{"id":3869,"date":"2020-09-02T11:27:45","date_gmt":"2020-09-02T11:27:45","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3869"},"modified":"2020-09-02T11:27:48","modified_gmt":"2020-09-02T11:27:48","slug":"nao-estamos-todos-no-mesmo-barco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/09\/02\/nao-estamos-todos-no-mesmo-barco\/","title":{"rendered":"N\u00e3o estamos todos no mesmo barco"},"content":{"rendered":"\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se pretende fazer crer, n\u00e3o estamos todos no mesmo barco. Os nefastos efeitos econ\u00f3micos e sociais da pandemia Covid-19 abatem-se sobretudo sobre os trabalhadores e as camadas mais desprotegidas da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram agora publicados os dados estat\u00edsticos relativos ao 2\u00ba trimestre de 2020, os quais espelham esses efeitos catastr\u00f3ficos, n\u00e3o compensados pelas insuficientes e limitadas medidas tomadas pelo Governo. S\u00e3o disso exemplo os dados referentes \u00e0 brutal quebra de 16,5% no PIB, bem como os relativos ao desemprego, recentemente divulgados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o pr\u00f3prio INE que assinala que que esta grande quebra da atividade econ\u00f3mica \u00e9 em larga medida explicada pelo contributo negativo da procura interna, dando raz\u00e3o a quem sempre denunciou o erro que consiste na ado\u00e7\u00e3o de medidas com efeito direto na redu\u00e7\u00e3o do rendimento das pessoas e o insuficiente combate aos despedimentos, que conjugados tiveram um impacto bem negativo no poder de compra das fam\u00edlias, bem como as insuficientes medidas de apoio aos trabalhadores independentes e \u00e0s micro, pequenas e m\u00e9dias empresas que se viram sem vendas e receitas, pela dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o ou encerramento da sua atividade, sem que, por outro lado, se tenha verificado uma efetiva dinamiza\u00e7\u00e3o e acelera\u00e7\u00e3o do investimento p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se ter uma ideia do efeito muito negativo no emprego, refira-se que no 2\u00ba trimestre o emprego total diminuiu em cerca de 135 mil postos de trabalho em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre anterior (-2,8%), sendo essa redu\u00e7\u00e3o de 186 mil, quando comparada com o trimestre hom\u00f3logo de 2019 (-3,8%).<\/p>\n\n\n\n<p>Estes efeitos refletem a aus\u00eancia de medidas que impedissem os despedimentos, expediente usado pelo patronato para se livrar de milhares de trabalhadores, na grande maioria em situa\u00e7\u00e3o de precariedade. \u00c9 em momentos como este que v\u00ea qu\u00e3o justa foi a luta contra as sucessivas revis\u00f5es das leis laborais, sempre feita em detrimento dos direitos dos trabalhadores, com especial \u00eanfase para a imposi\u00e7\u00e3o da caducidade da contrata\u00e7\u00e3o coletiva bem como pela n\u00e3o obriga\u00e7\u00e3o de que a um posto de trabalho permanente deve corresponder um contrato de trabalho efetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O caminho da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e do desenvolvimento do pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 no ataque aos direitos dos trabalhadores, na precariedade, nos baixos rendimentos, no desemprego e na pobreza, nem t\u00e3o pouco est\u00e1 na submiss\u00e3o \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia, como atualmente se verifica a pretexto da atribui\u00e7\u00e3o de um novo montante de fundos comunit\u00e1rios, imposi\u00e7\u00f5es essas (ou reformas, como lhes chamam), em que pretendem reduzir o papel do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (em prol da sa\u00fade\/neg\u00f3cio dos privados), desinvestir na Seguran\u00e7a Social, retirando-lhe o car\u00e1ter p\u00fablico e universal, ou ainda agravando o pacote laboral no sentido do incremento da j\u00e1 de si muito elevada precariedade laboral.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e3o \u00e0 vista de todos os efeitos tremendamente nefastos da subordina\u00e7\u00e3o aos grandes interesses econ\u00f3micos, a quem a pol\u00edtica de direita entregou de forma descarada alavancas fundamentais da nossa economia, com as desastrosas consequ\u00eancias conhecidas, como no caso das parcerias publico privadas em que enquanto os lucros s\u00e3o apropriados pelo grande capital, os preju\u00edzos s\u00e3o suportados por todos n\u00f3s, isto para n\u00e3o falar do grande esc\u00e2ndalo do Novo Banco, em que os muitos milhares de milh\u00f5es de euros que foram saqueados (era bom que para al\u00e9m da determina\u00e7\u00e3o das falcatruas que ocorreram, tamb\u00e9m se investigasse onde todo esse dinheiro foi parar).<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e3o graves quanto a desastrosa solu\u00e7\u00e3o de privatizar o Banco e p\u00f4r os portugueses a suportar os seus preju\u00edzos, s\u00e3o as not\u00edcias que agora t\u00eam vindo a lume de venda de patrim\u00f3nio ao desbarato, mais uma vez em benef\u00edcio do grande capital (escondido atr\u00e1s de contas offshore) de novo \u00e0 nossa custa.<\/p>\n\n\n\n<p>O caminho de recupera\u00e7\u00e3o da nossa economia exige uma pol\u00edtica de desenvolvimento soberano do Pa\u00eds, indissoci\u00e1vel de op\u00e7\u00f5es e medidas que desde logo, aposte no aumento do rendimento dos trabalhadores e reformados, assuma o investimento p\u00fablico e controlo dos sectores b\u00e1sicos e estrat\u00e9gicos e promova a produ\u00e7\u00e3o nacional, defenda os servi\u00e7os p\u00fablicos, promova justi\u00e7a fiscal, combata a corrup\u00e7\u00e3o e defenda a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao contr\u00e1rio do que se pretende fazer crer, n\u00e3o estamos todos no mesmo barco. 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