{"id":4268,"date":"2021-02-02T16:34:43","date_gmt":"2021-02-02T16:34:43","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4268"},"modified":"2021-03-01T22:40:09","modified_gmt":"2021-03-01T22:40:09","slug":"um-projeto-coletivo-que-celebra-138-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/02\/02\/um-projeto-coletivo-que-celebra-138-anos\/","title":{"rendered":"Um projeto coletivo que celebra 138 anos"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 1879, oito anos depois da forma\u00e7\u00e3o do primeiro governo oper\u00e1rio da hist\u00f3ria na Comuna de Paris, que este ano celebra 150 anos, as mulheres e os homens que defendiam os mesmos princ\u00edpios e suavam em Lisboa por meia d\u00fazia de tost\u00f5es na ind\u00fastria tabaqueira decidiram fazer este jornal e chamar-lhe A Voz do Oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Como afirmou o sindicalista Jos\u00e9 Greg\u00f3rio de Almeida, em 1938, A Voz do Oper\u00e1rio nasceu \u201cda luta dos trabalhadores das f\u00e1bricas de tabaco\u201d face ao seu \u201cesmagamento moral e material\u201d, num tempo em que este era um dos setores oper\u00e1rios mais \u201cdesgra\u00e7ados\u201d. Porque a imprensa generalista n\u00e3o lhes dava voz, um grupo de trabalhadores mais conscientes percebeu a import\u00e2ncia de terem o seu pr\u00f3prio jornal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A exig\u00eancia financeira que implicava a manuten\u00e7\u00e3o desta publica\u00e7\u00e3o levou a que os oper\u00e1rios tabaqueiros procurassem formas de sobreviv\u00eancia para o projeto. \u00c9 assim que, a 13 de fevereiro de 1883, nasce a Sociedade Cooperativa A Voz do Oper\u00e1rio em cujos estatutos se escreveu ser objeto desta associa\u00e7\u00e3o \u201csustentar a publica\u00e7\u00e3o do peri\u00f3dico A Voz do Oper\u00e1rio, \u00f3rg\u00e3o dos manipuladores de tabaco, desligado de qualquer partido ou grupo pol\u00edtico\u201d; \u201cestudar o modo de resolver o grandioso problema do trabalho, procurando por todos os meios legais melhorar as condi\u00e7\u00f5es deste, debaixo dos pontos de vista econ\u00f3mico, moral e higi\u00e9nico\u201d; \u201cestabelecer escolas, gabinete de leitura, caixa econ\u00f3mica e tudo quanto, em harmonia com a \u00edndole das sociedades desta natureza, e com as circunst\u00e2ncias do cofre, possa concorrer para a instru\u00e7\u00e3o e bem-estar da classe trabalhadora em geral e dos s\u00f3cios em particular\u201d. Para tanto, os 316 s\u00f3cios da altura comprometiam-se a pagar uma quota semanal de vinte r\u00e9is, quantia que retiravam dos seus humildes sal\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o objetivo de instruir os oper\u00e1rios e os seus filhos, A Voz do Oper\u00e1ria encetava um caminho do qual nunca se desligou e pelo qual \u00e9 amplamente reconhecido. Hoje, A Voz do Oper\u00e1rio mant\u00e9m viva a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade de Lisboa e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Ao longo da hist\u00f3ria, a institui\u00e7\u00e3o que foi erguida com o esfor\u00e7o coletivo dos trabalhadores nunca abandonou as ra\u00edzes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Da institui\u00e7\u00e3o que atravessou tr\u00eas s\u00e9culos, fizeram parte mulheres e homens que combateram a monarquia, que defenderam os sindicatos na convuls\u00e3o social durante a Rep\u00fablica, que resistiram ao fascismo e pagaram com a pris\u00e3o, que levantaram a bandeira da revolu\u00e7\u00e3o de Abril e que lutam, hoje, por uma sociedade mais justa, sem exploradores nem explorados.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, \u00e9 um projeto de ra\u00edzes s\u00f3lidas, reconhecido publicamente, que se mant\u00e9m fiel aos seus valores iniciais e que assenta a sua atividade no ensino atrav\u00e9s de um modelo pedag\u00f3gico alternativo em sete diferentes espa\u00e7os educativos localizados na Gra\u00e7a, Ajuda, Restelo, Baixa da Banheira, Lavradio e Laranjeiro. A institui\u00e7\u00e3o desenvolve diferentes servi\u00e7os de apoio social atrav\u00e9s do seu refeit\u00f3rio, do servi\u00e7o de apoio domicili\u00e1rio e do seu centro de conv\u00edvio. Simultaneamente, a profus\u00e3o de atividades desportivas e culturais faz parte da vida d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio desde o seu nascimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O cabeleireiro social e o balne\u00e1rio s\u00e3o outras das val\u00eancias da institui\u00e7\u00e3o que est\u00e3o dispon\u00edveis \u00e0 comunidade. Entrar n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio \u00e9, em tempos normais, assistir a um corropio de gente que entra e sai para in\u00fameras atividades. Seja para um ensaio de gaita de foles, para um jogo de futsal ou uma pe\u00e7a de teatro e as pessoas que d\u00e3o corpo a este projeto s\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o d\u2019A Voz.<\/p>\n\n\n\n<p>Como parte integrante do movimento associativo, a institui\u00e7\u00e3o faz parte da Associa\u00e7\u00e3o das Coletividades do Concelho de Lisboa, da Federa\u00e7\u00e3o das Coletividades do Distrito de Lisboa e da Confedera\u00e7\u00e3o Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto.<\/p>\n\n\n\n<p>A Voz do Oper\u00e1rio caminha de p\u00e9s bem assentes no ch\u00e3o do presente, de olhos postos no futuro, sem nunca esquecer o seu passado. Hoje, como ontem, h\u00e1 muitas e boas raz\u00f5es para abra\u00e7ar este projeto e fazer parte de um imenso coletivo de mulheres e homens determinados a continuar a semear um porvir de justi\u00e7a social e progresso.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Festa adiada<\/h2>\n\n\n\n<p><br>A celebra\u00e7\u00e3o do 138\u00ba anivers\u00e1rio d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel nas atuais circunst\u00e2ncias mas est\u00e1 previsto que ela seja realizada logo que poss\u00edvel. Recordar a hist\u00f3ria de olhos postos no futuro \u00e9 um dever de todos aqueles que herdam das gera\u00e7\u00f5es anteriores o percurso de luta e constru\u00e7\u00e3o de uma institui\u00e7\u00e3o \u00edmpar.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Novos \u00f3rg\u00e3os tomaram posse<\/h2>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0s circunst\u00e2ncias sanit\u00e1rias que marcam a atualidade, a tomada de posse dos \u00f3rg\u00e3os escolhidos pelos associados da institui\u00e7\u00e3o no final de 2020 realizou-se de forma condicionada atrav\u00e9s de meios telem\u00e1ticos. A lista eleita que agora assumiu a dire\u00e7\u00e3o d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio assume um mandato que se espera de continuidade e refor\u00e7o da atividade da institui\u00e7\u00e3o.<br>Em entrevista, o reeleito presidente da mesa da Assembleia-Geral, Lib\u00e9rio Domingues, afirmava em dezembro que o mandato que agora come\u00e7a significa a \u201ccontinuidade de um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por esta equipa, com um ou outro refor\u00e7o, no sentido da renova\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o tamb\u00e9m sindicalista referia o ensino como \u201cuma das principais marcas d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio\u201d e que o objetivo ser\u00e1 manter o \u201cprocesso em constante evolu\u00e7\u00e3o, aperfei\u00e7oamento, moderno\u201d. J\u00e1 no plano associativo, Lib\u00e9rio Domingues destacou a import\u00e2ncia da institui\u00e7\u00e3o no contexto de pandemia. Desde logo a partir da sua liga\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade, \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e ao movimento sindical, rompendo dist\u00e2ncias e garantindo a liga\u00e7\u00e3o aos mais desfavorecidos das zonas onde tem espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a pandemia, a institui\u00e7\u00e3o tem continuado a garantir refei\u00e7\u00f5es e cuidados atrav\u00e9s do servi\u00e7o de apoio domicili\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1879, oito anos depois da forma\u00e7\u00e3o do primeiro governo oper\u00e1rio da hist\u00f3ria na Comuna de Paris, que este ano celebra 150 anos, as mulheres e os homens que defendiam os mesmos princ\u00edpios e suavam em Lisboa por meia d\u00fazia de tost\u00f5es na ind\u00fastria tabaqueira decidiram fazer este jornal e chamar-lhe A Voz do Oper\u00e1rio. &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/02\/02\/um-projeto-coletivo-que-celebra-138-anos\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">Um projeto coletivo que celebra 138 anos<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":153,"featured_media":4269,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[89],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4268"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4268"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4268\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4358,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4268\/revisions\/4358"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4269"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4268"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=4268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}