{"id":3932,"date":"2020-10-02T12:57:26","date_gmt":"2020-10-02T12:57:26","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3932"},"modified":"2020-10-12T14:01:48","modified_gmt":"2020-10-12T14:01:48","slug":"sozinhos-nao-somos-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/10\/02\/sozinhos-nao-somos-nada\/","title":{"rendered":"Sozinhos n\u00e3o somos nada"},"content":{"rendered":"\n<p>A hist\u00f3ria da maior central sindical portuguesa \u00e9 a trajet\u00f3ria de milh\u00f5es de trabalhadores an\u00f3nimos que nada mais t\u00eam para vender do que o seu trabalho em troca de um sal\u00e1rio e que lutam por uma vida melhor. Se jornais, r\u00e1dios e televis\u00f5es t\u00eam apostado em disseminar preconceitos sobre o papel dos sindicatos, h\u00e1 quem n\u00e3o tenha d\u00favidas de que \u00e9 na luta que se conquistam direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso de Josu\u00e9 Bastos, de 34 anos, oper\u00e1rio na Fima Ol\u00e1, onde j\u00e1 tinha trabalhado o seu av\u00f4. Mas este oper\u00e1rio da ind\u00fastria alimentar n\u00e3o herdou apenas o of\u00edcio. A hist\u00f3rica presen\u00e7a do Sindicato dos Trabalhadores das Ind\u00fastrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente (SITE) nesta empresa transporta consigo uma mem\u00f3ria de lutas que n\u00e3o pode ser desligada de direitos de que hoje Josu\u00e9 Bastos usufrui. \u00c0 Voz do Oper\u00e1rio, este delegado e dirigente sindical explica que come\u00e7ou a trabalhar ali h\u00e1 10 anos, com 24 anos e que se sindicalizou um ano depois.<\/p>\n\n\n\n<p>O sindicato est\u00e1 muito bem estruturado dentro da Fima Ol\u00e1 e foi precisamente com essa presen\u00e7a robusta que o SITE Sul protagonizou uma luta contra a dire\u00e7\u00e3o da empresa quando esta decidiu impedir a realiza\u00e7\u00e3o de plen\u00e1rios sindicais. \u201cHouve uma mudan\u00e7a e n\u00e3o nos queriam deixar reunir. Arranjavam atritos para mostrar que o sindicato n\u00e3o era bem-vindo. Isto durou dois anos\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/putoFIMO-OLA_300cmyk.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3933\" width=\"424\" height=\"565\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/putoFIMO-OLA_300cmyk.jpg 443w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/putoFIMO-OLA_300cmyk-225x300.jpg 225w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/putoFIMO-OLA_300cmyk-135x180.jpg 135w\" sizes=\"(max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/><figcaption>Josu\u00e9 Bastos na comemora\u00e7\u00e3o do 1\u00ba de Maio, este ano, em Lisboa.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Foi atrav\u00e9s da luta que for\u00e7aram a dire\u00e7\u00e3o a aceitar a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores dentro da empresa. Agora, os representantes do sindicato tratam de refor\u00e7ar a interven\u00e7\u00e3o sindical e a participa\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios. Para Josu\u00e9 Bastos, o sindicalismo n\u00e3o \u00e9 algo do passado. \u201cMuitas pessoas desconhecem as organiza\u00e7\u00f5es sindicais mas s\u00e3o muito importantes para garantir os nossos direitos. O mercado nunca vai estar favor\u00e1vel aos trabalhadores\u201d, sublinha enquanto destaca a luta pela contrata\u00e7\u00e3o coletiva e pelas horas extraordin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas neste combate hist\u00f3rico cabem tamb\u00e9m trabalhadores que imigraram em busca de uma vida melhor. Milena Barbosa \u00e9 um desses exemplos. Com 28 anos, esta jovem partiu do Brasil h\u00e1 quatro anos abandonando uma vida em que apesar de trabalhar 15 horas por dia n\u00e3o chegava para pagar uma casa e as contas. Agora trabalha na Accenture, empresa multinacional de consultoria de gest\u00e3o, tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e outsourcing.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro ano e meio, acreditou nas chefias e trabalhou o m\u00e1ximo que p\u00f4de para subir na carreira. Rapidamente percebeu que n\u00e3o era assim. \u201cEssa ideia que muitos patr\u00f5es pregam de que se trabalhar muito sobe na carreira foi uma coisa que eu comprei durante um tempo. Eu sinto que se abdicasse de todos os meus princ\u00edpios e valores, e estivesse disposta a ajoelhar e fazer tudo o que eles quisessem, quem sabe&#8230; mas eu n\u00e3o estou disposta a fazer isso e acho tamb\u00e9m que esse n\u00e3o \u00e9 o caminho\u201d, explica a delegada sindical \u00e0 Voz do Oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"886\" height=\"591\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/IMG_2469_300cmyk.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3934\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/IMG_2469_300cmyk.jpg 886w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/IMG_2469_300cmyk-300x200.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/IMG_2469_300cmyk-768x512.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/IMG_2469_300cmyk-150x100.jpg 150w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/IMG_2469_300cmyk-370x247.jpg 370w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/IMG_2469_300cmyk-220x147.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 886px) 100vw, 886px\" \/><figcaption>Milena Barbosa, delegada sindical da Accenture.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Acabou por ficar em baixa m\u00e9dica psiqui\u00e1trica e foi ent\u00e3o que decidiu conversar com alguns membros do Sindicato dos Trabalhadores do Com\u00e9rcio, Escrit\u00f3rios e Servi\u00e7os de Portugal (CESP). \u201cEu j\u00e1 conhecia algumas pessoas envolvidas com a CGTP e sempre foram pessoas que me encorajaram a buscar o sindicato. Foi a melhor coisa que fiz. Quando eu encontrei o CESP e pude falar de toda esta situa\u00e7\u00e3o na empresa tive todo o apoio necess\u00e1rio\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora \u00e9 delegada sindical e representa muitos jovens e tamb\u00e9m imigrantes que trabalham na Accenture. Uma das principais lutas em que est\u00e3o envolvidos visa conseguir que a empresa aceite reuni\u00f5es dentro de portas. \u201cA empresa nunca permitiu que n\u00f3s entr\u00e1ssemos para termos uma reuni\u00e3o sindical e no ano passado fizemos uma a\u00e7\u00e3o \u00e0 porta da empresa. Foi uma oportunidade de mostrar que o sindicato est\u00e1 disposto a dar a cara\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Milena Barbosa considera que os sindicatos s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es para que \u201cos trabalhadores se organizem para lutarem pelos seus direitos, para que se sintam apoiados\u201d. Explica que sempre sentiu que lutava sozinha contra os seus chefes e que podia acabar despedida. \u201cO sindicato vem para mostrar o contr\u00e1rio. Historicamente o que a gente v\u00ea s\u00e3o os trabalhadores conseguindo reivindicar e usufruir de todos os seus direitos pela uni\u00e3o e pela luta. Eu acho que n\u00e3o d\u00e1 para fazer nada disso sozinho e para mim \u00e9 isso que a CGTP-IN e os sindicatos representam: a luta\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria da maior central sindical portuguesa \u00e9 a trajet\u00f3ria de milh\u00f5es de trabalhadores an\u00f3nimos que nada mais t\u00eam para vender do que o seu trabalho em troca de um sal\u00e1rio e que lutam por uma vida melhor. 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