{"id":4658,"date":"2021-06-15T11:30:59","date_gmt":"2021-06-15T11:30:59","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4658"},"modified":"2021-08-03T20:39:04","modified_gmt":"2021-08-03T20:39:04","slug":"a-conversa-com-conceicao-matos-um-encontro-para-a-cidadania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/06\/15\/a-conversa-com-conceicao-matos-um-encontro-para-a-cidadania\/","title":{"rendered":"\u00c0 conversa com Concei\u00e7\u00e3o Matos. Um encontro para a cidadania"},"content":{"rendered":"\n<p>A escola que procuramos construir assume uma natureza democr\u00e1tica, inspirada por modelos socioconstrutivistas, em que o trabalho de constru\u00e7\u00e3o social \u00e9 reflexo de processos de participa\u00e7\u00e3o ativa no plano coletivo e individual. O trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no 2.\u00ba ciclo da Escola A Voz do Oper\u00e1rio da Gra\u00e7a, do ponto de vista organizacional e metodol\u00f3gico, enquadra-se no paradigma de uma escola para a cidadania, sendo os alunos convidados a participar democraticamente na tomada de decis\u00f5es sobre a sua vida na escola (as suas aprendizagens, os seus comportamentos, as suas atitudes&#8230;). Nas v\u00e1rias disciplinas \u00e9 valorizada e promovida a constru\u00e7\u00e3o cooperada das aprendizagens. <\/p>\n\n\n\n<p>Os percursos individuais dos alunos cruzam-se com o trabalho coletivo e ambos s\u00e3o amparados por estruturas assentes na entreajuda, na partilha e troca de saberes, no apoio ao outro, no estabelecimento de parcerias e no confronto de ideias. Vive-se um clima de negocia\u00e7\u00e3o permanente em que a competi\u00e7\u00e3o d\u00e1 lugar \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o e \u00e0 equidade. \u00c9 neste ambiente de di\u00e1logo permanente que procuramos ajudar os nossos alunos a tornarem-se cidad\u00e3os conscientes e conhecedores, capazes de refletir criticamente acerca de tudo o que os rodeia, a conseguir ver para al\u00e9m do que \u00e9 vis\u00edvel. Emergem, assim, fruto das viv\u00eancias e experi\u00eancias dos v\u00e1rios alunos, dos seus interesses, bem como dos programas das v\u00e1rias disciplinas, produ\u00e7\u00f5es de natureza variada como aquelas que partilharemos em seguida. <\/p>\n\n\n\n<p>A partir de um conjunto de trabalhos de projeto iniciados no 1.\u00ba per\u00edodo do presente ano letivo, relacionados com a igualdade de g\u00e9nero e a participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, surgiram v\u00e1rias propostas apresentadas por diferentes alunos: entrevistas, constru\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos e panfletos, visitas a museus. De entre as v\u00e1rias propostas, que vieram a concretizar-se na sua maioria, destaca-se a visita ao Museu do Aljube, a entrevista realizada \u00e0 dirigente do Movimento Democr\u00e1tico de Mulheres (MDM) Sandra Benfica, a entrevista ao deputado da Assembleia da Rep\u00fablica Duarte Alves e a entrevista \u00e0 antiga presa pol\u00edtica Concei\u00e7\u00e3o Matos, da qual falaremos mais pormenorizadamente. <\/p>\n\n\n\n<p>Em diferentes momentos de trabalho, organizados em pequeno grupo e\/ou em grande grupo, os alunos procuraram dar resposta \u00e0s suas inquieta\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da recolha de informa\u00e7\u00e3o, tratamento da mesma e respetiva comunica\u00e7\u00e3o dos resultados da investiga\u00e7\u00e3o aos restantes colegas. Foi, assim, decorrente das comunica\u00e7\u00f5es dos projetos anteriormente referidos (igualdade de g\u00e9nero e participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica) que os v\u00e1rios alunos ficaram despertos para a situa\u00e7\u00e3o das mulheres durante o per\u00edodo do Estado Novo e para as desigualdades e injusti\u00e7as socais a que, ainda hoje, muitas mulheres se encontram sujeitas.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma, e atrav\u00e9s de uma proposta apresentada no Di\u00e1rio de Turma de um dos grupos de alunos do 2.\u00ba Ciclo, posteriormente analisada e discutida em Conselho de Coopera\u00e7\u00e3o (reuni\u00e3o semanal durante a qual os alunos discutem sobre a vida do grupo), decidimos \u2013 alunos e professores \u2013 convidar uma mulher que tivesse vivido este per\u00edodo da nossa hist\u00f3ria contempor\u00e2nea e pudesse partilhar connosco as suas experi\u00eancias. Ao percebermos que a antifascista Concei\u00e7\u00e3o Matos seria a homenageada do presente ano na nossa institui\u00e7\u00e3o, decidimos convid\u00e1-la para uma conversa. <\/p>\n\n\n\n<p>Durante a prepara\u00e7\u00e3o do encontro emergiu um conjunto de quest\u00f5es que acab\u00e1mos por lhe apresentar, entre outras:&nbsp;<em>Em que ano foi presa? Por que motivo foi presa? Sofreu torturas? Qual foi a primeira sensa\u00e7\u00e3o quando percebeu que iria ser presa? Qual foi a parte mais traum\u00e1tica de estar presa? O que sentia quando estava presa? O que comia na pris\u00e3o? Esteve presa num curro?<\/em>. <\/p>\n\n\n\n<p>No dia do encontro com a convidada, os alunos, para al\u00e9m das quest\u00f5es que lhe colocaram, tiveram, ainda, a oportunidade de visualizar o document\u00e1rio \u201cA Cadeia dos Homens Bons\u201d e de testemunhar relatos impressionantes de antigos presos pol\u00edticos e do seu dia-a-dia numa pris\u00e3o do Estado Novo. Do encontro ficou um conjunto muito significativo de aprendizagens, que contribuiu de um modo \u00edmpar para a perpetua\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria coletiva de um dos per\u00edodos mais l\u00fagubres da hist\u00f3ria do nosso pa\u00eds. Testemunho disso s\u00e3o as palavras dos alunos:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstar preso era muito dif\u00edcil porque havia muitas torturas e n\u00e3o se podia ver os familiares. Eles [os presos] tinham uma grande cumplicidade. Usam o c\u00f3digo morse para comunicar entre si. Eram presos por tudo e por nada. Havia pessoas presas constantemente por terem opini\u00f5es diferentes das que eram supostas\u201d. (M\u00f3nica)<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAchei curioso as pessoas casarem na pris\u00e3o. Achei interessante a forma como as pessoas se entretinham a fazer pe\u00e7as de xadrez com p\u00e3o. Eles faziam riscos na parede para terem no\u00e7\u00e3o de h\u00e1 quanto tempo estavam l\u00e1\u201d. (Arthur)<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGost\u00e1mos de aprender como \u00e9 que os presos trocavam mensagens. Gost\u00e1mos de ouvir a Concei\u00e7\u00e3o a explicar como era dif\u00edcil a vida antigamente\u201d. (V\u00e1rios)<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s aprendemos v\u00e1rias coisas durante a entrevista, mas as mais marcantes foram a sua hist\u00f3ria de vida e o document\u00e1rio do seu marido que foi preso na antiga pris\u00e3o pol\u00edtica, hoje Museu do Aljube\u201d. (V\u00e1rios)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escola que procuramos construir assume uma natureza democr\u00e1tica, inspirada por modelos socioconstrutivistas, em que o trabalho de constru\u00e7\u00e3o social \u00e9 reflexo de processos de participa\u00e7\u00e3o ativa no plano coletivo e individual. O trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no 2.\u00ba ciclo da Escola A Voz do Oper\u00e1rio da Gra\u00e7a, do ponto de vista &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/06\/15\/a-conversa-com-conceicao-matos-um-encontro-para-a-cidadania\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">\u00c0 conversa com Concei\u00e7\u00e3o Matos. Um encontro para a cidadania<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":69,"featured_media":4662,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[165],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4658"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/69"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4658"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4658\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4896,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4658\/revisions\/4896"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4662"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4658"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=4658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}