{"id":4258,"date":"2021-02-02T16:25:56","date_gmt":"2021-02-02T16:25:56","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4258"},"modified":"2021-03-01T23:31:26","modified_gmt":"2021-03-01T23:31:26","slug":"a-importancia-do-espaco-exterior-em-tempos-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/02\/02\/a-importancia-do-espaco-exterior-em-tempos-de-pandemia\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia do espa\u00e7o exterior em tempos de pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p>Depois de alguns meses em casa, o regresso \u00e0 escola fez-se com todos os cuidados recomendados pela DGS de forma a manter toda a comunidade escolar em seguran\u00e7a. O desafio maior seria manter a nossa identidade e projeto educativo sem colocar em causa a seguran\u00e7a de todos e a confian\u00e7a que as fam\u00edlias t\u00eam em n\u00f3s. Por todo o lado v\u00edamos medidas adoptadas que constrangiam os processos de socializa\u00e7\u00e3o e de aprendizagem e as recomenda\u00e7\u00f5es diziam-nos para usufruirmos mais do espa\u00e7o exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>As Orienta\u00e7\u00f5es Curriculares para o Pr\u00e9-Escolar referem tamb\u00e9m o espa\u00e7o exterior como uma mais-valia para atividades da iniciativa da crian\u00e7a, pois possibilitam-lhes oportunidades de desenvolver diversas formas de intera\u00e7\u00e3o social e de contato e explora\u00e7\u00e3o de diversos materiais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ir \u00e0 rua, para muitas crian\u00e7as e fam\u00edlias, ia acontecer pela primeira vez ao final de muitos meses e, para muitos de n\u00f3s, este desconfinamento, depois de tanto tempo em casa, era pautado pelo medo e pela inseguran\u00e7a. Seria poss\u00edvel fazer visitas de estudo, visitar museus e ir ao teatro?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entendemos a escola como um espa\u00e7o privilegiado e promotor de constru\u00e7\u00e3o social e \u00e9 na partilha que consideramos que as crian\u00e7as (e os adultos) se desenvolvem e se constroem enquanto cidad\u00e3os. A escola, como dizia David Rodrigues, no ciclo de confer\u00eancias promovido pelo Museu do Aljube \u201cCidadania porque sim!\u201d, n\u00e3o substitui a fam\u00edlia mas esta tamb\u00e9m n\u00e3o substitui a escola enquanto espa\u00e7o de socializa\u00e7\u00e3o e de constru\u00e7\u00e3o da cidadania. \u00c9 a escola o espa\u00e7o que nos coloca em contacto com o outro, al\u00e9m de n\u00f3s e da nossa fam\u00edlia e o espa\u00e7o capaz, se o quiser, de promover a equidade entre todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos seres sociais, greg\u00e1rios e de contacto. Se os adultos podem, racionalmente, tentar manter o distanciamento f\u00edsico, deixar os abra\u00e7os e procurar outras formas de se expressar, para as crian\u00e7as este distanciamento \u00e9 dif\u00edcil, quase imposs\u00edvel de manter. Como expressar afetos? Como aprender a partilhar? Como desenvolver a empatia e compreender as emo\u00e7\u00f5es do outro?&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O exterior como espa\u00e7o para crescer&nbsp;na rela\u00e7\u00e3o consigo, com o outro e com&nbsp;o meio natural e social envolvente&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Um estudo promovido pela National Trust de 2018, sugere que a maioria das crian\u00e7as passa metade do tempo que os seus pais passavam em atividades ao ar livre. Os motivos que levam a tal s\u00e3o de ordem pol\u00edtica como a falta de tempo dos pais, mas tamb\u00e9m cultural, como o receio que as crian\u00e7as adoe\u00e7am ou se magoem.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria das nossas crian\u00e7as passam a maior parte do tempo dentro de um apartamento, sem espa\u00e7o livre para saltar, correr e desafiar o seu corpo. Conhecer os seus limites f\u00edsicos e dominar compet\u00eancias motoras \u00e9 fundamental para o seu crescimento f\u00edsico e psicol\u00f3gico (emocional e cognitivo).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Brincar no exterior de uma sala de aula, de uma casa, permite \u00e0 crian\u00e7a desenvolver a motricidade, a coordena\u00e7\u00e3o, o equil\u00edbrio e repor os n\u00edveis de vitamina D, t\u00e3o necess\u00e1rio para o bom desenvolvimento \u00f3sseo. A n\u00edvel psicol\u00f3gico (emocional e cognitivo), promove o bem-estar psicol\u00f3gico, a gest\u00e3o de stress e da ansiedade, a redu\u00e7\u00e3o da fadiga emocional. Em particular, quando brincar no exterior se caracteriza por brincar na natureza, falamos tamb\u00e9m de aprender a observar e contemplar o espa\u00e7o que a rodeia, refletir e questionar-se sobre ele, aprendendo sobre os elementos naturais e os seus arredores, sobre o clima, sobre a mudan\u00e7a das esta\u00e7\u00f5es e os diferentes animais que vivem l\u00e1 fora, aprender sobre quem somos neste ecossistema e qual a nossa pegada ecol\u00f3gica, pois ao contactar com a natureza a crian\u00e7a confronta-se com quest\u00f5es que lhe seriam vedadas se confinada a uma sala.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas brincar na rua traz tamb\u00e9m possibilidade de promover a sua criatividade, a capacidade de abstra\u00e7\u00e3o e a imagina\u00e7\u00e3o que surgem quando os materiais estruturados deixam de existir e a crian\u00e7a sente a necessidade de usar os recursos que disp\u00f5e \u00e0 sua volta para criar e experimentar diferentes pap\u00e9is sociais que negoceia, e testa limites enquanto inventa personagens; ao brincar no meio das \u00e1rvores a crian\u00e7a pode ser um urso na selva, ser uma bruxa ou um feiticeiro com um simples galho de uma \u00e1rvore ou um chef de culin\u00e1ria numa cozinha de lama.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas sair para o espa\u00e7o exterior \u00e9 tamb\u00e9m conhecer o mundo social ao redor, conhecer a nossa comunidade e a nossa cultura. Em Portugal, a pr\u00e1tica de sair da sala no ensino pr\u00e9-escolar e na creche tem-se tornado cada vez mais rara, sendo esse tempo ocupado por atividades que ensinam o mundo atrav\u00e9s de um caderno de fichas e de uma folha de papel. Devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pand\u00e9mica, menores foram as visitas de estudo e os passeios \u00e0 comunidade, ficando cada vez mais apartadas do mundo em que vivem e \u00e0 merc\u00ea das desigualdades sociais que n\u00e3o s\u00e3o colmatadas quando a escola fecha as crian\u00e7as entre as suas quatro paredes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao sair da sala, os educadores e professores permitem \u00e0s suas crian\u00e7as explorar o mundo, aprender fora da sala, experimentar e observar, entrar em contacto com o meio sociocultural em redor. Ao sair da escola a crian\u00e7a aprende regras de seguran\u00e7a e conviv\u00eancia social, conhece e come\u00e7a a construir o seu papel social. Descobre o mundo e d\u00e1 significado ao que aprende na escola.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fruto destas inquieta\u00e7\u00f5es, foi criado o mote para mantermos aquilo que, enquanto agentes de educa\u00e7\u00e3o, sabemos ser fundamental para o desenvolvimento infantil.<\/p>\n\n\n\n<p>Mantivemos visitas de estudo, aproveitando as condi\u00e7\u00f5es de higiene e seguran\u00e7a que os museus e teatros ofereciam e com a sorte dos espa\u00e7os se encontrarem muito menos lotados do que outrora, usufru\u00edmos do Ocean\u00e1rio de Lisboa, do Teatro LUCA, do CCB, e da Exposi\u00e7\u00e3o \u201cMeet Van Gogh\u201d. Tamb\u00e9m visitamos espa\u00e7os ao ar livre que nos permitiram maior contacto com a natureza: Pal\u00e1cio de Monserrate, Convento da Peninha, Guincho, Quinta do Pis\u00e3o, Lagoa Azul (todos no Parque Natural Sintra-Cascais), Serra da Arr\u00e1bida, Monsanto, praia, Dino Parque e ainda tivemos tempo de ir apanhar azeitona.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, come\u00e7amos a quebrar uma barreira cultural tipicamente portuguesa, o receio do tempo frio e o medo de ficar sujo. Por isso, fizemos muitas vezes como o caracol, quando come\u00e7ava a chuviscar, l\u00e1 \u00edamos n\u00f3s, chapinhar nas po\u00e7as de \u00e1gua, de galochas e fatos para a chuva, bem agasalhados, aproveitar a criatividade e liberdade que se tem quando se \u00e9 crian\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desta reflex\u00e3o nos remeter para o tempo de regresso \u00e0 escola e de como privilegiamos o espa\u00e7o exterior ao longo do primeiro per\u00edodo, estamos novamente em confinamento e pensando que possivelmente voltaremos ao Ensino \u00e0 Dist\u00e2ncia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Que o medo n\u00e3o nos tire a capacidade de pensar e de encontrar solu\u00e7\u00f5es para aquilo que acreditamos ser realmente importante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de alguns meses em casa, o regresso \u00e0 escola fez-se com todos os cuidados recomendados pela DGS de forma a manter toda a comunidade escolar em seguran\u00e7a. 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