreve &#8211; e sobre constru\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa a grande viagem &#8211; a nossa, a dela e a nossa com ela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a ideia dos discos, enquanto objetos com coer\u00eancia art\u00edstica, perdeu hoje import\u00e2ncia e as singularidades vendidas pela ind\u00fastria da m\u00fasica s\u00e3o mais de \u00e2mbito est\u00e9tico, de modo a valorizar o objeto f\u00edsico que ain- da resiste como mercadoria no tempo do digital, as efem\u00e9rides podem servir para valorizarmos, antes, a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica na m\u00fasica. &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/08\/03\/as-viagens-de-joni-50-anos-de-blue\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">As viagens de Joni, 50 anos de Blue<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":4850,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"coauthors":[92],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4849"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4849"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4849\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4854,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4849\/revisions\/4854"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4850"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4849"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4849"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4849"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=4849"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}