{"id":4606,"date":"2021-05-12T11:01:28","date_gmt":"2021-05-12T11:01:28","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4606"},"modified":"2021-05-12T11:01:29","modified_gmt":"2021-05-12T11:01:29","slug":"um-ano-depois-e-mais-dificil-imaginar-o-fim-da-precariedade-do-que-o-fim-da-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/05\/12\/um-ano-depois-e-mais-dificil-imaginar-o-fim-da-precariedade-do-que-o-fim-da-cultura\/","title":{"rendered":"Um ano depois \u00e9 mais dif\u00edcil imaginar o fim da precariedade do que o fim da cultura"},"content":{"rendered":"\n<p>Mais de um ano depois do in\u00edcio da pandemia provocada pela Covid-19, a atividade cultural volta a abrir. Poucos setores foram t\u00e3o severamente prejudicados por uma paragem prolongada pela incapacidade de resposta governamental, pelas hesita\u00e7\u00f5es incompetentes do Minist\u00e9rio da Cultura e, sobretudo, pela relativiza\u00e7\u00e3o do papel da Cultura na vida dos cidad\u00e3os e das comunidades.A ideia do perigo de abrir a atividade cultural suplantou a de que a Cultura \u00e9 um bem-essencial. Assim, encerrar uma sala de espet\u00e1culos ou um museu tornou-se mais importante como medida preventiva, do que buscar r\u00e1pida, ativa e empenhadamente uma estrat\u00e9gia s\u00e9ria para a aquisi\u00e7\u00e3o de materiais de prote\u00e7\u00e3o e refor\u00e7o de pessoal capaz de assegurar o cumprimento de medidas de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco antes do ver\u00e3o de 2020, o governo portugu\u00eas preferiu responder ao medo dos promotores privados de espet\u00e1culos, que manifestaram mais preocupa\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, de lucro cessante, do que preocupa\u00e7\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o da atividade, com o devido refor\u00e7o de recursos, reclamados pelos trabalhadores da cultura. O neg\u00f3cio do entretenimento teve mais peso nas decis\u00f5es do governo do que a necessidade de garantir o acesso de todos a um conjunto de atividades essenciais para a sua forma\u00e7\u00e3o e para a sua emancipa\u00e7\u00e3o, agravando o fosso da desigualdade social. Se para uma parte da popula\u00e7\u00e3o a aus\u00eancia de atividade cultural poderia ser substitu\u00edda por entretenimento caseiro, para outra parte, bem significativa, isso traduziu-se em ficar sem qualquer acesso \u00e0s artes e espet\u00e1culos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para disfar\u00e7ar esta pol\u00edtica de desvaloriza\u00e7\u00e3o da cultura enquanto bem-essencial, o governo, atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio da Cultura, decidiu criar tardiamente um conjunto de mecanismos de apoio aos trabalhadores da cultura, que se revelou manifestamente insuficiente, acabando at\u00e9 por n\u00e3o abranger todos os que se viram privados de exercer a sua atividade e trabalho e, por conseguinte, de ter os m\u00ednimos meios de sobreviv\u00eancia. Pressionado por sindicatos e associa\u00e7\u00f5es do setor cultural, o governo viu-se obrigado a acelerar a aprova\u00e7\u00e3o do Estatuto do Trabalhador da Cultura, que chegou no final deste m\u00eas de Abril, precisamente um ano depois do primeiro encerramento de salas de espet\u00e1culos, museus e outras iniciativas culturais por todo o territ\u00f3rio nacional. Apesar da demora, a Ministra Gra\u00e7a Fonseca, admite que este ainda poder\u00e1 vir a sofrer altera\u00e7\u00f5es. Este estatuto aparece ensombrado pela sua extemporaneidade e pela sua precariedade. Vem muito tarde e n\u00e3o vem bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas pr\u00f3ximas semanas iremos perceber o verdadeiro impacto que a suspens\u00e3o do acesso e do trabalho na cultura teve no setor; quantos t\u00e9cnicos e artistas resistiram a um ano de paragem e estar\u00e3o prontos para retomar a sua atividade. Mas, a totalidade do impacto que a perda de acesso \u00e0 cultura teve no plano das desigualdades, s\u00f3 o conheceremos mais \u00e0 frente, sabendo, com toda a certeza, que a escassez de um bem-essencial \u00e9 determinante na capacidade que temos para tomar decis\u00f5es e para o n\u00famero de escolhas que poderemos fazer para a satisfa\u00e7\u00e3o da nossa realiza\u00e7\u00e3o individual e coletiva. E que importante teria sido que nada disto tivesse sido ignorado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de um ano depois do in\u00edcio da pandemia provocada pela Covid-19, a atividade cultural volta a abrir. 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