{"id":4399,"date":"2021-03-03T16:25:47","date_gmt":"2021-03-03T16:25:47","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4399"},"modified":"2021-03-03T16:25:49","modified_gmt":"2021-03-03T16:25:49","slug":"livrarias-independentes-continuam-fechadas-ao-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/03\/03\/livrarias-independentes-continuam-fechadas-ao-publico\/","title":{"rendered":"Livrarias independentes continuam fechadas ao p\u00fablico"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s quatro Estados de Emerg\u00eancia e in\u00fameros protestos e cartas abertas, tudo ficou praticamente na mesma para as livrarias independentes: o livro continua a n\u00e3o ser considerado \u201cbem essencial\u201d, como pedem livreiros, mas tamb\u00e9m editores, escritores e leitores.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) e a Rede de Livrarias Independentes (RELI) t\u00eam reclamado coisas diferentes. A RELI, que junta mais de 100 livrarias em todo o pa\u00eds, reconheceu a inevitabilidade do fecho das livrarias e a proibi\u00e7\u00e3o da venda ao postigo (que chegou a efetuar-se nos primeiros dias do confinamento), devido \u00e0 gravidade da situa\u00e7\u00e3o pand\u00e9mica, e pediu apoios ao Governo. J\u00e1 a APEL, que junta editores e pouco mais de 20 livreiros, entre eles os grandes grupos Bertrand\/C\u00edrculo de Leitores e Leya, recusou-se a discutir com o Minist\u00e9rio da Cultura, e exigiu que os livros pudessem ser vendidos em grandes superf\u00edcies. \u201cSe as livrarias independentes preferirem ficar fechadas e receber os apoios do Estado, porque acham que n\u00e3o v\u00e3o ter p\u00fablico, n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito que obriguem os outros a fechar\u201d, disse ent\u00e3o ao \u201cP\u00fablico\u201d, o vice-presidente da APEL e diretor da Leya, Pedro Sobral.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre avan\u00e7os e recuos, Ant\u00f3nio Costa acabava por revelar, a 11 de fevereiro, que o Presidente da Rep\u00fablica \u201cproibiu-nos de proibir\u201d a venda de livros, for\u00e7ando o Governo a permitir a sua comercializa\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o todos os livros em toda a parte: livros podem ser vendidos em hipermercados, bombas de gasolina, esta\u00e7\u00f5es dos CTT, lojas de eletrodom\u00e9sticos e eletr\u00f3nica, papelarias ou livrarias, desde que estas vendam tamb\u00e9m jornais ou material escolar. Isto significa que est\u00e3o expostos e \u00e0 venda no Continente, na FNAC ou em algumas livrarias, como as da rede Bertrand, mas o decreto exclui livrarias independentes por n\u00e3o venderem jornais ou material escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>A RELI reagiu dizendo que estas medidas beneficiam \u201cos grandes grupos de distribui\u00e7\u00e3o, permitindo-lhes juntar a venda de umas centenas de t\u00edtulos de livros mais comerciais \u00e0 de outras produtos essenciais\u201d. Joaquim Gon\u00e7alves, livreiro na A das Artes, em Sines, e presidente da assembleia-geral da RELI, disse \u00e0 A Voz do Oper\u00e1rio que esta medida \u201c\u00e9 uma discrimina\u00e7\u00e3o e concorr\u00eancia desleal: \u00e9 o Governo e, nomeadamente, o Presidente da Rep\u00fablica a vergar-se aos poderosos\u201d. Explicando o que mudou entre janeiro e fevereiro, Gon\u00e7alves acusa a APEL \u201cque representa cerca de 20 livrarias e a esmagadora maioria dos grandes grupos editoriais\u201d de \u201cconseguir convencer o Presidente a que se vendessem livros\u201d nas grandes superf\u00edcies. E critica a \u201creda\u00e7\u00e3o subjetiva do decreto\u201d quando refere \u201clivros e materiais escolares\u201d (em que \u201cescolares\u201d se referiria apenas a materiais ou tamb\u00e9m a livros), dando azo a esta situa\u00e7\u00e3o ins\u00f3lita: \u201cO que acontece \u00e9 que os livros s\u00f3 n\u00e3o se podem vender nas livrarias. Como se os medicamentos receitados pelo m\u00e9dico n\u00e3o se pudessem vender nas farm\u00e1cias, mas apenas nos hipermercados.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O 12.\u00ba Estado de Emerg\u00eancia, aprovado poucos antes do fecho deste jornal, deixa tudo na mesma: s\u00f3 as Livrarias independentes continuam fechadas ao p\u00fablico livrarias n\u00e3o podem vender livros. A RELI lembra que, apesar de fisicamente fechadas, as livrarias continuam dispon\u00edveis.: \u201cAinda hoje vou mandar um livro para Viseu e outro para a Lourinh\u00e3\u201d, diz Joaquim Gon\u00e7alves. Nas livrarias independentes os livros continuam a poder ser encomendados por telefone ou por email, sendo esta a \u00fanica forma de se manterem \u00e0 tona e de continuarem a fazer chegar os seus livros aos seus leitores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagens de expositores de livros cobertos com pl\u00e1sticos e fitas proibitivas nas grandes superf\u00edcies correram as redes sociais. Em finais de janeiro, o livro estava \u201cconfinado\u201d, lamentavam editores e livreiros, devido \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o da sua venda tanto ao postigo, como em larga escala, em hipermercados e lojas como a FNAC.<\/p>\n","protected":false},"author":153,"featured_media":4400,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"coauthors":[89],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4399"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4399"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4399\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4403,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4399\/revisions\/4403"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4400"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4399"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=4399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}