{"id":4019,"date":"2020-10-30T14:56:49","date_gmt":"2020-10-30T14:56:49","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=4019"},"modified":"2020-12-04T12:03:39","modified_gmt":"2020-12-04T12:03:39","slug":"barrar-o-fascismo-com-imprensa-plural-e-democratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/10\/30\/barrar-o-fascismo-com-imprensa-plural-e-democratica\/","title":{"rendered":"\u00abBarrar o fascismo com imprensa plural e democr\u00e1tica\u00bb"},"content":{"rendered":"\n<p>Alfredo Maia iniciou-se no jornalismo n\u2019O Primeiro de Janeiro e escreve atualmente no Jornal de Not\u00edcias, onde \u00e9 representante dos trabalhadores. O ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas faz parte do Conselho Deontol\u00f3gico desta estrutura sindical e considera que falta diversidade e democracia no panorama medi\u00e1tico portugu\u00eas.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">H\u00e1 quem atribua o div\u00f3rcio dos leitores com os jornais \u00e0 transi\u00e7\u00e3o para o digital. \u00c9 assim?<\/h2>\n\n\n\n<p>De facto, um jornal \u00e9 um bem quase de luxo, n\u00e3o \u00e9? \u00c9 um bem quase de luxo, custa bastante dinheiro e as pessoas t\u00eam de fazer op\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se pode comprar um jornal todos os dias, n\u00e3o \u00e9? Esse \u00e9 um fator. O outro, que me causa alguma preocupa\u00e7\u00e3o, tem a ver com a perce\u00e7\u00e3o que tenho de que, mesmo aqueles leitores que t\u00eam alguma capacidade aquisitiva, deixaram de comprar jornais pela simples raz\u00e3o de que n\u00e3o v\u00eaem satisfeitas as suas necessidades de informa\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, os jornais deixaram de responder, por um lado aos seus centros de interesse, e deixaram muitas vezes de os ajudar a compreender o mundo que os rodeia, a come\u00e7ar pela pr\u00f3pria cidade ou aldeia onde vivem e, portanto, deixaram de merecer o interesse.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ou seja, diria que os problemas das pessoas n\u00e3o aparecem nos jornais.<\/h2>\n\n\n\n<p>A perce\u00e7\u00e3o que vou tendo \u00e9 de que os jornais deixaram de responder \u00e0s expetativas. Por outro lado, h\u00e1 uma evidente redu\u00e7\u00e3o do pluralismo informativo e de opini\u00e3o. Eu creio que, ali\u00e1s, o maior problema que os media em geral enfrentam hoje \u00e9, de facto, a redu\u00e7\u00e3o brutal do pluralismo informativo. Quer dizer, \u00e9 porque j\u00e1 nem sequer h\u00e1 oportunidade de escolher na banca.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">E acha que isto ter\u00e1 a ver com a crise geral do sistema? Ou seja, no fundo, as pessoas identificam a comunica\u00e7\u00e3o social como sendo um pilar do sistema que lhes traz os problemas que as afetam?<\/h2>\n\n\n\n<p>Eu creio que, no quadro da luta ideol\u00f3gica, o estado a que a imprensa chegou interessa, nomeadamente, ao capitalismo. E que a forma\u00e7\u00e3o de um grande consenso impl\u00edcito acerca da agenda tem\u00e1tica, acerca do foco dado aos temas, acerca da apresenta\u00e7\u00e3o de um conjunto de factos como inevit\u00e1veis na vida das pessoas e da comunidade s\u00e3o elementos que acabam por afastar os leitores. Como se sentissem, e eu creio que em muitos casos sentem, tra\u00eddos nessa expetativa que tinham de ter uma oferta informativa realmente diversificada e que os ajude a compreender o mundo.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Isso pode explicar porque \u00e9 que hoje as pessoas sentem que t\u00eam mais voz atrav\u00e9s das redes sociais?<\/h2>\n\n\n\n<p>Em boa verdade \u00e9 certo que as redes sociais, de alguma maneira, sendo um instrumento do capitalismo, democratizaram a livre express\u00e3o de opini\u00e3o. E sendo um instrumento ao alcance de qualquer pessoa minimamente informada sobre aquela ferramenta e minimamente capaz de a utilizar, pois sentem-se bastante \u00e0 vontade para fazer isso e sobretudo sentem essa necessidade.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mas tamb\u00e9m se sente uma certa indigna\u00e7\u00e3o sem rumo, n\u00e3o \u00e9? Que facilmente \u00e9 aproveitada por for\u00e7as de extrema-direita, negacionistas, obscurantistas&#8230;<\/h2>\n\n\n\n<p>Disso n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Este movimento geral contra a ci\u00eancia que se reflete tamb\u00e9m um pouco contra a pr\u00f3pria comunica\u00e7\u00e3o social. Ou seja, h\u00e1 um movimento de descr\u00e9dito constante nas pr\u00f3prias redes sociais numa l\u00f3gica imediatista.<\/h2>\n\n\n\n<p>De completo imediatismo e as pessoas nem param para pensar.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Esse imediatismo tem reflexo no trabalho dos jornalistas?<\/h2>\n\n\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o social caiu nessa armadilha. Quando era suposto que os cidad\u00e3os esperassem dela um trabalho acabado do ponto de vista da confirma\u00e7\u00e3o dos factos, da verifica\u00e7\u00e3o, de fontes diferentes, etc., n\u00e3o\u2026 Por um lado, ela pr\u00f3pria precipita-se a divulgar muitas informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o confirmadas, e por outro, que \u00e9 ainda bem pior, apropria-se muitas vezes de elementos supostamente informativos nas redes, desde logo das pessoas com alguma exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Como se tudo isso fosse not\u00edcia. Por outro lado, os media, eles pr\u00f3prios, alimentam essa espiral porque, al\u00e9m de terem nos meios eletr\u00f3nicos, a vers\u00e3o digital do seu trabalho jornal\u00edstico mais tradicional, utiliza as redes sociais como novos suportes de comunica\u00e7\u00e3o, e muitas vezes redistribuindo os materiais que essas pessoas v\u00e3o disponibilizando. H\u00e1 uma esp\u00e9cie de mercado de futilidades que vai servindo por um lado as pessoas que vivem dessa exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica, por outro lado as supostas audi\u00eancias que os meios mais tradicionais v\u00e3o ganhando com essa atividade.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Neste contexto, parece que o pr\u00f3prio conceito de verdade \u00e9 cada vez mais t\u00e9nue, ou seja, atrav\u00e9s dos meios digitais, das redes sociais, em que \u00e9 f\u00e1cil construir narrativas sem sustenta\u00e7\u00e3o real.&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Desde logo, h\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de verdade. Quer dizer, porque o cidad\u00e3o comum costumava dizer que \u201c\u00e9 verdade porque eu li no jornal\u201d e agora ouvimos com muita frequ\u00eancia \u201cisso \u00e9 verdade porque eu vi na internet\u201d. Seja l\u00e1 o que isso for \u201cna internet\u201d porque este conceito de internet \u00e9 t\u00e3o amplo na cabe\u00e7a das pessoas que elas pr\u00f3prias n\u00e3o sabem distinguir se, o que leram na internet, leram num s\u00edtio eletr\u00f3nico, numa publica\u00e7\u00e3o cred\u00edvel, se leram na conta pessoal de um agitador da extrema-direita ou se leram num blog mais ou menos generoso de um cidad\u00e3o que quer, e tem toda a liberdade para isso, contribuir para difundir informa\u00e7\u00e3o. E, portanto, a sobreabund\u00e2ncia de materiais, todos supostamente informativos, diminui a capacidade de filtrar. E, sobretudo, a pressa que muitas pessoas t\u00eam de apropriar as informa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o dispon\u00edveis, sem ter o cuidado de verificar a sua veracidade, sequer a verossimilhan\u00e7a das informa\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes as mais estapaf\u00fardias, tudo isso gera uma amplitude do pr\u00f3prio conceito de verdade que perverte tudo isto. E isso n\u00e3o \u00e9 nada bom, ou seja, o mal n\u00e3o consiste necessariamente na exist\u00eancia de todos esses recursos, o mal existe \u00e9 na forma como uns procuram instrumentalizar os outros mas, sobretudo, na falta de capacidade para, em tempo \u00fatil, filtrar e interpretar e refletir antes de partilhar aquilo que encontraram.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Esta pandemia pode ser utilizada para criar condi\u00e7\u00f5es para que os governos possam implementar medidas securit\u00e1rias atrav\u00e9s de uma agenda medi\u00e1tica favor\u00e1vel?<\/h2>\n\n\n\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o, de facto, uma crise pand\u00e9mica por um lado, e a pr\u00f3pria natureza da propriedade dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social por outro, a agenda bastante comum e partilhada do ponto de vista ideol\u00f3gico pelos grandes meios, e tamb\u00e9m pelos pequenos, cria ou desenvolve condi\u00e7\u00f5es para que, al\u00e9m das campanhas que foram dirigidas contra a Festa do Avante! e o PCP, desenvolvam outras que est\u00e3o j\u00e1 \u00e0 vista. Por exemplo, quando se v\u00e3o intensificando certos discursos exacerbadamente cr\u00edticos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade \u00e9 bem vis\u00edvel ali que se pretende abrir uma porta para a oportunidade da hospitaliza\u00e7\u00e3o privada. E isto at\u00e9 sem qualquer exerc\u00edcio cr\u00edtico relativamente \u00e0 forma como a hospitaliza\u00e7\u00e3o privada se comportou na 1\u00aa vaga. Assim como \u00e9 vis\u00edvel noutras \u00e1reas, nomeadamente na \u00e1rea laboral, a pr\u00f3pria imprensa alinhar com o discurso do patronato no sentido de reduzir direitos e garantias aos trabalhadores. Quer dizer, repare, esta ideia que tem passado muito de que \u00e9 necess\u00e1ria ajuda \u00e0s empresas. Na imprensa n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que diga \u201cent\u00e3o e os trabalhadores\u201d?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s quando falamos da grande rela\u00e7\u00e3o entre os grupos que controlam, que possuem os meios de comunica\u00e7\u00e3o e quem neles trabalha, muitas vezes, falamos tamb\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias e dos jornais, todos n\u00f3s recebemos imensos emails e comunicados. O que eu te queria perguntar \u00e9 sobre este corredor ou esta porta girat\u00f3ria constante de jornalistas que saem para ag\u00eancias de comunica\u00e7\u00e3o, que saem das ag\u00eancias de comunica\u00e7\u00e3o para a imprensa, isto n\u00e3o \u00e9 perigoso?<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como \u00e9 que v\u00ea as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos jornalistas hoje?<\/h2>\n\n\n\n<p>As condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o muito determinadas por este panorama geral de, por um lado, escassez real de postos de trabalho nas reda\u00e7\u00f5es, fruto por um lado da diminui\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o e por outro de despedimentos. S\u00e3o muito determinadas igualmente pelas v\u00e1rias formas de precariedade, desde o v\u00ednculo contratual \u00e0 pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, uma vez que, em muitos casos, uma boa parte dos sal\u00e1rios \u00e9 constitu\u00edda por fra\u00e7\u00f5es que o patr\u00e3o pode retirar a qualquer momento, incluindo, e sobretudo, ao n\u00edvel das fun\u00e7\u00f5es de chefia e dire\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 uma terceira forma de precariedade que \u00e9 a perce\u00e7\u00e3o da inseguran\u00e7a no emprego. Estas tr\u00eas formas de precariedade condicionam muito o trabalho do jornalista, desde logo, muitas vezes, o desenvolvimento de um comportamento mais acr\u00edtico, mais passivo, de nem sequer contestar instru\u00e7\u00f5es ileg\u00edtimas ou pr\u00e1ticas profissionais erradas.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Diria que se pode falar de autocensura, por vezes? Essa express\u00e3o era muito usada durante o fascismo.<\/h2>\n\n\n\n<p>Eu creio que sim, que se pode falar. Nas circunst\u00e2ncias em que, muitas vezes, o posto de trabalho ou a integridade do sal\u00e1rio est\u00e1 em risco, pode dizer-se que muitos jornalistas se inibem de tomar iniciativa de tratar este ou aquele assunto, se n\u00e3o do desagrado pelo menos do desinteresse de quem orienta a publica\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m alguns temas que porventura possam bulir com os interesses da empresa.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Face aos perigos do recrudescimento do fascismo, considera que a imprensa plural e democr\u00e1tica pode servir de barreira a essa realidade?<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma imprensa verdadeiramente pluralista, democr\u00e1tica, que informe, esclare\u00e7a e ajude a compreender os problemas das pr\u00f3prias pessoas, dos trabalhadores, das suas organiza\u00e7\u00f5es, \u00e9 um instrumento fundamental para barrar o caminho e infelizmente j\u00e1 n\u00e3o podemos dizer ao regresso mas ascenso do fascismo.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">E como construir essa imprensa plural e democr\u00e1tica? Olhando para o nosso contexto, isso \u00e9 poss\u00edvel?&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista formal, em Portugal, h\u00e1 liberdade de criar, produzir e difundir um jornal, mas isso \u00e9 para quem tem dinheiro. Mas h\u00e1 um desafio que n\u00e3o pode ser adiado por muito tempo que \u00e9 o dos pr\u00f3prios jornalistas, especialmente atrav\u00e9s de cooperativas de jornalistas e outros trabalhadores do setor, se organizarem e desenvolverem projetos que, para al\u00e9m de independentes, pensados e produzidos por eles pr\u00f3prios, sempre na \u00f3tica de trabalhadores que s\u00e3o, tenham em vista, desde logo, responder a esta quest\u00e3o essencial: o que \u00e9 que os outros trabalhadores esperam de n\u00f3s? Isto \u00e9, que necessidades \u00e9 que a imprensa capitalista n\u00e3o tem satisfeito e n\u00f3s, at\u00e9 porque tamb\u00e9m somos trabalhadores, seremos capazes de oferecer?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Evidentemente que um desafio desta natureza, por mais generoso que seja (estou a falar de uma cooperativa de produ\u00e7\u00e3o naturalmente), em que nenhum dos autores, nenhum dos cooperadores tenham ambi\u00e7\u00e3o de apropria\u00e7\u00e3o individual do lucro, exige mesmo assim alguns recursos. Mas eu creio que \u00e9 poss\u00edvel gerar um movimento solid\u00e1rio que apoie o lan\u00e7amento de projetos destes e que \u00e9 poss\u00edvel ir mostrando aos cidad\u00e3os, aos trabalhadores que sim, h\u00e1 alternativas a esta imprensa que temos e que est\u00e1 divorciada dos seus interesses e expetativas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alfredo Maia iniciou-se no jornalismo n\u2019O Primeiro de Janeiro e escreve atualmente no Jornal de Not\u00edcias, onde \u00e9 representante dos trabalhadores. O ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas faz parte do Conselho Deontol\u00f3gico desta estrutura sindical e considera que falta diversidade e democracia no panorama medi\u00e1tico portugu\u00eas. 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