{"id":4524,"date":"2021-05-03T11:39:25","date_gmt":"2021-05-03T11:39:25","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4524"},"modified":"2021-06-04T10:28:26","modified_gmt":"2021-06-04T10:28:26","slug":"o-companheiro-vasco-nasceu-ha-cem-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/05\/03\/o-companheiro-vasco-nasceu-ha-cem-anos\/","title":{"rendered":"O &#8220;companheiro Vasco&#8221; nasceu h\u00e1 cem anos"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Largos dias t\u00eam cem anos. Tantos quanto os que passam desde que nasceu Vasco Gon\u00e7alves. Foi h\u00e1 quase 47 anos que pela primeira e \u00fanica vez, at\u00e9 \u00e0 data, os portugueses apelidaram um primeiro-ministro de companheiro para serem a sua muralha de a\u00e7o. Com o general \u00e0 frente do governo, a revolu\u00e7\u00e3o viu o aprofundamento do processo e das conquistas sociais.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o 11h45 e ouvem-se explos\u00f5es junto ao Aeroporto de Lisboa. Dois avi\u00f5es e quatro helic\u00f3pteros atacam o Regimento de Artilharia Ligeira (RAL1) com rajadas sucessivas. A trabalhar ali perto, uma mulher agarra no telefone e liga para a cunhada: \u201cEst\u00e3o a bombardear o RAL1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Do outro lado da chamada est\u00e1 Margarida Lucas, assessora do chefe do governo. Estamos em 11 de mar\u00e7o de 1975 e o primeiro-ministro \u00e9 o general Vasco Gon\u00e7alves. Mal pousa o telefone no descanso, Margarida bate \u00e0 porta e interrompa reuni\u00e3o do gabinete para dar a not\u00edcia. Alguns dos presentes desatam a correr escadas abaixo e o comandante Henrique Mendon\u00e7a trata de garantir a seguran\u00e7a do primeiro-ministro.<br><br>Passa exatamente um ano e meio do golpe fascista que levou \u00e0 morte do presidente Salvador Allende e que esmagou a experi\u00eancia progressista que durava h\u00e1 mil dias no Chile. Com apenas 32 anos, o jovem comandante n\u00e3o est\u00e1 disposto a deixar que Vasco Gon\u00e7alves tenha o mesmo destino que o l\u00edder socialista chileno. Com outros membros do gabinete do primeiro-ministro, introduzem o chefe do governo numa viatura rumo ao ponto combinado em caso de situa\u00e7\u00f5es graves. Margarida Lucas, David Lopes Ramos, assessor de imprensa, e um funcion\u00e1rio que servia \u00e1guas e caf\u00e9s nas reuni\u00f5es ficaram no Pal\u00e1cio de S\u00e3o Bento, cada um com a sua metralhadora \u00e0 janela enquanto esperavam o pior.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s t\u00ednhamos um lugar previamente combinado que era a base naval do Alfeite, em Almada. Isso foi visto entre v\u00e1rios camaradas. N\u00e3o pod\u00edamos deixar que este homem se transformasse num novo Allende\u201d, recorda Henrique Mendon\u00e7a. Considerada um basti\u00e3o de esquerda, a Marinha albergava muitos oficiais de confian\u00e7a capazes de executar o plano de extrair o primeiro-ministro revolucion\u00e1rio atrav\u00e9s de um submarino. Quase meio s\u00e9culo depois, o antigo membro do gabinete de Vasco Gon\u00e7alves recorda que o condutor p\u00f4s o p\u00e9 no acelerador e arrancou a toda a velocidade. \u201cEra o motorista do Marcelo Caetano mas era muito bom\u201d.<br><br>Este foi apenas mais um dos muitos epis\u00f3dios tensos de um processo revolucion\u00e1rio que foi constantemente torpedeado com Vasco Gon\u00e7alves \u00e0 cabe\u00e7a. \u201cO general tinha sempre muita calma e<br> discernimento. Em todos os momentos dif\u00edceis soube encarar tudo com tranquilidade. Nunca o vi tomar nenhuma atitude precipitada\u201d, lembra Henrique Mendon\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o golpe \u00e9 derrotado. Nessa mesma tarde, a Emissora Nacional transmite o primeiro comunicado do gabinete de Vasco Gon\u00e7alves: \u201cA alian\u00e7a entre o povo e as for\u00e7as armadas demonstrar\u00e1, agora como sempre, que a revolu\u00e7\u00e3o do PREC \u00e9 irrevers\u00edvel\u201d. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Abrir as portas da banca ao povo<br><\/h2>\n\n\n\n<p>O car\u00e1ter revolucion\u00e1rio do processo aprofunda-se e enquanto Sp\u00ednola foge para a Espanha franquista, a partir donde passar\u00e1 a ordenar atentados contra militantes e sedes de esquerda, uma das viaturas do gabinete do primeiro-ministro arranca a toda a velocidade com o primeiro tenente oficial da Marinha, Ros\u00e1rio Dias, porque h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es de que a fam\u00edlia Esp\u00edrito Santo quer abandonar o pa\u00eds e cometer sabotagem econ\u00f3mica com os bancos que det\u00eam. \u00c9 o pr\u00f3logo de uma das mais importantes decis\u00f5es do governo de Vasco Gon\u00e7alves: a nacionaliza\u00e7\u00e3o da banca. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLevou um dos carros do gabinete que tinha o porta-bagagens cheio de armas e granadas com o objetivo de dar apoio militar \u00e0 deten\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios banqueiros com a participa\u00e7\u00e3o de membros do sindicato\u201d, descreve Henrique Mendon\u00e7a. \u00c9 o corol\u00e1rio de d\u00e9cadas em que os propriet\u00e1rios dos bancos foram c\u00famplices das pol\u00edticas de Salazar e Marcelo Caetano enquanto o pa\u00eds morria de fome. Vasco Gon\u00e7alves, filho de Victor Gon\u00e7alves, conservador e administrador de uma casa de c\u00e2mbios, abria as pesadas portas met\u00e1licas das caixas fortes aos trabalhadores e ao povo. <\/p>\n\n\n\n<p>No dia 14 de mar\u00e7o, o governo anuncia a nacionaliza\u00e7\u00e3o da banca. Em entrevista ao Jornal de Not\u00edcias, o ent\u00e3o primeiro-ministro declara que \u00e9 um dia hist\u00f3rico. \u201cO 14 de mar\u00e7o fica gravado na hist\u00f3ria do nosso povo como uma data que corresponde a um passo muito importante dado na sua liberta\u00e7\u00e3o, na via do progresso, na via do pa\u00eds dominar os seus pr\u00f3prio recursos\u201d. Questionado sobre o significado desta medida para o povo, responde que significa que \u201co dinheiro desse mesmo povo, depositado nos bancos, vai deixar de servir para especula\u00e7\u00f5es fraudulentas de uma minoria privilegiada, para opera\u00e7\u00f5es n\u00e3o em benef\u00edcio de um grupo minorit\u00e1rio, opera\u00e7\u00f5es essas feitas sobretudo dentro dos seus pr\u00f3prios interesses\u201d. Vasco Gon\u00e7alves defende que esta decis\u00e3o \u201cvai passar a servir as verdadeiras necessidades do povo, no desenvolvimento da agricultura, da ind\u00fastria, do com\u00e9rcio interno e externo\u201d e que o Estado passar a poder \u201corientar a pol\u00edtica de cr\u00e9dito\u201d e de a orientar \u201cpara aqueles setores onde ele \u00e9 mais necess\u00e1rio, para o desenvolvimento global do nosso pa\u00eds\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Carvalho era, ent\u00e3o, membro da executiva da Intersindical e tinha a responsabilidade na futura CGTP do setor econ\u00f3mico e das empresas que tinham sido nacionalizadas. Dias depois, visitou o primeiro-ministro em S\u00e3o Bento com uma delega\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais para saudar a decis\u00e3o. \u201cO Vasco Gon\u00e7alves tinha excelentes rela\u00e7\u00f5es com a Intersindical. Tinha um trato muito f\u00e1cil. Ligava-nos frequentemente. Era extraordin\u00e1ria a empatia que se estabelecia com um primeiro-ministro\u201d, afirma. <br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A batalha da produ\u00e7\u00e3o <\/h2>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no 1.\u00ba de Maio de 1975, Vasco Gon\u00e7alves discursa perante centenas de milhares de trabalhadores e aponta caminhos. \u201cQuem \u00e9 o nosso inimigo principal? O nosso inimigo principal \u00e9 o fascismo e a rea\u00e7\u00e3o. Mas, no fundo, temos de discernir, neste momento, quais as brechas, por onde eles podem penetrar. Est\u00e1 em causa, fundamentalmente, a nossa estrutura econ\u00f3mica. Ela est\u00e1 doente, doen\u00e7a que j\u00e1 vem do tempo do fascismo\u201d, explica. Afirma que o estado da economia se agravou devido \u00e0 \u201csabotagem econ\u00f3mica, \u00e0 crise do capitalismo e tamb\u00e9m ao pr\u00f3prio desenvolvimento do processo revolucion\u00e1rio\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>A crise econ\u00f3mica \u00e9, ent\u00e3o, \u201co obst\u00e1culo fundamental a vencer\u201d. Com a no\u00e7\u00e3o de que o tempo para superar esse muro \u00e9 limitado, apela ao esfor\u00e7o da classe trabalhadora para superar esta crise. \u201cOu recuperamos por n\u00f3s pr\u00f3prios, com o nosso esfor\u00e7o, ou comprometeremos gravemente a marcha do nosso processo revolucion\u00e1rio, o futuro da nossa P\u00e1tria. Estariam \u00e0 vista o regresso do fascismo, a depend\u00eancia econ\u00f3mica, a perda das liberdades\u201d. E apela \u00e0 batalha da produ\u00e7\u00e3o. \u201cA nossa luta \u00e9 decisiva. Apelo, aqui a todos os trabalhadores, a todos os patriotas, para que se lancem na batalha da produ\u00e7\u00e3o, de cuja vit\u00f3ria depende o futuro da revolu\u00e7\u00e3o. A batalha da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 uma etapa necess\u00e1ria para vencer a crise econ\u00f3mica e criar condi\u00e7\u00f5es para o futuro desenvolvimento da economia, numa via para o socialismo\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>A nacionaliza\u00e7\u00e3o da banca e de outros setores estrat\u00e9gicos da economia teve como consequ\u00eancia a interven\u00e7\u00e3o do Estado em milhares de empresas que estavam nas m\u00e3os do setor financeiro. Uma delas foi a Sociedades Reunidas de Fabrica\u00e7\u00f5es Met\u00e1licas que ficaria para a hist\u00f3ria com o acr\u00f3nimo Sorefame. Situada na Amadora, era especializada na produ\u00e7\u00e3o de componentes el\u00e9tricos e mec\u00e2nicos pesados. Tornou-se no mais importante construtor de material circulante ferrovi\u00e1rio e ainda hoje boa parte das carruagens da CP e do metro de Lisboa carrega a hist\u00f3rica sigla. <\/p>\n\n\n\n<p>Uma quinzena depois, a 16 de maio, <a href=\"https:\/\/arquivos.rtp.pt\/conteudos\/vasco-goncalves-na-sorefame\/\">Vasco Gon\u00e7alves chega \u00e0 Amadora<\/a> para participar num plen\u00e1rio de trabalhadores a convite dos oper\u00e1rios. Ali, um jovem sindicalista que muitos anos mais tarde estaria \u00e0 frente das lutas contra o encerramento da empresa j\u00e1 privatizada, assistiu \u00e0 recep\u00e7\u00e3o entusiasta ao primeiro-ministro. Depois de falarem os representantes dos trabalhadores, falou Vasco Gon\u00e7alves: \u201cQue mais posso eu vir aqui dizer, do que aquilo que vos disseram os vossos camaradas? Viemos aqui aprender convosco. Isto n\u00e3o s\u00e3o frases liter\u00e1rias o que eu estou aqui a dizer, mas isto \u00e9 de facto a voz da nossa consci\u00eancia e do nosso cora\u00e7\u00e3o. V\u00f3s tendes na m\u00e3o, v\u00f3s e os outros trabalhadores e aqueles que est\u00e3o de facto interessados em construir um Portugal democr\u00e1tico, um Portugal que aponte para o socialismo; v\u00f3s tendes na m\u00e3o o futuro da nossa p\u00e1tria. O futuro da nossa p\u00e1tria sois v\u00f3s, v\u00f3s sois a nossa p\u00e1tria\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nio Tremo\u00e7o recorda o empenho de Vasco Gon\u00e7alves em refor\u00e7ar a necessidade de dar for\u00e7a \u00e0 batalha da produ\u00e7\u00e3o. \u201cFalava em aumentar a produ\u00e7\u00e3o e n\u00f3s at\u00e9 fizemos horas gratuitas cuja verba depois reverteu para organiza\u00e7\u00f5es sociais\u201d, descreve. \u201cNecessitamos de realismo econ\u00f3mico. Os trabalhadores da Sorefame t\u00eam compreendido estas necessidades, e o seu n\u00edvel de consci\u00eancia pol\u00edtica permite-lhes superar as dificuldades apontadas. \u00c9 preciso que o seu exemplo, tal como outros exemplos existentes, alastrem a todo o pa\u00eds\u201d, apelou o primeiro-ministro. \u201cFoi inesquec\u00edvel\u201d, lembra Ant\u00f3nio Tremo\u00e7o. <\/p>\n\n\n\n<p>O facto \u00e9 que a Sorefame aumentou a sua capacidade produtiva e tinha, ent\u00e3o, cerca de 4 mil trabalhadores. Para os oper\u00e1rios, a revolu\u00e7\u00e3o significou a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida. \u201cGanh\u00e1vamos dois contos e quinhentos e pass\u00e1mos a receber quatro contos. Pela primeira vez os trabalhadores puderam comprar um carrinho, comprar coisas para a casa\u201d, descreve. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De conspirador a primeiro-ministro <br><\/h2>\n\n\n\n<p>Quando Vasco Gon\u00e7alves chega a S\u00e3o\nBento para substituir Palma Carlos a 18\nde julho de 1974 n\u00e3o teve uma tarefa\nf\u00e1cil. Herdou um gabinete praticamente\nintacto desde que Marcelo Caetano fora\nderrubado. Henrique Mendon\u00e7a recorda\nque a cozinheira era mulher de um PIDE\ne que Vasco Gon\u00e7alves lhe assegurou\nque nada ia acontecer porque n\u00e3o era\nrespons\u00e1vel pelas op\u00e7\u00f5es do marido que\nestava preso.\n<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos anos antes, em 1959, ficara ligado \u00e0 chamada \u201cConspira\u00e7\u00e3o da S\u00e9\u201d, um plano de derrube militar de Salazar que n\u00e3o cumpriu os seus objetivos. Tornou-se engenheiro atrav\u00e9s da carreira militar e foi professor na Escola do Ex\u00e9rcito. Depois de combater na Guerra Colonial, aderiu ao movimento dos capit\u00e3es j\u00e1 coronel e era ent\u00e3o o mais alto graduado dos revoltosos. Em 19 de setembro de 1975, foi demitido do cargo de primeiro-ministro quando era o principal rosto do processo revolucion\u00e1rio. Um m\u00eas antes, <a href=\"https:\/\/arquivos.rtp.pt\/conteudos\/discurso-de-vasco-goncalves-em-almada-12\/\">discursava em Almada<\/a> e afirmava que a revolu\u00e7\u00e3o entrara &#8220;no seu momento decisivo quando, depois de se ter definido como socialista, p\u00f4s claramente a quest\u00e3o central de qualquer revolu\u00e7\u00e3o socialista, a do acesso progressivo ao poder pelos trabalhadores&#8221;. E antecipava o que poderia vir a acontecer. &#8220;Hoje, erguem-se vozes a cantar loas \u00e0 Europa \u2014 n\u00e3o \u00e0 Europa dos trabalhadores, claro, mas \u00e0 Europa dos monop\u00f3lios e das sociedades multinacionais&#8221;. Para Vasco, havia quem desejasse &#8220;colocar as classes laboriosas portuguesas na situa\u00e7\u00e3o de fogueiros da fornalha da Europa capitalista&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A 25 de novembro, a esquerda \u00e9 derrotada pela contra-revolu\u00e7\u00e3o. Pelo meio, Vasco Gon\u00e7alves, ao lado do setor progressista do MFA, teve de enfrentar, com o apoio dos trabalhadores e do povo, um pa\u00eds a ferro e fogo debaixo de atentados e provoca\u00e7\u00f5es da direita e da extrema-direita, numa salada pol\u00edtica que ia desde o PS, PPD, CDS aos terroristas do MDLP e do ELP, com o apoio ativo de setores da Igreja, de Franco e dos Estados Unidos. Os grandes grupos econ\u00f3micos e financeiros n\u00e3o perdoam a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos setores estrat\u00e9gicos da economia como n\u00e3o perdoam a descoloniza\u00e7\u00e3o, o sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional, o subs\u00eddio de desemprego, o subs\u00eddio de f\u00e9rias e a reforma agr\u00e1ria. Foi ent\u00e3o que o povo fez do primeiro-ministro seu para cantar \u201cFor\u00e7a, for\u00e7a, companheiro Vasco, n\u00f3s seremos a muralha de a\u00e7o!\u201d <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO futuro com que sonhei n\u00e3o \u00e9 cada vez mais saudade, \u00e9, sim, cada vez mais, necessidade imperiosa. Assim o povo o compreenda\u201d, diria Vasco Gon\u00e7alves muitos anos depois para deixar claro que Abril n\u00e3o \u00e9 passado. \u00c9 porvir. Em 2004, ent\u00e3o presidente da Venezuela, Hugo Ch\u00e1vez escreveu ao general: &#8220;A revolu\u00e7\u00e3o de Abril vive na vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana porque a primeira constitui um precedente do que podem realizar o povo e os seus soldados quando se unem. Dela emana um exemplo para o mundo&#8221;. O \u201ccompanheiro Vasco\u201d nasceu a 3 de maio de 1921. Faria 100 anos. <\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Largos dias t\u00eam cem anos. 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