{"id":4430,"date":"2021-03-15T12:24:44","date_gmt":"2021-03-15T12:24:44","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4430"},"modified":"2021-04-05T10:22:39","modified_gmt":"2021-04-05T10:22:39","slug":"vive-la-commune","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/03\/15\/vive-la-commune\/","title":{"rendered":"Vive la Commune!"},"content":{"rendered":"\n<p>Foi h\u00e1 150 anos, no dia 18 de Mar\u00e7o de 1871, que o Comit\u00e9 Central da Guarda Nacional, perante a infame trai\u00e7\u00e3o das classes dominantes, decidiu que o povo de Paris tomava \u201cnas suas m\u00e3os a direc\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios p\u00fablicos\u201d e proclamou a Comuna de Paris que seria eleita no dia 26 de Mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto da Comuna \u00e9 o de mais uma das intermin\u00e1veis guerras com que as classes dominantes dos diferentes pa\u00edses, \u00e0 custa da morte, da mis\u00e9ria e do sofrimento dos respectivos povos, fazem a divis\u00e3o do mundo entre elas. As derrotas francesas levariam ao cerco de Paris pelas tropas alem\u00e3s e \u00e0 fuga do Governo para Versailles. Quando o Governo de Versailles manda destruir os canh\u00f5es da Guarda Nacional, no quadro da rendi\u00e7\u00e3o face \u00e0 Alemanha, a Guarda Nacional, uma mil\u00edcia popular cujas origens remontam \u00e0 grande Revolu\u00e7\u00e3o francesa, subleva-se, com o apoio entusi\u00e1stico do povo do Paris.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois meses depois, a Fran\u00e7a de Versailles com o apoio da Alemanha e das tropas por esta libertadas, estar\u00e1 a bombardear Paris, a ocupar a capital, a fuzilar e desterrar mais de 100 mil parisienses. Encharcada no sangue do seu pr\u00f3prio povo, essa burguesia mandar\u00e1 erguer a Igreja do Sacr\u00e9 Coeur sobre o \u00faltimo Bairro que combateu pela Comuna, Montmartre. E assim se explica que este espa\u00e7o religioso, que para o visitante distra\u00eddo de Paris pode parecer bela, ainda hoje n\u00e3o esteja considerada como Monumento Nacional em Fran\u00e7a e exista uma forte e organizada resist\u00eancia popular a que o consigam fazer, como voltou a tentar a burguesia francesa em 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Comuna<\/h2>\n\n\n\n<p>A Comuna de Paris viveu, os seus pouco mais de 70 dias de exist\u00eancia, cercada e amea\u00e7ada, tendo que dar \u00e0s tarefas de defesa uma inevit\u00e1vel prioridade. Nascida de um impulso colectivo face \u00e0 provoca\u00e7\u00e3o, imbu\u00edda das mais generosas inten\u00e7\u00f5es, mas sem um Programa, uma Direc\u00e7\u00e3o ou sequer uma organiza\u00e7\u00e3o, enfrentando uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as completamente desigual, a Comuna ainda assim avan\u00e7ou, e avan\u00e7ou ao assalto do C\u00e9u. A Comuna foi a generosa ac\u00e7\u00e3o colectiva das massas &#8211; que vale bem mais que mil programas como sublinhou L\u00e9nine &#8211; feita de milhares de her\u00f3is, de homens e mulheres que colocados pela hist\u00f3ria perante tarefas imposs\u00edveis a elas devotaram toda a vida que lhes restava.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A sua obra, patrim\u00f3nio hist\u00f3rico que nos deixou, ser\u00e1 no entanto extraordin\u00e1ria. Declarou a separa\u00e7\u00e3o entre a Igreja e o Estado e atribuiu um car\u00e1cter laico \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o; estabeleceu que a remunera\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o e dos pr\u00f3prios membros do Governo fosse a do oper\u00e1rio m\u00e9dio; proibiu as multas sobre os trabalhadores e entregou as f\u00e1bricas abandonadas pelos donos \u00e0 gest\u00e3o de quem nelas trabalhava; reconheceu os direitos das mulheres e dos estrangeiros; substituiu a pol\u00edcia e o ex\u00e9rcito profissional pelo armamento do povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os de baixo, os netos dos sans-cullotes da grande Revolu\u00e7\u00e3o, que haviam derrubado a monarquia e entregue o poder nas m\u00e3os ingratas da burguesia, atreviam-se a come\u00e7ar a construir um Estado seu, dos Trabalhadores, e a colocar como tarefa concreta a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade sem classes e sem exploradores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Marx e Engels, e depois L\u00e9nine, retirar\u00e3o do estudo da Comuna, da an\u00e1lise dos seus erros e dos seus feitos, das suas vit\u00f3rias e derrotas, um poderoso contributo para o desenvolvimento da luta dos trabalhadores pela sua emancipa\u00e7\u00e3o, pelo socialismo e o comunismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Internacional<\/h2>\n\n\n\n<p>A letra da Internacional foi escrita por Eugene Pottier, um oper\u00e1rio gr\u00e1fico parisiense, quando fugia da sangrenta repress\u00e3o que se abateu sobre Paris em Maio de 1871 com o esmagamento da Comuna. Pottier, que j\u00e1 participara na Primavera dos Povos (os levantamentos de 1848) e ajudara a fundar em 1867 o Sindicato dos Gr\u00e1ficos, era membro da Internacional (da I, da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores). Durante o cerco de Paris que antecede a Comuna, foi delegado ao Comit\u00e9 Central da Guarda Nacional e a 26 de Mar\u00e7o foi eleito para a Comuna de Paris. Regressado a Fran\u00e7a em 1879, depois de uma amnistia imposta pela luta popular, continuou politicamente activo e seria enterrado no Cemit\u00e9rio do P\u00e9re Lachaise, numa massiva manifesta\u00e7\u00e3o popular, coberto com a bandeira vermelha, que era como o povo de Paris homenageava todos os combatentes da Comuna.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Daqui nasceu aquele que ainda hoje \u00e9 o hino dos trabalhadores em todo o mundo, e que em Portugal \u00e9 o Hino da CGTP-IN e de v\u00e1rios partidos. Quando a cantamos, \u00e9 todo um caminho que percorremos, desde a primeira tentativa de constru\u00e7\u00e3o de um Estado dos trabalhadores \u00e0s barricadas onde o defendemos at\u00e9 \u00e0 morte, ao ex\u00edlio e aos anos negros da repress\u00e3o brutal do movimento oper\u00e1rio que se lhe seguiram, \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o, apogeu e apodrecimento da II Internacional, ao advento do Estado dos trabalhadores com a Revolu\u00e7\u00e3o Socialista Sovi\u00e9tica e \u00e0 epopeia que foram os seus 74 anos, \u00e0s vit\u00f3rias e avan\u00e7os que marcaram o s\u00e9culo passado, e as amargas derrotas sofridas no seu final, tudo trazendo-nos at\u00e9 o tempo que vivemos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um tempo que \u00e9 preciso saber viver com os p\u00e9s bem firmes na Terra. E o que nos liga \u00e0 Terra, \u00e9 o conhecimento da Hist\u00f3ria \u2013 perspectiva, experi\u00eancia e confian\u00e7a &#8211; e a interven\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e consequente na realidade concreta da luta de classes &#8211; unindo, organizando, resistindo, avan\u00e7ando sempre que poss\u00edvel, lutando sempre.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo em que vivemos exige resposta urgentes. O modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 hoje o principal trav\u00e3o ao aproveitamento social dos avan\u00e7os t\u00e9cnico-cient\u00edficos e da capacidade produtiva instalada. Milhares de milh\u00f5es de seres humanos vivem com medo vidas prec\u00e1rias enquanto uma \u00ednfima minoria reserva para si pr\u00f3pria metade da riqueza do planeta. Oi\u00e7amos a voz da Paris que h\u00e1 150 anos morria para defender o nosso direito a sonhar com um futuro melhor: \u201cC\u2019est la lutte finale: Groupons-nous, et demain, L\u2019 Internacionale sera le genre humain.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>[Bem unidos fa\u00e7amos, desta luta final, duma Terra sem amos, a Internacional].<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi h\u00e1 150 anos, no dia 18 de Mar\u00e7o de 1871, que o Comit\u00e9 Central da Guarda Nacional, perante a infame trai\u00e7\u00e3o das classes dominantes, decidiu que o povo de Paris tomava \u201cnas suas m\u00e3os a direc\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios p\u00fablicos\u201d e proclamou a Comuna de Paris que seria eleita no dia 26 de Mar\u00e7o. 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