{"id":4345,"date":"2021-03-01T22:26:48","date_gmt":"2021-03-01T22:26:48","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4345"},"modified":"2021-04-05T09:33:44","modified_gmt":"2021-04-05T09:33:44","slug":"como-se-tempera-o-aco-um-seculo-a-construir-o-futuro-com-o-pcp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/03\/01\/como-se-tempera-o-aco-um-seculo-a-construir-o-futuro-com-o-pcp\/","title":{"rendered":"Como se tempera o a\u00e7o. Um s\u00e9culo a construir o futuro com o PCP"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foi a 6 de mar\u00e7o de 1921 que nasceu o Partido Comunista Portugu\u00eas. Esteve na clandestinidade quase metade da sua exist\u00eancia, encabe\u00e7ou a resist\u00eancia contra o fascismo e foi um dos principais protagonistas da revolu\u00e7\u00e3o de Abril. Hoje, continua a ser um partido imprescind\u00edvel na defesa dos interesses dos trabalhadores e carrega um projeto revolucion\u00e1rio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Portugal era um barril de p\u00f3lvora. A participa\u00e7\u00e3o na primeira guerra mundial afundou o pa\u00eds numa grave crise econ\u00f3mica e social. Ent\u00e3o, o anarco-sindicalismo era o que de mais avan\u00e7ado havia no seio da classe oper\u00e1ria. Atrav\u00e9s do movimento sindical, os trabalhadores desencadearam uma vaga de greves para conter o aumento da explora\u00e7\u00e3o e a degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o apoio da Uni\u00e3o Oper\u00e1ria Nacional, cresceram os protestos e, no calor dessas lutas, a classe oper\u00e1ria conquistou, finalmente, a hist\u00f3rica vit\u00f3ria da jornada de 8 horas de trabalho para o com\u00e9rcio e ind\u00fastria. Em setembro de 1919, as organiza\u00e7\u00f5es sindicais deram um novo passo para o refor\u00e7o da sua unidade e fundaram a Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho (CGT), que chegaria \u00e0s dezenas de milhares de membros.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, em 1917, a R\u00fassia foi o epicentro de um terramoto pol\u00edtico que havia de marcar a hist\u00f3ria do proletariado. Depois da Comuna de Paris, em 1871, a revolu\u00e7\u00e3o socialista de Outubro e a cria\u00e7\u00e3o do primeiro Estado oper\u00e1rio mostraram que era poss\u00edvel atrav\u00e9s da experi\u00eancia dos revolucion\u00e1rios russos alcan\u00e7ar o poder.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m em Portugal, como noutros pa\u00edses, surgiu um movimento de apoio \u00e0 causa bolchevique. Criaram-se c\u00edrculos de estudo e divulga\u00e7\u00e3o das ideias que chegavam do outro lado da Europa. Em abril de 1919, foi fundada a Federa\u00e7\u00e3o Maximalista Portuguesa, antes Soviet de Propaganda Social, que passou a editar o seman\u00e1rio&nbsp;Bandeira Vermelha. S\u00f3 no distrito de Lisboa havia 29 n\u00facleos desta organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro do ano seguinte, realizaram-se v\u00e1rias reuni\u00f5es nas sedes de alguns sindicatos, com o objetivo de criar uma estrutura que fosse a vanguarda revolucion\u00e1ria da classe oper\u00e1ria portuguesa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A prova de fogo do futuro Partido Comunista Portugu\u00eas (PCP), come\u00e7ou logo no primeiro encontro da rec\u00e9m formada Comiss\u00e3o Organizadora. Estava marcado para o dia 20 de dezembro de 1920, na sede da Associa\u00e7\u00e3o dos Caixeiros de Lisboa, na rua Ant\u00f3nio Maria Cardoso. Manuel Ribeiro, diretor do&nbsp;Bandeira Vermelha, estava preso j\u00e1 h\u00e1 dois meses e n\u00e3o podia participar na reuni\u00e3o. A presidir os trabalhos, Eduardo Metzner viu como a pol\u00edcia invadiu o edif\u00edcio e proibiu o encontro sob a justifica\u00e7\u00e3o de que os promotores da reuni\u00e3o n\u00e3o possu\u00edam a devida autoriza\u00e7\u00e3o do governador civil e que n\u00e3o podiam ser discutidos assuntos pol\u00edticos na sede de um sindicato. Apesar da repress\u00e3o policial, em janeiro e fevereiro de 1921, a Comiss\u00e3o Organizadora elaborou as bases org\u00e2nicas deste novo partido.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Funda\u00e7\u00e3o do PCP<\/h2>\n\n\n\n<p>Quem est\u00e1 habituado a subir a Rua da Madalena sabe que \u00e9 uma art\u00e9ria inclinada. Os oper\u00e1rios que subiram esta encosta de Lisboa no dia 6 de mar\u00e7o de 1921 estavam a dar os primeiros passos para a funda\u00e7\u00e3o de um partido que seria a grande for\u00e7a da resist\u00eancia ao fascismo, obreiro da revolu\u00e7\u00e3o de Abril e estandarte do socialismo e da luta dos trabalhadores por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Do lado direito da rua, no n\u00ba 225, no 1\u00ba andar, um por um, entraram pela porta da sede da Associa\u00e7\u00e3o dos Empregados de Escrit\u00f3rio para celebrar a assembleia que elegeu a primeira dire\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Portugu\u00eas. Portugal assistia h\u00e1 precisamente cem anos ao nascimento de uma organiza\u00e7\u00e3o que decidiu levar adiante as ideias dos alem\u00e3es Marx e Engels e do russo L\u00e9nine. Quando faz a sua apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica, o Partido Comunista Portugu\u00eas publicou os 21 pontos da Internacional Comunista, que constituem a sua base pol\u00edtica, confirmando a sua ades\u00e3o \u00e0 constela\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que despontava em todo o mundo. Ao longo de um s\u00e9culo de hist\u00f3ria, os comunistas portugueses protagonizaram epis\u00f3dios que marcaram de forma indel\u00e9vel um percurso que se confunde com a hist\u00f3ria da luta da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Partido da resist\u00eancia antifascista&nbsp;e da revolu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Quase metade dos cem anos que os comunistas portugueses agora celebram foram passados na clandestinidade. Logo em 1926, apenas cinco anos ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o, quando o partido ainda se estava a erguer e com limitada influ\u00eancia, realiza o seu segundo congresso na Caixa Econ\u00f3mica Oper\u00e1ria. Comparecem ainda cerca de 100 delegados mas o encontro interrompe os trabalhos porque no dia anterior d\u00e1-se o golpe militar que instaurou a ditadura fascista.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1929, o oper\u00e1rio Bento Gon\u00e7alves torna-se secret\u00e1rio-geral do PCP e dirige uma reorganiza\u00e7\u00e3o para construir um partido de orienta\u00e7\u00e3o marxista-leninista combatendo conce\u00e7\u00f5es anarco-sindicalistas e reviralhistas. \u00c9 durante este per\u00edodo que se d\u00e3o duras lutas contra a fasciza\u00e7\u00e3o do Estado que assistem \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o fascista com Salazar.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos dirigentes e militantes do partido enchem as pris\u00f5es e inauguram o campo de concentra\u00e7\u00e3o do Tarrafal, em Cabo Verde. Entre muitos outros, em 1942, \u00e9 ali que morre, v\u00edtima do fascismo, Bento Gon\u00e7alves. Durante este per\u00edodo, d\u00e1-se uma nova reorganiza\u00e7\u00e3o do partido que o tornaria numa organiza\u00e7\u00e3o nacional determinante nas lutas oper\u00e1rias e camponesas, ganhando prest\u00edgio junto dos trabalhadores e intelectuais. \u00c9 tamb\u00e9m em 1943 que se d\u00e1 o terceiro congresso do partido, na clandestinidade, que elege \u00c1lvaro Cunhal, Jos\u00e9 Greg\u00f3rio e Manuel Guedes para o secretariado do Comit\u00e9 Central, com hist\u00f3ricos como Pires Jorge, S\u00e9rgio Vilarigues, Alfredo Dinis e Dias Louren\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase meio s\u00e9culo de crimes contra os comunistas e outros democratas, n\u00e3o puderam acabar com o \u00fanico partido que sobreviveu \u00e0 ditadura. Para al\u00e9m dos assassinatos e da tortura, muitos pagaram com a pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 j\u00e1 em 1961, depois da fuga de Peniche de 10 dirigentes do PCP, entre os quais \u00c1lvaro Cunhal, que seria eleito secret\u00e1rio-geral, que se tra\u00e7a o caminho para a derrota do fascismo atrav\u00e9s de um levantamento nacional \u201ccom a participa\u00e7\u00e3o ou neutraliza\u00e7\u00e3o de grande parte das for\u00e7as militares\u201d. Esta linha, inscrita no relat\u00f3rio do Comit\u00e9 Central, intitulado de Rumo \u00e0 Vit\u00f3ria, constituiu o farol pol\u00edtico dos comunistas at\u00e9 ao derrubamento da ditadura.<\/p>\n\n\n\n<p>As reivindica\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e camponesas, tamb\u00e9m das mulheres, os protestos estudantis e a luta dos povos africanos contra o colonialismo e pela sua independ\u00eancia tiveram a participa\u00e7\u00e3o e o apoio dos comunistas portugueses que em 1965 anunciaram o Programa para a Revolu\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica e Nacional, aprovado no sexto congresso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Culminando quase cinco d\u00e9cadas de resist\u00eancia e luta popular, os capit\u00e3es do Movimento das For\u00e7as Armadas derrubaram o governo fascista e abriram o caminho para conquistas sociais que tiveram a ampla participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e do povo. O indiscut\u00edvel papel do PCP na resist\u00eancia ao fascismo aumentou exponencialmente o prest\u00edgio do partido. Em outubro de 1974, o PCP tinha cerca de 30 mil militantes e em sete meses passa para 100 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da contra-revolu\u00e7\u00e3o, a capacidade de resist\u00eancia, ao lado do movimento oper\u00e1rio e popular, fazem dos comunistas, ainda hoje, um dos principais porta-vozes das conquistas sociais, pol\u00edticas, econ\u00f3micas e culturais do processo revolucion\u00e1rio. Cem anos e muitas gera\u00e7\u00f5es depois, o PCP continua a enunciar, como em 1921, o prop\u00f3sito de transformar a sociedade para acabar com a explora\u00e7\u00e3o e alcan\u00e7ar uma sociedade de paz, progresso e justi\u00e7a social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi a 6 de mar\u00e7o de 1921 que nasceu o Partido Comunista Portugu\u00eas. Esteve na clandestinidade quase metade da sua exist\u00eancia, encabe\u00e7ou a resist\u00eancia contra o fascismo e foi um dos principais protagonistas da revolu\u00e7\u00e3o de Abril. 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