{"id":4575,"date":"2021-05-06T22:02:17","date_gmt":"2021-05-06T22:02:17","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4575"},"modified":"2021-06-15T11:30:58","modified_gmt":"2021-06-15T11:30:58","slug":"mocambique-paz-e-soberania%ef%bb%bf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/05\/06\/mocambique-paz-e-soberania%ef%bb%bf\/","title":{"rendered":"Mo\u00e7ambique, paz e soberania\ufeff"},"content":{"rendered":"\n<p>O b\u00e1rbaro ataque \u00e0 vila de Palma, em 24 de Mar\u00e7o, demonstra \u00aba dimens\u00e3o do desafio que o pa\u00eds enfrenta na luta contra o terrorismo internacional\u00bb, afirma o presidente da Rep\u00fablica de Mo\u00e7ambique, Filipe Nyusi.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos focos de instabilidade causados pela viol\u00eancia armada em algumas zonas da prov\u00edncia setentrional de Cabo Delgado, o dirigente considera que Mo\u00e7ambique \u00abgoza de estabilidade e as institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o a funcionar normalmente\u00bb.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Intervindo, em finais de Abril, em Maputo, numa confer\u00eancia virtual dos chefes de Estado do F\u00f3rum dos Pa\u00edses de L\u00edngua Oficial Portuguesa (PALOP), Nyusi agradeceu, em nome dos mo\u00e7ambicanos, \u00abo apoio, a assist\u00eancia humanit\u00e1ria e a solidariedade que o pa\u00eds tem vindo a receber dos parceiros internacionais\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m presidente da FRELIMO (Frente de Liberta\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique), o partido da independ\u00eancia, Nyusi j\u00e1 anteriormente, num discurso p\u00fablico, explicara o que se tinha passado em Palma: \u00abOs terroristas irromperam pela vila sede do distrito de Palma com disparos, abrindo fogo contra alvos civis, alguns dos quais bem seleccionados. Mataram brutalmente, com absoluto desprezo pela vida humana, dezenas de pessoas inocentes que trabalhavam de forma her\u00f3ica para o bem-estar das suas fam\u00edlias, outras dezenas de pessoas sofreram ferimentos entre graves e ligeiros.\u00bb Acentuara que a \u00abnatureza brutal da ac\u00e7\u00e3o dos terroristas n\u00e3o conhece limites\u00bb, com os seus ataques contra popula\u00e7\u00f5es indefesas, incluindo crian\u00e7as. E falara do drama dos deslocados: \u00abPara fugir da morte, fam\u00edlias inteiras lan\u00e7aram-se pelo mato, com os seus filhos menores, percorrendo longas viagens, cuja \u00fanica certeza era o medo, a sede e a fome. Para fugirem a tamanha crueldade dos terroristas, estas pessoas sobreviveram numa condi\u00e7\u00e3o que nenhum de n\u00f3s pode imaginar. N\u00e3o pode existir barbaridade maior, n\u00e3o \u00e9 conceb\u00edvel crime maior contra a vida e os direitos humanos\u00bb, do que os ataques terroristas contra as popula\u00e7\u00f5es dos distritos da zona norte de Cabo Delgado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nyusi n\u00e3o duvida que as ac\u00e7\u00f5es de terror em Cabo Delgado visam \u00abintimidar\u00bb as popula\u00e7\u00f5es. Mais do que ocupar um espa\u00e7o geogr\u00e1fico, \u00abos terroristas querem ocupar a nossa alma, roubando a esperan\u00e7a e semeando a disc\u00f3rdia\u00bb. Avisa que \u00abn\u00e3o escolhemos esta guerra, ela foi-nos imposta\u00bb e que, por isso, \u00abn\u00e3o temos outra op\u00e7\u00e3o se n\u00e3o trabalhar com determina\u00e7\u00e3o para restaurar a ordem e tranquilidade p\u00fablicas nos distritos afectados.\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 pela muita aten\u00e7\u00e3o que o caso mereceu no plano internacional, o presidente mo\u00e7ambicano relembrou tamb\u00e9m que a capital do distrito de Palma e a pen\u00ednsula adjacente de Afungi ficam nas proximidades das jazidas de g\u00e1s natural e que \u00e9 nessa regi\u00e3o que se est\u00e3o a lan\u00e7ar as bases para explora\u00e7\u00e3o desse recurso t\u00e3o importante para a economia mo\u00e7ambicana. A vila serve de base para \u00e0s obras de constru\u00e7\u00e3o e fornece apoio log\u00edstico aos trabalhos em curso em Afungi. Palma registou, nos \u00faltimos anos, uma r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o em termos de infra-estruturas, que incluem hot\u00e9is, bancos e empresas de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. A pen\u00ednsula de Afungi est\u00e1, igualmente, a ser objecto de constru\u00e7\u00f5es diversas como acampamentos e zonas residenciais com as estradas de acesso e um aer\u00f3dromo aut\u00f3nomo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos projectos de explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural&nbsp;<em>offshore<\/em>&nbsp;na costa mo\u00e7ambicana \u00e9 liderado pela multinacional francesa Total, estando o in\u00edcio de produ\u00e7\u00e3o previsto para 2024. A companhia, devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a na zona, depois do ataque a Palma, decidiu suspender as suas actividades.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desenvolvimento soberano<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ignorando causas econ\u00f3micas, sociais, culturais ou religiosas apontadas por numerosos estudos efectuados, restam poucas d\u00favidas de que o principal objectivo dos ataques terroristas no nordeste de Cabo Delgado \u00e9 o de impedir o arranque da explora\u00e7\u00e3o do g\u00e1s natural, cujas receitas poder\u00e3o ser um contributo importante para o desenvolvimento de Mo\u00e7ambique.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a par do aux\u00edlio humanit\u00e1rio imediato aos mais de 700 mil deslocados na regi\u00e3o, provocados desde 2017 pelo terrorismo, coloca-se de forma premente a quest\u00e3o da resposta militar mo\u00e7ambicana aos ataques, de forma a garantir a seguran\u00e7a das popula\u00e7\u00f5es e a retoma das actividades econ\u00f3micas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sofrendo grandes press\u00f5es no sentido de aceitar \u00abajudas\u00bb militares de diversas latitudes, o Governo de Maputo j\u00e1 avisou \u2013 pela voz do presidente da Rep\u00fablica \u2013 que \u00abos que chegarem de fora n\u00e3o vir\u00e3o para nos substituir, vir\u00e3o para nos apoiar, n\u00e3o se trata de um discurso vazio, trata-se de sentido de soberania, trata-se de saber que nenhuma guerra \u00e9 vencida se n\u00e3o for clara desde o in\u00edcio\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m o secret\u00e1rio-geral da FRELIMO, Roque Silva, admitiu o apoio militar estrangeiro nas \u00e1reas da forma\u00e7\u00e3o e log\u00edstica mas sem tropas no terreno. Em declara\u00e7\u00f5es aos jornalistas, em 20 de Abril, no final de uma visita a Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, o respons\u00e1vel partid\u00e1rio deu o exemplo do Afeganist\u00e3o, onde apesar da presen\u00e7a de tropas estrangeiras, \u00abamericanas e outras\u00bb, a guerra \u00abn\u00e3o termina\u00bb. Lembrou a L\u00edbia e enfatizou que, mesmo em Mo\u00e7ambique, \u00abdurante a guerra que nos foi movida pela Renamo, tivemos aqui tropas zimbabueanas e tanzanianas e n\u00e3o foram essas tropas que acabaram com a guerra\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Mo\u00e7ambique tem, pois, procurado encontrar solu\u00e7\u00f5es sobretudo no quadro da Comunidade de Desenvolvimento da \u00c1frica Austral (SADC), privilegiando a melhoria da prepara\u00e7\u00e3o dos seus militares e o refor\u00e7o e a moderniza\u00e7\u00e3o do armamento e da log\u00edstica das suas For\u00e7as de Defesa e Seguran\u00e7a, de modo a derrotar o terrorismo e a criar condi\u00e7\u00f5es para, em paz, prosseguir o desenvolvimento soberano do pa\u00eds, em benef\u00edcio de todo o povo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, tem havido reuni\u00f5es e dilig\u00eancias diversas, ao mais alto n\u00edvel, entre Mo\u00e7ambique e os seus principais parceiros regionais \u2013 \u00c1frica do Sul, Zimbabwe, Botswana, Tanz\u00e2nia, Malawi, entre outros pa\u00edses \u2013, preocupados com a possibilidade do alastrar do terrorismo pela \u00c1frica Austral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O b\u00e1rbaro ataque \u00e0 vila de Palma, em 24 de Mar\u00e7o, demonstra \u00aba dimens\u00e3o do desafio que o pa\u00eds enfrenta na luta contra o terrorismo internacional\u00bb, afirma o presidente da Rep\u00fablica de Mo\u00e7ambique, Filipe Nyusi. 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