{"id":3999,"date":"2020-10-30T14:31:02","date_gmt":"2020-10-30T14:31:02","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3999"},"modified":"2020-10-30T14:31:05","modified_gmt":"2020-10-30T14:31:05","slug":"nasceu-ha-250-anos-beethoven-compositor-universal-e-dos-povos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/10\/30\/nasceu-ha-250-anos-beethoven-compositor-universal-e-dos-povos\/","title":{"rendered":"Nasceu h\u00e1 250 anos. Beethoven, compositor universal e dos povos"},"content":{"rendered":"\n<p>Em dezembro deste ano, assinala-se o nascimento do compositor Ludwig van Beethoven, h\u00e1 250 anos em Bona. Entre outras associa\u00e7\u00f5es, A Voz do Oper\u00e1rio associou-se desde o primeiro momento \u00e0s comemora\u00e7\u00f5es que at\u00e9 estiveram agendadas para o espa\u00e7o desta institui\u00e7\u00e3o mas que devido \u00e0 pandemia foram, entretanto, celebradas na Casa do Alentejo, a 7 de outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sess\u00e3o de homenagem, estiveram presentes, para al\u00e9m de Rosa Honrado Calado, dirigente daquela associa\u00e7\u00e3o, o compositor, maestro e violinista Alexandre Delgado e Ant\u00f3nio Cartaxo, antigo radialista da BBC e da Antena 2, vencedor, como realizador de r\u00e1dio, em 1977, do melhor programa europeu sobre Beethoven. Tamb\u00e9m esteve Jos\u00e9 Carlos Alvarez, diretor do Museu do Teatro, que disponibilizou alguns objetos beethovenianos ali em exposi\u00e7\u00e3o, e a professora Anna Picco, especialista em Hist\u00f3ria de \u00d3pera.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os organizadores estava Maximiano Gon\u00e7alves,&nbsp;tamb\u00e9m ex-radialista da Antena 2, que fez quest\u00e3o de&nbsp;recordar que a arte \u201cliberta e une os homens em irmandade\u201d expressando gratid\u00e3o \u00e0 M\u00fatua dos Pescadores, atrav\u00e9s&nbsp;de Marta Pita, que viabilizou o concerto do Trio de Cordas do Quarteto Moscovo. Num emotivo discurso, Maximiano Gon\u00e7alves recordou que na \u201cmodesta condi\u00e7\u00e3o de comum cidad\u00e3o e mel\u00f3mano, de algu\u00e9m que teve a inavali\u00e1vel sorte de ter sido educado a escutar m\u00fasica, sem a ter aprendido como queria\u201d olha para Beethoven como algu\u00e9m que escreveu m\u00fasica para ser \u201cescutada pelos povos e todos os que constroem comunidades fraternas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O ex-radialista lembrou Hans Keller, c\u00e9lebre austr\u00edaco, for\u00e7ado a fugir do nazismo e que se radicou em Inglaterra, onde trabalhou na BBC, e que apontou Beethoven como \u201ctalvez a mente maior de toda a humanidade\u201d, opini\u00e3o corroborada pelo cr\u00edtico liter\u00e1rio franco-alem\u00e3o George Steiner, falecido no princ\u00edpio deste ano. Para Hans Keller, de todos os homens de exce\u00e7\u00e3o que a hist\u00f3ria assinala na ci\u00eancia e na arte, nenhum foi mais longe do que o compositor na observa\u00e7\u00e3o da sociedade que o rodeia.<\/p>\n\n\n\n<p>No funeral de Beethoven, o poeta e escritor austr\u00edaco Franz Grillparzer transmitiu precisamente este reconhecimento ao g\u00e9nio da m\u00fasica, salientando que ele se batera pelo pr\u00f3prio povo e pela humanidade como um todo. \u201cTodos os que se reconhecem do povo t\u00eam o direito e o dever de festejar Beethoven como um superior artista do progresso\u201d, sublinhou Maximiano Gon\u00e7alves que tamb\u00e9m recordou palavras de Schubert e Wagner sobre o compositor e n\u00e3o esqueceu a afirma\u00e7\u00e3o do pianista Artur Schnabel sobre um homem que quis a m\u00fasica como pensamento: \u201cPassar, simplesmente, de uma nota para outra, em Beethoven, exige pensar, exige interpretar.<br>Beethoven procurou, toda a vida, n\u00e3o s\u00f3 ver mas manifestar um olhar atento ao que acontece pelo mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A sua m\u00fasica, deliberadamente, reflete e pensa. Quando o compositor escolhe algumas est\u00e2ncias da \u201cOde \u00e0 Alegria\u201d, que era, ali\u00e1s, originalmente, \u201cOde \u00e0 Liberdade\u201d, alterada por coa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, Maximiano Gon\u00e7alves destaca que \u00e9 a evid\u00eancia de que est\u00e1 atento ao significado da 9\u00aa Sinfonia. E \u00e9 ele mesmo que escreve algumas das palavras ouvidas no andamento final.<br>Beethoven \u00e9 o primeiro dos grandes m\u00fasicos a recusar ser funcion\u00e1rio ao dispor de nobres, pr\u00edncipes e majestades, a ser servo, mesmo que acarinhado, honrado e bem pago. O que pediu, e nem sempre com \u00eaxito, foi pagamento, contratos de trabalho, garantias de poder exercer a sua profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O artista afirmou que devia poder \u201cabastecer-se em um armaz\u00e9m do que necessitasse\u201d, que era, de acordo com o ex-radialista, a formula\u00e7\u00e3o marxista expressa na Cr\u00edtica ao Programa de Gotha: \u201cDe cada qual segundo as suas capacidades, a cada qual segundo as suas necessidades\u201d. Eis como Beethoven enuncia, de modo lapidar, o que entendia ser o compromisso entre a sociedade e o trabalhador da arte, refere Maximiano Gon\u00e7alves.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a obra de Beethoven continua, indelevelmente viva e a sua personalidade reconhecida universalmente como legado de todos os povos t\u00e3o bem expressa nas suas palavras: \u201cQuem chegar a compreender a minha m\u00fasica tem de libertar-se de todas as mis\u00e9rias\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em dezembro deste ano, assinala-se o nascimento do compositor Ludwig van Beethoven, h\u00e1 250 anos em Bona. 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