{"id":4518,"date":"2021-04-20T12:22:37","date_gmt":"2021-04-20T12:22:37","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4518"},"modified":"2021-06-15T11:31:49","modified_gmt":"2021-06-15T11:31:49","slug":"a-importancia-do-associativismo-no-pos-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/04\/20\/a-importancia-do-associativismo-no-pos-pandemia\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia do associativismo no p\u00f3s-pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p>Com a imposi\u00e7\u00e3o do confinamento geral pelos v\u00e1rios estados de emerg\u00eancia propostos pelo Presidente da Rep\u00fablica e aprovados pelo Governo, as condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f3micas de muitos portugueses foram agravadas. Dos sal\u00e1rios ao desaparecimento de muitos postos de trabalho, passando pela incapacidade de manter pequenas e m\u00e9dias empresas, o impacte econ\u00f3mico e social da pandemia est\u00e1, hoje, no centro das nossas preocupa\u00e7\u00f5es, tanto quanto est\u00e1 a quest\u00e3o da sa\u00fade. Na sa\u00fade, n\u00e3o falamos, apenas, dos efeitos diretos do v\u00edrus, das suas consequ\u00eancias na qualidade de vida de quem foi infetado ou da devastadora perda de vidas, mas, tamb\u00e9m, de sa\u00fade mental, de ansiedade, perda de expectativas e desmotiva\u00e7\u00e3o. Se existe esperan\u00e7a na supera\u00e7\u00e3o desta realidade e sentimos que a pandemia ter\u00e1 um fim, \u00e9 importante que consigamos preparar aquilo que ser\u00e1 a nossa vida em comunidade depois da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 nossa volta, muitos s\u00e3o os pequenos neg\u00f3cios que est\u00e3o a lutar pela sobreviv\u00eancia. Muitos anunciaram j\u00e1 o encerramento. Com eles desaparecer\u00e3o espa\u00e7os de sociedade que tom\u00e1ramos por habituais no nosso quotidiano e dos quais nos vimos privados. A habitua\u00e7\u00e3o \u00e0 perda da vida social e da frui\u00e7\u00e3o do lazer em comunidade pode ter consequ\u00eancias graves na forma como constru\u00edmos juntos a nossa realidade comum, a forma como nos relacionamos e como criamos la\u00e7os de cuidado, de fraternidade e de vizinhan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>As vagas deixadas por aqueles que n\u00e3o aguentaram a manuten\u00e7\u00e3o dos seus neg\u00f3cios (caf\u00e9s, bares, restaurantes) correm o risco de ser ocupadas por neg\u00f3cios que n\u00e3o refletem a cultura dos nossos bairros, a sua diversidade e a sua singularidade. De resto, n\u00e3o h\u00e1 novidade no desaparecimeanto gradual desses espa\u00e7os na \u00faltima d\u00e9cada e na sua substitui\u00e7\u00e3o por&nbsp;<em>franchisings<\/em>&nbsp;uniformizados, impessoais e descaracterizados. Essa substitui\u00e7\u00e3o deve muito ao modelo imobili\u00e1rio a que as cidades foram sujeitas, que se apropriou daquilo que sempre correspondeu a uma afirma\u00e7\u00e3o social das comunidades. \u00c9 dessa afirma\u00e7\u00e3o social que precisamos no momento em que se ir\u00e1 aprofundar o desaparecimento dos lugares com os quais nos podemos identificar, que se adequam \u00e0 nossa forma de vida e \u00e0s nossas necessidades de participa\u00e7\u00e3o e de frui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O papel do associativismo \u00e9, por isso, determinante. Durante mais de um s\u00e9culo, o associativismo foi um elemento de consolida\u00e7\u00e3o social que mobilizou comunidades inteiras na prossecu\u00e7\u00e3o de um interesse comum. Foi atrav\u00e9s do associativismo que a vida da classe trabalhadora encontrou for\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o para se organizar e decidir a finalidade que d\u00e1 \u00e0s suas formas de organiza\u00e7\u00e3o e de ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico, sem depend\u00eancia de atividades espor\u00e1dicas promovidas por quem quer controlar a sua consci\u00eancia sobre o poder que tem quando se mobiliza. Com o associativismo, as popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o desistem de criar o seu pr\u00f3prio quotidiano e n\u00e3o se deixam influenciar pelo facilitismo do caf\u00e9 descaracterizado ou pelo bar das 120 marcas de cerveja que nunca v\u00e3o beber e cujos hor\u00e1rios s\u00e3o incompat\u00edveis com a sua realidade laboral e familiar. \u00c9 o associativismo, ali\u00e1s, que faz com que muitos trabalhadores defendam o seu direito ao tempo de lazer, o seu direito a um hor\u00e1rio de trabalho que lhes permita participar social e culturalmente na vida da sua cidade, do seu bairro, da sua rua.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade dos \u00faltimos anos afastou muitos de n\u00f3s da vida das nossas associa\u00e7\u00f5es. O desinteresse pelo associativismo tem origem na sobrecarga do hor\u00e1rio do trabalho, no modelo econ\u00f3mico que favoreceu a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e a consequente perda de rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a e de perten\u00e7a, e o consumo individualista, acrescendo a isso o aumento da oferta do entretenimento dom\u00e9stico. Gerou-se a ideia de que o espa\u00e7o das associa\u00e7\u00f5es estava envelhecido, n\u00e3o correspondia a um modo de vida moderno e que a vida associativa roubava tempo ao descanso, quando na verdade \u00e9 essa vida que retira as pessoas do isolamento social e de um certo sedentarismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que nunca, \u00e9 preciso inverter essa tend\u00eancia para o sedentarismo e para o isolamento e devolver \u00e0s popula\u00e7\u00f5es espa\u00e7os de conv\u00edvio e participa\u00e7\u00e3o social com os quais se identifiquem. No p\u00f3s-pandemia, vai ser fundamental recuperar os espa\u00e7os de sociedade, os caf\u00e9s e bares das associa\u00e7\u00f5es, a atividade cultural que o associativismo desenvolve a partir das escolhas e dos horizontes dos seus associados e amigos e recuperar as rela\u00e7\u00f5es que nos foram negadas no \u00faltimo ano. Este deve ser um objetivo n\u00e3o s\u00f3 das pequenas associa\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m dos clubes desportivos e de outras formas de organiza\u00e7\u00e3o que t\u00eam na classe trabalhadora a&nbsp;sua base social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a imposi\u00e7\u00e3o do confinamento geral pelos v\u00e1rios estados de emerg\u00eancia propostos pelo Presidente da Rep\u00fablica e aprovados pelo Governo, as condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f3micas de muitos portugueses foram agravadas. 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