{"id":4153,"date":"2021-01-04T16:19:59","date_gmt":"2021-01-04T16:19:59","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4153"},"modified":"2021-02-02T16:42:53","modified_gmt":"2021-02-02T16:42:53","slug":"uma-voz-no-combate-a-fome-e-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2021\/01\/04\/uma-voz-no-combate-a-fome-e-a-pobreza\/","title":{"rendered":"Uma Voz no combate \u00e0 fome e \u00e0 pobreza"},"content":{"rendered":"\n<p>Como em qualquer outro momento, a resposta solid\u00e1ria d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio mant\u00e9m-se como bandeira de uma institui\u00e7\u00e3o que nasceu com valores de igualdade e justi\u00e7a social. Nesse contexto, o Refeit\u00f3rio Social d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio insere-se na Rede Solid\u00e1ria de Cantinas Sociais &#8211; Programa de Emerg\u00eancia Alimentar, com o apoio do Instituto da Seguran\u00e7a Social, e abrange 30 utentes. Quando \u00e9 necess\u00e1rio, a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o assegura um n\u00famero superior de refei\u00e7\u00f5es, ocasionado pela elevada procura de apoio alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>A interven\u00e7\u00e3o levada a cabo com a popula\u00e7\u00e3o mais carenciada assenta numa l\u00f3gica de solidariedade que perpassa a hist\u00f3ria d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio e que tem o objetivo de fazer um acompanhamento que garanta as condi\u00e7\u00f5es para que os utentes possam deixar de recorrer a este programa de apoio. <\/p>\n\n\n\n<p>Junto da institui\u00e7\u00e3o, as pessoas que a ela recorrem encontram um espa\u00e7o dispon\u00edvel para o aux\u00edlio na supera\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos que se lhes v\u00e3o colocando. Esse apoio pode ir desde quest\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica at\u00e9 \u00e0 procura ativa de emprego, passando ainda por v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es de debilidade emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>Diariamente, mulheres e homens recorrem \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, numa casa que tamb\u00e9m \u00e9 sua, para encontrar no Refeit\u00f3rio Social uma resposta solid\u00e1ria num pa\u00eds marcado por injusti\u00e7as sociais. \u00c9 o caso de Alberto Gon\u00e7alves. Durante anos, foi jardineiro da autarquia no Campo Grande e chegou exercer esta profiss\u00e3o tamb\u00e9m na Moita. Agora, com 64 anos, a passar por dificuldades econ\u00f3micas, apenas com o rendimento social de inser\u00e7\u00e3o, \u00e9  um dos muitos utentes que recorre ao apoio d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio na alimenta\u00e7\u00e3o. Quando come\u00e7ou a frequentar a institui\u00e7\u00e3o, vivia na Rua do Benformoso e caminhava at\u00e9 \u00e0 Gra\u00e7a para levar comida confecionada na institui\u00e7\u00e3o para um amigo com uma defici\u00eancia motora. Um dia, uma assistente social perguntou-lhe por que n\u00e3o levava tamb\u00e9m comida para ele pr\u00f3prio. Foi h\u00e1 cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m o caso de Marta Figueiredo, jovem de 26 anos que vive na Quinta do Ferro e que trabalhava nas limpezas de um restaurante nas Caldas da Rainha. Quando ficou desempregada, logo no come\u00e7o da pandemia, decidiu rumar a Lisboa, onde vive o pai. Foi atrav\u00e9s da vizinha, Rosa Madalena da Silva, que soube do apoio d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. \u201cComo gosto de ser ajudada, tamb\u00e9m gosto de ajudar\u201d, diz Rosa enquanto explica que informou a institui\u00e7\u00e3o que conhecia uma pessoa que \u201cperdeu o emprego por causa da covid e que passa fome\u201d. Agora, as duas moradoras da Quinta do Ferro percorrem diariamente, juntas, a dist\u00e2ncia que separa o bairro d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade de quem recorre \u00e0 solidariedade da institui\u00e7\u00e3o difere de pessoa para pessoa mas, em geral, todas refletem grandes dificuldades econ\u00f3mico-sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Alberto Batista, de 52 anos, a viver em S\u00e3o Vicente, perto da Feira da Ladra, j\u00e1 recorria \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio quando a m\u00e3e era viva. Hoje, come sozinho mas n\u00e3o hesita em agradecer a solidariedade da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c0s vezes, s\u00e3o 30 utentes, mas j\u00e1 foram mais\u201d, explica Gra\u00e7a Nunes, a cozinheira d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, que entende que o Refeit\u00f3rio Social \u00e9 um servi\u00e7o importante. De facto, o n\u00famero j\u00e1 foi bem superior mas diminuiu devido \u00e0 sucessiva redu\u00e7\u00e3o de vagas imposta pela Seguran\u00e7a Social. H\u00e1 quase dois anos e meio \u00e0 frente da cozinha, confecionar comida para os outros \u00e9 fazer aquilo que gosta.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m Ana Isabel Ribeiro, encarregada do refeit\u00f3rio, de 61 anos, considera que \u00e9 importante a institui\u00e7\u00e3o estar presente quando h\u00e1 quem mais precisa. Depois de trabalhar no campo, quando era crian\u00e7a, come\u00e7ou a servir em casa de fam\u00edlias aos 14 anos, e foi j\u00e1 aos 18 que decidiu procurar uma vida melhor na ind\u00fastria hoteleira. Trabalha no setor h\u00e1 43 anos e est\u00e1 n\u2019A Voz h\u00e1 j\u00e1 15 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Afirma que a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 boa com quem recorre \u00e0 Voz e que acaba por se conhecer os h\u00e1bitos ou particularidades de cada um. \u201cH\u00e1 uma senhora que n\u00e3o come laranja e j\u00e1 sabemos que n\u00e3o vale a pena dar-lhe esta pe\u00e7a de fruta. H\u00e1 outra que \u00e9 diab\u00e9tica e tentamos arranjar uma maneira de que esta pessoa possa comer\u201d, exemplifica. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De norte a sul do pa\u00eds, sucedem-se as not\u00edcias que d\u00e3o conta do aumento da pobreza e da fome em v\u00e1rias fam\u00edlias. Depois de um ano em que a pandemia marcou a atualidade no mundo inteiro e o dia-a-dia de quem vive em Portugal, uma nova crise pode provocar novos retrocessos sociais. <\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":4154,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4153"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4153"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4153\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4280,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4153\/revisions\/4280"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4154"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4153"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4153"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4153"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=4153"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}