{"id":4626,"date":"2021-06-04T14:21:30","date_gmt":"2021-06-04T14:21:30","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4626"},"modified":"2021-07-19T11:14:30","modified_gmt":"2021-07-19T11:14:30","slug":"faria-tudo-outra-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/06\/04\/faria-tudo-outra-vez\/","title":{"rendered":"\u201cFaria tudo outra vez\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Cresceu no Barreiro e come\u00e7ou a trabalhar imediatamente depois da quarta classe. O que fazia?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu morava no bairro oper\u00e1rio das Palmeiras. Comecei na costura. Sobretudo, as coisas mais simples e que davam \u00e0s aprendizes. Depois da quarta classe andei a ajudar pessoas que vendiam peixe a tomar nota das vendas. Mais tarde, trabalhei a espaldar corti\u00e7a, que \u00e9 um trabalho muito dif\u00edcil. Hoje deve ser feito com m\u00e1quinas mas naquela altura n\u00e3o. Tamb\u00e9m trabalhei seis meses na f\u00e1brica da CUF. A minha fam\u00edlia toda trabalhou ali.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E como \u00e9 que era trabalhar t\u00e3o cedo? As crian\u00e7as tinham no\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o deviam estar a trabalhar, que deviam antes estar a aprender, a brincar, a ser crian\u00e7as?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tive muita pena de n\u00e3o poder estudar, mas era impossivel e, portanto, tentava ajudar os meus pais. Claro, n\u00f3s brinc\u00e1vamos, a primeira boneca que tive fui eu que a fiz com trapos. Brincava com os outros mi\u00fados, mas \u00e9 verdade que havia algumas vizinhas que n\u00e3o trabalhavam porque os pais n\u00e3o passavam tantas dificuldades. A mim calhou-me assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro-me, por exemplo, de ser mi\u00fada e vivermos no centro do Barreiro. Havia um vizinho ao lado que era sapateiro, que nos dava restos de p\u00e3o, sobrava-lhe p\u00e3o que n\u00e3o comia e dava-nos. Quando fomos para as Palmeiras, eu atravessava o bairro todo, a ponte, para ir \u00e0 vila buscar os restos do p\u00e3o para a minha m\u00e3e depois fazer a\u00e7orda ou qualquer coisa porque t\u00ednhamos realmente muitas dificuldades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O seu irm\u00e3o foi preso quando tinha 18 anos. Porqu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p> <\/p>\n\n\n\n<p>Foi preso porque era do MUD Juvenil [Movimento de Unidade Democr\u00e1tica]. Foi preso muito novo, mas antes de ser preso eu comecei a querer participar e foi ele que acabou por me levar. Fui atr\u00e1s dele, foi a minha influ\u00eancia. \u00cdamos fazer pichagens nas paredes e distribuir propaganda. H\u00e1 uma hist\u00f3ria engra\u00e7ada. O meu irm\u00e3o \u00e9 mais velho do que eu dois anos. Ent\u00e3o o que \u00e9 que n\u00f3s faz\u00edamos? Junt\u00e1vamos pap\u00e9is muito pequenos e muito finos nos bolsos e t\u00ednhamos de ver onde parava a GNR porque andavam sempre a bater o Barreiro de dois em dois. Ent\u00e3o, sub\u00edamos de noite a uma ponte no Bairro das Palmeiras e v\u00edamos a GNR ao longe mas n\u00e3o nos conseguiam apanhar. Atir\u00e1vamos os pap\u00e9is mas eram tantos que era imposs\u00edvel apanharem todos. De manh\u00e3 os trabalhadores iam para a f\u00e1brica da CUF e a grande maioria passava por ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da pris\u00e3o do meu irm\u00e3o, a GNR assaltou a casa da minha m\u00e3e e encontraram uma carta no quarto da minha irm\u00e3. Levaram-na para o posto da GNR. Havia um posto dentro da CUF onde a PIDE fazia os interrogat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O meu irm\u00e3o foi preso duas vezes e esteve nessa condi\u00e7\u00e3o cerca de cinco anos. Preso duas vezes, como eu, e casou-se na pris\u00e3o do Aljube. Eu casei-me na pris\u00e3o de Peniche.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E como \u00e9 que entra para o PCP?<\/p>\n\n\n\n<p>O meu irm\u00e3o entrou para o partido na pris\u00e3o, atrav\u00e9s do Aboim Inglez [destacado dirigente do PCP]. Eles estavam juntos. O meu irm\u00e3o apanhou 18 meses de pris\u00e3o mas aplicaram-lhe as medidas de seguran\u00e7a e, portanto, esteve quatro anos e meio preso, dessa vez. Quando passou ao regime normal, estava com o Chico Miguel, o Jos\u00e9 Magro, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando ele sai, passei a ter uma atividade maior no partido mas, mesmo antes, j\u00e1 distribu\u00eda o Avante!. Depois, para al\u00e9m do Avante!, tinha encontros no cemit\u00e9rio, imensas tarefas, e como foi na altura da guerra colonial come\u00e7\u00e1mos a fazer pichagens nos muros, por exemplo, contra a reabertura do Tarrafal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Depois entra na clandestinidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, em 1963, j\u00e1 com o Domingos Abrantes. Fomos montar uma casa juntos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E j\u00e1 o conhecia?<\/p>\n\n\n\n<p>Quando ia ver o meu irm\u00e3o, vi o Domingos algumas vezes. Estiveram presos juntos. Muitas vezes eu estava com a fam\u00edlia dele c\u00e1 fora, mas n\u00e3o nos conhec\u00edamos. Lembro-me que antes disso tamb\u00e9m o tinha visto porque o Domingos tinha sido controleiro no MUD Juvenil e veio assistir a um jogo de futebol no Barreiro. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E quais foram as suas primeiras tarefas no partido?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu ainda estive um anos sem estar na clandestinidade. Tinha encontros e t\u00ednhamos sinais. Por exemplo, \u00e0s vezes eu tinha um peda\u00e7o de jornal e a outra pessoa tinha outro peda\u00e7o e juntavam-se as duas pe\u00e7as. Mas primeiro tinha de fazer uma pergunta disparatada como \u201conde \u00e9 que fica a rua n\u00e3o sei quantos?\u201d e eu tinha de dar uma resposta combinada. Depois, na clandestinidade fazia muitas coisas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Era preciso ter t\u00e9cnica, porque no fundo \u00e9 a arte do disfarce, estar preparado ante o imprevisto?<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, tinha de usar um nome falso. Fui Mar\u00edlia, Maria Helena, Benvinda. Fiz contratos de g\u00e1s e luz com um nome falso. E depois, fazia muitas coisas. Batia textos \u00e0 m\u00e1quina e vigiava, o que era fundamental. E at\u00e9 h\u00e1 uma hist\u00f3ria da vizinha do lado nos convidar para o casamento de um filho. Por acaso, fui eu que respondi e respondi logo \u201colhe, n\u00e3o podemos porque nesse dia precisamente faz anos o irm\u00e3o do meu marido e estamos comprometidos, temos mesmo que ir\u201d. Passado uns dias, pede-nos a mesa emprestada e as cadeiras e n\u00f3s fic\u00e1mos aflitos, porque eles n\u00e3o conheciam a casa, conheciam s\u00f3 a entrada que estava sempre arranjada. O resto da casa eram s\u00f3 coisas do ferro velho. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Foi presa numa casa no Montijo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, fui presa quando estava sozinha. O Domingos foi preso depois mas eu n\u00e3o sabia. S\u00f3 soube que tinha sido preso passado quase dois meses. Eu estava em casa e eram quatro e trinta da madrugada. Bateram \u00e0 porta e eu n\u00e3o abri. O Domingos chegava nessa noite. Estava h\u00e1 uma semana fora de casa j\u00e1, e eu tinha os pap\u00e9is comigo no quarto para queimar, para o caso de alguma eventualidade, juntamente com uma caixa de f\u00f3sforos e um frasco de \u00e1lcool. N\u00e3o abri a porta, despejei o \u00e1lcool sobre os pap\u00e9is e queimei-os.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles arrombaram a porta com um p\u00e9 de cabra e entraram aos gritos: \u201cm\u00e3os ao ar, m\u00e3os ao ar\u201d. Encostaram-me pistolas no peito e amea\u00e7aram-me de morte. Eram uns quantos GNR e uma brigada de pides. Come\u00e7aram a perguntar \u201conde \u00e9 que est\u00e1 o gajo? quem \u00e9 que fez isto?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Foi interrogada e torturada. Como \u00e9 que olha, hoje, para as for\u00e7as da extrema direita que tentam reabilitar o regime fascista?<\/p>\n\n\n\n<p>Com muita apreens\u00e3o porque se me perguntar se valeu a pena lutar, se valeram os sacrif\u00edcios, sem d\u00favida. Como \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel esta gente poder fazer isto? Acho que \u00e9 uma afronta muito grande contra toda esta gente que lutou. Por isso \u00e9 que eu acho que \u00e9 muito importante ir \u00e0s escolas. Estas novas gera\u00e7\u00f5es precisam mesmo de saber para poderem lutar e para poderem defender essa liberdade que foi conquistada com tanto sacrif\u00edcio, tantos mortos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A Concei\u00e7\u00e3o e o Domingos casaram-se na pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, em Peniche. Eles sabiam que n\u00f3s viv\u00edamos juntos mas nunca pudemos trocar correspond\u00eancia. O Domingos estava no mesmo processo que eu e fui a julgamento e n\u00e3o o trouxeram. N\u00e3o o podia ver. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Considera que, no fundo, o vosso amor \u00e9 \u00e0 prova de pris\u00f5es, \u00e0 prova de grades?<\/p>\n\n\n\n<p>Exatamente, eu acho que isso ajudou a cimentar a nossa rela\u00e7\u00e3o, essa experi\u00eancia dura que vivemos, a confian\u00e7a que ele tinha em mim e a confian\u00e7a que eu tinha nele. Pass\u00e1mos por coisas muito complicadas e conseguimos, com a luta, superar montes delas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Do outro lado de fora da pris\u00e3o, tamb\u00e9m fiz parte da Comiss\u00e3o Nacional de Socorro aos Presos Pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, denunci\u00e1vamos a situa\u00e7\u00e3o que viviam os presos e ajud\u00e1vamos as fam\u00edlias dos presos. Do lado de fora, tamb\u00e9m estive na primeira reuni\u00e3o do Movimento Democr\u00e1tico de Mulheres, pouco antes de ser presa pela segunda vez. Quando sa\u00ed, dois meses depois, soube pelo taxista que era Marcelo e n\u00e3o Salazar que estava \u00e0 frente do regime. A queda da cadeira tinha sido durante a minha pris\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Houve alguma coisa que a tenha surpreendido, algum gesto de solidariedade em tempos de chumbo?<\/p>\n\n\n\n<p>Quando foi o julgamento da casa do Montijo, a minha m\u00e3e contou-me que o senhorio nos foi defender. A PIDE p\u00f4-lo como testemunha de acusa\u00e7\u00e3o e ele afirmou que t\u00ednhamos sido os melhores inquilinos que tinha tido. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Depois da segunda pris\u00e3o, foi com o Domingos para Paris.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos que \u00edamos para Paris, s\u00f3 soubemos na altura, em 1973. O Partido decidiu que dessa vez n\u00e3o fic\u00e1vamos c\u00e1 e fomos para Paris, mas na clandestinidade \u00e0 mesma. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E como soube do 25 de Abril?<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha um encontro com um camarada que come\u00e7ou a gritar \u201cMaria, Maria, caiu o Marcelo!\u201d E eu fiquei, \u201cmas ent\u00e3o o outro caiu, agora cai este?\u201d Ele respondeu-me que havia uma grande confus\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o trat\u00e1mos do que t\u00ednhamos a tratar e fui comprar um gravador para registar tudo o que estava a dar para o Domingos estar a par de tudo aquilo quando chegasse. Depois come\u00e7o a ouvir o Zeca Afonso\u2026 <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Que lhe tinha dedicado uma can\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, foi durante a minha segunda pris\u00e3o. Eu conhecia muito bem o Zeca, \u00e9ramos amigos. Ele ia a casa de pessoas l\u00e1 do Barreiro, por exemplo, do Daniel Cabrita, do meu irm\u00e3o, e, portanto, torn\u00e1mo-nos muito amigos. Quando sa\u00ed da pris\u00e3o, ofereceu-me a letra e foi a\u00ed que soube que tinha feito a can\u00e7\u00e3o [Na Rua Ant\u00f3nio Maria]. Depois dedicou uma can\u00e7\u00e3o ao meu irm\u00e3o [Por tr\u00e1s daquela janela], tamb\u00e9m na segunda pris\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Dias depois do 25 de Abril, voc\u00eas regressam a Lisboa com \u00c1lvaro Cunhal.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s est\u00e1vamos num ponto de apoio nos arredores de Paris e veio um camarada dizer-nos que \u00edamos acompanhar o \u00c1lvaro e assistir ao 1.\u00ba de Maio. O \u00c1lvaro vinha no meio dos dois e no avi\u00e3o ia o Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, o Lu\u00eds C\u00edlia. Foi uma grande festa. Muita alegria e muitas can\u00e7\u00f5es durante a viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha sido anunciado que o \u00c1lvaro ia chegar e quando cheg\u00e1mos havia uma multid\u00e3o \u00e0 nossa espera. Ainda hoje n\u00e3o esque\u00e7o, falamos tantas vezes nisso, aquela alegria, aquele povo. Foi um dos dias mais felizes da minha vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Sentiu, naquele dia, que tinham valido todos os sacrif\u00edcios?<\/p>\n\n\n\n<p>Todos. Uma coisa fant\u00e1stica ver aquele povo. Veio o Jaime Neves receber o \u00c1lvaro Cunhal e levaram-no para uma sala onde estava o M\u00e1rio Soares. Nessa altura, eu estava num carro com camaradas e vejo passar a minha cunhada, a mulher do meu irm\u00e3o. Estavam ali todos. Quando ela me v\u00ea, desata a correr e at\u00e9 fiquei com medo que lhe fosse dar alguma coisa. Foi uma grande surpresa. N\u00f3s est\u00e1vamos na clandestinidade, n\u00e3o sabiam onde and\u00e1vamos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E como foi viver o processo revolucion\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, fomos para a Ant\u00f3nio Serpa, que foi a primeira sede do partido depois do 25 de Abril, e t\u00ednhamos muito trabalho. Cheg\u00e1mos a comprar uma cama daquelas que se fecham porque havia dias em que n\u00e3o consegu\u00edamos ir a casa. Foi um per\u00edodo de muito trabalho. As inscri\u00e7\u00f5es no partido eram muitas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\"> <br>O PCP faz cem anos e a Concei\u00e7\u00e3o viveu uma boa parte dessa hist\u00f3ria. Como \u00e9 que olha para o presente? <\/p>\n\n\n\n<p> <br>O Partido tem futuro, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida. Eu costumo dizer que sou do Partido h\u00e1 muitos anos e hei de continuar at\u00e9 morrer, porque o Partido continua partido de luta, um partido que est\u00e1 \u00e0 altura de defender o projeto que tem, a luta pelos direitos dos trabalhadores, o direito das mulheres, o direito ao trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\"> <br>E o que significa esta homenagem d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio?  <\/p>\n\n\n\n<p> <br>Ao princ\u00edpio, custou-me a aceitar porque acho que h\u00e1 tanta gente para al\u00e9m de mim. Mas a verdade \u00e9 que tamb\u00e9m era indelicado da minha parte dizer que n\u00e3o, significa muito, tenho orgulho em ter sido resistente. Agrade\u00e7o muito \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio por se ter lembrado de mim por ser resistente, porque h\u00e1 muita gente que podia estar no meu lugar, que podia ser condecorada. Houve homens e mulheres que lutaram a vida inteira, muitos nem viram o que n\u00f3s vimos, o 25 de Abril. A Voz faz um excelente trabalho com as escolas. No fundo, luta contra o fascismo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Hoje, quando olha para tr\u00e1s, para a sua vida, acha que valeu a pena todo o esfor\u00e7o e todos os sacrif\u00edcios?<\/p>\n\n\n\n<p> <br>Sim, e digo-lhe mais. Pensando na vida que tivemos, qualquer um de n\u00f3s, se tivesse de voltar atr\u00e1s, percorrer\u00edamos o mesmo caminho, sem qualquer d\u00favida. <br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cresceu numa fam\u00edlia oper\u00e1ria e cedo aderiu \u00e0 luta contra o regime fascista. Na clandestinidade, foi uma das muitas que desafiaram a repress\u00e3o nos subterr\u00e2neos da liberdade. Foi Mar\u00edlia, Maria Helena e Benvinda. Passou pela pris\u00e3o duas vezes, foi interrogada pela PIDE e torturada. \u00c9 por esta trajet\u00f3ria de vida que A Voz do Oper\u00e1rio decidiu homenagear Concei\u00e7\u00e3o Matos.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":4629,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4626"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4626"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4626\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4831,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4626\/revisions\/4831"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4629"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4626"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4626"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4626"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=4626"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}