{"id":4305,"date":"2021-02-02T17:12:18","date_gmt":"2021-02-02T17:12:18","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4305"},"modified":"2021-03-01T23:21:46","modified_gmt":"2021-03-01T23:21:46","slug":"nao-sinto-essa-obrigacao-de-estar-sempre-a-fazer-rir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/02\/02\/nao-sinto-essa-obrigacao-de-estar-sempre-a-fazer-rir\/","title":{"rendered":"Diogo Faro: \u201cN\u00e3o sinto essa obriga\u00e7\u00e3o de estar sempre a fazer rir\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Vens de uma fam\u00edlia politizada? Como \u00e9 que o humor se encontra com a pol\u00edtica?<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, a minha fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 super politizada, mas sempre foi de esquerda. O meu pai era um dos m\u00fasicos que andava com o Zeca Afonso e com o Z\u00e9 M\u00e1rio Branco. Foi diretor do GAC, foi da UDP e mais uma data de coisas. Depois deixou um bocado a luta para ficar s\u00f3 na m\u00fasica&#8230;&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E sentes que vais beber a essas ra\u00edzes?<\/p>\n\n\n\n<p>Sim. Sabendo que o meu pai andou pelo pa\u00eds todo nas f\u00e1bricas e nos com\u00edcios e a cantar pelo pa\u00eds. Andou por Fran\u00e7a com o Zeca e com o Z\u00e9 M\u00e1rio acho que foi para o Jap\u00e3o. E, pronto, isto tamb\u00e9m mexe connosco, n\u00e3o \u00e9? Depois, eu tamb\u00e9m era mais para ser m\u00fasico, fiz o conservat\u00f3rio todo.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como \u00e9 que se d\u00e1 o processo de chegar a comediante? Sei que andaste a fazer stand-up em bares.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, eu estava numa ag\u00eancia enquanto criativo, publicit\u00e1rio, j\u00e1 trabalhava, mas eu trabalhava imenso, aquilo era estupidez. E agora, quanto mais conhe\u00e7o do mundo, mais percebo que estava a ser explorad\u00edssimo. Depois sa\u00ed e comecei a fazer stand-up nuns barzitos e comecei a fazer outros trabalhos. As coisas foram correndo bem. Sempre gostei muito de escrever, tinha um blogue antes de ser comediante e a\u00ed \u00e9 que se desenvolveu o \u201cSensivelmente Idiota\u201d que depois passou para p\u00e1gina de facebook, cresceu muito e as coisas todas conjugadas fizeram-me o \u201cok, vou ser comediante\u201d. E, passado um ano, consegui sair da casa da minha m\u00e3e e pagar a minha renda, dividir a casa com mais tr\u00eas marmanjos.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">O teu trabalho e a tua presen\u00e7a nas redes sociais invoca muitas vezes causas pol\u00edticas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Realmente o meu percurso de comediante tem-se afunilado muito no processo de comediante pol\u00edtico e tento usar a minha plataforma para falar mais de pol\u00edtica e de consci\u00eancia social. No in\u00edcio, interessava-me enquanto cidad\u00e3o, porque sempre me interessou, mas n\u00e3o misturava muito.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Alguns humoristas como o Ricardo Ara\u00fajo Pereira d\u00e3o a entender que o seu objetivo primordial \u00e9 o humor e que o resto \u00e9&nbsp;secund\u00e1rio. Tu usa-lo como arma pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o me rejo por essa m\u00e1xima da maior parte dos comediantes de que \u201cs\u00f3 tenho \u00e9 que fazer rir\u201d. Eu sinto-me artista e se quiser escrever um texto que n\u00e3o \u00e9 para rir, escrevo, se for para rir, tamb\u00e9m\u2026 Outra coisa, eu n\u00e3o minto \u00e0s pessoas. Se estou a vender um espet\u00e1culo de stand-up, tenho de fazer rir, n\u00e3o \u00e9? Mas n\u00e3o sinto essa obriga\u00e7\u00e3o de estar sempre a fazer rir e que tenho de privilegiar sempre o humor e a piada acima de tudo.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Mas encaras o humor como uma ferramenta de poss\u00edvel transforma\u00e7\u00e3o social, ou seja, de consciencializar pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, n\u00e3o descarto essa responsabilidade. Tamb\u00e9m acho que n\u00e3o faz sentido dizermos, l\u00e1 est\u00e1, que \u00e9 s\u00f3 uma piada e que n\u00e3o vou mudar a opini\u00e3o dos outros com a minha piada e com os meus textos. \u00c9 mentir, n\u00e3o \u00e9 verdade. Com a quantidade de seguidores que eu tenho, e com as pessoas que v\u00e3o aos meus espet\u00e1culos, n\u00e3o estou a dizer que sou um profeta, mas para o bem e para o mal, porque tamb\u00e9m h\u00e1 montes de gente que n\u00f3s sabemos que me odeia, eu sei que o que digo afeta as pessoas. Pode realmente mudar para o bem ou pode n\u00e3o fazer nada mas n\u00e3o posso dizer que as coisas que eu fa\u00e7o passam inc\u00f3lumes e que n\u00e3o h\u00e1 responsabilidade. H\u00e1 responsabilidade nas coisas que eu digo e que eu fa\u00e7o, como \u00e9 \u00f3bvio. Com a plateia que eu tenho, tenho de assumir a minha responsabilidade e n\u00e3o descartar e fingir que isto \u00e9 s\u00f3 o humor e n\u00e3o me liguem. N\u00e3o, n\u00e3o faz sentido.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">As pessoas chegam at\u00e9 ti sobretudo pelas redes sociais, que \u00e9 um terreno cada vez mais central do discurso pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tenho uma rela\u00e7\u00e3o de amor-\u00f3dio com as redes sociais. S\u00e3o super importantes, mas tamb\u00e9m as estudo muito, com os document\u00e1rios que t\u00eam sa\u00eddo, os livros que tenho lido, s\u00e3o extremamente preocupantes como o&nbsp;<em>The Age of Surveillance Capitalism<\/em>, da Shoshana Zuboff, sobre os algoritmos e como est\u00e3o a condicionar tudo, a maneira como radicalizam muito as pessoas. Isto est\u00e1 tudo ligado ao capitalismo das big-tech, etc. E \u00e9 extramente preocupante. Por outro lado, se n\u00f3s tamb\u00e9m desistirmos e n\u00e3o usarmos as redes sociais para o lado bom, para as pol\u00edticas mais humanistas e sociais, deixamos tudo ao deus-dar\u00e1.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como \u00e9 que te preparas, sentes necessidade de aprofundar os temas?<\/p>\n\n\n\n<p>Sou um desorganizado do cara\u00e7as. Tenho \u00e9 muito interesse. Estou a ler um livro e depois de repente vou \u00e0 internet e compro outros dois porque aquele livro me conduziu a sugest\u00f5es e depois ainda nem sequer estou a acabar aquele e j\u00e1 estou a encomendar mais. Agora estive a ver uma reportagem super assustadora sobre a gera\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria, sobre como est\u00e1 o movimento de fascistas em Fran\u00e7a e como est\u00e1 ligado \u00e0 Le Pen. \u00c9 assustador. Estou sempre a ver este tipo de document\u00e1rios, h\u00e1 anos! O meu discurso n\u00e3o \u00e9 de agora. Mal se falava do Ventura, j\u00e1 eu andava a ver uma data destas coisas e a ver o que \u00e9 que se passava na Hungria e na Pol\u00f3nia.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">De que forma \u00e9 que achas que as redes&nbsp;sociais t\u00eam ajudado a extrema-direita a&nbsp;solidificar o seu discurso, a expandi-lo e&nbsp;a angariar mais apoiantes?<\/p>\n\n\n\n<p>No sentido de ser simplista e r\u00e1pido, porque o discurso da extrema-direita \u00e9 super simplista. \u00c9 mais f\u00e1cil dizeres num post que a culpa \u00e9 dos ciganos do que explicar o que \u00e9 um sistema super complicado pol\u00edtico e socioecon\u00f3mico que est\u00e1 a lixar o mundo atrav\u00e9s de transa\u00e7\u00f5es financeiras. E depois h\u00e1 toda a quest\u00e3o do algoritmo e de como privilegia \u2014 e j\u00e1 est\u00e1 provado em v\u00e1rios estudos \u2014 o discurso de \u00f3dio, porque rende mais em termos de publicidade.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Depois das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, ficaste com a ideia de que h\u00e1 500 mil portugueses fascistas?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o posso achar isso. Acho que \u00e9 contraproducente e n\u00e3o vamos ganhar nada. Mas n\u00e3o vou passar um pano sobre isso porque h\u00e1 muita gente fascista. Um amigo que se est\u00e1 a marimbar para os direitos das outras pessoas e que quer mesmo uma elite superior no governo do pa\u00eds e do mundo n\u00e3o tem desculpa e c\u00e1 estaremos para lutar. Agora, h\u00e1 outros \u2014 e isto n\u00e3o \u00e9 nada representativo do pa\u00eds \u2014 mas d\u00e1-me um bocadinho de esperan\u00e7a: \u00e9 que eu recebi v\u00e1rias mensagens a prop\u00f3sito do v\u00eddeo que fiz a tentar desmontar as mentiras do Ventura, precisamente sem come\u00e7ar logo a chamar fascista e racista, para ter uma atitude mais explicativa. O v\u00eddeo era para as pessoas imaginarem o que \u00e9 estar num pa\u00eds sem sindicatos, sem sistema nacional de sa\u00fade, sem educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Para al\u00e9m de ele mandar uma deputada negra para a terra dela e essas barbaridades. E o facto \u00e9 que recebi, que tenham sido dez mensagens. Parece pouco, mas ao mesmo tempo \u00e9 imenso, pessoas a dizerem \u201cobrigado, consegui convencer o meu pai a n\u00e3o votar no Ventura por causa do teu v\u00eddeo\u201d e \u201colha mostrei a dois amigos meus e eles perceberam que afinal este gajo \u00e9 um intruja\u201d. Portanto deu-me um bocadinho de esperan\u00e7a. H\u00e1 um caminho, muito dif\u00edcil e trabalhoso, mas h\u00e1 um caminho de n\u00e3o hostilizarmos, se n\u00e3o pusermos todos no mesmo saco.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Isto vai ao encontro daquele debate que&nbsp;existe desde o Trump e do Bolsonaro sobre se&nbsp;se deve dar palco ou n\u00e3o \u00e0 extrema-direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos de ser criteriosos, tanto eu como os jornalistas&#8230; H\u00e1 coisas \u00f3bvias, n\u00e3o \u00e9? Se levas o Ventura ao programa da tarde e lhe d\u00e1s uma coelha para fazer festinhas&#8230; Isto \u00e9 l\u00f3gico para algu\u00e9m em democracia? \u00c9 l\u00f3gico teres o Diogo Pacheco Amorim a falar num debate para a RTP, um gajo que toda sabe que \u00e9 terrorista e que andou a tentar que o 25 de Abril n\u00e3o acontecesse? \u00c9 que isto, para mim, \u00e9 chocante. Por outro lado, claro que se tem de falar das coisas, tem de se desmontar, tem de haver investiga\u00e7\u00f5es grandes como a do Miguel Carvalho na Vis\u00e3o ou como a do Pedro Coelho na SIC. Tem que haver um bocado de bom senso. Estas coisas do Goucha relativizar e normalizar a extrema-direita n\u00e3o faz sentido nenhum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">De certa forma, quando o Ventura lan\u00e7a o desafio de se demitir se ficasse em 3.\u00ba lugar parece que isso passou a ser a quest\u00e3o&nbsp;central da campanha eleitoral para alguns. <\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho que todos os candidatos estiveram relativamente&nbsp;bem nisso, tanto a Ana Gomes, como o Jo\u00e3o ou a Marisa. Sempre convictos dos seus ideais e a falar do Marcelo e a relativizar a presen\u00e7a desse anormal. Mas l\u00e1 est\u00e1, a comunica\u00e7\u00e3o social, e n\u00e3o gosto de p\u00f4r toda a comunica\u00e7\u00e3o social no mesmo saco, vai atr\u00e1s do circo. Agora no rescaldo das elei\u00e7\u00f5es, houve alguns sites, alguns \u00f3rg\u00e3os, que noticiaram como o Marcelo foi vencedor, mas que a estrela foi Ventura. Mas qual estrela? Mas porque \u00e9 que estamos a chamar estrela a um fascista?&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Costumas receber amea\u00e7as?<\/p>\n\n\n\n<p>Quase todos os dias&#8230;H\u00e1 coisas grav\u00edssimas que me dizem. Acho que n\u00e3o \u00e9 nada normal que me digam \u201cdevias ser decapitado no Terreiro do Pa\u00e7o\u201d. Acho que n\u00e3o \u00e9 normal que se diga isto a uma pessoa s\u00f3 porque n\u00e3o se concorda com ela. Eu sei que posso ser bruto mas as coisas que defendo s\u00e3o todos vivermos felizes e como \u00e9 que algu\u00e9m me vem dizer \u201ctu devias ser decapitado no Terreiro do Pa\u00e7o\u201d?<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Tocas muito nas quest\u00f5es do racismo, da homofobia, do feminismo. Tens a leitura de que essas formas de discrimina\u00e7\u00e3o t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o direta com o capitalismo?<\/p>\n\n\n\n<p>Claro, mas demorei a perceber isso, e ainda estou a perceber. Est\u00e1 tudo mais que ligado e mais do que nunca \u00e9 altura de todos, n\u00f3s de esquerda, de centro, de percebermos que o sistema capitalista \u00e9 o principal fomentador das outras opress\u00f5es e de como todas est\u00e3o ligadas: racismo, xenofobia, transfobia, machismo. E essa \u00e9 outra das coisas que eu quero tentar passar para mais perto das pessoas.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">H\u00e1 tamb\u00e9m um grande preconceito em rela\u00e7\u00e3o aos sindicatos, \u00e0s lutas dos trabalhadores e muitas vezes parece que \u00e9 mais f\u00e1cil abra\u00e7ar certas lutas contra o racismo, contra a homofobia, etc., do que uma luta sindical. Sentes isso?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sinto e por isso \u00e9 que acho que \u00e9 t\u00e3o importante as coisas come\u00e7arem a estar mais ligadas e que se fale cada vez mais da interseccionalidade das lutas. N\u00e3o faz sentido um feminismo sem luta de classes, nem um anti-racismo sem luta de classes. \u00c0s vezes rio-me quando vejo tweets \u201cah, a comunica\u00e7\u00e3o social \u00e9 toda liderada pela esquerda\u201d. \u00c9 quase tudo de direita, quase todos os comentadores s\u00e3o de centro-direita ou fascistas, tipo o J\u00fadice. Assim fica dif\u00edcil de formar opini\u00e3o e de valorizar este tipo de assuntos, os direitos dos trabalho e dos trabalhadores. Como h\u00e1 muito menos gente a falar sobre isso, \u00e9 sempre chutado para canto. Mesmo os outros assuntos, de racismo e de feminismo, tamb\u00e9m essas lutas s\u00e3o desvalorizadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diogo Faro tem 33 anos e \u00e9 um dos humoristas mais seguidos nas redes sociais.<br \/>\nAcompanhado por dezenas de milhares de pessoas, procura fazer do humor uma arma<br \/>\npol\u00edtica contra todas as formas de discrimina\u00e7\u00e3o e assume-se abertamente antifascista.<br \/>\nPara o jovem, fazer rir pode ser uma forma de mudar as pessoas.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":4306,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4305"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4305"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4305\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4369,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4305\/revisions\/4369"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4306"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4305"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=4305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}