{"id":4356,"date":"2021-03-01T22:40:11","date_gmt":"2021-03-01T22:40:11","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4356"},"modified":"2021-04-05T10:02:57","modified_gmt":"2021-04-05T10:02:57","slug":"jeronimo-de-sousa-uma-grande-forca-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/03\/01\/jeronimo-de-sousa-uma-grande-forca-dos-trabalhadores\/","title":{"rendered":"Jer\u00f3nimo de Sousa: \u201cUma grande for\u00e7a dos trabalhadores\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u201cA f\u00e1brica esperava-nos\u201d, descreve, ao falar da sua gera\u00e7\u00e3o, Jer\u00f3nimo de Sousa, oper\u00e1rio metal\u00fargico que come\u00e7ou a trabalhar aos 14 anos. Hoje secret\u00e1rio-geral do PCP, partido a que aderiu em 1974, defende que a organiza\u00e7\u00e3o comunista carrega um projeto de futuro sem esquecer as gera\u00e7\u00f5es e as lutas que a ergueram. A resist\u00eancia est\u00e1 no ADN do \u00fanico partido que resistiu aos 48 anos de fascismo e que pretende semear um porvir de justi\u00e7a social.<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Ao longo da hist\u00f3ria, fosse durante o fascismo, fosse nas \u00faltimas d\u00e9cadas, houve quem anunciasse a morte do PCP. O que significa para o partido chegar \u00e0 marca dos cem anos?<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, \u00e9 uma longa caminhada. Quantos e quantos vatic\u00ednios n\u00e3o se fizeram sobre a morte do PCP, j\u00e1 nessa altura, quando foi obrigado \u00e0 luta clandestina? Depois, o fascismo situou como inimigo principal o PCP. Com a persegui\u00e7\u00e3o, com a viol\u00eancia e o assassinato, muitas vezes liquidando esta e aquela organiza\u00e7\u00e3o&#8230;quando conseguiam isso, proclamavam o fim, a morte do PCP. E ao longo de d\u00e9cadas, este partido afirma-se e transforma-se tamb\u00e9m num partido de resist\u00eancia antifascista, um partido que assentava a sua luta, os seus objetivos, nas aspira\u00e7\u00f5es dos trabalhadores, que colocava no nosso pa\u00eds, nos 48 anos de fascismo, a necessidade de um alargamento de uma base identificada com este grande objetivo. Tamb\u00e9m aqui um PCP que se assumiu como vanguarda da luta dos trabalhadores e que, simultaneamente, foi um grande construtor da unidade antifascista, convocando democratas, patriotas, para essa luta at\u00e9 aos dias de hoje. \u00c9 impressionante, de facto, ao fim de cem anos, ouvindo hoje os comentadores, que sistematicamente nos grandes \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social v\u00e3o anunciando o fim do PCP, porque eles t\u00eam a consci\u00eancia, e n\u00e3o est\u00e3o enganados, que o grande obst\u00e1culo aos seus objetivos de explora\u00e7\u00e3o e de repress\u00e3o encontra sempre uma dificuldade objetiva que \u00e9 o Partido Comunista Portugu\u00eas e a sua luta.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Entende que no fundo s\u00e3o estas as carater\u00edsticas que fizeram do partido o que ele \u00e9 hoje?<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, h\u00e1 uma raz\u00e3o funda que \u00e9 a de ser um partido profundamente identificado com as causas, as lutas dos trabalhadores, e a luta contra essa explora\u00e7\u00e3o, em condi\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis. Quando se formou em 1921, teve um curto per\u00edodo na legalidade, mas depois no 28 de maio de 1926 [golpe fascista] foi logo o \u00fanico partido que, ao contr\u00e1rio de todos os outros que foram proibidos ou se autodissolveram, se manteve firme, tendo de passar obviamente \u00e0 clandestinidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta causa funda da defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores, no seu incentivo \u00e0 luta, \u00e0 luta organizada. Fundamental, depois porque tem um projeto de emancipa\u00e7\u00e3o, com o objetivo supremo de eliminar a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem e esse projeto, tanto antes como depois do 25 de Abril, foi sempre o rumo certo e seguro da necessidade dos trabalhadores de terem este instrumento poderoso que \u00e9 o Partido Comunista Portugu\u00eas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua funda\u00e7\u00e3o, surge como uma necessidade dos oper\u00e1rios, dos trabalhadores, at\u00e9 ali com uma grande influ\u00eancia do anarco-sindicalismo, que, para al\u00e9m da coragem, tamb\u00e9m dos sacrif\u00edcios que fizeram, das persegui\u00e7\u00f5es, consideravam que n\u00e3o interessava a luta pol\u00edtica, apenas a luta econ\u00f3mica e sindical.<\/p>\n\n\n\n<p>O surgimento desta for\u00e7a [PCP] resulta de uma necessidade da classe oper\u00e1ria, dos trabalhadores. Um partido que afirmando-se patri\u00f3tico mas simultaneamente internacionalista sempre esteve na defesa da causa da independ\u00eancia, da soberania nacional, da afirma\u00e7\u00e3o de Portugal como um pa\u00eds livre, democr\u00e1tico, independente, mas que simultaneamente tinha esta dimens\u00e3o internacionalista. Era o camarada \u00c1lvaro [Cunhal] que dizia que para se amar a nossa p\u00e1tria, o nosso povo, em torno destas causas justas, naturalmente temos de ser solid\u00e1rios com outros trabalhadores e outros povos do mundo, que lutam pela sua emancipa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma contradi\u00e7\u00e3o, antes pelo contr\u00e1rio, \u00e9 esta harmonia, esta conjuga\u00e7\u00e3o da luta na nossa e pela nossa p\u00e1tria e pelo nosso povo e simultaneamente essa dimens\u00e3o de sermos sempre solid\u00e1rios com outros povos.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Fazendo o exerc\u00edcio ao contr\u00e1rio, Portugal seria um pa\u00eds profundamente diferente se em 1921 aqueles jovens, aqueles trabalhadores, n\u00e3o tivessem tomado a decis\u00e3o de fundar um partido comunista?<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, sem d\u00favida. A hist\u00f3ria seria diferente, diferente porque n\u00f3s est\u00e1vamos a viver tempos dif\u00edceis. A repress\u00e3o era cada vez maior, a pr\u00f3pria guerra depois, a segunda guerra mundial, veio tamb\u00e9m dar uma contribui\u00e7\u00e3o para que essa repress\u00e3o aumentasse, apesar de o governo de Salazar assumir uma falsa posi\u00e7\u00e3o de neutralidade, e, de facto, n\u00e3o teria havido aquele 25 de Abril que houve, em que foi o nosso partido que ao longo de d\u00e9cadas proclamou a necessidade de liberdade, de democracia e de liberta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da explora\u00e7\u00e3o brutal. Poder\u00edamos dizer que a hist\u00f3ria talvez mais tocante \u00e9 a forma como o partido resistiu durante o tempo do fascismo mas as p\u00e1ginas mais fascinantes da vida do partido foram escritas depois do 25 de Abril, pelo seu papel, pela sua interven\u00e7\u00e3o. Poder\u00edamos dizer de facto que este partido foi o partido de Abril.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O Jer\u00f3nimo foi um jovem oper\u00e1rio, cresceu nesse contexto, na cintura industrial de Lisboa. Um delegado de Bragan\u00e7a afirmou no \u00faltimo congresso do PCP que h\u00e1 partido at\u00e9 nos lugares onde n\u00e3o h\u00e1 gente. Parece que o PCP carrega nos ombros a mem\u00f3ria de um tempo que foi destru\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, o partido de facto estava onde muitas vezes se pensava que n\u00e3o estava mas o Ant\u00f3nio Aleixo dizia que o homem \u00e9 sempre o produto do meio em que foi criado. Eu nasci na corda industrial, aqui em lisboa, e fui muito cedo para a f\u00e1brica. Aquele era o nosso destino profissional. Era ser ou serralheiro ou vidreiro ou cer\u00e2mico ou qu\u00edmico. A f\u00e1brica esperava por n\u00f3s e n\u00f3s facilmente contactav\u00e1mos o partido, por exemplo, atrav\u00e9s do <em>Avante!<\/em> proibido em que os mais velhos nos davam esse pequeno jornal, \u00e0s vezes em papel de seda por raz\u00f5es de seguran\u00e7a, em que lendo aquele avante, conhec\u00edamos as lutas de outras f\u00e1bricas e as posi\u00e7\u00f5es do partido.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 a esse chamamento que eu respondi. Logo em 1972\/73, tom\u00e1mos conta do sindicato dos metal\u00fargicos derrotando uma lista que o fascismo tinha constru\u00eddo \u00e0 pressa. Eu tenho na mem\u00f3ria uma assembleia geral de metal\u00fargicos n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, em que eram 500 metal\u00fargicos e 600 pol\u00edcias, mas era assim que form\u00e1vamos a nossa consci\u00eancia sindical. E naturalmente ader\u00edamos ao partido.<\/p>\n\n\n\n<p>O partido contactava connosco, muitas vezes ainda sem um v\u00ednculo formal, e apontava-nos o caminho unit\u00e1rio da luta para tomar conta dos sindicatos, conquistar os sindicatos ao fascismo e isso aconteceu, e \u00e9 exemplo a CGTP-IN que logo se funda em 1971 mas era a luta sindical que nos atra\u00eda ao pr\u00f3prio partido e com o 25 de abril foi o partido que mobilizou os trabalhadores para concretizar objectivos concretos.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu lembro-me, em 1974, est\u00e1vamos a preparar, um grande 1\u00ba de maio no Rossio, se n\u00e3o se tivesse dado o 25 de Abril. Ali\u00e1s, as for\u00e7as repressivas j\u00e1 tinham orienta\u00e7\u00f5es para prender os dirigentes do sindicato dos metal\u00fargicos no dia 30 de abril. Acabaram eles por ser presos e fez-se aquele grande, grande 1\u00ba de maio com objetivos muito marcantes. Os objetivos desse 1\u00ba de Maio proibido no Rossio tinha como palavras de ordem o direito \u00e0 greve e o fim \u00e0 guerra colonial que constitu\u00eda um anseio profundo de grandes massas. Esse 1\u00ba de Maio [legal] demonstrou como se encetou num processo de conquistas de direitos que durante 48 anos foram pura e simplesmente negados, reprimidos, e que levou a que este partido se afirmasse como uma grande for\u00e7a dos trabalhadores.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Falou na guerra e o Jer\u00f3nimo foi tamb\u00e9m um dos jovens que foi obrigado a combater nas col\u00f3nias. Como \u00e9 que olha para este voto de pesar aprovado na Assembleia da Rep\u00fablica a prop\u00f3sito de Marcelino da Mata?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu creio que \u00e9 um caso individualizado, que n\u00e3o \u00e9 confund\u00edvel com o sentimento geral de quem ia para a guerra. Em primeiro lugar, \u00e9ramos obrigados e essa grande massa de jovens que teve de ir para a guerra foi tamb\u00e9m um elemento de alerta e consciencializa\u00e7\u00e3o. O partido tinha essa orienta\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da liberta\u00e7\u00e3o dos povos das col\u00f3nias e foi importante a consciencializa\u00e7\u00e3o de milhares e milhares de jovens for\u00e7ados a ir para a guerra, percebendo que estavam numa guerra injusta e que estavam a servir de arma de arremesso para combater a luta dos povos das col\u00f3nias.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse caso concreto onde a pessoa se gabou de ter cometido crimes de guerra, n\u00e3o pode ser confundido com a luta de milhares e milhares de homens e mulheres, jovens,&nbsp; angolanos, mo\u00e7ambicanos, guineenses, s\u00e3o tomenses, cabo-verdianos, que constru\u00edram a sua independ\u00eancia a pulso, com a compreens\u00e3o de muitos jovens que andavam ali, e uma solidariedade permanente do nosso partido. \u00c9 uma evid\u00eancia que l\u00e1 rece\u00e1vamos ser colocados numa situa\u00e7\u00e3o extrema de defender a vida. Acresce que est\u00e1vamos l\u00e1 obrigados. N\u00f3s t\u00ednhamos e temos a tese de que um povo nunca \u00e9 livre se oprime outros povos e essa vis\u00e3o levou a esta posi\u00e7\u00e3o de fundo da necessidade da independ\u00eancia das col\u00f3nias. Na altura, o fascismo considerou at\u00e9 o PCP como terrorista devido a esta posi\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria e internacionalista.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Quase cinco d\u00e9cadas depois da revolu\u00e7\u00e3o de Abril, o que \u00e9 que faz algu\u00e9m hoje aderir ao PCP?<\/p>\n\n\n\n<p>Muita coisa mudou, de facto, nestes cem anos, particularmente depois de Abril, mas h\u00e1 coisas que n\u00e3o mudaram. Designadamente, a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, as pol\u00edticas sociais e laborais profundamente injustas, em que o direito ao trabalho, \u00e0 seguran\u00e7a no emprego, a sal\u00e1rios mais justos, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o social, tudo aquilo que a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e as leis inscreveram e tiveram retrocessos muito grandes.<\/p>\n\n\n\n<p>As coisas mudaram no plano da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica mas n\u00e3o alterou a natureza das coisas. Um jovem como eu, que fui trabalhar aos 14 anos para metal\u00fargico, e um metal\u00fargico fazia a sua carreira profissional, em conformidade com o desenvolvimento da sua pr\u00f3pria consci\u00eancia pol\u00edtica e social, e hoje um jovem n\u00e3o vai trabalhar aos 14 anos mas quando ingressa no mercado de trabalho conhece formas de explora\u00e7\u00e3o violent\u00edssimas. Com o sistema de precariedade s\u00e3o os jovens que s\u00e3o fundamentalmente atingidos pelos contratos a prazo, pelo per\u00edodo experimental, pelo trabalho de 15 em 15 dias, milhentas formas que o capital encontra para explorar hoje um jovem trabalhador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, tendo em conta a situa\u00e7\u00e3o que vivemos e a liquida\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do aparelho produtivo, hoje um jovem sai da escola ou da universidade e descobre que afinal a sua hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 muito diferente, salvo em termos da idade, da violenta explora\u00e7\u00e3o a que \u00e9ramos sujeitos. N\u00e3o \u00e9 com uma ferramenta na oficina mas d\u00e3o-lhe o computador, reconhecem-lhe capacidades nesse plano mas geralmente com sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional, com emprego inseguro.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses v\u00ednculos prec\u00e1rios dificultam a sua organiza\u00e7\u00e3o e unidade com outros trabalhadores. Hoje, um jovem est\u00e1 aqui neste centro de contacto e amanh\u00e3 est\u00e1 numa empresa ou na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica com um v\u00ednculo prec\u00e1rio e sai dali e pode ir para outra empresa. \u00c9 uma grande inseguran\u00e7a, uma grande volatilidade que faz tardar mais a sua pr\u00f3pria consci\u00eancia social. N\u00f3s na f\u00e1brica, mesmo antes de Abril, faz\u00edamos plen\u00e1rios para discutir reivindica\u00e7\u00f5es, afirmando ali a for\u00e7a da unidade e a for\u00e7a da massa que ali estava a reivindicar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma dificuldade mas n\u00e3o \u00e9 uma impossibilidade. Por exemplo, h\u00e1 lutas em centros de contactos. S\u00e3o jovens na sua maioria, na luta pelos seus direitos, hoje de uma forma diferente, mas a causa \u00e9 sempre a mesma e por isso \u00e9 que este partido \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1rio. [A revolu\u00e7\u00e3o de] Abril foi muito atacada, muitas das suas conquistas liquidadas, \u00e9 verdade, mas os seus valores continuam perenes e presentes. No outro dia, numa escola secund\u00e1ria, falando de Abril, do que foram as conquistas e transforma\u00e7\u00f5es, um jovem levantou-se e perguntou porque \u00e9 que voc\u00eas nunca nos contaram isto. Hoje, olhamos para um livro de hist\u00f3ria e o 25 de Abril merece uma frase. Houve uma ditadura, um golpe militar e conquistou-se a liberdade, ponto.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O PCP, que \u00e9 dos que mais tem defendido a exist\u00eancia e o refor\u00e7o do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, tem sido frequentemente acusado de desvalorizar o combate \u00e0 pandemia porque votou contra os \u00faltimos estados de emerg\u00eancia. Qual \u00e9 que \u00e9 de facto a posi\u00e7\u00e3o do partido?<\/p>\n\n\n\n<p>Seja numa iniciativa, seja no quotidiano, seja na forma de estar, consideramos fundamental que as pessoas fa\u00e7am a prote\u00e7\u00e3o social necess\u00e1ria, que tomem as medidas que a Dire\u00e7\u00e3o-Geral da Sa\u00fade aponta, desde as m\u00e1scaras, desde a quest\u00e3o do distanciamento social, desde a limpeza. N\u00e3o consideramos que esta nossa atividade pol\u00edtica, no respeito pelas normas, como disse, seja incompat\u00edvel com o combate \u00e0 pandemia. O estado de emerg\u00eancia \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pode ser a solu\u00e7\u00e3o. Naturalmente, toda a gente compreende isso. H\u00e1 dois milh\u00f5es de trabalhadores que continuam a trabalhar todos os dias, as pessoas t\u00eam de encontrar formas de fazer frente \u00e0 vida e \u00e0s imensas dificuldades, e simultaneamente n\u00f3s consideramos importante combater o medo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As for\u00e7as mais reacion\u00e1rias sempre exercitaram o medo como arma para conseguir os seus objetivos e n\u00e3o h\u00e1 nenhuma contradi\u00e7\u00e3o entre tomar medidas a peito, todas aquelas que s\u00e3o enunciadas e decididas, como j\u00e1 se verificou na Festa do <em>Avante!<\/em>. Foi um bombardeamento brutal [contra o PCP] e, hoje, demonstra-se cientificamente que n\u00e3o houve nenhum problema relacionado com a festa. N\u00f3s t\u00ednhamos um grande com\u00edcio no Campo Pequeno a prop\u00f3sito do centen\u00e1rio e reconsider\u00e1mos. N\u00e3o vamos fazer o com\u00edcio no Campo Pequeno mas vamos fazer a\u00e7\u00f5es por todo o pa\u00eds, naturalmente diferentes na dimens\u00e3o. Isto do confinamento pode resolver momentaneamente, mas ao mesmo tempo consideramos mais grave tomarem as medidas resultantes do estado de emerg\u00eancia sem terem em conta a situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica que, hoje, centenas de milhares de portugueses vivem, em rela\u00e7\u00e3o ao seu sal\u00e1rio, aos seus direitos que est\u00e3o a ser vilipendiados nas empresas e nos locais de trabalho, a situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica dos micro e pequenos empres\u00e1rios, particularmente da restaura\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o em que se encontra o sector da cultura, do desporto, um conjunto de situa\u00e7\u00f5es grav\u00edssimas a que o estado de emerg\u00eancia n\u00e3o d\u00e1 resposta.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Perante um cen\u00e1rio social e econ\u00f3mico que pesa sobre a vida dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o qual deve ser a resposta?<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 importante n\u00e3o calar as injusti\u00e7as que resultam desta situa\u00e7\u00e3o preocupante em termos de sa\u00fade p\u00fablica e n\u00e3o deixar as pessoas ao abandono porque as consequ\u00eancias, incluindo do plano psicol\u00f3gico e mental para al\u00e9m do plano social de haver milhares e milhares de pessoas que n\u00e3o sabem o que h\u00e3o de fazer \u00e0 sua vida, \u00e9 um problema a que tem de ser dada resposta que o estado de emerg\u00eancia n\u00e3o resolve. Por isso o nosso partido, por exemplo, continua com reivindica\u00e7\u00f5es e com propostas na Assembleia da Rep\u00fablica. Por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhadores em teletrabalho e ao acompanhamento dos filhos o governo n\u00e3o dava resposta e n\u00f3s tom\u00e1mos iniciativa. Apresent\u00e1mos o projeto de lei e trav\u00e1mos uma luta no terreno, realizando iniciativas, ouvindo os pais, ouvindo os trabalhadores nessa situa\u00e7\u00e3o e, de repente, toda a gente descobriu agora as injusti\u00e7as que se est\u00e3o a passar com os trabalhadores em teletrabalho, no acompanhamento familiar. Muitos nem sequer dizem que foi o PCP, Estivemos sozinhos neste combate durante meses. Deu-se um passo adiante, embora insuficiente, mas por m\u00e9rito do PCP que n\u00e3o baixou a guarda, que n\u00e3o baixou a bandeira e reuniu com muitos pais, muitos trabalhadores e podemos dizer que se conseguiu um largo consenso daqueles que h\u00e1 poucas semanas atr\u00e1s achavam isto um disparate.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Logo depois do fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica surgiu aquela c\u00e9lebre teoria de que o capitalismo era o fim da hist\u00f3ria. Entretanto, h\u00e1 in\u00fameros protestos pelo mundo e tamb\u00e9m o perigo do crescimento de for\u00e7as de extrema-direita. Que leitura faz deste contexto em que vivemos?<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, confirmou-se que o capitalismo n\u00e3o era o fim da hist\u00f3ria nem era o fim da humanidade. Ali\u00e1s, nunca mais vi grandes refer\u00eancias por parte desses te\u00f3ricos que anunciavam isso. E por uma raz\u00e3o singela, \u00e9 que enquanto existir explora\u00e7\u00e3o, o capitalismo n\u00e3o ser\u00e1 o fim da hist\u00f3ria da humanidade porque mesmo em condi\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis, num quadro compelxo de rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7as, os povos continuam a lutar, os trabalhadores continuam a intervir e a proclamar a necessidade dessa justi\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, verificamos no nosso pa\u00eds, mas pod\u00edamos estar a falar de outros pa\u00edses da Europa, de uma evolu\u00e7\u00e3o em termos da rearruma\u00e7\u00e3o de for\u00e7as como o Chega e a Iniciativa Liberal, que s\u00e3o meros suced\u00e2neos do PSD e do CDS que procuram explorar as dificuldades, as contradi\u00e7\u00f5es e os erros do atual governo que, naturalmente, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil. O PS tem dificuldade em assumir uma pol\u00edtica que responda aos problemas nacionais. Portanto, essas for\u00e7as capitalizam o natural descontentamento que existe no plano econ\u00f3mico, no plano social, para causas profundamente reacion\u00e1rias, de forma proclamat\u00f3ria, procurando que o discurso verbal violento atraia pessoas descontentes fazendo ressurgir novamente problemas em rela\u00e7\u00e3o a povos, a pa\u00edses, a comunidades existentes no nosso pa\u00eds, explorando o que de pior tem o ser humano. E a melhor forma de combater estas for\u00e7as \u00e9 responder \u00e0s necessidades objetivas dos trabalhadores e do povo, se n\u00e3o se responde, naturalmente algu\u00e9m capitaliza, e quem capitaliza fundamentalmente s\u00e3o essas for\u00e7as reacion\u00e1rias, que ainda por cima est\u00e3o engajadas nesse processo de rearruma\u00e7\u00e3o.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Que papel podem ter os comunistas nessa luta?<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, \u00e9 continuar a lutar, a intervir e a prop\u00f4r para que os problemas sejam resolvidos, esse \u00e9 o ch\u00e3o mais seguro, que pode impedir esse crescimento, depois tamb\u00e9m \u00e9 evidente que \u00e9 preciso que os democratas e os patriotas se sintam preocupados e procurem dar uma resposta desmascarando o que s\u00e3o essas for\u00e7as. Como digo, a direita sempre andou por a\u00ed.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA f\u00e1brica esperava-nos\u201d, descreve, ao falar da sua gera\u00e7\u00e3o, Jer\u00f3nimo de Sousa, oper\u00e1rio metal\u00fargico que come\u00e7ou a trabalhar aos 14 anos. Hoje secret\u00e1rio-geral do PCP, partido a que aderiu em 1974, defende que a organiza\u00e7\u00e3o comunista carrega um projeto de futuro sem esquecer as gera\u00e7\u00f5es e as lutas que a ergueram. 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